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quarta-feira, abril 1, 2026

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Sérgio Lüdtke assume secretaria executiva da Abraji

Sérgio Lüdtke (Crédito: Abraji)

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) promoveu nos últimos dias mudanças em seus cargos de liderança. Sérgio Lüdtke assume a função de secretário executivo da entidade, em substituição a Adriana Garcia, que passa a ser consultora de captação, com foco no tradicional Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Sérgio Lüdtke (Crédito: Abraji)

Lüdtke concentrará seus esforços em projetos de estímulo ao jornalismo de interesse público, defesa da integridade da atividade jornalística, proteção de profissionais investigativos, além do Congresso da Abraji. Anteriormente, ele atuou como coordenador do programa de treinamento da entidade, de 2019 a 2024. No LinkedIn, o novo secretário executivo informou que continuará trabalhando também no projeto Comprova, onde atua como editor-chefe, e no Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), do qual é presidente, coordenando o Atlas da Notícia.

Adriana Garcia (Crédito: Abraji)

Em post de agradecimento, Adriana escreveu que vai se concentrar no setor de sustentabilidade da entidade, o que, para ela, é “o maior desafio da instituição, e de todo o ecossistema jornalístico”. Além da atuação na Abraji, Adriana, que está na entidade desde 2023, retomará os trabalhos em sua consultoria Orbital Mídia, com parcerias, mentorias e projetos de design estratégico.

Prêmio Andifes de Jornalismo 2025 anuncia vencedores

Crédito: Kenny Eliason/Unsplash

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) divulgou os vencedores do Prêmio Andifes de Jornalismo 2025, que valoriza e reconhece trabalhos jornalísticos sobre a educação brasileira.

Na categoria Educação Básica, o vencedor foi o podcast Café da Manhã, da Folha de S.Paulo, com o episódio As novas investidas reacionárias na educação, assinado por Gustavo Simon, Magê Flores e Gabriela Mayer, com produção e edição de som de Carolina Moraes, Laila Mouallem, Raphael Concli e Thomé Granemann. O episódio analisa o avanço de discursos e iniciativas de caráter reacionário no campo educacional, discutindo seus impactos sobre a escola pública, a liberdade de ensinar e aprender e a formação crítica dos estudantes.

E em Ensino Superior, o prêmio foi para o Mongabay, com a reportagem Tubarões ameaçados viram ‘comida contaminada’ em escolas e hospitais públicos do Brasil, assinada por Karla Mendes, Kuang Keng Kuek Ser, Philip Jacobson, Rebecca Kessler e Fernanda Wenzel. A investigação, feita em parceria com o Pullitzer Center, mostra como a carne de tubarão, frequentemente comercializada sob o nome de cação, tem sido adquirida por meio de compras públicas e destinada a instituições como escolas e hospitais, expondo riscos à saúde humana e levantando alertas ambientais.

Brazil Journal lançará em abril o Page 9, projeto sobre lifestyle

O Brazil Journal anunciou o lançamento do Page 9, nova vertical focada em lifestyle, que cobrirá temas relacionados a moda, viagem, cultura, gastronomia, música, bem-estar, literatura, arte e comportamento. A estreia está prevista para abril.

Paula Merlo (Crédito: Vogue Brasil)

A nova vertical terá um site, uma revista impressa e um negócio de eventos. A ideia é que o Page 9 seja enviado a um mailing qualificado e estará presente em aeroportos, salas VIP, helipontos e academias premium. Para desenvolver o novo projeto, o Brazil Journal contratou Paula Merlo, que trabalhou por cerca de 15 anos na Condé Nast Brasil, boa parte deste tempo como diretora de conteúdo da Vogue Brasil e da Glamour.

“É um desafio excitante. A ideia é ser um ‘playground’, uma pausa, o recreio desse leitor ultraqualificado que já conhece e reconhece as coisas boas da vida,” declarou Paula ao Brazil Journal sobre a novidade. Além do trabalho na Condé Nast Brasil, ela foi apresentadora do projeto de vídeos Momento Estilo, no Globosat, e editora de Especiais na Luxure Media Group.

