Fernando Morais

Fernando Gomes de Morais nasceu em Mariana (MG), em 1946.
 
Começou a trabalhar em 1961 como office boy na revista de um banco em Belo Horizonte. Virou jornalista por acaso, quando o único profissional da publicação faltou e precisou cobrir a sua ausência em uma coletiva. Mudou-se para São Paulo aos 18 anos, onde trabalhou nas redações de Veja, Jornal da Tarde, Folha de S.Paulo, TV Cultura e portal iG. É autor do roteiro da minissérie documental Cinco dias que abalaram o Brasil, sobre o suicídio do presidente Getúlio Vargas, exibida em 1996 pelo canal GNT/Globosat. Faz parte do Conselho Superior da Telesur, tevê pública latino americana sediada em Caracas (Venezuela). Foi agraciado três vezes com o Prêmio Esso e quatro vezes com o Prêmio Abril. Algumas matérias foram lançadas em livros e foram moldando o escritor de biografias e jornalismo literário que o fez deixar um pouco de lado as redações a partir dos anos 80.
 
É autor dos livros: Transamazônica: Primeira aventura na estrada (Brasiliense, 1970), com Ricardo Gontijo e Roberto de Oliveira Campos; A Ilha: Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro (Alfa Omega, 1976; reeditada com acréscimos pela Companhia das Letras, 2001); Socos na Porta (Alfa Omega, 1980); Não Às Usinas Nucleares (Alfa Omega, 1980); Primeira Página (Alfa Omega, 1982); Olga (Alfa Omega, 1985); Chatô: O rei do Brasil (Companhia das Letras, 1994); Corações Sujos: A história da Shindo Renmei (Companhia das Letras, 2000); Cem Quilos de Ouro: E outras histórias de um repórter (Companhia das Letras, 2003); Souza Cruz 100 Anos: Um século de qualidade (DBA, 2003); Na Toca dos Leões (Planeta, 2005); Montenegro: As aventuras do marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil (Planeta, 2006); O Mago (Planeta, 2008), e Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Companhia das Letras, 2011). Deu depoimento para o livro com DVDs Resistir É Preciso: Os protagonistas desta história (Instituto Vladimir Herzog, 2011).
 
Foi publicado em 36 países. Venceu o Prêmio Jabuti 2001, na categoria Livro do Ano Não Ficção. Suas obras inspiraram quatro filmes: Dossiê Chatô, o Rei do Brasil, de Walter Lima Júnior (1996); Olga, de Jayme Monjardim (2004); Corações Sujos, de Vicente Amorim (2011), e Chatô: O Rei do Brasil, de Guilherme Fontes (2015). Deu consultoria ao diretor americano Spike Lee para o documentário longa metragem sobre o Brasil intitulado Go, Brazil, Go!, lançado em 2014. Mereceu um estudo literário de Teresa Ribeiro: Biografia: O jornalismo literário de Fernando Morais (Edufal, 2011). Cotado para imortal da Academia Brasileira de Letras, em 2003, acabou perdendo a concorrência para o ex-vice-presidente da República, Marco Maciel.
 
Paralelamente, desenvolveu sua faceta de ativista político. Foi  duas vezes deputado estadual por São Paulo. Assumiu a pasta de Cultura do Estado de São Paulo no governo Orestes Quércia (1938-2010), entre os anos de 1988 e 1991, e também a de Educação, nos anos de 1991 a 1993, durante o mandato de Luiz Antônio Fleury Filho. Entre 89 e 90 teve como assessor de imprensa o jornalista Luciano Ramos. Passou a integrar a Comissão da Memória e da Verdade da Prefeitura de São Paulo, em setembro de 2014. Foi membro do Conselho Econômico e Social da Presidência da República durante o governo Dilma Rousseff.
 
É figura frequente em feiras e congressos literários. Participou, por exemplo, das duas edições do Salão Nacional do Jornalista Escritor, sob os auspícios da União Brasileira de Escritores (UBE), com curadoria de Audálio Dantas, e do 1º Festival de Biografias, no auge da polêmica envolvendo artistas, intelectuais e profissionais da imprensa, em novembro de 2013, na cidade de Fortaleza (CE), por iniciativa do festival é da Quitanda das Artes, produtora cultural local.
 
Manifestou, em entrevista ao jornal Hoje em Dia (MG), em janeiro de 2016, o desejo de criar a Casa de Mariana, a ser intalada na cidade onde nasceu. Pelo projeto, o lugar abrigará seu acervo de cerca de quatro mil livros, sendo a maior parte de não-ficção e com foco em Brasil e América Latina. Arquivos acumulados em 50 anos de trabalho como profissional de imprensa, deputado, autor e ativista político ficarão disponíveis ao público. São dezenas de reportagens, documentos, depoimentos e entrevistas realizadas para a produção de livros. Integram o acervo áudios de entrevistas com personalidades como Luís Carlos Prestes, Fernando Collor, Fidel Castro, Ulysses Guimarães, José Sarney, Alfredo Stroessner, Yasser Arafat, Eric Hobsbawn, além de três décadas de correspondências trocadas entre Carlos Lacerda e seu advogado Fernando Veloso (doador do material) e centenas de fotos jornalísticas.
 
Em setembro, lançou o blog Nocaute, onde se propõe a publicar temas que a grande imprensa não cobre. Todo o trabalho técnico de construção do site foi realizado com recursos oriundos do financiamento coletivo.
 
 
Atualizado em outubro de 2016.
 
Fontes:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *