5.5 C
Nova Iorque
sexta-feira, abril 3, 2026

Buy now

" "
Início Site Página 26

40º Congresso da Fenaj define diretrizes políticas e sindicais para a categoria

Plenárias deliberativas do 40º Congresso Nacional dos Jornalistas, promovido pela Fenaj, aprovaram teses e moções que vão orientar a atuação dos jornalistas nos próximos anos. Realizadas nos dias 11/12 e 12/12, em Brasília, as sessões reuniram delegados de todo o País para debater e votar propostas centrais para o jornalismo brasileiro.

Foram aprovadas quatro teses-guia, que tratam da defesa do jornalismo profissional e da democracia, dos impactos da inteligência artificial no trabalho jornalístico, do fortalecimento da organização sindical e do combate às desigualdades estruturais na profissão. Também passaram pelo plenário nove teses avulsas e 15 moções, incluindo posicionamentos sobre jornada de trabalho, assédio judicial, violência digital e temas ligados à comunicação pública. Saiba mais no site da Fenaj.

Rodrigo Barneschi assume posição global no Nubank

Rodrigo Barneschi está em nova jornada profissional. Iniciou recentemente trajetória no Nubank, como senior PR lead. Ali chega, após passagem como gerente sênior de Comunicação Institucional e Reputação do Itaú Unibanco, com a missão de atuar em projetos globais do Nubank, reportando-se à diretora global de Comunicação Corporativa Simone Iwasso.

Além de ter atuado por cerca de 20 anos em agências de comunicação, ele é autor do livro Forasteiros (ed. Grande Área), dedicado a torcidas de futebol e recentemente publicado no Reino Unido pela Pitch Publishing, com o título Outsiders (Editada).

Fernando Fernandes deixará a apresentação do Esporte Espetacular

O Esporte Espetacular, programa da TV Globo comandado por Karine Alves e Fernando Fernandes, passará por mudanças a partir de janeiro. O apresentador e atleta deixará a apresentação da atração, que passará a ser comandada exclusivamente por Karine. Em comunicado, a TV Globo informou que a ideia é que Fernandes retorne à reportagem esportiva, onde se consagrou pela participação em grandes expedições e desafios ao ar livre.

“Estar no estúdio semanalmente ao lado da Karine e da equipe do Esporte Espetacular foi uma das experiências mais incríveis que já vivi”, destacou Fernando em comunicado. “Aprendi muito! Eu tenho a aventura na veia, gosto de me desafiar e de compartilhar essas vivências com o público. Isso é parte de quem eu sou”. (Com informações do Notícias da TV).

Fernanda Pressinott comandará nova vertical de Agro da CNN Brasil

A CNN Brasil anunciou novidades em sua estratégia editorial e de negócios para 2026, a principal delas envolvendo a criação de verticais temáticas para explorar com mais profundidade áreas de destaque no jornalismo brasileiro. Entre as primeiras apostas está a criação de uma vertical dedicada ao Agronegócio, comandada por Fernanda Pressinott, profissional que atua desde 2012 como editora assistente de Agronegócio do Valor Econômico, e que teve passagens por Globo Rural, CBN e O Globo.

Toda a produção das verticais fará parte da grade de conteúdo da CNN Brasil e do canal CNN Money de forma integrada, como explicou ao Meio&Mensagem Virgílio Abranches, vice-presidente de jornalismo, conteúdo e operações da CNN Brasil: “Não se trata apenas de criar novos programas sobre os assuntos, mas de garantir que a informação chegue ao público decisor, onde ele estiver, na linguagem que ele consome. Na grade linear, o conteúdo vai ter hard news, porque a televisão exige esse calor do momento e a urgência do breaking news. No digital, serão produzidos textos e vídeos tanto para o portal como para as redes sociais, de acordo com a linguagem e proposta de cada plataforma”.

