O que Chitãozinho & Xororó têm a ver com a história de Mairiporã? Por que cidades como São Bernardo do Campo e Santo André comemoram quase 500 anos de história, se nasceram 200 anos depois? E qual foi, afinal, o papel de negros, indígenas e bandeirantes na construção da metrópole paulista? As respostas a essas perguntas podem ser encontradas em um universo pouco explorado pela historiografia e pelo debate público: os hinos municipais.

Foi de olho neste universo que Paulo Talarico, cofundador, diretor de treinamento e dados da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, se aprofundou na história de 35 municípios da Grande São Paulo e seus hinos. Mais do que peças cerimoniais, essas músicas funcionam como narrativas condensadas do passado: exaltam personagens, datas e feitos específicos, enquanto silenciam conflitos, disputas sociais e grupos historicamente marginalizados.
Em Hinos cantam histórias em SP: como as cidades da Grande São Paulo contam o próprio passado (Caravana), o leitor é convidado a percorrer a história da Região Metropolitana de São Paulo a partir da análise crítica dessas canções. “Ao longo do livro, percorro os hinos municipais da Grande São Paulo para investigar como essas cidades construíram narrativas sobre o próprio passado e quais histórias ficaram de fora delas”, explica o autor. “É um projeto que reúne duas áreas que me acompanham há bastante tempo: jornalismo local e história, caminhando lado a lado com o trabalho da Agência Mural de Jornalismo das Periferias”.









