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segunda-feira, abril 6, 2026

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Vera Magalhães deixa a TV Cultura após seis anos

TV Cultura não renova contratos de Vera Magalhães e Marcelo Tas; Futuro de profissionais está indefinido
Vera Magalhães (Crédito: Instagram)

A apresentadora Vera Magalhães anunciou sua saída da TV Cultura após seis anos de trabalho à frente do programa Roda Viva. Em suas redes sociais, ela explicou que tomou a decisão após uma quebra de acordo “já selado presencialmente” com a Fundação Padre Anchieta para a renovação de seu contrato por mais uma temporada. O substituto de Vera na apresentação do Roda Viva ainda não foi anunciado.

No Instagram, Vera publicou que, em 10 de dezembro do ano passado, ela havia acertado junto à direção da TV Cultura a renovação de seu contrato até o final de 2026. A ideia era que Vera continuasse por mais um ano à frente do Roda Viva e, aos poucos, fosse feita a transição do comando do programa para outro profissional. Ela foi informada que seria chamada até o final de 2025 para a assinatura do contrato, porém isso não aconteceu.

Por decisão de Maria Ângela de Jesus, diretora-presidente da Fundação Padre Anchieta, as conversas de renovação dos contratos de diversos profissionais, incluindo Vera, foram adiadas para depois do recesso de fim de ano, pois a ideia era analisar cada caso individualmente. Vera entrou em contato com Marília Assef, diretora de Jornalismo da TV Cultura, que lhe informou sobre a mudança de planos e pediu que a apresentadora ficasse na emissora até abril.

“Diante da quebra de um acordo já selado presencialmente, optei por me desligar de imediato”, explicou Vera em suas redes sociais. Ela agradeceu à equipe do Roda Viva pelos anos de trabalho e desejou sucesso ao seu sucessor no comando do programa.

Segundo apurou o F5 (Folha de S.Paulo), a TV Cultura também não renovou os contratos de outros profissionais cujos vínculos com a emissora se encerravam em 31 de dezembro do ano passado. É o caso de Marcelo Tas, do Provoca, e apresentadores do setor de Esportes do canal. Nas próximas semanas, a TV Cultura exibirá episódios pré-gravados do Roda Viva e do Provoca.

Comunicação Pública terá 30 novas estações de televisão e rádio no primeiro semestre de 2026

Dossiê aponta 292 denúncias de censura e governismo na EBC

A Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) anunciou que fará uma grande expansão no ano de 2026. Já no primeiro semestre, estão previstas mais de 30 novas estações de televisão e rádio em diferentes localidades do Brasil. A expansão faz parte do programa Brasil Digital, implementado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Para Andre Basbaum, presidente da Empresa Brasil de Comunicação, a expansão da RNCP é um passo estruturante para garantir o direito à informação em localidades que ainda não são atendidas pela comunicação pública: “Com esse avanço, vamos permitir que mais brasileiros tenham acesso a conteúdo de qualidade, confiáveis e que fazem a diferença na vida das pessoas. Em um ano em que a informação de qualidade é essencial, os veículos da EBC têm um papel ainda mais importante”.

O programa Brasil Digital tem justamente o objetivo de ampliar a oferta do serviço de radiodifusão em municípios onde a EBC e a Câmara dos Deputados não disponham de estação licenciada para execução desses serviços. O processo é feito por meio da escolha de instituições parceiras para administrar o local de instalação e a infraestrutura básica necessária.

No ano passado, a EBC registrou 14 novas estações, instaladas em parceria com emissoras públicas de diferentes regiões. Com a expansão, a TV Brasil alcança agora cerca de 120 milhões de brasileiros, o equivalente a 63% da população.

Estadão estreia nova cobertura de tecnologia em 2026 e encerra espaço Link

Estadão estreia nova cobertura de tecnologia em 2026 e encerra espaço Link
Crédito: Glenn Carstens-Peters/Unsplash

O Estadão anunciou uma reformulação em sua cobertura de tecnologia a partir de 2026. O conteúdo produzido sobre o setor será concentrado nas marcas TecMundo e The Brief, adquiridas em outubro do ano passado, quando o jornal comprou a empresa NZN. Com a mudança, o Link Estadão, responsável pela cobertura de tecnologia no jornal desde 2004, deixa de existir.

