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Um mundo sem notícias?

Pesquisa mostra efeitos de um mundo sem notícias para o público

Crédito: Priscilla Du Preez/Unsplash

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

Uma das indagações feitas por jornalistas e pesquisadores nos primeiros meses da pandemia era se o ganho de confiança na imprensa apontado à época por estudos deixaria resíduos. A resposta começa a surgir. E, ao menos no Reino Unido, é boa.

O estudo World Without News, comissionado pela Newsworks, entidade formada por alguns dos principais jornais britânicos, revelou que, em um cenário de notícias falsas, desinformação e ataques à liberdade de expressão, 66% dos consumidores de notícias disseram que “apreciam e valorizam mais o jornalismo” desde então.

Comparado a muitas das pesquisas de opinião estruturadas para mapear como as pessoas se informam, suas fontes preferenciais e o grau de confiança em cada uma delas, o estudo da Newsworks tem um viés diferente e mais profundo.

Adotou uma abordagem comportamental para captar o signficado do jornalismo para as pessoas, o que ele acrescenta e como se enquadra em suas vidas, partindo da pergunta “como seria um mundo sem notícias?”. Para obter a resposta, privou-as de notícias por alguns dias para entender as reações e sentimentos.

Jornalismo e democracia

O trabalho revelou que 70% dos entrevistados concordaram que um “mundo sem jornalismo prejudicaria a sociedade democrática”, destacando o trabalho que os profissionais de imprensa fazem ao cobrir questões importantes para a sociedade, que de outra forma poderiam ser esquecidas.

Para aumentar a felicidade do jornalismo de qualidade, confrontado com o avanço das redes sociais como fonte de informação para os mais jovens, o resultado foi ainda melhor entre pessoas abaixo de 35 anos. Nessa faixa, 77% disseram valorizar mais os jornais, considerando-os capazes de fornecer informações confiáveis.

Embora 42% dos abaixo de 35 anos tenham dito que usaram mais as mídias sociais no auge da pandemia, sete em cada dez deles disseram que se sentiram menos ansiosos em relação a uma informação transmitida por elas depois de a checar em um jornal.

Há uma nuance na forma como a Newsworks trata a si própria e aos jornais no estudo. Ela se posiciona como uma organização dedicada ao marketing do setor de jornais “em todas as suas formas, em um mundo multiplataforma”, abrangendo as edições em papel e os canais digitais associados.

Seu propósito é estimular o setor publicitário a anunciar em jornais, tarefa desafiadora em um cenário de queda brutal das verbas de propaganda.

Segundo relatório conjunto da consultoria WARC e da Associação de Anunciantes britânica, o tombo no mercado foi de um terço entre abril e junho, pior resultado trimestral já registrado, com previsão de perda de £ 3,6 bilhões em 2020. E foi reduzida a projeção de crescimento em 2021, passando de 16,6% para 14,4%.

“Marcas de notícias”

No estudo, os jornais são qualificados como news brands, ou “marcas de notícias”, e não simplesmente como jornais, o que poderia limitar as opiniões dadas pelos pequisados às suas impressões sobre a versão em papel.

Vale ressaltar que as conclusões são restritas ao Reino Unido. Mas em muitos aspectos podem ser extrapoladas para outros países, descontando-se particularidades como o papel que a TV exerce aqui. Por causa da BBC, emissora pública que é quase parte da família para gerações de britânicos – ao ponto de ter o apelido  de “Auntie Beeb”, ou “Tia Beeb” –, a relação do país com o meio televisão é diferente da de outras nações, como mostram pesquisas que cobrem vários países.

Também se deve levar em conta que o objetivo do trabalho é embasar a venda do meio jornal para o mercado – o trecho final é dedicado a isso. Mas isso em nada o desqualifica, pois há bons insights que podem servir como reflexão sobre as expectativas do público e o que ele mais valoriza, sobretudo nos jornais (e suas versões digitais, claro).

E que igualmente podem ser extrapolados para o jornalismo de qualidade praticado por outros canais.

Leia mais sobre a metodologia da pesquisa e seus resultados em mediatalks.com.br.

Leia também:

• O novo código de conduta da BBC para uso de redes sociais, que proíbe uso de emojis, endosso de campanhas e sugere não tuitar sob efeito de álcool.