Thiago Gardinali assina com o SBT

Thiago Gardinali (Crédito: SBT/Instagram)

Thiago Gardinali assinou com o SBT. Ele estreou na segunda-feira (2/3), no comando do programa Se Liga, Brasil, novo telejornal da emissora, que vai ao ar no período matutino da programação, das 6h às 8h30. Até o começo do ano, Gardinali trabalhava na Record TV, como um dos apresentadores do do Balanço Geral Manhã.

O Se Liga, Brasil, trará as principais notícias do Brasil e do mundo, buscando um tom de equilíbrio entre pautas de fôlego e outros assuntos mais leves. A ideia é ajudar os espectadores a começarem o dia já bem informados. Além de comandar o telejornal diretamente do estúdio, Gardinali vai também percorrer as ruas em busca das informações.

Em 2026, Gardinali completa trinta anos de carreira no jornalismo. Antes do SBT e da Record TV, trabalhou também em Jovem Pan, Rede TV e Rede CNT. Atuou em diversas funções do setor, como repórter, apresentador, produtor e diretor de televisão. Foi também correspondente internacional em Estados Unidos, Itália e França. Cobriu a Guerra do Iraque, as Olimpíadas na China e a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. No Brasil, realizou reportagens em diversas editorias, incluindo a cobertura de acidentes aéreos, enchentes, crimes, eventos culturais e esportivos. Também apresentou programas de debate, de auditório e telejornais.

100 anos de rádio no Brasil: Quando a notícia deixa de ser produto e vira espelho algorítmico

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante décadas, ouvir notícias foi um exercício de escolha: ligar o rádio, abrir um jornal, clicar em um site. Em 2025, com o lançamento do Your Personal Podcast pelo Washington Post, essa lógica inverte-se silenciosamente. Já não é mais o ouvinte que escolhe o conteúdo. É o conteúdo que passa a escolher o ouvinte.

O novo produto do jornal permite que cada usuário gere diariamente um “podcast pessoal”, com cerca de quatro notícias moldadas por aquilo que ele já leu, ouviu e pesquisou. As vozes são sintéticas, criadas por inteligência artificial, e os apresentadores mantêm até um tom de conversa casual, simulando a experiência de um programa humano. A promessa é simples e sedutora: notícias sob medida, no ritmo do seu interesse, com a voz que você preferir.

Não se trata apenas de mais um formato. Trata-se de uma mudança ontológica: a notícia deixa de ser um objeto editorial e passa a ser uma interface adaptativa.

Historicamente, o jornalismo baseou-se na ideia de curadoria: alguém seleciona, hierarquiza e organiza os fatos de interesse público. No modelo do Your Personal Podcast, essa curadoria não desaparece, mas é reprogramada. Passa a ser feita por modelos preditivos, que observam padrões de comportamento e constroem um fluxo informativo alinhado ao perfil de cada indivíduo.

A lógica é semelhante à dos algoritmos de streaming musical ou de vídeo: não se entrega o que é mais importante – entrega-se o que é mais provável de ser consumido.

O resultado é um jornalismo que deixa de ser necessariamente coletivo e se torna radicalmente individualizado. Cada cidadão passa a viver dentro de uma bolha sonora personalizada, onde a realidade é narrada a partir de suas próprias preferências, hábitos e vieses.

Um dos aspectos mais simbólicos do projeto é que o episódio se atualiza conforme o noticiário muda. A experiência deixa de ser um programa fechado e se aproxima de um fluxo contínuo de consciência informativa. O podcast já não é mais um produto; é um processo.

Essa ideia dialoga diretamente com pesquisas do Reuters Institute Digital News Report e da Nieman Lab, que apontam uma queda contínua no consumo de notícias em formatos tradicionais e um crescimento expressivo de consumo via áudio, especialmente entre jovens que preferem informação em movimento, multitarefa e personalizada.

