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sexta-feira, abril 10, 2026

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O adeus a Helton Lenine, que fez história no jornalismo político em Goiás

Helton Lenine

Morreu em 2/4 o repórter Helton Lenine, nome histórico do jornalismo especializado em Política no Goiás, aos 72 anos, vítima de complicações cardíacas. O velório e sepultamento foram realizados no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia.

Helton cobriu por muitas décadas a editoria de Política em Goiás. Passou pelas redações de Diário da Manhã e O Popular, e foi correspondente do Estadão. Atuou ainda como repórter e colunista do Jornal Opção. Também trabalhou no rádio, nas emissoras Brasil Central AM e FM.

Além do trabalho nas redações, Helton atuou em comunicação institucional. Foi servidor concursado do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO). Além disso, esteve à frente da comunicação do então senador Maguito Vilela e integrou a gestão da Prefeitura de Aparecida de Goiânia como secretário de Comunicação entre 2009 e 2011. Ultimamente, atuava como colaborador de Diário de Aparecida e Diário da Manhã.

100 anos de Rádio no Brasil: TikTok lança rádio online

Por Álvaro Bufarah (*)

A estreia da chamada TikTok Radio durante o festival South by Southwest (SXSW) não é apenas mais um lançamento no universo do entretenimento – é um sinal claro de que as fronteiras entre plataformas digitais e meios tradicionais estão sendo rapidamente dissolvidas.

Fruto da parceria entre o TikTok e a iHeartMedia, o projeto nasce com uma proposta ambiciosa: transformar a lógica de navegação algorítmica – típica das redes sociais – em uma experiência sonora contínua, híbrida e multiplataforma. A transmissão inicial, realizada a partir de Austin, Texas, marca o início de uma operação que pretende integrar rádio, streaming e conteúdo social em um único ecossistema.

A ideia, descrita pela própria iHeartMedia como “ouvir o TikTok com os ouvidos”, sintetiza bem o conceito. Trata-se de traduzir o fluxo infinito de descobertas da plataforma – músicas virais, tendências culturais, criadores emergentes – para uma linguagem radiofônica. Mas, ao contrário do rádio tradicional, essa nova proposta nasce profundamente ancorada na lógica da plataformização.

A TikTok Radio será distribuída simultaneamente no aplicativo iHeartRadio e em 28 emissoras espalhadas por grandes mercados norte-americanos, como Nova York, Los Angeles, Chicago e Miami. Essa estratégia de distribuição revela um movimento relevante: em vez de substituir o rádio, as plataformas digitais passam a ocupá-lo, ressignificando suas funções e ampliando seu alcance.

O conteúdo da programação também evidencia essa convergência. Entre os quadros previstos estão rankings semanais das músicas mais populares na plataforma, entrevistas com criadores, debates sobre cultura e estilo de vida e espaços dedicados a artistas emergentes. Em essência, trata-se de uma curadoria baseada em dados – mas mediada por vozes humanas.

Esse ponto é central. Diferentemente do feed tradicional do TikTok, onde o algoritmo organiza a experiência individual do usuário, a rádio propõe uma experiência coletiva e sequencial. É uma espécie de “algoritmo linearizado”, no qual a lógica de recomendação continua presente, mas agora estruturada em formato narrativo e compartilhado.

A escolha do SXSW como palco de lançamento não é casual. Historicamente, o festival funciona como um laboratório de tendências para as indústrias criativas e tecnológicas. Ao estrear nesse ambiente, o projeto posiciona-se não apenas como um produto, mas como uma declaração estratégica sobre o futuro da mídia sonora.

Outro elemento relevante é a expansão do ecossistema para além da rádio. Paralelamente ao lançamento, as empresas anunciaram a criação de uma rede de podcasts com até 25 programas originais, apresentados por criadores da plataforma. Nomes como Lele Pons e outros influenciadores digitais reforçam o papel central dos criadores como novos mediadores de conteúdo.

