Por Luciana Gurgel

Pouco dias antes do World News Day 2026, um levantamento da Repórteres Sem Fronteiras revelou que os pouquíssimos acordos entre empresas de inteligência artificial e veículos de imprensa estão longe de serem distribuídos de forma equilibrada.
De apenas 230 contratos anunciados publicamente e identificados pela organização, 71% estão concentrados em cinco países de língua inglesa: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Há poucos acordos registrados na Ásia e América Latina.
A análise reforça as preocupações da campanha global em defesa do jornalismo, que neste ano deu grande destaque aos riscos que a IA raz para a produção, a distribuição, a confiabilidade e, sobretudo, o financiamento da imprensa.
A campanha usou a mensagem Conheça os fatos. Entenda o que importa. Escolha jornalismo confiável.
Mas não se trata apenas de educação midiática, e sim da própria origem das notícias confiáveis, que pode acabar comprometida.
Praticar bom jornalismo exige dinheiro. E muitos veículos, de grandes a pequenos, gerais ou nichados, estão de fora da divisão do bolo da IA, ao mesmo tempo em que disputam tráfego com os resumos oferecidos pelos chatbots.

“Todos defendem a liberdade de imprensa, mas, além de livre, a imprensa também precisa ser robusta, economicamente saudável e viável a longo prazo”, escreveu Marcelo Rech, presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais, em um dos artigos publicados pela campanha.
Ele lembra que informação verificada, equilibrada e plural é um bem cada vez mais escasso neste mundo atordoado pelas manipulações e deepfakes, e que deveria ser tratada como um bem precioso pelas bilionárias plataformas de IA.
“Mas se recusam a remunerar devidamente os fornecedores de seu insumo mais relevante, exatamente a informação precisa e confiável ainda produzida pelas redações”. O levantamento das RSF traduz essa recusa em números.
Leia mais sobre o relatório em MediaTalks.
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