O Washington Post admite que o produto é experimental, mas o próprio vocabulário utilizado por seus executivos revela o futuro: eles não falam em audiência, falam em habit-based metrics. O objetivo não é mais volume, é dependência cotidiana.

O projeto nasce da parceria com a ElevenLabs, a mesma empresa que vem estruturando mercados de licenciamento de vozes históricas e narradores sintéticos. O paradoxo é fascinante: quanto mais artificial a voz, mais humana precisa parecer. O maior desafio relatado pelo Post não foi tecnológico, mas cognitivo e cultural: tom, naturalidade, credibilidade, sensação de presença.

Pesquisas do MIT Media Lab e da Stanford HAI já indicam que usuários desenvolvem vínculos emocionais com vozes sintéticas quando elas demonstram consistência, empatia e previsibilidade. Em outras palavras: não é preciso ser humano para gerar afeto – basta simular humanidade de forma convincente.

O podcast pessoal não precisa ser perfeito. Ele só precisa ser suficientemente confortável para se tornar hábito.

A grande questão não é técnica. É política e cultural. Se cada cidadão passa a consumir uma versão privada do noticiário, o que acontece com a ideia de esfera pública compartilhada? O que resta da noção de agenda comum? Que tipo de debate coletivo pode existir quando não ouvimos mais as mesmas narrativas?

(Crédito: creators.spotfy.com)

O Your Personal Podcast antecipa um cenário inquietante: não apenas a música e o entretenimento são personalizados – a própria realidade passa a ser modular.

O jornal deixa de ser praça pública e se transforma em espelho algorítmico. Um espelho que nos mostra apenas aquilo que já gostamos de ver.

Curiosamente, é o áudio – esse meio antigo, invisível e persistente – que se torna o vetor central da personalização extrema. Não porque ele seja mais tecnológico, mas porque se encaixa melhor na vida real: carros, fones, tarefas, deslocamentos, cansaço visual.

Relatórios de Edison Research, Deloitte e PwC indicam que o áudio é hoje o meio mais compatível com a lógica de consumo contínuo, assistivo e algorítmico. O podcast pessoal do Washington Post não é uma inovação isolada. É apenas o primeiro produto de massa de uma categoria que ainda nem tem nome.

Talvez não seja mais podcast.

Talvez seja jornalismo como serviço cognitivo.

No fim, o movimento é simbólico: durante décadas, escutamos a mídia. Agora, a mídia começa a nos escutar em silêncio, armazenando padrões, antecipando desejos e devolvendo versões sob medida do mundo.

O Your Personal Podcast não inaugura apenas um formato. Ele inaugura uma pergunta incômoda: se a informação sempre chega do jeito que eu quero, será que ainda estou sendo informado? Ou apenas confortado?

Fonte primária

  • Washington Post / Digiday (2025) – Your Personal Podcast

Jornalismo, IA e personalização

  • Reuters Institute – Digital News Report 2023–2025
  • Nieman Lab – AI and the Future of Newsrooms
  • Tow Center for Digital Journalism (Columbia)

Voz sintética e cognição

  • MIT Media Lab – Synthetic Voices and Human Perception
  • Stanford HAI – Human-AI Interaction Studies
  • ElevenLabs – Relatórios institucionais

Áudio e comportamento

  • Edison Research – Infinite Dial
  • Deloitte – Digital Media Trends
  • PwC – Global Entertainment & Media Outlook

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (45)

Por Assis Ângelo

Não foram muitos os astrônomos e intelectuais que tais que escaparam vivos da fogueira dos juízes malucos do Tribunal do Santo Ofício. Galileu foi uma dessas figuras que ganharam a oportunidade de viver por mais algum tempo ao concordar, sob pressão, com a tese católica de que a Terra seria o centro do Universo.