Esse movimento dialoga diretamente com uma tendência mais ampla da indústria: a migração da autoridade editorial das instituições para os indivíduos. Se antes o rádio era estruturado a partir de marcas e emissoras, agora ele passa a incorporar a lógica dos creators – figuras que constroem audiência a partir de identidade, proximidade e recorrência.

Dados recentes do mercado de áudio indicam que essa estratégia não é apenas experimental. O consumo de podcasts continua em crescimento global, enquanto o TikTok consolida-se como uma das principais plataformas de descoberta musical do mundo. Segundo relatórios da indústria, uma parcela significativa dos sucessos nas paradas musicais internacionais tem origem em viralizações dentro da plataforma.

Lele Pons

A parceria com a iHeartMedia, por sua vez, oferece a infraestrutura necessária para transformar essa influência digital em um produto de mídia tradicional escalável. Com centenas de estações e forte presença no mercado publicitário, a empresa atua como ponte entre dois mundos: o da cultura digital e o da radiodifusão.

Mas essa convergência também levanta questões importantes. Ao incorporar a lógica algorítmica ao rádio, abre-se espaço para uma nova forma de curadoria – potencialmente mais orientada por dados de engajamento do que por critérios editoriais clássicos. Isso pode ampliar a diversidade de vozes, mas também reforçar dinâmicas de popularidade e repetição típicas das plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, a presença de criadores no centro da programação reforça uma mudança estrutural no papel do comunicador. O locutor tradicional dá lugar ao influenciador, e a autoridade passa a ser construída menos pela instituição e mais pela relação direta com o público.

No fundo, a TikTok Radio não representa apenas a entrada de uma plataforma no rádio. Ela simboliza uma inversão mais profunda: o rádio passa a ser incorporado à lógica das plataformas.

E, nesse novo cenário, talvez a pergunta mais relevante não seja se o rádio vai sobreviver – mas em que medida ele continuará sendo reconhecido como rádio.

 

Fontes para pesquisa

 

Leia também: Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (50)

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (50)

Por Assis Ângelo

No Brasil sempre houve pessoas que acreditaram nas pessoas e na liberdade necessária para a sobrevivência do bem comum.

Entre pessoas que sempre acreditaram nas outras houve aquelas que desenvolveram o bem-viver pelo caminho das artes, caminhos esses sempre tornados fonte do livre pensar e agir.

Bom, o Brasil foi durante muito tempo quintal dos invasores europeus. Mas a liberdade sempre foi objetivo e esperança de artistas da palavra, como Gregório de Matos e Guerra (1636-1696).

Esse Guerra sempre foi da paz e usou as palavras como arma e divertimento.

O tempo passou e guerras várias com derramamento de sangue ocorreram de canto a canto do território nacional.

Como Gregório de Matos, na Bahia também nasceu Antônio Frederico de Castro Alves.

Castro Alves muito cedo viu nas letras o caminho da liberdade. E gritou: “A praça é do povo como o céu é do condor”.

Como Gregório e Castro Alves, o baiano de Itabuna Jorge Leal Amado de Faria via na liberdade o caminho natural da vida.

Toda a obra literária de Jorge Amado traz a luta do povo contra as injustiças sociais. Independentemente de cor e sexo, Jorge exalta a força e a coragem dos personagens que vão se movimentando nas páginas dos seus livros.

Não são poucos ou poucas os heróis e heroínas que ganham forma e força nas histórias de Jorge Amado. Tereza Batista é, por exemplo, personagem capaz de encantar o mais frio dos leitores.

E o que dizer de Gabriela e de Tieta do Agreste?

Centenas de personagens anônimos, para dizer o mínimo, pululam nos capítulos das dezenas de romances de Jorge Amado. Entre esses, são incontáveis os cegos tocadores de viola que cantam nas feiras livres do Nordeste profundo.

No romance Seara Vermelha (1946) aparece de raspão um certo Cosme. Esse Cosme, cego de um olho, está noivo de uma Teresa. Sonham, almejam a felicidade com o matrimônio. Casamento marcado, casamento realizado. Porém, um porém: uma bidu, adivinhona de plantão, diz que má notícia está chegando.