“Este novo modelo de cobertura permite ao Estadão levar melhor ao público tanto o olhar especializado de quem vive de tech como a contextualização necessária entre a tecnologia e qualquer outro assunto, independente da área”, declarou Leonardo Mendes Júnior, diretor de Redação do Estadão, sobre as novidades.

Além do conteúdo publicado em TecMundo e The Brief, reportagens e análises sobre tecnologia serão disponibilizadas em diferentes editorias do jornal, de acordo com os temas abordados, tanto na versão impressa como no digital. O primeiro grande trabalho de cobertura do novo modelo será na Consumer Eletronics Show (CES), feira global de tecnologia e eletrônicos de consumo, que está sendo realizada ao longo desta semana, em Las Vegas.

No TecMundo, projeto criado em 2011, os leitores encontrarão reportagens sobre produtos, serviços, cibersegurança e entretenimento. Além disso, a iniciativa conta com as marcas Voxel e Minha Série, focadas respectivamente em games e filmes/séries. Já The Brief é a newsletter do TecMundo, que conta “as melhores histórias de negócios em tecnologia”, trazendo histórias especiais diariamente, com foco em Inteligência Artificial, big techs ou carreira.

Criado em outubro de 2004, o Link Estadão foi encerrado após 21 anos de existência. A marca tinha site próprio, separado da home do Estadão, com produção de conteúdo disponibilizado nas versões impressa e digital do jornal, além de um programa na rádio Eldorado. O projeto cobriu os principais acontecimentos do setor de tecnologia no Brasil e no mundo ao longo das duas últimas décadas.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (37)

Por Assis Ângelo

Pois é, Glauco Mattoso é personagem do cotidiano brasileiro. Isso porque diz e escreve o que pensa. Seus pensamentos interligam-se com tudo o que vive no dia a dia. E detalhe é que tudo o que faz nos chama atenção pelo fato puro e simples do talento que tem como intelectual.

Mattoso não é católico nem ateu. É um desmistificador. Chega a gargalhar quando lhe cobram posições religiosas e políticas. É um dos mais próximos seguidores do poeta baiano Gregório de Matos e Guerra (1636-1696). E eu, como não tenho e nunca tive o que fazer, brinco com letras que formam palavras e palavras que formam versos que dizem coisas, por exemplo:

Gregório de Matos e Guerra

 

Modelado em barro cru 

Por obra da Criação 

O boneco ganhou forma, 

Vida e nome: Adão 

 

Enfim básico feito 

Adão seguiu em frente 

Pedindo perdão a Deus 

Por d’Ele ser crente 

 

E Eva que caso há 

No caso da Criação 

Numa boa ela nasceu 

Muito antes de Adão 

 

Eva de Adão foi mãe 

Mas isso não vou contar 

É caso duvidoso 

E nele não vou entrar…

 

No começo fez-se a luz

Para tudo alumiar 

Quem pôde ficou vendo 

Estrelas no céu bailar 

 

Mas só viu quem tinha olhos 

Olhos bons e bom viver 

Quem não tinha – ai, ai, ai –

Na vida seguiu sem ver 

 

Antes e depois disso 

Muita coisa aconteceu 

O mundo pegou fogo 

E Jesus Cristo nasceu 

 

Foi visitado por reis

Eram três e eram Magos 

Carregados de presentes 

Muitos beijos e afagos 

 

O Menino foi crescendo 

E crescido foi à cruz 

E na cruz a Deus pediu 

Que nos desse força e luz 

 

Porém é o que se vê:

Nada de força ou luz 

Que possa minimizar 

O peso da nossa cruz 

 

Nesses versos fiz referência aos famosos reis que, supostamente, visitaram o menino Jesus nos seus primeiros momentos de inocência, lá em Belém. Tal encontro teria ocorrido num 6 de janeiro.

No dia 6 de janeiro do ano de 1482, século 15, começa uma história incrível desenvolvida pelo gênio francês Victor Hugo (1802-1885). Dessa história participam personagens deserdadas da vida e também personagens nobres, como o rei Luís XI.