Para a produção de conteúdo relacionado ao Agro, a emissora contará também com apoio de parceiros, como é o caso do Canal Rural, com o qual já tem um acordo de conteúdo.

Unesco alerta para declínio acentuado na liberdade de expressão, deterioração da segurança de jornalistas e aumento da autocensura em todo o mundo

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A nova edição do relatório da Unesco sobre tendências em liberdade de expressão e desenvolvimento da mídia, divulgado nesta semana, constata um declínio histórico de 10% na liberdade de expressão em todo o mundo desde 2012 – um nível não visto em décadas.

Essa tendência é consequência do alarmante aumento da autocensura por parte dos jornalistas e dos ataques que enfrentam – tanto na vida real quanto online, diz a organização. No período analisado, a autocensura aumentou 63%, a uma taxa de cerca de 5% ao ano.

O comportamento defensivo, que priva a sociedade de informações confiáveis, tem múltiplos fatores: governos repressores que condenam profissionais de imprensa se importando cada vez menos com pressões internacionais, assédio digital que atinge até famílias dos que expõem poderosos, e grupos criminosos que ameaçam ou matam jornalistas cidadãos em pequenas localidades, silenciando denúncias de seus atos.

O caso mais recente mostrando a indiferença de nações repressoras da liberdade de imprensa sobre o que o mundo pensa sobre elas é o do magnata da mídia Jimmy Lai, de 78 anos. Ele foi condenado à prisão perpétua em Hong Kong no início da semana, depois de ver seu conglomerado de jornalismo extinto por ter defendido o movimento pró-democracia no território controlado pela China.

As formas de autoproteção variam, todas dolorosas. Para fugir de ameaças digitais, físicas ou legais, muitos jornalistas são empurrados para o exílio com suas famílias, sobretudo na América Latina. Segundo a Unesco, 913 profissionais da região tiveram que imigrar entre 2028 e 2024.

As guerras também estão cobrando seu preço. Entre 2022 (quando a Rússia invadiu a Ucrânia) e 2025, 186 jornalistas perderam a vida em zonas de conflito – um aumento de 67% em comparação com o período anterior coberto pelo relatório.

Ao todo, 310 profissionais de imprensa morreram nos últimos três anos e meio. E em 85% dos casos, os crimes ficaram impunes.

Leia a matéria completa e veja o relatório da Unesco em MediaTalks.


Para receber as notícias de MediaTalks em sua caixa postal ou se deixou de receber nossos comunicados, envie-nos um e-mail para incluir ou reativar seu endereço.

Esta semana em MediaTalks

Mundo reage à condenação de Jimmy Lai, magnata da mídia de Hong Kong, à prisão perpétua por defender democracia. Leia mais

Trump processa BBC por difamação pedindo US$ 10 bi – e caso vira batata-quente para governo britânico. Leia mais

Assédio digital é ameaça sistêmica a jornalistas até na segura Europa – e mulheres são as mais afetadas, mostra estudo da Federação Europeia de Jornalismo. Leia mais

Cortes na Times Brasil atingem Fábio Turci e Paula Monteiro

Fábio Turci e Paula Monteiro deixaram a Times Brasil

A equipe da Times Brasil | CNBC sofreu na semana passada com a primeira leva de cortes promovida pela emissora desde seu lançamento, em novembro de 2024. Dentre os nomes que deixaram a casa estão o âncora Fábio Turci e a apresentadora Paula Monteiro.

Segundo o NaTelinha, pelo menos 30 profissionais foram desligados neste processo. Apesar de não confirmar a quantidade de demissões, a assessoria de imprensa da emissora confirmou as saídas de Fábio e Paula e classificou os cortes como “uma evolução natural após o primeiro ano de operação da emissora”.

“O Times Brasil | CNBC anunciou uma reformulação de sua grade de programação para 2026, reforçando o foco no noticiário diário do universo de negócios. A iniciativa representa uma evolução natural após o primeiro ano de operação da emissora, período marcado pelo amadurecimento do projeto editorial em alinhamento com a marca CNBC no mundo e pela leitura das expectativas do mercado brasileiro”, afirmou o comunicado, na íntegra.