• Uma análise das mudanças no Artigo 230 em debate no senado americano, que pode responsabilizar as plataformas digitais pelo conteúdo nelas postado por usuários.

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Prêmio IREE de Jornalismo 2020 abre inscrições

O Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE) anuncia a primeira edição do Prêmio IREE de Jornalismo, que visa a valorizar reportagens sobre questões atuais de política e economia publicadas em português no Brasil.

O prêmio tem três categorias: Reportagem, cujo vencedor receberá um cheque de R$ 50 mil; Reportagem na área de Política e Reportagem no segmento de Economia e Negócios, com prêmio de R$ 30 mil para o vencedor de cada uma.

Para participar, os trabalhos inscritos devem ter sido publicados entre 15 de novembro de 2019 e 15 de novembro deste ano. As inscrições vão até 15 de novembro.

Brasil está em oitavo lugar em ranking de impunidade a assassinatos de jornalistas

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, em inglês) divulgou os resultados do Índice Global de Impunidade, que visa a detectar os países com maiores taxas de impunidade a assassinatos de profissionais de imprensa. O Brasil aparece no ranking pelo décimo ano consecutivo, agora na oitava posição. Em 2019, estava na nona colocação.

O Brasil tem situação pior que países como Paquistão, Bangladesh, Rússia e Índia. Somália, Síria e Iraque são as três regiões com os piores índices de impunidade a assassinos de jornalistas no mundo.

O índice leva em conta a proporção de assassinatos não solucionados de profissionais de imprensa em relação à população de cada país durante dez anos. Em números absolutos, o Brasil ocupa a sexta posição, com 15 assassinatos não resolvidos. A Somália e o México são os países em que mais assassinos estão impunes (26).

Confira o resultado na íntegra.

Morre Luiz Carlos Gertel, aos 73 anos, em São Paulo

Luiz Carlos Gertel

Morreu nessa segunda-feira (2/10), em São Paulo, Luiz Carlos Gertel, aos 73 anos. Ele estava internado após sofrer um acidente doméstico, mas a causa da morte não foi informada.

Gertel ganhou notoriedade por seu trabalho na Rádio Bandeirantes, com os programas O Pulo do Gato, Primeira Hora e Jornal Gente. Cobriu a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Ficou conhecido pelo texto marcante e por conseguir, por meio do rádio, descrever com muitos detalhes imagens da cidade de São Paulo.

O que muda para as redes sociais com a revogação do Artigo 230 nos EUA?

Não foi uma semana fácil para Google, Facebook e Twitter. Os líderes das plataformas digitais globais enfrentaram a dura sabatina dos senadores americanos, em depoimento sobre a revogação do Artigo 230, que pode tirar delas o conforto de não serem responsabilizadas pelo conteúdo publicado por usuários.

Ao mesmo tempo, a revista francesa Le Point revelou um documento sigiloso descrevendo a estratégia do Google para neutralizar o avanço de projeto de regulação pela União Europeia.

O MediaTalks explica o que é o artigo 230, como ele pode mudar a forma como usamos as redes sociais atualmente e o que pensam os que participam desse debate, que tem Donald Trump como um dos principais advogados da revogação.

Se beber não tuíte, diz o guia da BBC para uso de redes sociais pela equipe

Saiu o esperado código de conduta da BBC normatizando o que os jornalistas da rede pública britânica podem fazer nas redes sociais. A resposta é: quase nada.

Para neutralizar as críticas de falta de imparcialidade, o diretor-geral Tom Davie baixou um guia severo, que proíbe o uso de emojis e o apoio a campanhas. E recomenda que ninguém tuíte se estiver sob efeito de álcool.

Outras regras são: não falar mal de colegas, não falar sobre política nem sobre políticas públicas e não fazer links para matérias que não tenha lido completamente. Veja em MediaTalks o conjunto de normas e o link para o documento original.

66ª Feira do Livro de Porto Alegre vai até 15/11

Começou hoje (30/10) a 66ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre, que reúne centenas de escritores, ilustradores, contadores de histórias e outros profissionais em mesas-redondas, oficinas, palestras e debates.

Entre os jornalistas, no domingo (1º/11), às 16h, Letícia Fagundes, do coletivo Mulheres Jornalistas, entrevista o cartunista Miguel Paiva, autor do livro Memória do Traço. E na segunda-feira (2/11), também às 16h, ela conversa com Elisa Lucinda, autora de Livro do Avesso – O pensamento de Edite. As entrevistas serão transmitidas no canal do YouTube do Mulheres Jornalistas.