E a história começa por aí.

A má notícia chega numa carta selada. O conteúdo, escrito pelo dono das terras onde mora o casal e outros agregados igualmente explorados, dá conta de que todos que ali vivem devem ser postos no olho cego da rua.

A determinação contida na carta é cumprida à risca. E, a partir daí, as pobres personagens lançam-se à própria sorte, subindo e descendo ladeira com a barriga vazia e a morte à espreita como maligna companhia. E as crianças vão morrendo de fome, de tifo e outros males, como a menininha Noca, que carrega consigo o tempo todo a gatinha Marisca.

A história de Marisca lembra um pouco a história do papagaio que acompanha a fuga da seca de uma família nordestina narrada pelo alagoano Graciliano Ramos no seu clássico Vidas Secas (1938).

Há um momento em Seara Vermelha que remete o bom leitor ao romance Lucíola (1862), do romântico cearense José de Alencar. Nesse livro, a personagem título prostitui-se para salvar a família de uma epidemia que grassava no tempo em que a história é contada.

Ao tomar conhecimento do que fizera a filha, o pai a expulsa de casa. E é a partir daí que Lucíola vira mulher-dama.

Na história de Amado acontece em parte com a personagem Marta o que acontece com Lucíola.

Marta, para conseguir documento que salvaria o pai, Jerônimo, rende-se à calhordice do médico e assim acaba por obter o que almejava. Ao saber disso, o pai a expulsa e aos gritos diz que nunca mais quer vê-la.

O fim de Marta é num cabaré, doente e pobre.

Seara Vermelha é um livro no qual o autor expõe-se completamente como romancista engajado. Começa com a dedicatória que faz a Luís Carlos Prestes (1898-1990) e a João Amazonas (1912-2002).

Jorge Amado, não custa lembrar, identificava-se plenamente com Castro Alves. Tanto que em 1941 lançou à praça ABC de Castro Alves. É uma biografia supimpa.

O título Seara Vermelha foi extraído do poema Bandido Negro, de Castro Alves. Esse poema foi publicado no livro póstumo Os Escravos (1883). Um trecho:

 

Trema a terra de susto aterrada…

Minha égua veloz, desgrenhada,

Negra, escura nas lapas voou.

Trema o céu… ó ruína! ó desgraça!

Porque o negro bandido é quem passa,

Porque o negro bandido bradou:

 

Cai, orvalho de sangue do escravo,

Cai, orvalho, na face do algoz.

Cresce, cresce, seara vermelha,

Cresce, cresce, vingança feroz.

 

Castro Alves morreu de tuberculose com 24 anos, três semanas e um dia, em 1871.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com

Leonêncio Nossa lança biografia de João Guimarães Rosa

Leonêncio Nossa mostra, já no título, o estilo de narração de seu livro João Guimarães Rosa, biografia (Nova Fronteira), resultado de pesquisas ao longo de uma década. As quase 800 páginas vêm com dezenas de fotos e acompanham o percurso humano e intelectual do autor de Grande sertão: veredas. Amparado por documentos raros e depoimentos reveladores, Nossa traz informações inéditas e aspectos do autor que, em suas palavras, ‘viveu várias vidas numa só’.

Da infância no interior de Minas Gerais à morte no Rio de Janeiro – dois dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras –, a biografia mostra a carreira de Rosa como médico no interior e diplomata em tempos de guerra. Foram cerca de 60 anos em que o biografado participou de momentos históricos, como a Revolução de 1932 e a Alemanha nazista, o início da Guerra Fria, e viveu sob a ditadura militar. Ao mesmo tempo, desenvolvia uma obra inovadora como poucas na literatura brasileira. Poliglota apaixonado pelas palavras e pela experimentação linguística, Rosa construiu sua obra entre boiadas sertanejas, bombardeios em Hamburgo e cabarés da Paris do pós-guerra.

