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100 anos de Rádio no Brasil: O carro conectado e o novo dial

(Crédito: Radioworld.com)

Por Álvaro Bufarah (*)

Há muito tempo repete-se que o rádio “reinventa-se a cada nova tecnologia”. Talvez por isso tenha sobrevivido ao transistor, à televisão, ao FM estéreo, ao satélite, aos streamings globais e à IA conversacional que, agora, promete substituir locutores. Mas nada – nem mesmo o smartphone – tem provocado uma reconfiguração tão profunda no rádio quanto o carro conectado. E nenhum dispositivo simboliza essa virada melhor do que o DTS AutoStage, plataforma híbrida da Xperi que transforma o painel de um veículo em um centro avançado de dados, medição de audiência, interatividade visual e, muito em breve, personalização publicitária.

(Crédito: Radioworld.com)

Se antes a escuta automotiva era um mistério, hoje ela é quase transparente. A atualização recente da plataforma, anunciada nos Estados Unidos e gradualmente em expansão global, abre para os radiodifusores uma camada inédita de inteligência de mercado. Não mais estimativas genéricas de alcance, nem projeções baseadas em percepção de marca ou recordação espontânea. Agora, o rádio pode acessar – em menos de 24 horas – tendências de audiência, mapas de calor por localização, tempo de permanência, comportamento por faixa horária e até rankings de músicas mais ouvidas, tudo alimentado por milhões de veículos conectados.

É uma transformação silenciosa, porém radical: a cultura do feeling programático começa a ceder espaço ao racionalismo de dados, algo que o rádio tradicional sempre recusou, mas que o futuro não permitirá ignorar. Como disse Joe D’Angelo, SVP da Xperi, “as rádios podem medir mudanças quase em tempo real e saber onde seus consumidores escutam mais”. A frase sintetiza a ruptura. Pela primeira vez, o rádio conhece seu ouvinte no espaço, no tempo e no comportamento – e essa sofisticação aproxima a indústria sonora dos padrões já consolidados por plataformas como Spotify, YouTube e Apple Music.

Essa virada acontece em um momento estratégico. Segundo a Deloitte (Technology, Media & Telecom Predictions 2025), 72% das montadoras lançarão modelos com conexão nativa até 2027, e o veículo se consolidará como o principal espaço de consumo de áudio premium. A Edison Research mostra que 89% dos ouvintes de rádio nos EUA escutam principalmente dentro do carro – proporção estável há mais de uma década, mas que ganha nova relevância quando essa escuta se torna mensurável e monetizável. O rádio, enfim, entra na era da telemetria contínua.

Mas o ponto decisivo está menos na medição e mais no modelo de negócios que emerge dessa medição. A Xperi anunciou que a partir de 2026 pretende monetizar sua base gigantesca de dados, negociando medições e oferecendo publicidade segmentada dentro do ecossistema AutoStage. Não se trata de alterar o áudio do broadcast, mas de personalizar o visual, com mensagens ajustadas ao contexto do veículo, horário, clima, localização e preferências do ouvinte. É o broadcast vestindo a pele do digital: massivo no áudio, personalizado na tela.

Essa tendência já vinha ganhando corpo. A WorldDAB Global Automotive 2024 apontou que 93% das montadoras veem o rádio como “indispensável”, mas apenas se vier acompanhado de metadados, capa de álbum, integração com apps e métricas de uso. A experiência importa. E, para as marcas, um dashboard conectado e inteligente vale mais do que o velho dial rotativo. A publicidade segmentada no carro é uma fronteira de bilhões: a PwC estima que a publicidade contextual automotiva deverá crescer 18% ao ano até 2030. A Xperi sabe disso – e está se movendo rápido.

No Brasil, o movimento é tímido, mas existe. Emissoras como Globo FM, Metropolitana e Grupo Massa já integram a plataforma, enviando metadados para os painéis de modelos de Mercedes-Benz, BMW, Tesla e Hyundai equipados com hotspot de internet. Embora a monetização ainda não tenha chegado ao País, a adoção inicial indica que os radiodifusores brasileiros compreendem o recado: quem não estiver visível, integrado e analisável ficará invisível na disputa pela atenção do motorista conectado.