Confira a programação completa do evento.

Falta de manutenção causou acidente que matou Ricardo Boechat

O repórter Valteno de Oliveira, da Band, obteve com exclusividade o relatório final do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos sobre a queda do helicóptero que matou o âncora Ricardo Boechat e o piloto Ronaldo Quattrucci em fevereiro de 2019. Segundo o texto, o acidente ocorreu devido a falta de manutenção da aeronave.

O relatório diz que houve um problema no rolamento do compressor porque o duto de distribuição de óleo estava entupido, o que contribuiu para a falha do motor. A recomendação é que o óleo seja trocado uma vez por ano, mas a troca chegou a ficar 38 meses sem ser realizada.

Segundo o texto, o helicóptero havia sido proibido de voar em 2017 porque a vistoria do compressor estava vencida. A peça foi trocada e a aeronave foi liberada para voar, mas dois meses depois, o compressor condenado nessa vistoria foi reinstalado e o piloto continuou a voar, ignorando os riscos.

No dia do acidente (11 de fevereiro de 2019), o piloto chegou a ver uma luz no painel que poderia indicar algum problema. Ele voou até uma oficina próxima a Campinas e ouviu do mecânico que o helicóptero precisaria ser desmontado. O piloto impediu que isso fosse feito, disse que cuidaria disso depois, retornou ao local onde Boechat participava de um evento e conduziu o âncora para dentro da aeronave. Eles seguiram para São Paulo, e o helicóptero caiu na rodovia Anhanguera, na altura do Rodoanel.

Além dessa investigação, uma apuração corre em sigilo na Polícia Civil sobre quem são os responsáveis pelo acidente.

Cláudia Trevisan assume a Diretoria Executiva do CEBC

Após quase uma década como correspondente do Estadão em Pequim e Washington e de dois anos dedicados à vida acadêmica nos EUA, Cláudia Trevisan assumiu no início de julho a Diretoria Executiva do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Com mais de 30 anos de carreira, ela foi também correspondente do Valor Econômico em Buenos Aires e da Folha de S.Paulo em Nova York. A partir de 2018 passou a dedicar-se a um mestrado na Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, e atuou como pesquisadora não residente do Foreign Policy Instittute, na mesma instituição.

No Linkedin Cláudia informou que foi tudo muito rápido: “Saí de Washington depois de seis anos e me instalei no Rio para assumir a Diretoria Executiva do CEBC. É um desafio e tanto, que me leva de volta a uma das minhas paixões, a China”. Ela é autora dos livros Os chineses e China – O renascimento do império.

Após denunciar censura, Glenn Greenwald deixa o The Intercept

Glenn Greenwald anunciou nessa quinta-feira (29/10) a sua demissão do The Intercept, publicação da qual é cofundador. Ele alegou que teve um artigo censurado por editores da versão norte-americana da página sobre o candidato à presidência dos Estados Unidos Joe Biden. “As mesmas tendências de repressão, censura e homogeneidade ideológica que afligem a imprensa nacional também engoliram a mídia que eu cofundei, culminando na censura de meus próprios artigos”, escreveu no Twitter.

Segundo Glenn, os editores do site estão apoiando Biden de tal maneira que não quiseram prejudicar o candidato com a publicação do artigo. “O artigo censurado, baseado em e-mails revelados recentemente e depoimentos de testemunhas, levantou questões críticas sobre a conduta de Biden”, disse.

Glenn escreveu um texto sobre seu pedido de demissão e publicou num site próprio, compartilhando também a troca de e-mails e a censura dos editores do The Intercept. O jornalista prometeu publicar o artigo completo de Biden em suas redes, e disse que o texto traz críticas sobre o candidato e seu filho, Hunter Biden.

Greenwald finalizou acrescentando que o conflito não tem relação alguma com a versão brasileira do serviço, que, segundo ele, continua tendo o seu respeito e que ele espera que continue sendo apoiada.

Segundo o Poder360, o Intercept publicou nota afirmando que a decisão de Glenn Greenwald de se demitir “origina-se de um fundamental desentendimento sobre o papel de editores na produção jornalística e na natureza da censura”.

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