Fernando Collor de Mello (Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Ministério Público Federal recomendou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que não aceite um recurso da Globo e obrigue a emissora a renovar o contrato com a TV Gazeta, do ex-presidente Fernando Collor, até 2030. A Folha de S.Paulo teve acesso ao parecer do Ministério Público, assinado pelo subprocurador-geral da República Maurício Vieira Bracks, que acredita que, sem o apoio financeiro da Globo, a Gazeta demitirá muitos funcionários e não conseguirá cumprir o plano de pagamento de credores.
A Globo recorreu ao STJ para romper o contrato de afiliação com a TV Gazeta em Alagoas. A emissora carioca utiliza como argumento casos de corrupção envolvendo Collor e sua emissora. A Justiça do Alagoas negou dois recursos da Globo sobre o caso. A expectativa é de que, até o fim de junho, haja uma sentença definitiva.
É bem verdade que a profissão de jornalista não tem muito uma rotina estabelecida. Chegamos à redação e não temos hora para ir embora. Em dias com pautas mais “quentes”, a situação piora ainda mais. Isso sem contar os outros empregos, colaborações e frilas. E o fato de a maior parte da categoria ser contratada como Pessoa Jurídica (PJ), segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), também não ajuda.
Os jornalistas, portanto, estão de certa forma expostos a uma série de abusos e situações desagradáveis no que diz respeito a direitos trabalhistas. Considerando também a baixa estabilidade de trabalho da profissão, como podemos combater esses abusos? Como buscar nossos direitos?
Rubens Gama Jr
Pensando nesses tópicos, o Portal dos Jornalistas conversou com Rubens Gama Jr., advogado especialista em direito trabalhista que atende a muitos jornalistas que enfrentam justamente esses tipos de problema. Ele falou ao repórter Victor Félix sobre o que fazer para impedir ou evitar ao máximo abusos trabalhistas na jornada de trabalho, sobre assédio judicial contra o trabalho jornalístico, e o que a imprensa deve ter em mente ao enfrentar esse tipo de situação.
Confira a entrevista na íntegra:
Portal dos Jornalistas − O jornalista, na grande maioria das vezes, não tem uma rotina fixa. Chega à redação, e não tem hora certa para sair, boa parte deles trabalha no final de semana, raramente tem feriados. Como evitar rotinas de trabalho e empresas abusivas, quando falamos de direitos trabalhistas?
Rubens Gama Jr. − Hoje, talvez o principal desafio, não só para os jornalistas, obviamente, mas para eles em especial, é o fenômeno da “pejotização”, muitos comunicadores sendo contratados em esquema de Pessoa Jurídica. Na medida em que o empregador coloca seus funcionários como PJs – e essa PJ é só uma formalidade, porque, na prática, o funcionário é tão subordinado quanto qualquer empregado registrado na CLT –, não se aplica mais a lei, não se aplica mais a CLT e a jornada de trabalho fica ad infinitum (sem fim). Então, esse é o principal desafio, combater essa “pejotização” no jornalismo.
Um segundo desafio é um certo surto, uma epidemia de ansiedade e depressão entre os jornalistas, que algumas vezes podem ser mal diagnosticados. O advento das novas tecnologias e a diminuição dos postos de trabalho, assim como uma geração nova chegando já com maior intimidade com essas tecnologias, fazem com que os jornalistas sejam ainda mais demandados. E essa demanda adicional, essa pressão adicional, interfere diretamente na saúde, especialmente a mental. E a saúde mental, inclusive tem um agravante por ser de certa forma “oculta”, e às vezes com um pouco de estigma ao redor. As pessoas não gostam, têm vergonha de admitir que estão deprimidas, então é importante valorizar e atentar-se também à saúde mental dos jornalistas.
E um terceiro fator, que se soma aos dois primeiros, é o fato de os jornalistas serem muito apegados à própria atividade, esquecendo que estão trabalhando para um empregador, com uma certa autoridade. Ou seja, na medida em que são muito apegados, vestem muito a camisa, eles acabam não priorizando cuidados próprios à saúde, cuidados de controle de jornada de trabalho, ou seja, acabam não se priorizando e colocando o trabalho à frente deles mesmos.
