Por Assis Ângelo
A história registra a presença de escravos desde tempos imemoriais. Foi assim na Grécia, no Egito, na Inglaterra, na Itália, nos EUA e mais e mais em todo canto.
Nos primeiros 320 anos de história, o Brasil registrou a presença de pelo menos 5 milhões de escravizados oriundos do continente africano.
O primeiro Censo realizado no Brasil, em 1872, registrou a existência de aproximadamente 1,5 milhão de homens, mulheres e crianças escravizados. À época, o número de habitantes do País girava em torno de 10 milhões de pessoas.
De acordo com os números apresentados até então, aproximadamente 10% a 20% dos brasileiros eram alfabetizados.
As mulheres escravizadas que nasciam cegas ou cegas ficavam no correr da vida eram levadas para trabalhos domésticos, quando não eram disponibilizadas para a prostituição por seus senhores. Aliás, pouco tem se falado a respeito desse que foi gravíssimo problema da vida brasileira num tempo ainda não tão distante de hoje.
De modo geral, o período escravocrata no Brasil tem sido contado e cantado em prosa e verso.
Em 1916, o cordelista piauiense Firmino Teixeira do Amaral (1896-1926) escreveu e fez publicar o folheto que virou clássico: Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho dos Tucuns. Um trecho:

Apreciem, meus leitores,
Uma forte discussão,
Que tive com Zé Pretinho,
Um cantador do sertão,
O qual, no tanger do verso,
Vencia qualquer questão.
Um dia, determinei
A sair de Quixadá –
Uma das belas cidades
Do estado do Ceará.
Fui até o Piauí,
Ver os cantores de lá.
Me hospedei na Pimenteira
Depois em Alagoinha;
Cantei em Campo Maior,
No Angico e na Baixinha.
De lá eu tive um convite
Para cantar na Varzinha…
Cego Aderaldo, de batismo Aderaldo Ferreira de Araújo (1878-1967), ficou órfão de pai e mãe, sem irmãos e cego quando tinha 18 anos de idade. Até então, a sua atividade profissional era a de descaroçador de algodão.
Um tanto perdido, o jovem Aderaldo descartou totalmente a possibilidade de andar pelas ruas pedindo fosse o que fosse a quem quer que fosse. A propósito, palavras sabia o Cego muito bem trabalhá-las de modo curioso para do público arrancar risos e palmas. Nisso era mestre. Aqui e ali ele fazia assim:

Quem a paca cara compra
Cara a paca pagará
Pagará a paca cara
Quem a paca cara compra…
Pois é, o Cego Aderaldo era um cara muito engraçado e competentíssimo em tudo que fazia. Criou 26 crianças órfãs e aprendeu a tocar viola, violão e rabeca. Um dia, alguém achou de provocá-lo numa cantoria, perguntando porque nunca se casara. Numa sextilha, despachou os seguintes versos:
Pensar em casar,
Eu pensei isso eu não nego
Mas com minha experiência
Batata quente eu não pego
Quem enxerga leva chifres
Imagina eu que sou cego
De acordo com o Censo de 2022, havia no País uma população de 203 milhões de habitantes. Nesse total se achavam 14,4 milhões de pessoas portadoras de algum problema físico ou visual que os impedia de se locomover com total naturalidade no seu cotidiano. Entre essas pessoas estavam indígenas cegos e surdos.
As indígenas eram as pessoas mais vulneráveis e suscetíveis à cegueira.
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