Sua atuação como diplomata na Alemanha nazista foi monitorada pela polícia secreta. A ajuda aos judeus, encabeçada por sua mulher Aracy de Carvalho e por ele amparada em termos institucionais no consulado brasileiro de Hamburgo, quando facilitou trâmites burocráticos, representou riscos que comprometeriam sua carreira diplomática.

Leonêncio Nossa

Em entrevista para O Globo, Nossa refuta a imagem de Rosa, chamado certa vez por João Cabral de Melo Neto de “menino do mato”. Afirma ainda: “O sertão de Rosa é um mundo com seu dinamismo próprio, suas redes, suas interações, suas relações econômicas e políticas. Ele nunca disse que o sertão dele é rural. Foram os estudos, as camadas ao longo do tempo que sempre colocaram aquilo como um lugar fechado, isolado do mundo, como se fosse só o mundo da pecuária”.

No Brasil dos anos 1960, Rosa era considerado um escritor “folclórico”. O Jornal do Brasil criou uma coluna no suplemento dominical que tinha por título uma provocação: Acredita em Guimarães Rosa?. Sem reconhecimento pelo trabalho inovador que ele sabia realizar, encontrou acolhida em O Globo, que abrigou sua coluna Guimarães Rosa conta…, publicada aos sábados.

A obra de Rosa, hoje reconhecida por “potencializar as oralidades brasileiras”, foi assim definida pelo biógrafo: “O escritor teria buscado incorporar não apenas o português sertanejo, mas também vocábulos africanos, indígenas e até os sons dos animais, criando uma língua que fosse capaz de expressar a complexidade do mundo que queria narrar”.

Felipe Recondo deixa o JOTA, que acerta com Fábio Pupo como novo analista de Economia

Cofundador e diretor de Conteúdo do Jota, Felipe Recondo anunciou na última semana sua saída da plataforma especializada na cobertura dos Três Poderes, principalmente do Judiciário. Apesar de sua saída, seguirá como acionista da empresa.

Nas redes sociais, Felipe escreveu: “Foram anos intensos, de aprendizado contínuo, em que tive a oportunidade de acompanhar de perto transformações importantes no País – especialmente no STF, que estudo e cubro há mais de duas décadas. Esse percurso resultou em três livros, pesquisas acadêmicas e projetos de história oral que me fizeram crescer mais do que poderia imaginar – e que seguem a me motivar”.

Fábio Pupo

Felipe diz que segue agora para cuidar de projetos de novas publicações editoriais; conteúdos e análises sobre o Supremo e o Judiciário; produção de roteiros; e, ainda, a abertura de espaço para algo que sempre teve interesse em fazer: o trabalho de consultoria.

Com a mudança, o podcast Sem Precedentes deixa de ser vinculado ao Jota, passando a ser produzido de forma independente. Felipe continua atuando como apresentador e produtor do programa. O projeto é tocado por ele e pelos professores Diego Werneck, Juliana Cesario Alvim e Thomaz Pereira. Antes do Jota, Felipe esteve por oito anos no Estadão e também foi repórter do Blog do Noblat e da Folha de S.Paulo, sempre na Capital Federal.

Outra novidade por lá foi a chegada do analista de Economia Fábio Pupo, que estava há quase sete anos na Folha de S.Paulo atuando como repórter e coordenador de Economia em Brasília. Antes da Folha, foi por oito anos do Valor Econômico e passou por Estadão e Gazeta do Povo.

A quiet shift: estudo da USC Annenberg mostra recuo no apoio público de empresas a causas sociais

(Crédito: Pollackgroup)

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A volta de Donald Trump à Casa Branca e seu golpe mortal nas políticas DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), guerras que têm deixado marcas expostas por sua origem ou por negócios em países vivendo conflitos e a polarização que segue se alastrando pelo mundo começam a se refletir com mais intensidade nas estratégias de  comunicação corporativa. Empresas estão pausando a defesa pública de causas não relacionadas ao seu negócio.