Portal −Outra preocupação da categoria é a falta de estabilidade. Muitos frilas, contratos curtos para a cobertura de determinado evento, fazem parte do cotidiano do jornalista para complementação de renda. Como podemos, ao mesmo tempo, lutar pelos direitos e fugir desses abusos trabalhistas, mas também garantir estabilidade de trabalho?
Rubens − Creio se tratar de uma questão de cultura. Os empregadores ganham quando têm um empregado ativo por períodos mais longos, a cultura da empresa é mais bem incorporada por esses empregados e, portanto, a contratação de freelancers deve ser reservada apenas para situações esporádicas, muito específicas ou de muita demanda. Porque os jornalistas da casa conhecem muito mais a cultura da empresa e conseguem traduzir na sua atividade a cultura corporativa melhor do que aquele que é freelancer. Então, é uma questão de sabedoria tanto do empregado, mas também do empregador. É preciso que as empresas jornalísticas tenham isso em mente.
Portal − Os jornalistas sofrem muito com ataques, processos e ações judiciais, muitas vezes sob o argumento de “danos morais”. Mas, por outro lado, quando falamos de jornalismo sério, feito com apuração, baseado em fatos, os conteúdos são de interesse público. Como combater esse assédio judicial e proteger o conteúdo jornalístico de censuras e exclusões?
Rubens − A sua própria pergunta tem parte da resposta. Porque, na medida em que o jornalismo foi bem-feito, se você tem uma informação precisa, objetivamente constatada, isso já é uma vacina contra qualquer tipo de demanda judicial externa. Você já está bem protegido do ponto de vista dos fatos e, portanto, uma demanda judicial será infrutífera. O que acredito que pode e deve ser feito é que os sindicatos de jornalistas e as próprias empresas fiquem atentos para que, em situações desse tipo, que envolva a pessoa física do jornalista, do repórter que é vítima da ação, o empregador, o veículo, também atue junto na defesa daquela reportagem, daquele determinado conteúdo. Que eles estejam também envolvidos naquela apuração e que deem assistência jurídica, para que a condição do repórter seja mais protegida e mais confortável.
Portal − O que os jornalistas devem saber, ter em mente a todo o momento, quando enfrentam esse tipo de situação em suas trajetórias, seja de violação de direitos trabalhistas ou de assédio judicial por algo publicado? Quais são as “lições de casa” que os jornalistas devem fazer para se defenderem?
Rubens − O primeiro “diploma” é a própria CLT. Ler e se atentar aos artigos 303, 304, 305, até o 309, que são os que falam da profissão do jornalista. A primeira lição de casa é estudar essa parte da CLT especificamente sobre a categoria. A partir disso, um segundo passo é se atentar à questão da “pejotização” que comentei antes, ter o cuidado para não se permitir ser contratado como PJ em situações muito generalizadas e muito vulgares, pois isso derruba todos os seus direitos de uma vez só.
A CazéTV anunciou nesta terça-feira (10/6) a contratação do narrador Rômulo Mendonça, que chega para reforçar a equipe de transmissão do Mundial de Clubes, que começa no próximo sábado (14/6). A CazéTv vai transmitir todos os jogos do torneio, incluindo as partidas de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras, que representam o futebol brasileiro no campeonato.
Não é a primeira vez que Mendonça integra o time da CazéTV. O narrador atuou na cobertura dos Jogos Olímpicos de Paris, narrando diversas modalidades esportivas no canal. Vale lembrar que a CazéTV fechou recentemente um acordo com o Grupo Disney e passa a integrar o streaming Disney+.