Pessoas do cotidiano comum, principalmente cristãos-novos, foram denunciadas como hereges e tal e mofaram nos calabouços e arderam nas chamas da Inquisição.

Portugal e Espanha foram dois dos países em que a Inquisição fez a festa.

As vítimas da Inquisição foram milhares e milhares.

Oficialmente, não há notícia de que o Brasil tenha acolhido inquisidores autorizados a julgar e a condenar à fogueira brasileiros e brasileiras dos tempos daquele tribunal. Porém, aqui e ali acham-se registros de pessoas que arderam nas labaredas da Inquisição, em São Paulo.

A prática comum da Inquisição no Brasil era enviar a Portugal pessoas acusadas de feitiçaria, sodomia, bigamia…

Judaísmo era considerado crime.

Segundo a historiadora Anita Novinsky (1922-2021), autora do livro Inquisição: Prisioneiros do Brasil, pelo menos 1.076 pessoas foram levadas do Brasil para Portugal e de lá nunca mais voltaram. Dessa leva, 29 acusados e acusadas morreram na fogueira. Uma dessas pessoas foi a pernambucana Guiomar Nunes (1692-1731).

Guiomar era casada e vivia no interior da Paraíba. Deixou viúvo o marido Francisco e órfãos oito filhos.

O soteropolitano Gregório de Matos e Guerra (1636-1696) estudou em Coimbra e voltou doutor e padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Exerceu por pouco tempo o ministério. Isso ocorreu porque ele se recusava a usar batina.

Gregório de Matos e Guerra

Paralelamente à religião católica, Gregório escrevia poemas que nem um condenado. Os temas abordados eram todos e da sua ferina pena não escapavam autoridades políticas e o povaréu em geral, incluindo brancos e pretos, pobres, ricos, comerciantes, cornos e putas.

Gregório morreu em Recife jurando amor a Cristo.

Para esse grande poeta baiano, o sagrado e o profano andavam conjuntamente de mãos dadas na rua e fosse lá onde fosse.

Gregório, que se tornou um dos mais polêmicos poetas do Brasil, foi denunciado à Inquisição no ano de 1685. Escapou das masmorras e de eventual queima na fogueira.

O cego está presente física ou metaforicamente na obra desse excelso brasileiro da Bahia. É dele esta pérola:

 

À procissão de cinza em Pernambuco

 

Um negro magro de sufulié justo,

Dois azorragues de um joá pendentes,

Barbado o Peres, mais dois penitentes,

Seis crianças com asas sem mais custo.

 

De vermelho o mulato mais robusto,

Três fradinhos meninos inocentes,

Dez ou doze brichotes mui agentes,

Vinte ou trinta canelas de ombro onusto.

 

Sem débita reverência seis andores,

Um pendão de algodão tinto em tijuco,

Em fileira dez pares de menores.

 

Atrás um cego, um negro, um mameluco,

Três lotes de rapazes gritadores:

É a procissão de cinza em Pernambuco.

 

Gregório, como muita gente sabe, ganhou o apelido de Boca do Inferno pela verborragia obscena que tanto o caracterizou. Escreveu e falou de tudo o que quis, como o nosso gigante Machado de Assis.

Machado de Assis

Machado, o Bruxo do Cosme Velho, não fazia uso de verbos obscenos. Era seu jeito particular de se manifestar sobre o cotidiano.

Nem temas ligados ao Oriente Médio escaparam do olhar crítico do autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Estão lá nas suas crônicas e contos costumes do mundo árabe. Fala de Deus e de seu filho Jesus, Jerusalém, Israel, uma cristã-nova…

É isso.

Contato pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Odir Cunha lançará biografia de Toninho Guerreiro, artilheiro cortado da Copa de 1970

O jornalista e escritor Odir Cunha deve lançar em maio o livro O céu e o inferno de Toninho Guerreiro, biografia do jogador de futebol pentacampeão paulista que foi cortado da Copa de 1970. Na obra, o autor abordará a infância, vida pessoal e trajetória de Toninho no futebol, passando pelas glórias e principais conquistas, e também pelos momentos tristes de sua jornada.

