Por Álvaro Bufarah (*)

Se antes o talento de rádio era medido em décimos de audiência Nielsen, hoje ele se redefine no ímã invisível que cria − sua marca pessoal. Essa marca transcende o estúdio, vive em plataformas, podcasts, eventos e, sobretudo, no coração do público.

Um estudo recente da Radio Ink afirma que o ativo mais valioso que um talento pode ter já não é sua posição nas grades de audiência, mas sua presença estratégica como marca. É o que permite sobreviver quando estações mudam, formatos são reinventados ou empresas são vendidas. O caso de Dave Ramsey, que expandiu um programa local para um império com livros, eventos e network de podcasts, não é exceção: é exemplo do caminho a seguir.

O cenário global do podcast exemplifica essa nova dinâmica. Em 2025, espera-se que 584 milhões de pessoas ouçam podcasts − alta de quase 7% em relação ao ano anterior − e esse número pode ultrapassar 650 milhões até 2027. Esses números impressionam, mas é ainda mais revelador que todo ouvinte dedica em média 7 horas por semana a conteúdos sonoros.

E o mercado responde em sintonia: a receita publicitária em podcasts nos EUA deverá ultrapassar US$ 2,3 bilhões em 2025, com crescimento anual de 25%. Além disso, 76% dos ouvintes tomam alguma ação após ouvir um anúncio em podcast, um indicador claro de engajamento e confiança gerados.

A introdução de vídeo nos podcasts só intensificou essa expansão. Em 2024, mais de 250 milhões de usuários assistiram podcasts em vídeo pela Spotify, e gigantes como YouTube ultrapassaram 1 bilhão de ouvintes mensais, com mais de 400 milhões de horas visualizadas em TVs.

Apoio à marca pessoal não é apenas marketing: é construção de confiança. Uma pesquisa da agência Magid revela que apresentadores de rádio e podcasts são percebidos como altamente autênticos e conectados às comunidades que servem. Essa ligação emocional rende frutos − especialmente em publicidade −, em que anúncios lidos por hosts demonstram maior credibilidade, e emissoras que combinam rádio com presença digital reforçam a conscientização da marca.

O valor da personal branding não é mito: acadêmicos confirmam sua potência. Uma análise qualitativa de estratégias para radialistas destaca a importância de consistência, autenticidade e engajamento ativo com o público por meio de plataformas digitais como redes sociais, podcasts e sites pessoais. E, num cenário mais amplo, o personal branding emerge como crucial para criadores de conteúdo ganharem destaque, confiança e oportunidades − dos conteúdos digitais ao marketing de influência.

Imagine um estúdio de rádio − microfones, sons quentes, vozes que se conectam −, mas que não termina ali. A marca pessoal revela-se quando o radialista abre um simples site ou grava um podcast extra, criando pontes com públicos que nunca ouviram sua frequência.

A marca é a identidade que você carrega para além da antena. E no ritmo acelerado do mundo moderno, essa identidade é o que faz sua voz persistir. Quando você confia na sua marca, cultiva audiência e constrói plataformas… é a sua história que segue viva, e não apenas o formato do seu programa.


Fontes de Pesquisa

  • Radio Ink – Your Brand Speaks Louder Than Ratings (2025) − radioink.com
  • DemandSage – Podcast Statistics 2025 − demandsage.com
  • Backlinko – Global Podcast Stats (2025) − backlinko.com
  • Blubrry – Podcast Industry Statistics (2025) − blubrry.com
  • Amra & Elma – Podcast Marketing Statistics (2025) − amraandelma.com
  • Business Insider – Video Podcasting Trends (2025) − businessinsider.com
  • ResearchGate – Personal Branding Strategies for Radio Broadcasters (2024) − researchgate.net
Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

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