Conhecido por seus bordões e a forma bem humorada de conduzir transmissões esportivas, Rômulo Mendonça foi narrador da ESPN entre 2011 e 2022. Nos últimos três anos, comandou as transmissões de NBA no Amazon Prime Video. Narra também jogos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu na noite de segunda-feira (9/6) condenar a Editora Três e os jornalistas Octávio Costa (atual presidente da Associação Brasileira de Imprensa) e Tabata Viapiana por danos morais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Em 2017, Octávio e Tabata assinaram uma reportagem na revista IstoÉ sobre a venda de uma universidade da família do magistrado para o governo do Mato Grosso por R$ 7,7 milhões, em 2013.
A matéria em questão, intitulada Negócio Suspeito, abordava uma investigação de improbidade administrativa relacionada ao processo de estatização da universidade, de Diamantino, no Mato Grosso. A instituição de ensino foi fundada por Mendes e sua irmã, que permaneceu sendo uma das proprietárias até a venda investigada.
Em seu voto pela condenação dos jornalistas, o relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, declarou que a reportagem está “permeada de ironias e insinuações que se voltam nitidamente contra Gilmar, sendo nítido o intuito de associá-lo, de forma pejorativa, a imagem de alguém que se distancia da ética e que visa apenas resguardar benefícios pessoais e favorecer pessoas próximas”. Acompanharam o relator os colegas Humberto Martins, Daniela Teixeira, Moura Ribeiro e Nancy Andrighi.
Mendes havia sofrido derrotas judiciais relacionadas ao caso, em primeira e segunda instâncias, no Distrito Federal, mas conseguiu reverter agora a situação no STJ. A condenação por danos morais inclui o pagamento de indenização de R$ 150 mil, com correção monetária e juros moratórios.
Antes da votação, entidades defensoras da liberdade de imprensa haviam alertado para o perigo da decisão sobre o caso, que poderia abrir um precedente de censura judicial contra jornalistas. A Coalizão em Defesa do Jornalismo havia feito um apelo à Terceira Turma do STJ para que seguissem o entendimento de instâncias anteriores: “Críticas dirigidas a autoridades públicas podem ser fortes e ácidas sem que isso gere o dever de indenizar. Trata-se de importante proteção às liberdades de expressão e de imprensa, que visa resguardar não somente os direitos do veículo e dos jornalistas, mas também da sociedade, de ser informada”.
A Agência Pública está com uma campanha de financiamento coletivo para investigar o império das casas de aposta online no Brasil. O objetivo é arrecadar R$ 100 mil até o dia 30 de junho para produzir uma série de reportagens investigativas inéditas sobre o tema e detalhar como esse mercado influencia o esporte, a cultura e a política.
“As bets já são uma parte da vida dos brasileiros – e não de uma maneira boa”, lembra Natalia Viana, co-diretora executiva da Pública. “São anúncios em todos os esportes, nos celulares, impulsionando uma crise que é comparada a uma epidemia. E o pior é que há muitos setores lucrando enquanto os mais vulneráveis estão perdendo dinheiro pelo vício. O objetivo da Pública nessa investigação é buscar quem está lucrando com essa epidemia de apostas, quem são os políticos que as defendem, como as Big Techs lucram e como funciona o lobby no Congresso. É preciso estar de olho nesse fenômeno”.
O especial também irá mostrar quais são as consequências para quem se endivida em busca de lucros rápidos — e os mecanismos que alimentam esse sistema. Além, claro, de revelar quem lucra com o vício em apostas. Segundo dados do Banco Central, todo mês os brasileiros gastam até 30 bilhões de reais com as bets,
Para apoiar a campanha é possível realizar uma doação pontual via Pix pelo [email protected] ou com doações recorrentes a partir de R$ 20 por mês neste link, com acesso a benefícios exclusivos.
Pois é, nada me demove da ideia de que o craque do humor Chico Anysio se tenha inspirado na personagem do folclore alagoano Cesária.
Cesária, pra mim, era a Terta do Chico.
E Pantaleão, hein?
Pantaleão, pra mim, foi o Alexandre do folclore alagoano para o Chico.
Alexandre e Cesária eram marido e mulher, tão íntimos como carne e unha.
O livro Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos, é obra pra ser lida sem se cansar. Maravilhoso!