(Crédito: Radioworld.com)

A crônica dessa transformação é, no fundo, uma história sobre o reencontro do rádio com a sua vocação: estar onde o ouvinte está. Só que, agora, estar presente significa também ser mensurável, interoperável e comercialmente estratégico. Significa competir não apenas pelo ouvido, mas pela tela do carro, pelo algoritmo que sugere, pela IA que recomenda e pelo mapa de calor que revela onde vive a audiência real.

Se o futuro do rádio é híbrido, como aponta o relatório Xperi State of Auto Audio 2025, então o carro é seu novo centro nervoso – um painel inteligente que vê o ouvinte, fala com o anunciante e aprende com o comportamento de ambos. O AutoStage é apenas a vanguarda de um fenômeno maior: o rádio está virando plataforma, e as plataformas estão virando rádio.

E, nesse trânsito complexo entre automação, personalização e conectividade, talvez estejamos vendo o nascimento de um novo dial – não mais circular, metálico e analógico, mas dinâmico, responsivo e orientado a dados. Um dial que sabe quem chega, quem fica e quem troca de estação. Um dial que alimenta o mercado publicitário com precisão cirúrgica. Um dial que devolve ao rádio uma vantagem que ele nunca deveria ter perdido: a capacidade de se reinventar antes de ser ultrapassado.

Fontes de Pesquisa

  • Xperi – DTS AutoStage Overview & Press Releases
  • Radio World – Cobertura técnica do IBC 2024 e 2025
  • RedTech Magazine – Análises sobre rádio híbrido e automotivo
  • Edison Research – The Infinite Dial 2024/2025
  • Deloitte – TMT Predictions 2025
  • PwC – Global Entertainment & Media Outlook 2024–2028
  • WorldDAB – Global Automotive Update 2024
  • ABI Research – Connected Car Market Forecast 2025–2030
Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Domingos Meirelles está de volta à TV com programa sobre turismo no SBT Goiás

Domingos Meirelles está de volta à TV com programa sobre turismo no SBT Goiás
Domingos Meirelles e Elias Junior (Crédito: Instagram)

O veterano apresentador e repórter Domingos Meirelles está de volta à televisão. Aos 85 anos, ele está comandando o programa Destino Brasil TV, focado em turismo, na TV Serra Dourada, afiliada do SBT em Goiás. A estreia foi no domingo (11/1).

O Destino Brasil TV une informação, dados e debates sobre o setor de turismo no Brasil, abordando temas como infraestrutura, hotelaria, mobilidade, planejamento urbano, atrativos turísticos e a experiência do viajante. Semanalmente, o programa receberá especialistas, empresários, vozes da sociedade civil e representantes do poder público para discutir oportunidades, desafios e políticas para o fortalecimento do turismo. O programa irá ao ar a partir das 10h30 e será disponibilizado no canal do Destino Brasil TV no YouTube.

Domingos Meirelles e Elias Junior (Crédito: Instagram)

Com mais de 60 anos de carreira, Domingos trabalhou por décadas na imprensa escrita, em Última Hora, Quatro Rodas, Revista Realidade, Jornal da Tarde, O Globo e Estadão. Na televisão, atuou no Grupo Globo, como repórter dos principais telejornais da casa, entre eles Jornal Nacional, Fantástico e Globo Repórter. Posteriormente, trabalhou no SBT, no comando do Linha Direta, atração que ancorou até seu encerramento, em dezembro de 2007. Trabalhou também na Record TV, comandando programas como Repórter Record Investigação e Câmera Record. Desde 2021, estava afastado da televisão.

