Por Assis Ângelo
Os Irmãos Karamázov, calhamaço também clássico do mestre russo Fiódor Dostoiévski, trata da história de um cara completamente anômalo que aprendeu a viver tirando proveito de tudo e de todos. Mais do que boçal e oportunista, o personagem Fiódor Pavlovich Karamázov chegou a casar-se duas vezes. Na primeira, juntou seus interesses aos de uma jovem ingênua e bem dotada em todos os sentidos. Ela não aguenta viver com o malandro e foge com um seminarista que não tinha onde “cair morto”, na expressão do próprio romancista. A mulher, Adelaida, acaba morrendo de febre tifoide ou de fome. Ou as duas coisas. Fiódor, quando soube da notícia, saiu correndo feliz, alegre. Estava rico e livre.

O segundo casamento dele é com uma jovem de 16 anos de idade, órfã, pobre e morando de favor de uma viúva que a agredia o tempo todo. Sophia, nome da personagem, chegou a tentar o suicídio pendurando-se numa corda. Era linda e acabou caindo nas garras daquele que fora marido de Adelaida.
Com Adelaida Fiódor teve um filho: Dmitri.
Com Sophia, Fiódor teve dois filhos: Ivan e Aliócha.
Os três irmãos aqui citados foram abandonados e esquecidos pelo pai e quando pequenos cuidados pelo fiel criado Grigóri.
Essa é uma história de conteúdo terrível, mas que ganha bons contornos com a movimentação dos irmãos.
Dmitri não termina os estudos e acaba nas fileiras militares do país do seu tempo. É bonito e desperta a atenção de todos e de todas por anda. Uma das suas pretendidas é ousadamente cobiçada pelo pai. De Dmitri, diga-se.
Ivan torna-se um intelectual, publicando textos polêmicos nos jornais. Um desses textos, O Grande Inquisidor, aborda questões referentes aos tribunais eclesiásticos. Ele fala de muitas coisas, coisas de arrepiar. Lembra a presença de Jesus na Terra ressuscitando uma criança e dando luz aos olhos de um cego. Tais milagres são acompanhados por um inquisidor, que determina a soldados que o prendam. Preso e levado às masmorras, Jesus ouve do inquisidor o que não deveria. E não diz nada.
Aliócha, dos três o mais novo, segue a carreira religiosa. E não custa dizer que é o herói do narrador da obra em pauta.
Voltaremos ao assunto.
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