Fábio Turci e Paula Monteiro deixaram a Times Brasil

Um dos primeiros contratados da Times Brasil, anunciado em julho de 2024, Fábio era um dos principais apresentadores do canal de negócios. Antes, esteve por 23 anos na TV Globo, onde foi repórter e âncora. Paula, por sua vez, foi contratada em janeiro, quando o canal já estava há dois meses no ar, para apresentar o telejornal matutino Agora. Ela também estava anteriormente na TV Globo, onde atuou por dez anos, e também passou por SBT, Bandeirantes e RedeTV.

Mariana Scalzo deixa o McDonald’s

Mariana Scalzo despediu-se na última semana da Diretoria de Comunicação da Divisão Brasil da Arcos Dorados, responsável por toda a operação do McDonald’s no Brasil. Ali esteve por quase 5 anos e em post de despedida no Linkedin assinalou: “O Méqui me fez descobrir uma nova forma de pensar e atuar. Junto a um time forte e engajado, pude ajudar a fortalecer uma marca incrível, em todos os índices de reconhecimento. Tivemos ações ousadas, estreitamos relacionamentos e laços, gerenciamos crises… Uma montanha russa que me fez chorar, algumas vezes, e sorrir, infinitas vezes mais”.

Em jornadas anteriores, ocupou cargos de liderança em organizações como Grupo Boticário, Odebrecht (Maracanã), Santo Antonio Energia e SBT.

Times Brasil/CNBC anuncia novidades para programação para 2026

Times Brasil/CNBC anuncia novidades para programação para 2026

O canal Times Brasil/CNBC anunciou novidades em sua programação para 2026. O telejornal Pré Market abrirá a programação, com a apresentação do jornalista Eric Klein, diariamente das 7h às 9h30, com uma cobertura da abertura dos mercados globais e do Brasil. Entre as novidades semanais, está a estreia do Times | CNBC Tech, sobre as inovações da indústria de tecnologia. A emissora, a propósito, está construindo um terceiro estúdio com implantação de sistemas de IA, dedicado exclusivamente ao novo projeto.

Aos finais de semana, o canal vai estrear o Semana Prime, seleção de entrevistas exclusivas realizadas pela rede CNBC Internacional e pelo jornalismo da emissora no Brasil. Em março, estreia o Times | CNBC Sport, que vai ao ar às 20h, com foco em negócios do esporte. O programa começa logo após o telejornal Times | Exclusivo CNBC, apresentado por Christiane Pelajo. E alguns programas de entretenimento com negócios passarão a ser produzidos e exibidos por temporada em 2026: Planeta, com Carol Barcelos, Marcas Icônicas, com Gustavo Sarti, e Passaporte, com Zeca Camargo, além dos programas Segredos Corporativos e Caminho do Lucro, com Camila Farani.

A emissora, a propósito, estreou esta semana nova identidade visual no País. Estão previstas exibições de filmetes destacando a história e a evolução da CNBC, fundada há 35 anos, entre outras ações durante a programação na TV e no digital.

  • Leia também: Vem aí o Ranking +Premiados da Imprensa 2025!

Amado Mundo: Como cobrir o mundo de forma “amada”, com informação, mas também soluções

Guilherme Amado (divulgação)

O chamado Jornalismo de Soluções é algo importante a ser debatido nas redações dos veículos. Utilizar como fio condutor da reportagem o processo de resolução (ou tentativa) de um problema e apresentar o que já está sendo feito e os resultados, mesmo que iniciais. Estas são algumas características que poderiam ajudar a afastar o jornalismo de uma impressão mais “pessimista”, causada em muitos consumidores de notícias. De acordo com a Solutions Journalism Network, o Jornalismo de Soluções nada mais é do que a “cobertura rigorosa e baseada nas evidências das respostas a problemas sociais”.