Graciliano Ramos
Dentre os 13 ou 14 contos que formam o referido livro há pelo menos quatro referências a um personagem de asas: papagaio.
O conto Um Papagaio Falador é simplesmente impagável.
Alexandre é um nordestinão todo pabuloso, cheio de onda. É um inventor de histórias que não tem pra ninguém. Inventa tudo e tudo que inventa é na hora. Na lata!
O conto, cujo título foi dito aí em cima, começa quando Cesária lembra ali na sala de tantas histórias o casamento com o seu Alexandre querido. Foi festa seguida de uma semana, segundo ela. Muita comida, muita coisa gostosa. Hilariante. De presente do sogro, ganhou a mulher e com ela um grande dote. E tal e tal.
Casado, Alexandre partiu em busca de mais grana. Consigo levou boiadeiros e tal. E também o pedido irrecusável da mulher.
E que pedido era esse, hein?
Cesária queria que Alexandre lhe trouxesse um papagaio.
E foi, foi e foi e foi…
Antes de voltar à casa, feliz da vida, Alexandre comprou um papagaio caríssimo. Mas era um papagaio que falava tudo e mais e mais.
Alexandre fez um buraco num saco e nele pôs o papagaio, que nele ficou uns dois ou três meses.
Quando voltou, esquecido do papagaio, a mulher viu aquele saco esquisito e perguntou: “O que tem aí?”.
Alexandre deu um tapa na testa e disse: “É o papagaio que comprei pra você, mulher”.
Ao abrir o saco, apareceu o papagaio balançando a cabeça e olhando fixamente nos olhos de Alexandre, dizendo com voz trêmula e bamboleante, algo como: “Isso é coisa que se faça?”.
Pois é, morreu o papagaio.
As histórias contadas do real ou do imaginário por Graciliano Ramos são muito bem “amarradas”: têm começo, meio e fim, desenvolvidas com palavras e frases econômicas.
Não é fácil um escritor começar publicando sua obra com um clássico.
Em 1933, Graciliano tinha 41 anos de idade. Com essa idade, ele publicou Caetés.
E por que estou dizendo isso?
No começo da sua vida, Graciliano era um menino cego. A sua cegueira se manifesta direta ou indiretamente em todos os seus textos. Em Caetés, inclusive. Obra-prima.
O segundo livro de Graciliano foi São Bernardo.
O narrador-personagem de São Bernardo foi um guia de cego.
O terceiro livro de Graciliano foi Angústia. Nesse livro o autor fala de um cego vendedor de bilhete de loteria, de um padre com um olho de vidro, uma mulher cujos olhos não viram o marido morrer pendurado numa corda, um velho Acrísio com olhos comprometidos com a visão… Sem falar no avô centenário do personagem, que se foi sem nada ver.
As Histórias de Alexandre têm um personagem incrível, que vê além dos olhos: cego preto Firmino.
Ah! sim: em Angústia há uma velha senhora chamada Vitória, que passa boa parte da vida tentando ensinar um papagaio a falar.
A propaganda sempre teve um dilema existencial: saber se o recado foi ouvido. Não apenas escutado − mas compreendido, absorvido, lembrado. Em tempos de publicidade programática, métricas em tempo real e bilhões de cliques disputando atenção, o áudio parecia ter ficado para trás, limitado a métricas de audiência herdadas da era analógica. Parecia. O novo State of Audio Report – Spring 2025, publicado pela Audacy, mostra que essa era acabou.
Agora, medir o impacto de uma campanha em rádio, streaming ou podcast não é mais arte ou intuição − é ciência, é algoritmo, é IA. E os resultados impressionam: campanhas sonoras registram crescimento de até 16,5% em afinidade com marca, 51% de aumento no tráfego de sites, mais de 100 mil downloads de aplicativos, e retorno comprovado sobre vendas físicas e online.
