Assis Ângelo decide vender acervo do Instituto Memória Brasil

Ele vai divulgar semanalmente em Jornalistas&Cia as preciosidades que guarda

 

Você sabia que entre as preciosidades do acervo do Instituto Memória Brasil, o maior no gênero de cultura popular em mãos de particular no Brasil, estão o primeiro disco produzido de forma independente no País por Cornélio Pires, em 1929, e toda a sua série, além dos dois filmes que ele fez, também no começo do século passado? E que só Geraldo Vandré ocupa quase uma divisão inteira de suas abarrotadas estantes, reunindo gravações de intérpretes brasileiros e do exterior de músicas como Caminhando (Pra não dizer que não falei de flores), além de composições inéditas?

Essas e outras raridades do IMB estarão nas páginas de Jornalistas&Cia a partir da próxima semana na forma de uma coluna que Assis Ângelo, um dos maiores estudiosos da cultura popular brasileira, com vários livros publicados sobre o tema, vai produzir sobre o acervo da entidade que preside. Cego desde 2013 por causa de descolamento das retinas e sem condições físicas e financeiras de manter o material, que começou a reunir há mais de 40 anos, decidiu pô-lo à venda.

“Minha ideia é repassar esse acervo a alguma instituição que possa preservá-lo e deixá-lo à disposição para pesquisas de estudantes e quem mais se interesse por cultura popular e para a produção de programas de rádio e TV, filmes, livros, exposições e diversas outras aplicações”, diz. “Fiz isso enquanto pude, mas agora não tenho mais condições de continuar e esse rico material corre o risco de se deteriorar”.

O apartamento em que mora, no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo, abriga cerca de 150 mil itens, incluindo discos de todos os formatos (78, 76, 45 e 33 1/3 rpm; compactos simples e duplos, LPs, CDs), mais de 20 mil fotos de artistas, milhares de partituras, folhetos de cordel e livros sobre música e folclore, centenas de fitas-cassete e MDs com entrevistas exclusivas com compositores e intérpretes (como Silvio Caldas, Nelson Gonçalves, Pedro Sertanejo, Antenógenes Silva, Manezinho Araújo, João Pacífico, Adauto Santos, Alberto Marino Jr., Mário Zan, Paulinho Nogueira, Waldir Azevedo, Carlos Poyares, Zica Bergami), poetas populares/repentistas como Patativa do Assaré, Diniz Vitorino, Otacílio Batista, e estudiosos como Luís da Câmara Cascudo e Paixão Cortes. Há também muitos jornais e revistas, como Careta, O Malho, O Mundo Ilustrado, Revista Ilustrada, que precisam ser digitalizados e catalogados.

Não é a primeira vez que Assis divulga em Jornalistas&Cia informações sobre preciosidades do seu acervo. Ele fez isso em passado recente, ao publicar na newsletter, de abril de 2012 a agosto de 2013, a coluna semanal De papo pro ar, em que narrava causos reais e engraçados de artistas brasileiros, e 17 edições do especial mensal J&Cia – Memória da Cultura Popular, com a íntegra de algumas das grandes entrevistas que fez em seus mais de 40 anos de carreira.

Ele, que ainda mantém um blog que leva seu nome, afirma ter esperança de que alguém se sensibilize e leve adiante a tarefa “de mostrar à sociedade um país de manifestações populares, de ritmos regionais, da música de qualidade, dos cordelistas e repentistas, dos poetas do povo”.

Confira mais informações no YouTube.

2 comments

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  1. Conheço o acervo. A instituição que o adquirir só tem a ganhar com a enorme quantidade de discos raros, além de revistas e livros que a gente não encontra nem nos melhores sebos. Não entendo porque o Instituto Moreira Sales, o Instituto Itaú, a Biblioteca Municipal e outras organizações ainda não se interessaram pelo rico material.

  2. Olá sou do Instituto Marcio Jose Schali, que tem a finalidade de preservar acervos históricos e importantes do nosso país, se ainda existir a vontade de fazer a doação, aceitaremos com o maior prazer se comprometendo a trata-la e preserva-la para o futuro, sem mais um grande abraço.
    Marcio Jose Schali – Presidente (19) 32266733

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