Em meio a diversos acontecimentos negativos que ocorrem pelo mundo – conflitos político-econômico-sociais dos mais diversos tipos, guerras, crimes, os impactos devastadores das mudanças climáticas –, como fazer um jornalismo que, obviamente, traga informações bem apuradas e fundamentadas, mas também soluções para os problemas? Como fazer um trabalho que, em vez de afastar o leitor, com apenas notícias negativas, traga também os caminhos para melhorar a situação?

Foi justamente com esta mentalidade que surgiu, em junho de 2025, Amado Mundo, projeto multiplataforma comandando e fundado pelo premiado jornalista Guilherme Amado, que busca justamente trazer informações, de forma leve e descontraída, e também as soluções para os problemas. O objetivo é fugir um pouco do imediatismo e “pessimismo” do jornalismo tradicional, unido o mundo da informação com o dos influenciadores digitais.

Em conversa com o Portal dos Jornalistas, Amado falou sobre as origens do projeto, o modelo de negócios, a união entre jornalistas e criadores de conteúdo, como conciliar as carreiras de comunicador e empresários, e alguns planos para o ano que vem.

A origem do Amado Mundo

“O projeto começa anos atrás, na minha cabeça, após detectar um crescente news avoidance entre os leitores, uma espécie de resistência à notícia”, explicou Amado. Segundo ele, durante sua experiência de 15 anos no Grupo Globo, passando por diferentes veículos, percebeu que cada vez mais as pessoas se afastavam do jornalismo, por excesso de informações, notícias pesadas que as deprimem, ou mesmo uma grande quantidade de locais diferentes para se informar, o que faz inevitavelmente algumas pessoas deixarem de consumir certos produtos e veículos. “Ao longo dos últimos anos, vim amadurecendo isso dentro de mim, ou seja, como fazer com que esses leitores, consumidores de notícias, deixem se se afastar do jornalismo. Após algum tempo de estudos sobre empreendedorismo e gestão de negócios em mídia no exterior, lancei o Redes Cordiais, uma ONG de educação midiática. E foi aí que, com a bagagem acumulada nos últimos anos, decidi, em 2024, que havia chegado o momento de começar um negócio próprio”.

Foi em junho deste ano que nasceu o Amado Mundo, projeto jornalístico com uma série de programas que abordam temas como política, negócios e cultura. Desde o início, a ideia foi “gerar conversas que apontem para um mundo melhor”. O Amado Mundo tem ao todo nove programas, como Matinal, com as principais notícias do dia; Lisboa Connection, programa de entrevistas com personalidades no eixo Brasil-Europa; Notas de Rodapé, que discute questões da atualidade a partir de um livro diferente a cada episódio; e Tech Tech Tech, sobre as novidades do momento na tecnologia.

Amado explicou que, com a criação do Amado Mundo, ele encontrou uma “fórmula” de trabalho ideal, unindo o novo projeto com a sua já consagrada coluna sobre política no PlatôBR: “De um lado, mantive a minha coluna, com o foco noticioso, de furo, jornalismo investigativo, coisas em que me envolvo diretamente na apuração; e no Amado Mundo, a ideia sempre foi gerar uma ‘conversa para o mundo melhor’, a partir de análise, programas de entrevistas, documentários e outros formatos”.

Mais recentemente, em novembro, o Amado Mundo ampliou sua operação com o lançamento de um portal de notícias, o amadomundo.com. Com conteúdos de política, negócios, entretenimento e cultura, além de colunas e reportagens exclusivas, a página fez parte de uma estratégia de ampliação nos negócios da marca, com uma visão cada vez mais multiplataforma. O projeto, que inicialmente tinha cerca de 25 profissionais, conta hoje com uma redação composta por quase 50 pessoas.