Claro é que estou a me referir a O Corcunda de Notre Dame, romance clássico que continua a encantar gente de todo o mundo. Nessa obra, lançada pela primeira vez em março de 1831, movimentam-se quatro figuras principais: o corcunda Quasimodo, a cigana Esmeralda, o padreco Claude e o capitão garanhão Febo.

Trágico ou dramático é o texto de O Corcunda de Notre Dame?

Antes de mais nada, no meu pensar de olhos cegos, identifico a obra em pauta como sendo do gênero romântico. Explico: Esmeralda ama o capitão de modo quase mortal; o padreco Claude ama Esmeralda de modo totalmente obsessivo e criminoso; o Corcunda, um ser cego do olho direito e fisicamente alquebrado, ama Esmeralda de uma maneira dulcíssima; e o capitão usa Esmeralda e quando tenta violentá-la morre apunhalado. É nesse ponto que Esmeralda cai em desgraça e finda pendurada numa corda.

O padreco Claude, sentindo-se traído manda matar Esmeralda. A pergunta é: feminicídio?

A história diz mais e muito mais do que isso.

Nessa história é dito que Esmeralda foi criada por uma tribo cigana.

Quando Esmeralda, lindíssima, começa a ganhar a vida se apresentando no átrio de Notre Dame, tinha 16 anos de idade.


Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Matheus Pinheiro deixa a ESPN

O narrador Matheus Pinheiro deixou a ESPN no começo da semana. Especializado em esportes americanos, ele estava na emissora há seis anos e meio. Seu último trabalho na ESPN foi no final de semana passado, durante a última rodada de temporada regular da NFL, a liga de futebol americano. As informações são do F5 (Folha de S.Paulo).

Pinheiro chegou à ESPN em setembro de 2019, ao lado de outros jovens talentos como o também narrador Matheus Suman. No canal, comandou transmissões de esportes americanos, além de partidas de futebol e eventos de boxe e automobilismo, como a MotoGP. Natural de Santos (SP), iniciou a carreira na TV Tribuna, afiliada do Grupo Globo na baixada santista. Passou também por webrádios com foco em esportes.

Jovem Pan estreia nesta semana na TV aberta em São Paulo

Jovem Pan sofre ataque hacker e faz limpa de vídeos no YouTube

A Jovem Pan anunciou que sua programação passará a ser disponibilizada na TV aberta em emissoras de São Paulo, Campinas (interior de SP) e Santa Inês do Maranhão a partir da próxima quarta-feira (7/1). Passarão a exibir 24 horas da programação da Jovem Pan os canais 19 em São Paulo, 41 em Campinas e 19 em Santa Inês do Maranhão.

No caso de São Paulo, o Grupo Jovem Pan firmou uma parceria com a Rede Mais Família para exibir os programas da emissora na TV aberta, com foco em jornalismo, esportes e entretenimento. Para Rinaldi Faria, fundador do Grupo Patati Patatá e Rede Mais Família, a parceria entre as duas empresas representa o “compromisso de proporcionar uma televisão aberta relevante, democrática e conectada ao público”.

Vale lembrar que a Jovem Pan está tocando seu projeto de expansão para a TV Aberta desde outubro do ano passado, com a estreia da programação nas emissoras da TV Cidade Verde, no Mato Grosso, cujo sinal alcança Cuiabá e dezenas de cidades na região.

100 anos de Rádio no Brasil: Em 2026, fique atento ao que estamos construindo….

(Crédito: Tenda.com)

Por Álvaro Bufarah (*)

Se 2025 foi o ano em que o áudio digital consolidou seu espaço, 2026 começa com outra pergunta no ar: que tipo de ecossistema sonoro estamos construindo? Não é mais “rádio versus podcast”, “FM versus streaming” ou “áudio versus vídeo”. É tudo junto, misturado, conectado em telas, apps, assistentes de voz e algoritmos – e ainda assim profundamente humano naquilo que importa: histórias, companhia, informação e afeto.

A seguir, um mapa comentado do que quem gosta, estuda e vive rádio e mídia sonora precisa observar em 2026.

