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Fundação Gabo abre inscrições para o 13º Prêmio Gabo de Jornalismo

Fundação Gabo abre inscrições para o 13º Prêmio Gabo de Jornalismo
Crédito: Fundação Gabo

Estão abertas até 18 de fevereiro as inscrições para a 13ª edição do Prêmio Gabo de Jornalismo. O prêmio, que reconhece produções jornalísticas da Ibero-América, valorizará neste ano trabalhos que, além de denunciar injustiças, destaquem a resiliência diante das adversidades, trazendo narrativas inspiradoras e cheias de esperança, conforme anunciado pela Fundação Gabo.

A premiação é dividida em cinco categorias: Texto, Fotografia, Áudio, Imagem e Cobertura. Serão selecionados três finalistas por categoria, que receberão 37 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 51 mil) e terão todas as suas despesas cobertas para participar do Festival Gabo 2025, de 25 a 27 de julho, em Bogotá.

Além do prêmio em dinheiro, os vencedores receberão um diploma de reconhecimento e uma cópia da escultura Gabriel, criada pelo artista colombiano Antonio Caro. Inscrições e mais informações estão disponíveis aqui.

Revista britânica coloca Eliane Brum entre os 25 pensadores mais influentes de 2024

Governo Bolsonaro tem responsabilidade no assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira, diz Eliane Brum
Crédito: Lilio Clareto/Divulgação

Eliane Brum, jornalista mais premiada da história do Brasil, segundo a última edição do Ranking +Premiados da Imprensa, e fundadora da Sumaúma, plataforma de jornalismo trilíngue feita sobre e a partir da floresta Amazônica, foi reconhecida pela revista Prospect, uma das publicações mais importantes da imprensa britânica, como uma das 25 pensadoras e pensadores mais influentes do mundo em 2024.

A publicação destacou que Eliane tem escrito incansavelmente sobre a Amazônia nos últimos 25 anos, bem como tem traçado, em seu pensamento, uma clara linha que liga a destruição da floresta à exploração capitalista da região. Única brasileira na lista, Eliane vive desde 2017 em Altamira, no Pará.

Pesquisa aponta baixo nível de motivação e satisfação de jornalistas em redações

Pesquisa aponta baixo nível de motivação e satisfação de jornalistas em redações
Crédito: Felicia Buitenwerf/Unsplash

Uma pesquisa realizada com jornalistas em redações brasileiras aponta que a maioria dos entrevistados está desmotivada ou insatisfeita com o trabalho. O levantamento também analisou fatores que influenciam a motivação profissional, a percepção de ações das lideranças e o impacto desses elementos no desempenho das equipes.

Os dados fazem parte da dissertação A liderança no jornalismo: como desenvolver e motivar equipes em ambientes de alta pressão, conduzida por Daniel Corrá (daniel.corra@hotmail.com), gerente de Comunicação da Todos pela Educação, a partir da especialização em Gestão de Pessoas na USP-Esalq.

De acordo com o levantamento, 55% dos entrevistados discordam, em algum nível, que se sentem motivados no emprego atual. Em contrapartida, menos de 3% afirmam estar totalmente motivados. Além disso, 62% discordam, em algum nível, que percebem ações intencionais pela liderança para contribuir com a motivação.

“A pesquisa evidencia que a liderança desempenha um papel central na motivação e no desenvolvimento das equipes jornalísticas”, afirma Corrá. “Ou seja, líderes bem preparados e sensíveis às necessidades são fundamentais para o sucesso organizacional e para a sustentabilidade do jornalismo em um cenário desafiador e em constante mudança. Dessa forma, é possível não apenas melhorar o desempenho profissional, mas também contribuir para um jornalismo de alta qualidade, essencial para a sociedade”. (Saiba+)

ABI restaura sua sede histórica

ABI restaura sua sede histórica
Crédito: Aldo Bragança

A ABI assinou convênio com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para realizar obras de restauração em seu prédio histórico, utilizando recursos de emendas parlamentares para modernização e proteção. Os recursos são liberados após a ABI vencer uma batalha jurídica que permitiu celebrar um Termo de Colaboração com o Iphan.

A primeira, em dezembro de 2024, foi a compra de um novo elevador Otis, fabricante que instalou os elevadores originais em 1939. A medida vai dobrar a capacidade de transporte de passageiros de 14 para 29. Seguem-se as obras de modernização da parte elétrica, em fase de contratação, com projeto elaborado e aprovado pela Light e pelo Iphan. A próxima será o equipamento de sonorização, iluminação e projeção do auditório, o que vai ampliar as oportunidades de locação do espaço, fator importante na arrecadação da entidade.