O livro é fruto de mais de 18 meses de pesquisa em revistas e jornais antigos, áudios e vídeos, além de entrevistas com amigos e familiares de Toninho. Odir Cunha escreveu sobre momentos marcantes da carreira do ex-artilheiro de Santos e São Paulo, incluindo o episódio (até hoje incerto) no qual ele foi cortado da seleção brasileira para a Copa de 1970, sob a justificativa de uma sinusite “que nunca o incomodou”, como diz o autor.

A obra está em financiamento coletivo através da plataforma Kickante. Lá, é possível adquirir um exemplar, impresso ou digital, e solicitar que seu nome ou o de um amigo esteja registrado na primeira edição do livro. Acesse aqui.

Com quase 50 anos de carreira no jornalismo, Odir Cunha iniciou sua trajetória na profissão no Jornal da Tarde, onde ganhou dois Prêmios Esso, em 1978 e 1979. Posteriormente, trabalhou no Sistema Globo/Excelsior de Rádio. Foi produtor de programas esportivos da Rádio Globo. Na televisão, trabalhou como editor e comentarista. Fundou a Ampla Comunicação, assessoria de imprensa onde trabalhou por 10 anos. Curador do Museu Pelé, também organizou diversas exposições no Sesc.

Como escritor tem mais de 30 livros publicados, entre eles biografias de outras personalidades históricas do esporte, como Pelé, Guga Kuerten e Oscar Schimidt. Escreveu também o livro oficial do Centenário do Santos Futebol Clube (100 anos de futebol arte) e o histórico Dossiê que unificou os títulos brasileiros de futebol a partir de 1959.

Aos Fatos vence prêmio Rei da Espanha de melhor meio de comunicação ibero-americano

A agência de checagem Aos Fatos venceu o Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo 2025 na categoria Melhor Meio de comunicação Ibero-Americano. Concedida pela Agência EFE e pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid), a premiação reconhece trabalhos jornalísticos de profissionais e veículos de países ibero-americanos de língua espanhola e portuguesa.

O júri classificou Aos Fatos como referência mundial no jornalismo e combate à desinformação, “aumentando o custo da mentira na política” em um contexto de assédio e perseguição política a profissionais de imprensa no Brasil. Para Tai Nalon, diretora executiva da agência, a honraria reafirma “a relevância do jornalismo baseado em evidências em um contexto global marcado pela desinformação e pela erosão da confiança pública. Desde 2015, já publicamos mais de 19 mil checagens, analisamos centenas de milhares de conteúdos digitais e contribuímos para o fortalecimento da integridade da informação no continente”.

Em Jornalismo Narrativo, a vencedora foi a rádio espanhola Cadena Ser, com o podcast Asistola La Muerte desde Dentro, que conta histórias profundas de pessoas no fim de suas vidas, abordando o conceito de morte sem eufemismos.

Na categoria Cooperação Internacional e Ação Humanitária, os vencedores foram o jornal mexicano El Universal, o jornal americano The Washington Post e a organização Lighthouse Reports, com Río Bravo, o fluxo dos mil migrantes mortos, sobre o aumento de afogamentos de migrantes na tentativa de atravessar o Rio Bravo, na fronteira com os Estados Unidos.

Em Jornalismo Cultural, o premiado foi a revista digital Contracultura, de Honduras, liderada por Persy Cabrera Pinto que, ao lado de sua equipe, cobrem o setor cultural com profundidade, através de fotografias, entrevistas, crônicas, contos e poesias.

Na categoria Fotografia, o vencedor foi Óscar Corral por seu trabalho no jornal espanhol El País registrando os impactos das enchentes na Espanha, causados pelo fenômeno meteorológico Dana, em 2024.