  1. Áudio não é nicho: virou hábito massivo – e o Brasil está no pelotão da frente

Nos EUA, o estudo The Infinite Dial 2025 mostrou que o podcast deixou há muito de ser “linguagem underground”:

70% dos norte-americanos com 12+ anos já ouviram podcast, 73% consumiram algum programa em áudio ou vídeo e 55% são ouvintes mensais, nível de penetração nunca antes registrado.

No mundo, estimativas recentes apontam algo entre 500 e 580 milhões de ouvintes de podcast e um mercado global na casa de US$ 40 bilhões em 2025, somando publicidade, assinaturas e apoio direto de fãs.

No Brasil, a fotografia é ainda mais sonora: a Inside Audio 2025 (Kantar IBOPE Media) indica que 92% dos brasileiros ouviram algum formato de áudio nos últimos 30 dias – rádio, música em streaming, podcasts ou rádios digitais. O rádio linear segue muito forte, alcançando 79% das pessoas nas principais metrópoles, com índices acima de 80% em capitais como Belo Horizonte, Porto Alegre e Fortaleza.

Ou seja: em 2026, discutir áudio não é falar de nicho geek, mas de comportamento de massa. Para quem pesquisa ou atua na área, isso muda tudo: o áudio volta a ser centro de estratégia, não rodapé de planejamento.

  1. Podcast em estágio de maturidade: menos hype, mais responsabilidade

A combinação de números do Infinite Dial e de relatórios de mercado mostra um quadro interessante: o crescimento absoluto de ouvintes começa a desacelerar, justamente porque o meio amadureceu e chegou ao tal “teto” de conhecimento da população. Mas, ao mesmo tempo, o envolvimento é mais profundo: ouvintes semanais dedicam em média de 6 a 7 horas por semana aos podcasts, e uma fatia relevante escuta mais de 10 horas.

Na publicidade, o estudo IAB U.S. Podcast Advertising Revenue projeta que a receita do setor deve passar de US$ 2 bilhões e chegar perto de US$ 2,6 bilhões até 2026, impulsionada por vídeo, programática e eventos ao vivo (IAB+1). Já análises independentes como o relatório da Owl & Co. sugerem que, se somarmos YouTube, Patreon e plataformas de apoio direto, o faturamento real do ecossistema de podcast nos EUA pode estar na casa de US$ 4,5–4,7 bilhões, quase o dobro das estimativas oficiais.

Tradução para 2026:

  • Podcast deixa de ser “experimento” e passa a ser linha de negócio, com exigência de métricas, brand safety, retorno e profissionalismo.
  • A “brincadeira de amigos” continua sendo bem-vinda, mas o espaço de destaque será ocupado por quem combina consistência editorial, dados sólidos e modelos de monetização claros.
  1. O áudio que se vê: YouTube, vídeo-podcast e a sala de estar inteligente

Outra fronteira importante: o podcast não é mais só aquilo que você coloca no fone. Metade dos americanos já assistiu a um podcast, e o YouTube consolidou-se como a plataforma primária de consumo, à frente de Spotify e Apple Podcasts.

A novidade é onde isso está acontecendo:

  • o smartphone continua rei,
  • mas a smart TV já aparece como quarto dispositivo mais usado para podcasts em alguns mercados, respondendo por cerca de 9% do consumo, com o YouTube dominando esse cenário.

Se olharmos para o Brasil, as análises sobre o centenário do rádio indicam uma expansão semelhante: o áudio migra para as “telas vivas” da casa – TV conectada, boxes de streaming, consoles – e mistura-se com vídeo, chat e redes sociais.

Para 2026, isso gera alguns recados práticos para quem faz e estuda mídia sonora:

  • pensar o podcast apenas como arquivo de áudio é subaproveitar o formato;
  • planejar presença em telas grandes (smart TV, CTV) e em formatos híbridos (talk + vídeo, bastidor, cortes) deixa de ser luxo e vira campo de disputa real por atenção;
  • nas métricas, passa a ser obrigatório olhar não só para downloads, mas para tempo assistido, retenção em vídeo e comportamento por dispositivo.
(Crédito: Tenda.com)
  1. Digital first: o dinheiro segue o ouvinte – e o ouvinte está online

Enquanto a audiência se movimenta, o dinheiro faz o mesmo. Nos EUA, estudos de mercado indicam que o investimento em áudio digital e podcasts continua crescendo de forma consistente, mesmo em cenários de retração publicitária geral. Projeções recentes apontam gasto de US$ 2,5 bilhões em anúncios de podcast em 2025, com tendência de superar US$ 3 bilhões em 2028.