Amado Mundo: Como cobrir o mundo de forma “amada”, com informação, mas também soluções
Guilherme Amado (divulgação)

A união faz a força: jornalistas e criadores de conteúdo

Um dos grandes diferenciais do projeto Amado Mundo é unir, nos mesmos programas e conteúdos noticiosos, o mundo do jornalismo e o dos criadores de conteúdo: jornalistas e influenciadores que, juntos, produzem conteúdo de qualidade, com informações confiáveis, mas ao mesmo tempo uma linguagem leve e descontraída, que chega a todos os setores da sociedade.

Amado Mundo: Como cobrir o mundo de forma “amada”, com informação, mas também soluções
Bel Coelho (Crédito: Amado Mundo/YouTube)

Para Guilherme, os jornalistas têm muito a aprender com os influenciadores, e vice-versa: “Nós, jornalistas, temos muito a aprender com os criadores de conteúdo em relação à forma, e eles tem a aprender com a gente sobre conteúdo, não na qualidade, mas na precisão da informação. Ao longo destes anos trabalhando no Redes Cordiais, convivemos com muitos influenciadores, e essa convivência me ensinou muito sobre esse universo. Os criadores conseguem desenvolver uma linguagem que é mais acessível à população, e eu acho que esse é um dever de casa que todo jornalista deveria perseguir, porque não adianta a gente fazer excelentes reportagens, excelentes análises que não sejam lidas, não sejam apreciadas pelas pessoas”.

Hoje, o Amado Mundo tem em sua equipe criadores de conteúdo de diferentes perfis, como a chefe de cozinha Bel Coelho, a humorista Cláudia Campolina e a escritora Eliana Alves Cruz. Em 2026, a ideia é ampliar a equipe com ainda mais influencers e analistas em diversas vertentes. Não à toa, essa união tem gerado muitos frutos: Segundo número divulgados pelo projeto, em cinco meses de trabalho, o ecossistema digital do Amado Mundo, que inclui YouTube, Spotify, Instagram, TikTok, Facebook, X, Threads e BlueSky, alcançou mais de 580 mil usuários. Somente o canal no YouTube já tem 1,5 mil vídeos publicados, 60 milhões de views e conta com um público mensal de 276 mil pessoas.

Um jornalismo cada vez mais transmídia

E por falar em números de audiência, o case do Amado Mundo levanta a discussão sobre o jornalismo em um mundo totalmente digitalizado, como o que vivemos atualmente, com a ascensão das redes sociais e das plataformas digitais e a necessidade de estar constantemente conectado e presente em todo e em qualquer aplicativo. Sobre este jornalismo mais conectado, mais transmídia, Amado acredita que o importante é que a informação chegue onde o leitor está.

“Estamos caminhando para ter em todas as nossas redes um milhão de seguidores, a gente está em praticamente todas as redes. Nossa proposta é chegar onde o leitor está. Afinal de contas, o número de leitores que se informam pelas redes sociais é muito maior do que os que se informam pelos sites. E para além das informações nas plataformas, colocamos também a publicidade ali. Então, tanto para o leitor, o espectador, quanto para o anunciante, isso é uma oportunidade, e tem muito benefício, porque a gente consegue customizar a informação de acordo com o meio”.

Amado Mundo: Como cobrir o mundo de forma “amada”, com informação, mas também soluções
Crédito: Berke Citak/ Unsplash

Amado falou também sobre a importância de sempre ter em mente o formato, a forma como se deve abordar determinadas informações, e a plataforma onde tais informações serão publicadas, que mudam constantemente. “Por exemplo, para falarmos sobre a fuga de Alexandre Ramagem, um furo que dei lá no PlatôBR, no TikTok, por exemplo, é uma linguagem específica para um determinado público; já no YouTube a gente fala com outra linguagem; no site a gente analisa aquilo de outro jeito. Aí, ao olharmos a cadeia inteira de informações, juntando o Platô nessa equação, percebo uma sinergia muito grande. Isso faz todo sentido, porque a notícia e a investigação foram publicadas no PlatôBR, com foco no jornalismo investigativo, e a análise dos fatos foi desdobrada no Amado Mundo, em diferentes plataformas. Acho que essa adaptação de linguagem, plataforma a plataforma, é justamente esse jornalismo transmídia na veia”.

