Curso aborda aplicações de conteúdos de cartografia no jornalismo

Vitor George, especialista em dados abertos e cartografia na web, realizará em São Paulo, na Cemec (rua Silvia, 423), de 4 a 7/5, das 19h30 às 22h30, o curso Cartografia na Web, que oferece aulas práticas sobre como utilizar as plataformas CartoDB e JEO e as ferramentas QGIS e Mapbox Studio para a produção de um projeto web com mapas que podem complementar narrativas jornalísticas. Um dos responsáveis pelos mapas dos projetos InfoAmazonia.org e CodigoUrbano.org, Vitor explicou ao Portal dos Jornalistas, entre outras coisas, as possíveis aplicações desse tipo de conteúdo na área de jornalismo: Portal dos Jornalistas – Quais são as aplicações de conteúdos de cartografia no jornalismo? Para que, exatamente, um jornalista pode usar esse tipo de conhecimento? Vitor George – Existem muitas possibilidades, desde de um mapa estático e até ferramentas que misturam mapas com texto e vídeo. No projeto InfoAmazonia, por exemplo, temos notícias sobre a Região Amazônica georeferenciadas em mapas temáticos sobre desmatamento, trabalho escravo, mineração e outros, que facilitam ao leitor um entendimento mais amplo sobre as questões que afetam a região. Para as ferramentas de mapas interativos que vamos abordar no curso, o jornalista pode usar integralmente as potencialidades da internet, que diferenciam este meio dos demais, analógicos. Quer dizer que o leitor passa a interagir e buscar em minúcias as informações que interessam a ele no conteúdo publicado, sem que todas tenham que constar no texto – até porque, com as ferramentas que vamos apresentar, a quantidade de dados a ser disponibilizada é muito maior do que o espaço de texto à disposição da maioria dos jornalistas.   Portal dos Jornalistas – Quais são as vantagens e desvantagens da disponibilização de dados de cartografia abertamente, sem restrições como cobrança ou exclusividade de acesso? Vitor George – O modelo proprietário de produção cartográfica restringe acesso aos dados brutos de um mapa. Como é possível gerar um mapa temático sem ter acesso aos dados brutos? Ao usar dados do IBGE ou do OpenStreetMap, por exemplo, as possibilidades são infinitas. Cada matéria ou reportagem pode ser uma porta de entrada a um tema específico. Pense, por exemplo, que alguém esteja fazendo uma pesquisa cujos dados publicados na matéria são relevantes para o seu trabalho. Esse pesquisador poderia usar essas informações para obter novas conclusões ou fazer outras correlações a partir daquilo que foi publicado pelo jornalista. Assim, o trabalho torna-se mais relevante à sociedade como um todo. Cobrar pelo acesso a esse conteúdo seria o caminho oposto a esta ideia, de democratização da informação.    Portal dos Jornalistas – Você acredita que o geojornalismo seja uma tendência em ascensão? Vitor George – Sim, o uso de mapas amplia muito a possibilidade de narrativas. Hoje existem diversas ferramentas para a criação de mapas e, com um pouco de capacitação, é possível desenvolver projetos bastante interessantes.   Leia mais + Dança das cadeiras no comando de O Povo CBN e TV O Povo + TRT-2 proíbe Estadão de fazer novas demissões + Folha corta 50, sendo 30 na Redação