Eliseu Gabriel: “Falta de reconhecimento a Landell é problema cultural”

Eliseu Gabriel

No próximo domingo (21/1) completam-se 157 anos do nascimento do padre gaúcho Roberto Landell de Moura, inventor do rádio, figura histórica pouco conhecida no Brasil. Em 2011, ele foi homenageado pelo vereador paulistano Eliseu Gabriel (PSB) com o título de Cidadão Paulistano, in memoriam. Agora, Eliseu, com o apoio deste J&Cia e do biógrafo de Landell Hamilton Almeida, está propondo a criação do Prêmio Landell de Moura de Radiojornalismo no âmbito da Câmara Municipal, e de forma permanente. J&Cia conversou com ele sobre a iniciativa e sobre a falta de reconhecimento ao padre-cientista e sua obra.

Jornalistas&Cia – Por que essa dificuldade de heróis, como Landell, não conseguirem ter seu brilho reconhecido em seu próprio País?

Eliseu Gabriel – É um problema cultural no Brasil, infelizmente. A importância da soberania, tão fundamental para uma nação, ainda não é devidamente assumida em nosso País.

J&Cia – Qual a importância desse prêmio para a memória de Landell e para o próprio radiojornalismo?

Eliseu – Nosso objetivo é selecionar, anualmente, os profissionais que mais se destacaram em suas respectivas categorias de radiojornalismo e prestar a devida homenagem ao inventor do rádio, o brasileiro padre Roberto Landell de Moura, que, com seu brilhantismo, foi o verdadeiro pioneiro das telecomunicações no mundo, mas que, infelizmente, faleceu sem o devido reconhecimento. É também uma forma oportuna de prestar uma homenagem a esse padre-cientista e deixar seu nome na memória dos jornalistas. Claro, além de premiar os profissionais em destaque do radiojornalismo, o prêmio também estimulará o interesse pelo conhecimento dos experimentos de Landell de Moura, além de promover o surgimento de novos profissionais de radiojornalismo. Serão premiadas as categorias: âncora; repórter; comentarista e programa de radiojornalismo.

J&Cia – Quando esse prêmio de radiojornalismo terá sua primeira edição?

Eliseu – Será em 20 de junho de 2018.

J&Cia – Temos empreendido uma luta de mais de oito anos pelo reconhecimento de Landell no País, sobretudo no ensino básico, com a perspectiva de que nossas crianças conheçam o padre-cientista como a outros heróis brasileiros. No entanto, em que pesem gestões diversas até no Ministério da Educação, em Brasília, não temos tido sucesso. Apenas Porto Alegre, terra de origem de Landell, fez esse movimento e tornou obrigatório o ensino da obra científica de Landell nos cursos básicos municipais. O senhor tem um projeto na Câmara paulistana com a mesma proposta. Sabe dizer como ele anda e também que outras eventuais ações podem ser feitas nessa direção?

Eliseu – Tramitou na Comissão de Constituição e Justiça em 2014, foi arquivado, voltou em 2017. Esperamos que ações como essa, do Prêmio Landell de Moura de Radiojornalismo, possam ajudar na aprovação do projeto de lei.

J&Cia – Como o senhor enxerga Landell na galeria dos heróis e grandes cientistas brasileiros?

Eliseu – Landell foi um inventor e cientista. Desenvolveu suas experiências no Brasil com parcos recursos técnicos e financeiros. Num país ainda tão carente em apoiar e desenvolver sua produção técnica e científica, deixar de prestigiar e divulgar a obra de Landell de Moura é desperdiçar a oportunidade de reconhecer para a posteridade os feitos e a glória de um dos grandes gênios brasileiros.

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