O relatório traz uma visão multifacetada do potencial do áudio: Brand Lift, Web Lift, Conversões, Foot Traffic, Vendas no Varejo e Downloads de App são agora KPIs mensuráveis com precisão quase cirúrgica. Por trás disso, ferramentas como pixel-based tracking, análise de picos de tráfego por timestamp e modelos preditivos baseados em IA ajudam a traçar o caminho do ouvinte − do momento em que ele escuta um anúncio no rádio até o instante em que faz uma compra no site ou visita a loja física.
Num case exemplar, uma rede de supermercados dos EUA rastreou mais de 15 mil visualizações de página “Encontre uma loja”, 600 compras e mais de US$ 40 mil em vendas geradas diretamente a partir de uma campanha de áudio. Já um restaurante em Detroit viu as visitas durante o happy hour saltarem 20% com spots locais em horários estratégicos. Nada mal para quem achava que rádio era só “música entre propagandas”.
Nos Estados Unidos, a revolução da medição passa por parceiros como Claritas e Nielsen, que combinam gráficos de identidade com modelos de regressão avançada. O resultado? Um sistema capaz de indicar quais segmentos demográficos convertem mais, em qual dia da semana e em que formato. É possível saber, por exemplo, que homens de 35 a 44 anos expostos a anúncios em podcasts de esportes nas manhãs de terça geram 22,6 mil conversões diretas − algo impensável até poucos anos atrás.
Com o avanço da personalização algorítmica, o mesmo anúncio pode ser entregue com diferentes vozes, trilhas e ritmos, conforme o perfil do ouvinte. Um pai jovem escuta um spot com risadas infantis e voz vibrante; sua mãe, aposentada, escuta a mesma mensagem com música suave e tom afetivo. Resultado: o dobro de taxa de conversão.
Dizer que o rádio está morrendo é repetir um clichê preguiçoso. O que está morrendo é o rádio que não se adapta, que não mede, que não aprende com seus dados. O novo áudio − esse que está nos alto-falantes, nos fones, nas assistentes de voz e nos painéis dos carros − vive sua era mais poderosa. Mas, para que isso se traduza em sustentabilidade, é preciso tratar o áudio com o mesmo rigor que o vídeo, o search e as redes sociais já exigem.
Para as emissoras brasileiras, o desafio é claro: ou profissionalizam suas estratégias de mensuração e atribuição, ou continuarão perdendo espaço e investimento para players globais com métricas mais claras. Em uma economia de atenção onde cada clique, cada ouvinte e cada conversão contam, o som que não é mensurado corre o risco de virar apenas ruído.
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a pedido da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Novo CAGED, evidenciou profundas desigualdades regionais na remuneração média dos jornalistas no Brasil.
Segundo o estudo, apesar da remuneração média nacional da categoria ser de R$ 8.607,84, tal valor esconde graves desigualdades ao analisar o cenário por região do País. Profissionais de imprensa do Distrito Federal e do Rio de Janeiro têm, respectivamente, remuneração média de R$ 19.371,00 e R$ 9.989,97. Por outro lado, na Bahia, por exemplo, a remuneração mediana é de apenas R$ 3.731,02, a mais baixa do Brasil. Outros estados com salários baixos incluem Piauí (R$ 4.403,78) e Pará (R$ 4.488,23).
“Apesar de ser considerada uma profissão essencial para o funcionamento da democracia, a atuação jornalística sofre com a desvalorização em grande parte do território nacional”, escreveu a Fenaj, em texto sobre o levantamento. “Estados do Norte e Nordeste concentram os menores salários, o que evidencia a fragilidade estrutural do setor fora dos grandes centros urbanos e econômicos”.
O estudo mostra também dados sobre salário médio de admissão dos jornalistas, de R$ 4.231,86, valor distante da média salarial geral da categoria; e sobre a informalidade e a pejotização do trabalho jornalístico. Muitos jornalistas atuam como pessoa jurídica (PJ) ou Microempreendedor Individual (MEI), embora não exista código de MEI para a categoria.
Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, está sendo vítima de perseguição judicial devido a um erro processual grave. A Justiça brasileira emitiu um mandado de prisão contra uma mulher, condenada por homicídio no Paraná, mas o CPF que consta no documento não é dela, e sim do jornalista do UOL. Sakamoto chegou a ser abordado pela Polícia Militar em São Paulo.
No mandado em questão, estão registrados os dados da mulher condenada, entre eles RG, data e local de nascimento e filiação, além de uma foto dela. O CPF, porém, pertence a Sakamoto. O documento, datado de 3 de junho e com o cabeçalho do Tribunal de Justiça do Paraná, foi incluído no banco de dados de pedidos de prisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Apesar da maioria dos dados pertencerem à mulher, a Polícia utiliza como referência o número do CPF em suas buscas. O mandado está assinado pelo juiz Sergio Decker, da vara criminal de Nova Esperança (PR).
Segundo apuração do UOL, o CPF da mulher condenada constava no processo da Justiça paranaense até pelo menos janeiro do ano passado. Depois, o caso entrou em segredo de Justiça. Ou seja, o CPF de Sakamoto foi digitado erroneamente, mas não se sabe com precisão quando nem em qual fase da comunicação entre o Tribunal de Justiça do Paraná e o CNJ a troca foi feita.
“É improvável que tenha ocorrido erro de digitação, porque o CPF tem dois dígitos verificadores, gerados por fórmula matemática, justamente para evitar erros e garantir autenticidade”, diz a reportagem do UOL, assinada por Amanda Rossi.
Em São Paulo, enquanto se dirigia à redação do UOL, Sakamoto foi abordado pela Polícia Militar. Os policiais chegaram a apontar fuzis e pistolas contra o jornalista. Ao consultarem o registro, verificaram que se tratava de uma mulher de 27 anos, e Sakamoto foi liberado. O problema, porém, é que o CPF do jornalista segue vinculado ao mandado de prisão. Os policiais recomendaram que ele parasse de usar seu carro, vinculado ao seu CPF, para evitar novas abordagens.
“Estou impedido de usar o carro e andar na rua porque corro o risco de ser preso pela PM por um crime com o qual não tenho relação alguma”, declarou Sakamoto à reportagem do UOL. Os advogados do jornalista vão pedir a correção do CPF no mandado de prisão e solicitar que o erro seja comunicado às autoridades de todo o País.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo reconheceu o erro no mandado de prisão e determinou “a reconfiguração do sistema policial paulista para bloquear o erro do sistema federal, até que o Poder Judiciário do Paraná ou o CNJ corrijam o erro do lançamento”.
Entidades defensoras do jornalismo repudiaram o ocorrido e pediram a apuração do caso. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que trata-se de um erro processual grave e que pode ter sido motivado pela atuação do jornalista: “O Judiciário e a polícia precisam explicar os procedimentos que foram adotados e como isso aconteceu. A alegação de erro não convence, tendo em vista que os números (de CPF) são muito diferentes”.
Katia Brembatti, presidenta da Abraji, declarou: “Chama a atenção e causa preocupação o fato de a ação ser direcionada a um jornalista com marcante atuação crítica sobre a atuação policial. Sakamoto corre risco nessa situação e esse cenário precisa ser revertido imediatamente”.
O narrador e apresentador Galvão Bueno é o novo sócio da N Sports, canal esportivo criado em 2018 com forte presença na internet. Ele participará de decisões estratégicas e de conteúdo, e também no desenvolvimento de novos produtos. Além disso, a ideia é que Galvão ajude a trazer patrocinadores ao projeto.
“Vamos trabalhar para trazer coisas novas, competições focadas no automobilismo, uma nova linguagem para isso. Seremos fortes neste mercado”, comentou Galvão, em entrevista à Folha de S.Paulo. Além do trabalho na N Sports, ele continuará com seu trabalho na Bandeirantes como apresentador e na Amazon Prime como narrador.
A N Sports está presente nas principais operadoras de TV por assinatura, como Sky e Claro, além de ter forte presença no YouTube. Entre os eventos esportivos transmitidos pelo canal estão o Campeonato Paranaense e a Copa Itália de futebol.