Relatórios setoriais mostram que grupos de rádio como iHeartMedia, Townsquare Media, MediaCo e Beasley já enxergam o digital como pilar central de receita, com algumas empresas tirando mais da metade do faturamento de plataformas digitais – streaming, podcasts, serviços de marketing digital, CTV.

Ao mesmo tempo, o cenário macro da publicidade global aponta crescimento de cerca de 6% em 2026, com o digital abocanhando mais de 70% do bolo e a inteligência artificial sendo uma das alavancas de eficiência em criação, segmentação e compra de mídia.

Para rádios e produtores de áudio, o recado de 2026 é direto: quem insistir em depender só de spot linear vai viver cada vez mais espremido. O caminho que se desenha é o das plataformas de áudio como hubs de serviços: inventário próprio + podcast + social + CTV + mídia programática terceira, sob uma mesma estratégia de dados.

  1. Convergência total: rádio, streaming, TV conectada e provedores regionais

Do ponto de vista de infraestrutura e distribuição, vimos amadurecer em 2025 um modelo que deve ganhar força em 2026: o das plataformas híbridas, que reúnem rádio digital, canais lineares de TV, vídeo sob demanda e streaming em um mesmo ambiente, muitas vezes operado em parceria com provedores regionais de internet (ISPs).

Plataformas como a Watch e a Awdio (no Brasil) são exemplos de como rádio, TV conectada e streaming estão se tornando serviços agregados de conectividade, e não produtos isolados. O ISP local oferece pacote “internet + entretenimento + rádios digitais” e passa a ser também curador de mídia, com impactos diretos sobre discovery e monetização.

Na prática, isso significa que em 2026:

  • a batalha por atenção não será apenas entre emissoras, mas entre ecossistemas de distribuição;
  • a emissora que não se articular com ISPs, plataformas de streaming e ambientes CTV corre risco de ficar confinada ao dial;
  • para o pesquisador, passa a ser crucial estudar cadeias de valor e arranjos regionais – não apenas o conteúdo, mas quem entrega, empacota e mede.
  1. Interfaces de voz, smart speakers e a volta do rádio “ambiental”

Enquanto o vídeo avança, as interfaces de voz amadurecem em outra direção. Relatórios como The Infinite Dial mostram crescimento contínuo na posse de smart speakers, com países como Austrália registrando mais de 40% dos lares com pelo menos um dispositivo.

Ao mesmo tempo, a chegada de óculos inteligentes com áudio integrado, como os Ray-Ban Meta, aproximou ainda mais o som do corpo e da rotina – sem tela, sem fone in-ear, com comandos por voz e condução sonora que deixa o usuário ouvir o ambiente e o conteúdo ao mesmo tempo. As primeiras integrações nativas com apps como iHeartRadio transformam esses dispositivos em rádios pessoais portáteis, sempre ligados.

Para 2026, isso recoloca na mesa uma ideia antiga com roupa nova: o rádio ambiental – aquele que acompanha a pessoa enquanto cozinha, caminha, trabalha, dirige, mas agora acionado por voz, hiperpersonalizado e muitas vezes alimentado por IA.

  1. IA em tudo: da edição ao planejamento – e a tensão ética permanente

Não é mais possível falar de futuro do áudio sem falar de inteligência artificial.

Os grandes players de publicidade já projetam que parte do crescimento em investimento em 2025–2026 será puxado por eficiências geradas pela IA em criação, segmentação e compra de mídia (Wall Street Journal+1).