Modelos de negócios e eventos

Mas, afinal, como fazer funcionar um projeto jornalístico transmídia com jornalistas e influenciadores? Como tornar esse negócio sustentável? Amado falou sobre o modelo de negócios do Amado Mundo, incluindo a realização de eventos, no Brasil e no exterior, destacando três grandes vertentes: publicidade, eventos e curadoria de influenciadores. “Quando falamos de captação de recursos, precisamos destacar nossos números de visualizações e seguidores. Colocamos as marcas em contato com esses números, é uma publicidade fundamentalmente de construção de reputação. Assim, o anunciante que vem para o Amado Mundo está interessado no público altamente qualificado que a gente tem. Um público que, de largada, já era leitor na minha coluna, tanto na época do Metrópoles como no trabalho com Lauro Jardim em O Globo. Então, é um leitor muito qualificado, em termos econômicos, e também de políticos, de empresários, de pessoas com tomada de decisão”.

Sobre os eventos, o fundador do Amado Mundo destacou a importância do programa Lisboa Connection, comandado por ele e o economista Paulo Dalla Nora Macedo, que aborda justamente assuntos do Brasil e da Europa, o que facilita conversas e networking. Só em 2025, foram cinco eventos na Europa, em cidades como Paris, Lisboa e Madrid. Tais eventos são para marcas, com temas específicos de interesse público. O mais recente foi em Paris, sobre os dez anos do Acordo de Paris, apoiado pela Vale e pela Supermicro: “E aqui, no Brasil, tivemos uma casa na Flip, já no primeiro mês do canal, que recebeu 78 autores no total. Posteriormente, vendemos o name rights da casa para a Caixa Econômica”.

E em relação à curadoria de influenciadores, Guilherme explicou a importância de analisar e selecionar os criadores específicos para cada assunto abordado: “É um trabalho em que a gente acredita muito, porque quando selecionamos influenciadores para trabalhar em um projeto específico junto a uma marca, um evento, é essa junção aí que nos faz pensar na forma do conteúdo. Nós fazemos uma boa curadoria, damos orientações e indicações, acompanhamos gravações, monitoramos resultados, é uma vertente muito importante de monetização também”.

Por fim, destacou a importância das marcas que estiveram desde o início do projeto ao lado do Amado Mundo, investindo em seu jornalismo: “Acredito que, com base em tudo o que falei, surge uma dúvida que muitas pessoas têm: Onde o Guilherme está arrumando dinheiro para fazer isso? A gente está com 45 pessoas, uma estrutura cara, eventos no exterior… Isso é reflexo direto das marcas que estão trabalhando com a gente, como Embraer, Vale, YouTube, Rede Dor, BR Partners, a Caixa. A boa performance financeira que estamos tendo é reflexo de ter essas marcas com a gente. Acho muito importante ressaltar isso, porque valoriza também o investimento que essas marcas estão fazendo no projeto jornalístico. Acho que o modelo de publicidade ainda tem uma longa vida pela frente, é um modelo muito importante para o financiamento de jornalismo. E estou feliz que esteja conseguindo criar um veículo apostando nisso”.