O edifício da ABI, concluído em 1939, foi uma das primeiras construções a utilizar brise-soleil, técnica para reduzir o excesso de luz e calor. O projeto dos irmãos Roberto, inspirado na arquitetura então moderna, venceu um concurso instaurado por Herbert Moses, ex-presidente da casa e que dá nome ao prédio. Foi tombado pelo Iphan em 1984.

O adeus a Gilberto Severo

O adeus a Gilberto Severo

No fim de tarde de 14/1, a missa de sétimo dia pela alma de Gilberto Severo reuniu seus muitos amigos em Copacabana, na igreja São Paulo Apóstolo, que ele frequentava. Foi criado no Whatsapp o grupo Giba para sempre, que recebe as condolências.

Gilberto morreu em 8/1, aos 57 anos, devido a uma sepse cutânea que provocou um choque séptico, ou seja, ferida mal curada que gerou infecção generalizada. O corpo foi trasladado para Cruz Alta, Rio Grande do Sul, onde mora a família, e o enterro foi no dia 11.

O gaúcho Gilberto Arcanjo dos Santos Severo era formado em Comunicação e Estudos da Mídia pela Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), com especialização em Comunicação no Ambiente de Negócios pela ESPM-Rio. Por dez anos, trabalhou como repórter e editor de rádio, jornal e revista em redações gaúchas, principalmente nas editorias de Economia e Agronegócio.

Transferiu-se para o Rio a convite de Edgar Lisboa, para atender à Globalstar do Brasil, empresa de telefonia via satélite que se instalava no Brasil. Passou, então, definitivamente à Comunicação Corporativa e, em 2003, fundou sua empresa Ascese. Assim, atendeu, nas áreas de assessoria de imprensa, relação com investidores e clientes e eventos, a empresas como Brascan Shopping Centers, Brascan Incorporadora e Repsol. Teve oportunidades de trabalhar em outras cidades, mas amava o Rio de Janeiro e sempre optou por ficar aqui.

Por sete anos foi gerente de Comunicação Corporativa do Grupo Bradesco Seguros. Para Malu Fernandes, na agência Shopping da Comunicação, respondeu pela árvore de Natal do Bradesco na Lagoa por vários anos. Fez parte da diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município na gestão 2016 a 2020. Foi ainda gerente de Comunicação do Clube de Engenharia e, por último, era colaborador do portal Repórter Brasília.

Um exemplo do seu modo de encarar a vida foi a postagem deste anúncio no Linkedin.

Thiago Simpatia é o novo diretor artístico da TV G10

Thiago Simpatia é o novo diretor artístico da TV G10
Crédito: Reprodução/Instagram

O repórter e apresentador Thiago Simpatia foi anunciado como diretor artístico da TV G10, uma iniciativa do G10 Favelas. Sediado na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista, o G10 Favelas é uma organização sem fins lucrativos que busca impulsionar o desenvolvimento social e econômico das favelas por meio de empreendedorismo, inovação e ações sociais.

Após contribuir com histórias para diversas emissoras de TV, os colaboradores do G10 decidiram criar e produzir seu próprio conteúdo. Para essa missão, Thiago Simpatia assume a direção artística. Comprometido em retratar as vivências e conquistas das comunidades periféricas, o jornalista promete trazer uma nova perspectiva à televisão:

“Quem ainda não conhece vai descobrir a força e a potência da favela! As pessoas têm informações fragmentadas sobre a periferia e seus moradores. A TV G10 vai mostrar toda a criatividade, competência e brilho das pessoas que vêm do gueto!”, declarou Thiago em comunicado.

O lançamento da emissora será anunciado em breve nas redes sociais do G10 Favelas e de seus colaboradores.

Após contratação de Tiago Leifert, Luiz Alano deixa o SBT

Após contratação de Tiago Leifert, Luiz Alano deixa o SBT
Crédito: Reprodução/SBT Sports

O SBT anunciou nessa segunda-feira (13/1) o desligamento de Luiz Alano. A saída acontece após a chegada de Tiago Leifert ao time esportivo da emissora. Segundo o comunicado oficial, o encerramento do contrato foi decidido de forma consensual.

Luiz Alano esteve na emissora por cinco anos, período em que narrou competições como UEFA Champions League, Conmebol Sul-Americana, três edições da Conmebol Libertadores, Copa América masculina e feminina, além de outros torneios e amistosos.