No ecossistema sonoro, isso aparece em várias camadas:

  • ferramentas de transcrição, edição e mixagem automatizada;
  • sistemas de recomendação e personalização de playlists e podcasts;
  • voz sintética para vinhetas, spots, chamadas e até locução completa de programas;
  • análise de sentimento e contexto para ajustar anúncios e conteúdos ao humor e à situação do ouvinte.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com direitos de voz, trabalho criativo e transparência. O caso de vozes clonadas sem consentimento, a necessidade de rotular conteúdos gerados por IA e a discussão sobre precarização do trabalho de locutores, editores e jornalistas estarão no centro do debate em 2026.

Para quem estuda o tema, há um campo fértil:

  • modelos regulatórios,
  • contratos de cessão de voz,
  • ética na utilização de dados de escuta,
  • impacto da automação nas rotinas de redações e estúdios.
(Crédito: Zydigital.com.br)
  1. Então, o que observar em 2026?

Se você é ouvinte, vale prestar atenção em como seus hábitos mudam: você está ouvindo mais na TV? No celular? Pede conteúdo por voz? Assiste a podcasts? Essa auto-observação diz muito sobre o rumo do mercado.

Se você é profissional ou estudante, 2026 te desafia a pensar o áudio em três camadas ao mesmo tempo:

  1. Conteúdo – o que continua sendo profundamente humano, autoral, local.
  2. Plataformas – onde isso circula: rádio, app, YouTube, CTV, smart speaker, wearable, ChatGPT.
  3. Modelo de negócio – como isso se sustenta: anúncios, assinaturas, branded podcasts, serviços digitais, dados.

O futuro do áudio não está prometido a quem tem mais equipamento, mas a quem entende melhor seu ouvinte e sabe navegar esse mar de plataformas sem perder a essência da linguagem sonora.

Se 2026 traz alguma certeza, é esta: o rádio e a mídia sonora não estão morrendo. Estão, na verdade, se tornando a trilha sonora permanente de um mundo conectado – visível nas telas, invisível nos algoritmos, mas ainda reconhecível na voz que nos acompanha todos os dias.

 

Fontes de pesquisa:

1) Tendências de áudio, plataformas e comportamento para 2026

  • Sounds Profitable & Signal Hill Insights. The Podcast Landscape 2025.
  • Edison Research. The Infinite Dial 2025.
  • Teleprompter. Podcast Statistics 2025 (Global Listener Growth & Trends).
  • eMarketer / Insider Intelligence. Global Audio & Podcast Forecast 2026 (projeções de adoção de áudio digital).
  • McKinsey. The State of AI 2025 – análise da adoção de IA em mídia e criação de conteúdo.

2) Mercado publicitário, programática e áudio digital

  • IAB. Podcast Advertising Revenue Report 2024–2026 (previsões).
  • GroupM. This Year, Next Year – Global Ad Forecast 2025.
  • Publicis / Zenith. Global Advertising Expenditure Forecast.
  • Inside Radio / Radio Ink. Sínteses sobre monetização digital, programática, CTV e “serviços digitais” oferecidos por grupos de rádio.

3) Ecossistemas híbridos: rádio + streaming + CTV

  • Kantar IBOPE Media. Inside Video & Inside Audio 2025 (dados sobre migração para tela grande).
  • Roku / Samsung Ads. Relatórios sobre crescimento do consumo de áudio em smart TVs.
  • Watch Brasil – informações sobre integração de rádios, FAST channels e hubs de conteúdo para provedores regionais.

4) Smart devices, wearables e assistentes de IA

  • Meta. Documentação dos Ray-Ban Meta AI Glasses.
  • Apple. Relatórios sobre evolução do AirPods como “computador de ouvido” e uso em áudio espacial.
  • Amazon. Estudos sobre Alexa, skills de rádio e consumo hands-free.
  • The Verge / Wired. Artigos sobre expansão dos wearables e IA embarcada na escuta cotidiana.

5) Tendências tecnológicas em rádio global

  • IBC 2025 – relatórios oficiais e análises RedTech / Radio World.
  • Xperi — relatórios sobre DTS AutoStage (rádio híbrida + IA + automação no carro).
  • EBU (European Broadcasting Union). Digital Radio and Hybrid Radio Trends Report 2024–2025.