E em Jornalismo Ambiental, o prêmio foi para a revista Divergente, de Portugal, com o podcast País de Incendiários, que explica por que Portugal é o país da União Europeia com mais área ardida, consumida por incêndios rurais.

Reestruturação coloca em xeque o futuro da Revista Pesquisa Fapesp

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou em 19 de fevereiro uma profunda reestruturação em seus veículos jornalísticos. Segundo o comunicado, a gerência de Comunicação da entidade criará uma plataforma integrada de divulgação científica que reunirá a Revista Pesquisa Fapesp, a Agência Fapesp e o boletim Pesquisa para Inovação.

Se por um lado o movimento promete reformular a maneira como a produção científica paulista é apresentada ao público e concentrar, em uma mesma estrutura, fluxos editoriais que até então operavam de forma autônoma, por outro ele vem causando apreensão pelo impacto que causará em seus veículos, especialmente na Revista Pesquisa Fapesp.

Isso porque a tradicional publicação, com 30 anos de história, deixará de circular em sua versão impressa. Além disso, também vê sua periodicidade, atualmente mensal, ameaçada, e pode sofrer um profundo corte em sua equipe. A primeira baixa, já confirmada, foi o da diretora de redação Alexandra Ozório de Almeida, que teve seu contrato encerrado no final de fevereiro. Outros dez jornalistas que atuam na produção da revista também correm o risco de serem desligados nas próximas semanas. São eles: Ana Paula Orlandi, Carlos Fioravanti, Christina Queiroz, Fabrício Marques, Marcos Pivetta, Maria Guimarães, Neldson Marcolin, Ricardo Zorzetto, Sarah Schmidt e Yuri Vasconcelos.

Em entrevista a este Portal dos Jornalistas, Carlos Graeff, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, justificou o corte alegando que, tanto a diretora de Redação, como os demais jornalistas da revista, não são funcionários da Fapesp, uma vez que prestam serviços por meio de empresas contratadas pela Fundação da USP (FUSP).

Segundo o executivo, com o final do convênio Fapesp-FUSP, no próximo mês de maio, todos os contratos de prestação de serviços serão encerrados. “Nossa intenção é que aqueles que trabalham atualmente na revista, se quiserem continuar, poderão seguir prestando os mesmos serviços”, garantiu Graeff, que também é responsável pela Comunicação da entidade, porém sem informar em que moldes de trabalho e tipo de negociação.

Preocupada com o impacto que essas decisões podem causar à divulgação científica e aos profissionais que atuam na publicação, a Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência publicou uma carta de apoio à Revista Pesquisa Fapesp, que até a manhã dessa segunda-feira (2/3) já reunia mais de 700 assinaturas.

“Diluir essa experiência em uma estrutura comunicacional subordinada à lógica institucional implica riscos concretos à autonomia editorial, à diversidade de abordagens e à própria credibilidade construída ao longo do tempo. Além disso, qualquer transformação dessa natureza deveria observar, com ainda mais cuidado, os princípios da transparência, da publicidade e da participação, especialmente quando se trata de iniciativa financiada com recursos públicos e voltada à divulgação de pesquisa também custeada por financiamento público”, destacou o comunicado.

Nomeado em agosto do ano passado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Graeff garante que “em momento algum foi cogitada a retirada de circulação da revista, que continuará com a mesma periodicidade e qualidade e mantida com recursos da Fapesp”. Apesar disso, profissionais que atuam na publicação e no setor ouvidos pela reportagem denunciam que essa decisão faz parte de um movimento mais amplo do governador paulista em enfraquecer a pesquisa científica no Estado.

Vale lembrar que em maio do ano passado Tarcísio de Freitas foi duramente criticado após apresentar um Projeto de Lei que impactava diretamente a carreira de pesquisador científico no estado de São Paulo. Entre as principais mudanças defendidas pelo projeto, estava o fim do regime de tempo integral para pesquisadores e a alteração na remuneração das bolsas. O PL, que não contou com debate junto aos pesquisadores, foi visto como uma ameaça de “desestruturação da carreira” e que poderia levar à “desvalorização dos profissionais que nela atuam”.