Carreira de jornalista e carreira de empresário

E como conciliar a carreira e as funções de jornalista – com a apuração, os furos, as entrevistas – e a de empresário, gerindo um negócio? Amado explicou que faz uma grande diferenciação das duas profissões dentro do Amado Mundo e acredita, inclusive, que negócios de sucesso dentro do jornalismo devem sempre fazer esta separação: “Como fundador e publisher, eu me envolvo na estratégia do negócio como um todo e dou a direção editorial. Tenho seis diretores que trabalham comigo, cada um cuida de uma área. Fiz uma divisão muito rígida aqui entre o comercial e o editorial. E é muito importante deixar isso bem claro: o editorial tem que ser o editorial e o comercial tem que ser o comercial. Por isso que a gente tem princípios editoriais que estão no site e são muito rígidos. E eu, Guilherme, pessoalmente, apresento ideias, comunico e faço pitch de projetos, mas não me envolvo em venda de nada. E isso para não só para fazer essa separação editorial muito rígida, mas também para dar total liberdade às pessoas também de saberem quando estão falando com o jornalista (e eu sempre serei o jornalista) e quando estão falando com o comercial. Eu não misturo as situações. Não acredito que haja caminho para a gente fazer um negócio jornalístico sem haver essa separação”.

Diferencial do Amado Mundo

Um modelo de negócios inteligente, que une jornalistas e criadores de conteúdo, mas qual é a cereja do bolo? Qual é o diferencial do Amado Mundo Novo? Para o ele, alguns pontos se destacam: a linguagem, o foco em jornalismo de soluções, e a ausência de “chefismo” na redação do projeto: “A linguagem é você conversar com as pessoas, você falar de uma maneira leve e passar as informações olhando para o futuro. O nosso slogan é conversas para o mundo melhor, e é exatamente isso: Quando falamos de qualquer assunto, por mais pesado que seja, a gente tem uma proposta, uma abordagem de solução. Uma abordagem propositiva”.

Amado citou o exemplo de notícias sobre a tensão entre Estados Unidos e Irã, e a possibilidade de uma terceira guerra mundial: “Como é que você consegue fazer esse jornalismo diferente nesse ponto, sem explorar uma falsa polêmica? Então, naquele momento, a gente botou a bola no centro do campo. Trouxemos especialistas para conversar, para explicar ao público os riscos concretos (ou no caso como não havia riscos) de estourar uma guerra. Acho que muitas pessoas se afastaram do jornalismo por isso, porque sentiam que não estavam devidamente informadas por veículos que acabam focando em pessimismo e sensacionalismo, seja pela necessidade de vender o jornal ou de gerar cliques. Eu prefiro perder o clique do que enganar o leitor. No nosso caso, na hora em que a pessoa vier, quero ter a certeza de que ela consumirá nosso conteúdo e sairá com clareza sobre os fatos e com uma ponta de esperança. Acho, inclusive, que isso é também é um pouco o papel do jornalismo, de apontar caminhos, que dá para construir um mundo melhor. E todos os assuntos têm caminhos para essa construção de um mundo melhor. É o chamado jornalismo de soluções que devemos praticar”.

Amado destacou também a ausência de “chefismo” no projeto; ou seja, na redação todos são iguais, sem ninguém querer se colocar acima de ninguém, desde os chefes de redação até os estagiários: “Nossa redação é diferente. Me preocupo em manter uma redação horizontal, sem ‘chefismo’. Isso é uma coisa com que sempre me incomodei no jornalismo, que é o jornalista querendo mostrar que é chefe. Aqui, o estagiário tem meu telefone e eu converso ele e aprendo com ele. A gente faz aqui as construções, elas são colaborativas. E essa é a forma que enxergo para o bom jornalismo acontecer”.

Spoilers para 2026

Amado Mundo: Como cobrir o mundo de forma “amada”, com informação, mas também soluções

Com alguns projetos em andamento e outros engatilhados, Amado destacou o início da exibição de seus projetos em documentário: “Produzimos, por exemplo, um documentário de 20 minutos sobre a eleição do democrata Zohan Mandani, novo prefeito de Nova York, nos Estados Unidos. A gente mandou o Luis Nachbin para os EUA, ele acompanhou a última semana toda da campanha. Além disso, estamos produzindo quatro curtas documentários sobre o Carnaval de Recife, um projeto em parceria com o YouTube Brasil, que estão sendo filmados e devem ser lançados já em janeiro. E já temos em produção também um outro documentário bem interessante, cujo tema revelaremos em breve, então, aguardem os próximos capítulos!”.