É o que mostra a nova edição da pesquisa anual de tendências em comunicação corporativa do centro de relações públicas da USC Annenberg, escola de comunicação e jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia. O titulo do trabalho é coerente com o momento: A quiet shift, uma mudança discreta e sem muito alarde para evitar problemas que podem custar caro – de cabeças em postos de comando a muito dinheiro de empresários e acionistas.

O estudo consolida opiniões de profissionais de RP, 82% dos EUA – parte deles com poder de decisão sobre o que as filiais em outros países comunicam –, e em algumas análises, opiniões do público geral.

Entre as conclusões principais destaca-se uma diferença de opiniões entre os que trabalham em agências e dentro de corporações. Os dois grupos estão cautelosos, mas os que atuam em empresas revelaram-se ainda mais cuidadosos com os riscos em tempos tão movediços.

Um exemplo: 41% dos profissionais de relações públicas dizem que o silêncio pode ser a estratégia de comunicação mais eficaz em um ambiente polarizado. Entre os comunicadores internos, esse número sobe para 52%.

Em um ambiente tão incerto, a percepção sobre o futuro não é otimista. Mais de dois terços dos que trabalham dentro de organizações acreditam que a função de relações públicas será reestruturada em breve.

Leia mais sobre a pesquisa e veja a íntegra do relatório em MediaTalks.


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ABCPública recebe a associada Verônica Silva

A ABCPública segue ampliando seu quadro de associados e acaba de receber a jornalista Verônica Lima Nogueira Silva, comunicadora pública na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Graduada em Jornalismo, Verônica possui mestrado em Comunicação Social pela Universidade de Brasília (2008-2009) e mestrado profissional em Poder Legislativo pelo Cefor (2021-2022).

Atualmente, atua como repórter e coordenadora de programas e de relacionamento com a rede de parceiras da Rádio Câmara. Também integra o grupo de pesquisa Comunicação na Câmara dos Deputados: perspectivas após 20 anos de mídias. Em março de 2025, assumiu a direção da Rádio Câmara.

Hoje, a ABCPública reúne mais de 400 comunicadores públicos de todo o País, além de instituições e órgãos das diferentes esferas de poder — Executivo, Legislativo e Judiciário — e entidades como fundações, consolidando-se como uma das principais redes de fortalecimento da comunicação pública no Brasil.

ABCPública capacita 50 comunicadores públicos para elaborar política de comunicação

Uma oportunidade para aprender conceitos, técnicas e renovar princípios. Assim os participantes avaliaram o curso on-line “Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar”, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) nos dias 21 e 28 de março.

Para Victor França, associado do Rio de Janeiro e autor do livro Políticas de Comunicação: Conceitos e Realidades em Universidades Federais, uma adaptação da sua tese de doutorado sobre políticas de comunicação das universidades federais, o curso foi histórico.Ministrado pelo professor Wilson da Costa Bueno, referência nacional nas áreas de comunicação pública e científica, o curso contou ainda com a discussão dos casos de formulação das políticas de comunicação. Entre eles, o da Embrapa, que criou a primeira versão da política de comunicação na década de 1990, com apoio do professor Wilson Bueno. Quem apresentou o caso foi o presidente da ABCPública, Jorge Duarte, empregado da Embrapa, que participou do processo.

“Estou fazendo mestrado em comunicação organizacional e novas tecnologias e os livros do professor Wilson e do Jorge fazem parte da minha bibliografia”, contou Cristiane Finotti, do Incra de Goiás. “Isso, eu fico muito grato de fazer parte da ABCPública, podendo interagir com  toda minha bibliografia”, concordou Paulo Fernandes.

A formação teve carga horária total de 8 horas e proporcionou uma imersão nos principais aspectos relacionados à construção e gestão de políticas de comunicação. Além do caso da Embrapa, foram apresentados os casos do Instituto Federal de Santa Catarina, por Nadia Garlet e Marcela Lin; e da Câmara dos Deputados, por Ana Marusia Lima e Cláudia Lemos.

