Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A “marca” de um país é um reflexo da forma como ele é percebido no mundo – e não necessariamente do que ele é. Essa dissonância entre realidade e imagem define o chamado soft power, um ativo intangível que pode abrir ou fechar portas para negócios, turismo e diplomacia, com impactos diretos sobre a posição de uma nação no cenário internacional.

O novo relatório Global Soft Power Index 2026, divulgado pela Brand Finance durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, mostra como essa disputa simbólica está em plena reconfiguração. O Brasil voltou ao clube dos 30 países com maior influência global sem o uso da força. Mas o avanço é modesto diante dos desafios estruturais que ainda corroem sua reputação.

A imagem brasileira continua ancorada em atributos emocionais – simpatia, diversão, esportes – e não em valores estratégicos como segurança, ética e sustentabilidade. Isso limita a capacidade do País de se projetar como um parceiro confiável e relevante, especialmente em temas centrais para negócios, governança e meio ambiente.

O ranking também reflete dinâmicas de poder em transformação. Os Estados Unidos seguem na liderança, mas com quedas acentuadas em atributos como reputação, liderança global, valores democráticos (para quem acompanha o jornalismo, um desfecho mais do que esperado) e combate às mudanças climáticas.

Já a China, ainda em segundo lugar, avançou em 19 indicadores, superando os EUA em reputação e assumindo a dianteira pela primeira vez em inovação, tecnologia e em facilidade para fazer negócios.

Israel, por sua vez, registrou a maior queda entre os 50 primeiros colocados, penalizado pela percepção internacional da guerra em Gaza e por uma desconexão entre discurso e prática, segundo a Brand Finance. Em contraste, países como Japão e Argentina ganharam espaço ao articular de forma mais coerente suas imagens e estratégias internacionais.

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