O e-mail para pautas e projetos do Amado Mundo é [email protected], da Yvna Sousa, diretora executiva do projeto.

Quem faz o Amado Mundo acontecer

Os responsáveis por tocar o Amado Mundo, entre outros, são: Guilherme Amado, (ex-Metrópoles, Grupo Globo, Veja, Correio Braziliense, Extra e Época), fundador e publisher; Yvna Sousa (ex-Valor Econômico e ex-TV Globo), diretora executiva; Luís Gustavo Ferraz (premiado diretor e roteirista de cinema), diretor audiovisual; Bárbara Guimarães (há 20 anos no mercado publicitário), diretora comercial; Clara Amado (há 14 anos especialista na produção de eventos), diretora de eventos; Flavia Martin (ex-O Globo e Folha de S.Paulo), editora-chefe do site do Amado Mundo; Angelina Nunes (coordenadora do Projeto Tim Lopes, da Abraji), editora de Projetos Especiais; Priscila Montandon (ex-Play9 e Grupo RBS), diretora de estratégia digital; Stella Tó (ex-Globo, g1, BandFM e Mídia Ninja), gerente de produção; as jornalistas Beatriz Bulla e Raquel Cozer, que apresentam programas no canal, além de Caio Barretto Briso (ex-O Globo e The Guardian) e Gabriela Ferreira (ex-Globonews), que atuam na produção e nos bastidores dos programas.

Vem aí o Ranking +Premiados da Imprensa 2025!

Ranking dos +Premiados da Imprensa circulará em janeiro, em edição especial unificada

Circulará em 26 de janeiro a edição especial com os resultados do Ranking +Premiados da Imprensa Brasileira 2025. Em sua 15ª edição, o levantamento analisa 214 prêmios de jornalismo realizados no Brasil e no mundo para apontar quais foram os jornalistas, veículos e grupos de comunicação brasileiros mais premiados do ano e da história.

Será a terceira vez em que a iniciativa terá seus resultados anunciados em uma edição especial. “Até 2022, os mais premiados jornalistas, veículos e grupos eram conhecidos ao longo de várias edições do Jornalistas&Cia, cada uma destacando um recorte específico”, lembra Fernando Soares, coordenador da pesquisa. “Em 2023 optamos por mudar a estratégia e o resultado não poderia ter sido melhor. Uma edição especial exclusiva, além de valorizar ainda mais o Ranking, também permite o acesso aos resultados de maneira mais organizada e definitiva. Isso faz com que o especial do Ranking seja uma das edições mais acessadas do Jornalistas&Cia, mesmo meses e anos após a veiculação inicial”.

Nos últimos dois anos, vale lembrar, foram eleitos +Premiados Jornalistas do Ano os repórteres fotográficos Márcia Foletto, de O Globo, em 2023, e Lalo de Almeida, da Folha de S.Paulo, em 2024. “Ainda faltam alguns poucos prêmios para serem avaliados, mas de antemão já podemos adiantar que será uma edição com muitas novidades, tanto no recorte anual, com novos talentos do jornalismo despontando nas primeiras posições, quando no histórico, com diversas mudanças de posição nas primeiras colocações”, acrescenta Fernando.

Outra novidade desta edição, que celebra os 15 anos da iniciativa, estará na criação de recortes inéditos. Um deles apontará os jornalistas que mais venceram prêmios internacionais na história.

Comercial – Empresas interessadas em anunciar na edição especial do Ranking +Premiados da Imprensa Brasileira 2025 podem obter mais informações sobre valores e pacotes com Vinicius Ribeiro ([email protected])

Últimas notícias

pt_BRPortuguese