As duas aulas impactaram os cerca de 50 participantes. “O que aprendia aqui fará a diferença na revisão da nossa Política”, destacou Ana Clara Santos Costa, de Minas Gerais. “Ficou claro que sem uma política estruturada, a comunicação tende a ser dispersa, o que compromete a clareza das informações e a relação com a sociedade”, enfatizou Janine Gonzalez de Paula Monteiro, associada à ABCPública em 2023, no estado do Mato Grosso do Sul.

Além da base conceitual, os participantes tiveram contato com métodos e etapas do processo de elaboração de políticas de comunicação, desde o diagnóstico inicial até a implementação e monitoramento.

Milena Silva, associada de Campinas (SP), resumiu no seu sentimento ao final do curso o ambiente que a Escola busca criar: “Coração reaquecido, bagagem atualizada, princípios resgatados e fortalecidos”, disse.

O curso foi o primeiro organizado pela Escola ABCPública. Para saber as próximas oportunidades de capacitação, fique de olho nas nossas redes.

Edelman Trust Barometer 2026 revela que 7 em cada 10 brasileiros hesitam em confiar em quem é diferente

A Edelman apresentou na última semana os resultados da 26ª edição da pesquisa anual de confiança, o Trust Barometer, tendo como maior revelação o substancial crescimento da insularidade, sentimento caracterizado por desinteresse e desconfiança de pessoas com ideias e princípios alheios aos seus.

No Brasil, em média, segundo o estudo, 7 em cada 10 entrevistados hesitam ou estão pouco dispostos a confiar em alguém com valores, fontes de informação, abordagens para problemas sociais ou origens diferentes dos seus. “À medida que a ansiedade econômica, as tensões geopolíticas e as transformações tecnológicas se intensificam, os indivíduos tendem a se fechar em círculos mais próximos, desconfiando de grandes instituições e buscando segurança em ambientes familiares”, assinala o documento.

Ainda por aqui, despontam como instituições mais confiáveis o meu empregador (80% entre os empregados) e as empresas (67% entre a população geral). Outra revelação importante para o ambiente do jornalismo é que, em 2026, a mídia não é mais alvo de desconfiança, tendo passado para o patamar da neutralidade (52%), ao lado das ONGs (58%), enquanto o governo segue como a única instituição não confiável (45%). No índice geral (média da porcentagem da confiança em empresas, governo, mídia e ONGs), o País permanece na faixa da neutralidade (56).

Segundo análise dos organizadores, o avanço da insularidade fortalece o nacionalismo, tornando mais difícil para multinacionais competirem com empresas locais, o que pode ser inferido dos índices obtidos: “No Brasil, empresas nacionais são 7 pontos mais confiáveis do que as estrangeiras, e 25% dos brasileiros apoiariam a redução do número de empresas estrangeiras atuando no País, mesmo que isso significasse preços mais altos”.

Ana Julião

“Esse movimento do ‘nós’ para o ‘eu’ não é novo”, afirma Ana Julião, gerente-geral da Edelman Brasil. “Para se proteger do medo, as pessoas estão se retraindo, encolhendo-se, e evitam o diálogo, deixando de ouvir perspectivas divergentes e de aprender com o diferente”.

Outra conclusão do estudo aponta que as tensões geopolíticas também impactam diretamente o ambiente de trabalho. “No Brasil”, assinala o documento, “71% dos empregados dizem estar preocupados com os efeitos de conflitos comerciais e tarifas sobre suas empresas, enquanto 74% temem perder o emprego diante de uma possível recessão, ambos atingindo níveis recordes. Esse cenário também afeta as relações dentro das empresas. Quarenta e um por cento dos empregados brasileiros afirmam que prefeririam mudar de departamento a reportar para um gestor com valores diferentes dos seus, enquanto 28% dizem que se esforçariam menos em um projeto liderado por alguém com crenças políticas distintas”.