Em seu perfil no Instagram, o narrador compartilhou um texto de despedida: “Hoje encerro um ciclo muito especial na minha carreira. Estou saindo do SBT, uma decisão que tomei com o coração cheio de gratidão e a certeza de que é hora de buscar novos desafios. […] Sim, eu queria mais. Sempre quero mais. Esse desejo constante de crescimento e espaço é o que me move. E é por isso que decidi dar esse passo. Saio pela porta da frente, realizado e orgulhoso de ter feito parte da história da emissora de Silvio Santos, uma casa que sempre terei no coração”.

Beatriz Bulla assina com a RedeTV para apresentar o É Notícia

Crédito: Divulgação/RedeTV

A RedeTV anunciou no começo da semana a contratação da apresentadora Beatriz Bulla, que chega para comandar o É Notícia, programa semanal de entrevistas que vai ao ar às quintas-feiras, às 23h45. A estreia será em 23/1.

Formada em Jornalismo e Direito, Beatriz tem mais de uma década de experiência como comunicadora. Trabalhou por muitos anos no Grupo Estado, sendo responsável por coberturas nacionais e internacionais de temas relacionados a política, economia e poder judiciário. Foi repórter especial do grupo em São Paulo e Brasília.

Entre 2018 e 2022, atuou como correspondente internacional do Estadão em Washington, nos Estados Unidos. E nos últimos cinco anos, de 2019 a 2024, trabalhou como colunista de política na Rádio Eldorado.

100 anos de Rádio no Brasil: Tendências e previsões de mídia 2025 aplicadas ao mercado de radiodifusão brasileiro

Crédito: Linkedin

Por Álvaro Bufarah (*)

No texto desta semana, desmembro as informações do relatório de Tendências e Previsões de Mídia 2025 da Kantar Ibope Media, focadas no mercado de radiodifusão brasileiro. Em um ambiente de mídia em constante transformação, as empresas nacionais têm a oportunidade de adaptar as diretrizes apontadas no relatório para impulsionar a relevância, sustentabilidade e inovação no setor.

  1. Abordagem centrada no consumidor: conexão e personalização

No Brasil, o rádio continua sendo uma mídia de alto alcance, confiável e popular, especialmente em regiões onde a penetração da internet ainda é limitada. Nesse contexto, uma abordagem centrada no consumidor exige que as emissoras invistam em conteúdos mais personalizados e que dialoguem diretamente com os interesses de suas audiências locais.

Com o auxílio da inteligência artificial (IA), as rádios podem mapear os hábitos de escuta e preferências dos ouvintes, entregando playlists, programas e anúncios personalizados. Por exemplo, emissoras regionais podem usar dados demográficos e comportamentais para adaptar seus horários e conteúdos, garantindo que informações relevantes cheguem a públicos segmentados, como jovens, trabalhadores rurais ou moradores de grandes centros urbanos.

Contudo, é crucial equilibrar essa personalização com a proteção dos dados dos ouvintes, respeitando as regulamentações da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Para ganhar a confiança do público, as emissoras devem ser transparentes sobre como utilizam os dados coletados e garantir segurança total na gestão dessas informações.

  1. Medição e compreensão do público: decisões baseadas em dados

Com a diversificação de plataformas, como o streaming, podcasts e programas sob demanda, o desafio de mapear a jornada do consumidor é maior. As rádios brasileiras devem investir em ferramentas avançadas de medição de audiência centrada nas pessoas, capazes de integrar dados de diferentes canais.

O mapeamento de trajetórias é essencial para entender como os ouvintes transitam entre plataformas de rádio linear, aplicativos de streaming e redes sociais das emissoras. Esses insights podem ajudar as emissoras a ajustar estratégias de programação, monetização e distribuição de conteúdos.

Por exemplo, ao identificar picos de audiência em programas matinais ou durante a tarde, as emissoras podem concentrar conteúdos de maior impacto nesses horários e oferecer pacotes publicitários mais atrativos para anunciantes.

  1. Qualidade de conteúdo: diferenciação em um mercado saturado

No Brasil, o mercado de rádio enfrenta a concorrência de plataformas digitais e outros formatos de áudio, como podcasts. Nesse cenário, oferecer conteúdo de alta qualidade é um diferencial indispensável.

As emissoras precisam investir em narrativas envolventes e em formatos inovadores, como programas interativos, reality shows de áudio e séries de storytelling que gerem engajamento emocional com os ouvintes.

Além disso, a IA generativa pode ser utilizada para criar versões automatizadas de notícias e boletins regionais, enquanto locutores e produtores se concentram em programas de maior complexidade criativa. A combinação entre automação e criatividade humana será a chave para aumentar a produção sem comprometer a autenticidade.

  1. Capacitação de equipes: o futuro da radiodifusão

Para enfrentar as transformações tecnológicas e sociais, as emissoras brasileiras precisam investir no desenvolvimento de novas competências entre suas equipes.