6) Dados brasileiros

  • Kantar IBOPE Media – Inside Radio e Inside Audio (2023–2025).
  • Cenp-Meios – dados de investimentos em publicidade por meio (rádio + digital).
  • Anatel – relatórios sobre rádio, espectro e audiência de rádio FM no país.

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Volkswagen premia melhores reportagens sobre a marca

Durante seu tradicional encontro de final de ano, que contou com a participação de 140 profissionais de imprensa e criadores de conteúdo, a Volkswagen anunciou os vencedores de seu inédito Prêmio Gutenberg de Comunicação Volkswagen.

O especial O ambicioso Tera. Tudo sobre o SUV compacto que a Volkswagen quer transformar em seu novo ícone no Brasil, da AutoData, foi o destaque da edição de estreia, com a conquista dos troféus nas categorias Melhor Matéria do Ano e Matéria Corporativa + ESG.

Também foram premiados os trabalhos Expedição até Águas Lindas: veja a aventura com a Nova Amarok V6, da Auto Record Brasília, em Matéria de Produto; Museu, Instagram e óculos da Chilli Beans: como a VW mergulhou no segmento de clássicos no Brasil, da Exame.com, na categoria Garagem VW; Tudo sobre o Novo Volkswagen Tera, da Quatro Rodas, em Vídeo; e O Park Assist do VW T-Cross, de Juciene Witjes, em Reels do Ano.

Além dos prêmios para as reportagens, foram entregues quatro homenagens especiais. Entraram para o Hall da Fama Gutenberg, por suas contribuições à imprensa automotiva ao longo da história, Boris Feldman, Fernando Calmon, Bob Sharp e Claudio Carsughi.

TV Cultura não renova contratos de Vera Magalhães e Marcelo Tas; futuro dos profissionais está indefinido

TV Cultura não renova contratos de Vera Magalhães e Marcelo Tas; Futuro de profissionais está indefinido
Vera Magalhães (Crédito: Instagram)

A TV Cultura não renovou os contratos de profissionais cujos vínculos com a emissora se encerravam no dia 31 de dezembro do ano passado. São os casos dos apresentadores Marcelo Tas, do Provoca, e Vera Magalhães, do Roda Viva. Segundo informações do F5 (Folha de S.Paulo), profissionais do departamento de Esportes da emissora também foram atingidos pela decisão.

A direção da TV Cultura não formalizou o processo de renovação dos contratos antes da virada do ano pois prefere discutir os casos individualmente após o recesso. O futuro dos profissionais, portanto, segue indefinido. A decisão de adiar as negociações partiu de Maria Ângela de Jesus, que assumiu em junho do ano passado o cargo de diretora-presidente da Fundação Padre Anchieta. Até que as negociações sejam realizadas, os telespectadores da TV Cultura poderão assistir a episódios inéditos pré-gravados do Provoca e do Roda Viva, exibidos nas próximas semanas para cobrir o período de férias.

Vale lembrar que, desde o ano passado, a TV Cultura vem promovendo mudanças em seu jornalismo. A mais recente delas foi a saída de Karyn Bravo, em novembro. Ela comandava o Jornal da Cultura desde 2019 e foi substituída por Rita Lisauskas. E em julho, Leão Serva, diretor internacional de Jornalismo e correspondente em Londres, deixou a emissora. O contrato com a TV Cultura foi encerrado, mas ele seguirá como colaborador eventual.

Luciana Barreto, da TV Brasil, está entre as personalidades mais influentes dos países lusófonos

Luciana Barreto (Crédito: Divulgação/TV Brasil)

Luciana Barreto, apresentadora da TV Brasil e editora-chefe do Repórter Brasil Tarde, é uma das integrantes da quinta edição da Powerlist BANTUMEN 100, iniciativa que reconhece cem personalidades negras cujas trajetórias têm influenciado de maneira significativa o panorama contemporâneo dos países de língua portuguesa. O anúncio foi em 6/12, no Pátio da Galé, em Lisboa.

A lista é resultado de um processo colaborativo entre vários meios de comunicação desses países. A iniciativa conta ainda com a contribuição de curadores homenageados em edições anteriores. Com 52% de homens e 48% de mulheres, ela destaca talentos de Angola, Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Moçambique.

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