Para combater a insularidade, o Edelman Trust Barometer 2026 apresenta o conceito de brokering de confiança – um conjunto de práticas e comportamentos que buscam facilitar a construção de confiança entre pessoas e grupos com visões diferentes. Esse papel pode ser exercido por indivíduos, empresas ou organizações confiáveis por grupos distintos envolvidos em um mesmo problema.

“No Brasil”, assinala o documento, “79% dos entrevistados acreditam que o governo tem grande responsabilidade em promover essa mediação, mas apenas 30% consideram que ele desempenha bem esse papel. Já a figura do meu empregador surge como a instituição mais bem posicionada para promover a construção de confiança: 70% dos empregados no País acreditam que eles têm obrigação de reduzir as divisões e facilitar a construção da confiança entre grupos distintos, e 47% acreditam que eles estejam cumprindo esse papel de forma eficaz”.

Outros achados do Edelman Trust Barometer 2026:

  • Divisão de classe afeta a confiança: no Brasil, a diferença de confiança institucional entre grupos de alta e baixa renda é de 9 pontos – com índice de confiança de 62 entre os de renda alta e 53 entre os de renda baixa. Pela primeira vez desde 2012, nenhum dos grupos demonstra desconfiança generalizada nas instituições.
  • Países em desenvolvimento lideram em confiança: enquanto a confiança permanece estável em países desenvolvidos, ela cresce nas economias emergentes. Em 2026, o Índice de Confiança é de 66 nos países em desenvolvimento, contra 49 nos desenvolvidos.
  • Otimismo sobre o futuro permanece baixo: apenas 30% dos brasileiros acreditam que a próxima geração estará em uma situação melhor no futuro.
  • A preocupação com desinformação cresce: 69% dos brasileiros temem que outros países estejam espalhando propositalmente informações falsas na mídia nacional para intensificar divisões internas.
  • A exposição a diferentes visões políticas está diminuindo: apenas 44% dos brasileiros respondentes dizem interagir pelo menos uma vez na semana com fontes que têm inclinação política diferente da sua, com uma queda significativa de 8 pontos em comparação com o ano passado.
  • Entre aqueles com mentalidade insular, a confiança se concentra em relações próximas: entre pessoas com mentalidade insular, apenas “meu CEO” é visto como confiável (65% entre os empregados). CEOs em geral (52% entre a população em geral) e vizinhos (50%) aparecem no patamar da neutralidade, enquanto jornalistas (49%) e autoridades governamentais (37%) não são confiáveis.

O Trust Barometer foi produzido pelo Edelman Trust Institute e consistiu em entrevistas online de 30 minutos, conduzidas entre 23 de outubro e 18 de novembro de 2025. A pesquisa contou com mais de 33.000 respondentes, em 28 países. Para mais informações, clique aqui.

Heraldo Pereira deixará o Bom Dia Brasil para assumir telejornal em Brasília

Heraldo Pereira deixará o Bom Dia Brasil para assumir telejornal em Brasília

Heraldo Pereira está deixando a equipe do Bom Dia Brasil, da TV Globo, para assumir como âncora do DF1, no Distrito Federal. Ele substituirá a Fabiano Andrade, que apresenta o noticiário local desde 2023. Este passará a trabalhar como repórter especial do Jornal Nacional. A mudança, que será efetivada a partir de 23/4, foi antecipada em primeira mão pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Heraldo vinha participando do BDB com entradas ao vivo de Brasília desde 2021, comentando os bastidores da política nacional. Ele continuará a fazer parte do rodízio de apresentadores do JN, como um dos substitutos de César Tralli aos sábados e feriados.

“O DF é a minha casa”, afirmou Heraldo. “Vivo aqui há 38 anos, minhas filhas nasceram aqui e tenho um amor profundo por esse quadrado e por sua gente guerreira. Será uma enorme alegria poder falar do cotidiano dessa terra que me adotou com tanto carinho”. A Globo ainda não definiu que o substituirá no Bom Dia Brasil.

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