Habilidades em ciência de dados, análise de métricas e uso de IA são essenciais para otimizar processos e tomar decisões informadas. Parcerias com universidades e startups de tecnologia podem ser estratégicas para capacitar os profissionais em um setor onde o aprendizado contínuo é indispensável.

Crédito: Linkedin

Ao mesmo tempo, atrair e reter talentos qualificados exige políticas internas que ofereçam não apenas remuneração justa, mas também oportunidades de crescimento e inovação. Pequenas emissoras podem criar programas de intercâmbio com redes maiores, permitindo que seus profissionais adquiram experiência em mercados mais dinâmicos.

  1. Colaboração e parcerias: um ecossistema interconectado

A colaboração entre rádios e outras plataformas é fundamental para enfrentar desafios como a monetização e a medição de novas audiências. No Brasil, redes de rádio podem se unir a plataformas de streaming e produtoras independentes para criar conteúdos híbridos e explorar modelos de negócio inovadores.

Por exemplo, o uso de podcasts como extensões digitais dos programas de rádio tradicionais pode ampliar o alcance para públicos mais jovens e conectados. Além disso, parcerias com marcas podem gerar conteúdo patrocinado que combina autenticidade e monetização, como podcasts temáticos ou programas ao vivo com participação de influenciadores.

  1. Inovação na publicidade: novas formas de monetização

O mercado brasileiro de radiodifusão enfrenta desafios específicos, como a diminuição da eficácia dos anúncios tradicionais e a concorrência por orçamentos publicitários. No entanto, há oportunidades únicas em explorar o formato de áudio como uma mídia altamente íntima.

Os anúncios nativos em podcasts, onde locutores ou anfitriões recomendam produtos, já se mostraram altamente eficazes na conversão de ouvintes em consumidores. Além disso, o uso de tecnologias para veiculação de anúncios programáticos pode otimizar o alcance e a relevância das campanhas publicitárias, aumentando o retorno sobre investimento para anunciantes.

Adaptabilidade e foco no consumidor

O mercado de radiodifusão brasileiro tem um enorme potencial para aplicar as orientações da Kantar, mas o sucesso dependerá de sua capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças e inovar. Investir em tecnologias de IA, capacitação de equipes, personalização de conteúdos e estratégias colaborativas são caminhos claros para prosperar em um ecossistema cada vez mais híbrido e desafiador.

Ao adotar essas recomendações, as emissoras brasileiras podem não apenas preservar sua relevância em um mercado em transformação, mas também estabelecer novas formas de engajamento e monetização que garantam seu crescimento sustentável no futuro.


Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: Licenciosidade na cultura popular (XCIII)

Por Assis Ângelo

Viúvos e viúvas abundam na literatura nacional e estrangeira. Não são poucos os autores que criam esses personagens. Nesse campo, Machado de Assis deitou e rolou. No seu último livro, ele põe um viúvo e uma viúva no romance Memorial de Aires (1908).

Aires, depois de se aposentar e de perder a mulher, decide contar a sua própria história num diário. E vai, vai e chegam na sua vida a viuvinha Fidélia e um jovem que ao vê-la logo se apaixona. E é correspondido, para tristeza do velho conselheiro.

Viúvos e viúvas aparecem bastante nos escritos de Machado, como se vê.

Machado de Assis

É dele a história curiosíssima que conta em O Caso da Viúva. Nesse conto, o pai da personagem Luísa, viúvo, mora com uma irmã, também viúva. Luísa, muito recatada, faz tudo o que o pai pede e vice-versa. É aí que aparece um tal de Dr. Rochinha, ou simplesmente Rochinha. Em seguida, mais um cara: Vieira. Com Vieira ela se casa, pra desencanto de Rochinha. Mas Vieira morre e Luísa fica viúva…

Também é de Machado o conto Confissões de Uma Viúva Moça. Nessa história a viúva atende pelo nome de Eugênia. Antes de o marido falecer, a personagem estica olhares para o moço Emílio. E vai, vai, vai… De repente Eugênia descobre que Emílio é um canalha. E mais não digo.

E não custa lembrar que o Bruxo do Cosme-Velho, como era chamado na intimidade Machado de Assis, ficou viúvo depois de 35 anos de casado com a mulher a quem tanto amava: Carolina.

Ele não era brinquedo, não. E foi não foi, lá vem ele sempre surpreendendo os leitores. Enganando, às vezes.

