América Latina é tão perigosa quanto o Oriente Médio para jornalistas, informa RSF

O relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado em 17/12, aponta que a América Latina pode ser tão perigosa quanto o Oriente Médio para jornalistas. O estudo contabiliza mortes, detenções, sequestros e desaparecimentos de jornalistas ao redor do globo. Na América Latina, 14 jornalistas foram mortos em coberturas ou por serem jornalistas. Só no México, foram dez.

O estudo mostra também uma queda de cobertura jornalística em regiões de guerra, especialmente no Oriente Médio. Os profissionais sofrem ataques, sequestros, prisões arbitrárias e, em casos extremos, morte. Além disso, as leis de proteção ao jornalista são muito restritivas na região.

Curiosamente, a pesquisa aponta também o menor número de jornalistas mortos no mundo desde 2003, quando o estudo passou a ser realizado: 49 mortes. Essa baixa tem a ver com uma redução de mortes de jornalistas em zonas de guerra. Porém, segundo analisa Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, “mais e mais jornalistas estão sendo assassinados por causa de seu trabalho em países democráticos, o que cria um desafio para a manutenção da democracia nos lugares em que esses profissionais vivem e trabalham”.

A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) se também se posicionou sobre a situação. Para Younes Mjahed, presidente da FIJ, “que haja menos mortes de jornalistas deve ser um motivo de alívio para todos os que estão unidos na luta para garantir a segurança dos/as jornalistas, uma causa que tem motivado a FIJ durante décadas. Porém, não é tão satisfatório ver como nossos informes revelam constantemente que haja mais mortes de jornalistas em países em situações de paz por reportar sobre corrupção, crimes organizados e abuso de poder que em zonas de guerra. O fracasso dos governos para deter a impunidade destes crimes deve ser abordado através da Convenção da ONU para a proteção de jornalistas que estamos promovendo”.

Com informações da Abraji.

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