O adeus a Emeri Loreto

Faleceu no último dia 30/9, em Salvador, vítima de câncer, Emeri Loreto, ex-executiva da Editora Abril e que há mais de dez anos convivia com as sequelas de um grave AVC que afetou de forma intensa seus movimentos e, por causa disso, sua própria vida.   Ela vivia sozinha na capital baiana, com a ajuda de amigos e tendo a companhia de sua empregada, Aline, e de um motorista de táxi, André. Pelo que se apurou, ela passou mal no Hospital Geral Roberto Santos, enquanto esperava o momento de fazer coleta de material para biópsia do câncer. Teve duas paradas cardiorrespiratórias, entrou em coma e faleceu. Era solteira e não deixou familiares.   Viveu grande parte de sua carreira à frente da revista Casa Claudia, quando de lá saiu após décadas de trabalho, amizades e reconhecimento, nunca voltou a ser a mesma. Veio a doença e com ela as agruras, sobretudo financeiras, o que a levou a depender da ajuda de amigos.   Quando ainda conseguia se locomover, chegou a visitar a equipe de Jornalistas&Cia para mostrar tanto a si mesma quanto para o mercado que ainda continuava apta para exercer o seu ofício, especialista que era em decoração e arquitetura, herança dos muitos anos à frente de Casa Claudia.   Mesmo com esforço, mas já debilitada, os trabalhos (aqueles que conseguia fazer, mesmo com as limitações impostas pela doença) foram rareando, o que a levou a mudar-se algum tempo depois para a Bahia. Foi com sua mãe, já idosa e que veio a falecer um pouco depois, e ali ficou até seus últimos dias, já presa a uma cadeira de rodas. Mas ainda assim, como relatam amigos, ajudava a empregada, o filho da empregada, lia muito, escrevia.   ?Era a personificação da fênix: renascia a cada queda, cada vez mais forte e mais lúcida, sem nunca reclamar ou se revoltar com a vida?, escreveu uma amiga, que a ajudava. Longe de tudo e de todos, já sem trabalho, viu a doença avançar ainda mais e desde maio sofria com um ?torcicolo?, que era, na verdade, um câncer, ou, nas palavras do motorista de táxi André, ?enfisema pulmonar; agravado por linfonodos nos pulmões; e por um tumor na região da garganta?.