No conto A Mulher de Preto ele dá um nó no leitor. De cara pensamos que essa mulher é uma viúva, pois trajada costuma andar de preto. E não é viúva de ninguém, apenas o seguinte: o marido Menezes, um deputado, desconfia que ela o traía.

Num momento qualquer desse conto de 11 capítulos aparece um médico chamado Estevão, tem 24 anos e apaixona-se pela tal mulher de preto. Hmmm… Nada digo mais.

A sempre extraordinária Júlia Lopes de Almeida nos encanta já no seu primeiro livro, Memórias de Martha. Nele, a Martha do título é filha de outra Martha, essa viúva. Sofreu com a acusação de roubo que o marido sofreu. Acusação injusta, mas que levou o marido de dona Martha ao suicídio.

A personagem narradora desse livro, de pouco mais de 100 páginas, é a filha do pai suicida. Ela conta todas as dificuldades que ela e a mãe passaram depois da tragédia. As duas deixaram a casa onde moravam e, sem escapatória, foram habitar um cortiço. Sofreram muito. Preparem o lenço, pois a história leva as almas mais sensíveis às lágrimas.

Memórias de Martha foi originalmente publicado em capítulos no jornal Tribuna Liberal, do Rio de Janeiro, entre 3 de dezembro de 1888 e 17 de janeiro de 1889. Em livro saiu exatamente dez anos depois.

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Em Memorial de Maria Moura (1992), da cearense Rachel de Queiroz, a personagem do título encontra a mãe pendurada numa corda, morta, e se desespera. Uma das razões de seu desespero é o fato de que as terras que herda estão sendo tomadas por familiares, incluindo o padrasto Irineu, que a estupra. A heroína sofre e vai-se embora construindo seu destino recheada de ódio, perseguição e violência. Poder-se-ia até dizer que Moura é a versão feminina do rei do cangaço, Lampião.

Memorial de Maria Moura foi o último livro de Rachel. Livraço!

Em 1982, o português José Saramago passou a ser mundialmente conhecido por seu magnífico romance Memorial do Convento. A história se passa na primeira metade do século 18, no decorrer do reinado de João V.

Esse João era metido, vaidoso, galante e tudo mais. Casou-se por procuração com a Maria Ana de Áustria, mulher nascida para rezar e parir. Deu seis filhos ao rei.

Além dos filhos que a rainha lhe deu, o rei teve muitos outros filhos com amantes diversas. Entre elas, uma certa freira que foi por ele embuxada todas as vezes.

O rei faz uma promessa de construir um grande convento caso a sua querida esposa lhe desse filho no prazo de um ano. Deu-lhe uma menina: Marina Xavier. A partir daí, a história segue a passos largos com personagens reais.

Sobre essa figurinha poderosa de Portugal há um livro que merece leitura: As Amantes do Rei João V, do escritor portuense Alberto Pimentel (1849-1925).

Pouco ficcional é o personagem Baltasar, que perde a mão esquerda em guerra na Espanha. Abandonado pelo exército, o personagem volta pra casa e um dia encontra uma mulher de nome Blimunda.

Blimunda, filha de uma mulher posta pra correr pelo Santo Ofício, é vidente. Ela vê o interior dos corpos humanos. É apelidada de Sete Luas e o seu Baltasar, de Sete Sóis.

Na parada entra também o brasileiro de Santos Bartolomeu de Gusmão (1685-1732). É padre, com passagem na Bahia. Foi o primeiro cientista e inventor cá desta nossa terrinha de meu Deus do céu. Entrou para a história como o Padre Voador.

Essa história de Saramago é maravilhosa.

A propósito de voador, há a história de um boi que voou durante a inauguração da Ponte do Recife, ora ainda chamada de Ponte Maurício de Nassau. Não é lenda.

Essa ponte foi inaugurada no dia 28 de fevereiro de 1644. Milhares de pessoas estiveram presentes e, como prometido, um boi empalhado foi visto nos ares de Recife.

Domingos Fernandes Calabar

Tal boi ganhou páginas de um livro do frei português Manuel Calado do Salvador (1584-1654). Título: O Valeroso Lucideno e Triunfo da Liberdade na Restauração de Pernambuco, lançado em 1648.

Frei Calado foi o confessor do alagoano Domingos Fernandes Calabar (1609-1635), acusado de trair a Pátria em favor dos holandeses que invadiram o Brasil em 1630. Condenado, o acusado foi enforcado e o seu corpo esquartejado.

Em 1973, Chico Buarque e Ruy Guerra escreveram a peça Calabar − O Elogio da Traição. Essa peça foi censurada pelos milicos no dia 22 de janeiro de 1974.

O resto é história.


Reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

Contatos pelos assisangelo@uol.com.br, http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333

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