Sobre a Revista Pesquisa Fapesp
Edição de fevereiro da Revista Pesquisa Fapesp, a última antes das mudanças anunciadas pela Fapesp

Criada em 1995 como um house organ com quatro páginas, tiragem de 1.000 exemplares e com o nome de Notícias Fapesp, a Revista Pesquisa Fapesp ganhou o atual nome e formato em outubro de 1999. Desde então, consolidou-se como uma das principais publicações brasileiras na divulgação dos avanços da produção científica e tecnológica nacional em quatro grandes áreas: ciência, tecnologia, política científica e tecnológica e humanidades.

Atualmente, conta com tiragem média mensal de 28,5 mil exemplares distribuídos de forma gratuita para pesquisadores que têm projetos financiados pela Fapesp, para bibliotecas, escolas e outras instituições de ensino. Além disso, dispõe de cerca de 5 mil assinantes pagos e vende em torno de 800 exemplares por mês em banca. Todo o conteúdo produzido é também disponibilizado gratuitamente no site.

Ao longo de suas três décadas de atuação, recebeu importantes reconhecimentos nacionais e internacionais do Jornalismo, tendo sido eleita inclusive em 2023 como o +Admirado Veículo Impresso Especializado em Jornalismo Científico, pela eleição dos +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar.

Manuela Borges, do ICL Notícias, é cercada e intimada por servidores na Câmara dos Deputados

A repórter Manuela Borges, do ICL Notícias, foi cercada e intimada por servidores de gabinetes de deputados da oposição no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O episódio ocorreu durante um pronunciamento, organizado por parlamentares da oposição, para criticar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no Carnaval do Rio de Janeiro.

No pronunciamento, os parlamentares, liderados por Cabo Gilberto Silva, líder da oposição, classificaram a homenagem como prática de campanha antecipada. Após a fala, Manuela citou os outdoors com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis espalhados pelo Distrito Federal e perguntou aos parlamentares se isso não seria também campanha antecipada.

Após o questionamento, a confusão se iniciou. Diversos assessores e servidores ligados a gabinetes de oposição cercaram a repórter e passaram se aproximar, gritar contra ela e a filmá-la com os celulares bem próximos ao rosto dela, impedindo que o trabalho de imprensa fosse realizado. Manuela tentou se defender, pedindo licença e respondendo aos gritos dos servidores. O deputado Coronel Crisóstomo chegou a berrar durante a confusão.

Manuela Borges intimada por servidores (Crédito: ICL Notícias)

Em relato ao ICL Notícias, Manuela criticou a postura dos policiais presentes no local, que nada fizeram para conter os ânimos: “Depois, quando saí do meio da confusão, vieram apertar minha mão, mas não fizeram nada para interferir”, declarou a repórter. O ICL afirmou que vai apresentar uma denúncia via Comitê de Imprensa à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram o ocorrido. Em nota conjunta, Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF), Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e Comissão de Mulheres Jornalistas da Fenaj classificaram o episódio como “grave episódio de violência e coação”.

“Ressaltamos que este ato carrega uma nítida violência de gênero. A repórter relatou ter sido oprimida e ‘apertada’ pelo grupo, enquanto o deputado Coronel Crisóstomo gritava e cuspia em sua direção. Esse tipo de cerco agressivo contra uma mulher jornalista visa silenciar o questionamento legítimo e fragilizar a presença feminina nos espaços de poder e na cobertura política. Este não é apenas um ataque individual a Manuela Borges, mas um ataque frontal contra toda a categoria de jornalistas, contra a profissão e contra o próprio jornalismo”, declararam as entidades.

O ICL Notícias entrou em contato com os gabinetes dos parlamentares e a presidência da Câmara dos Deputados para registrar seus posicionamentos sobre o ocorrido, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

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