Domingos é um dos mais premiados jornalistas do Brasil, tendo vencido mais de 40 prêmios ao longo da carreira, entre eles três Esso, quatro Vladimir Herzog de Direitos Humanos e duas vezes o Rei de Espanha de Televisão. Ocupou a 17ª posição na edição 2024 do Ranking +Premiados da Imprensa Brasileira, projeto realizado pelo Jornalistas&Cia.

Jovem Pan lança novo programa esportivo multiplataforma

Victor Boni, Giovanni Chacon e Guilherme Napolis (Crédito: Divulgação/Jovem Pan)

A Jovem Pan estreia no próximo domingo (11/1), a partir das 18h, o JP Futebol Clube, programa semanal que debaterá os principais resultados da semana no futebol nacional e internacional. A atração, multiplataforma, estará disponível na TV Jovem Pan News, rádio, YouTube e redes sociais da emissora.

O programa, que funcionará como um pós-rodada, reunirá informação, análise e entretenimento com uma abordagem leve e descontraída. A apresentação é de Victor Boni, com participações fixas de Giovanni Chacon e Guilherme Napolis. O JP Futebol Clube terá ainda a participação de repórteres ao vivo, diretamente de estádios, além de comentários de influenciadores esportivos convidados e quadros interativos. A ideia do projeto é atingir o público jovem e adulto apaixonado por futebol.

Victor Boni, Giovanni Chacon e Guilherme Napolis (Crédito: Divulgação/Jovem Pan)

Levantamento da NewsGuard mostra como apoiadores de Trump usaram imagens falsas para enaltecer a operação contra Maduro

NewsGuard

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A imagem que começou a circular após a invasão da Venezuela por forças militares americanas é impressionante e humilhante: um homem dentro de um avião com o rosto coberto por um saco, escoltado por um militar orgulhoso de sua captura, fazendo uma selfie.

O texto do post dizia: “Se é real, é a foto de todos os tempos”.

A foto é real, mas o retratado não era Nicolás Maduro, e sim Saddam Hussein, registrado em 2003 após ser capturado pelos EUA.

A confusão não foi acidental – foi sintoma de um fenômeno que se repete com intensidade crescente: a distorção da realidade por meio de imagens falsas ou fora de contexto, a maioria criada ou manipulada com ferramentas de inteligência artificial.

Desde que Maduro foi retirado da Venezuela em uma operação dos EUA, em 3/1, imagens manipuladas ou “recicladas” espalharam-se com força, especialmente no X de Elon Musk, segundo um levantamento do NewsGuard.

Os pesquisadores revelaram que em apenas dois dias cinco fotos falsas e dois vídeos descontextualizados somaram mais de 14 milhões de visualizações.

Uma delas mostrava Maduro de pijama branco dentro de um avião, outra imagem que alimenta a narrativa da humilhação do presidente venezuelano por Donald Trump.

Segundo o NewsGuard, os conteúdos falsos foram criados ou amplificados por apoiadores de Trump, interessados em enaltecer a eficácia e o impacto da ação militar americana.

Um dos conteúdos destacados pelo NewsGuard é um vídeo mostrando helicópteros militares americanos sobre uma edificação, com soldados descendo por meio de cordas até o teto do que parecia ser o local em Caracas onde Maduro e mulher estavam. Mas o registro era na verdade de um show militar realizado em 2024 nos EUA e amplamente coberto pela imprensa americana.

“As pessoas que assistiram a esse vídeo podem ter se divertido, mas não foram informadas com precisão”, afirma o relatório.

Leia a matéria completa em MediaTalks.

NewsGuard

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Detidos, revistados, deportados: ONGs condenam assédio a correspondentes da mídia internacional após captura de Maduro. Leia mais

Grupo DCI/Visão começa a pagar dívidas trabalhistas

O Grupo DCI Visão (leia-se Hamilton Lucas de Oliveira – Indústria Brasileira de Formulários, IBF), que teve sua falência decretada no ano 2003, começou no final de 2025 a pagar dívidas trabalhistas de seus mais de mil ex-empregados, a maioria jornalistas, que somam quase R$ 67 milhões. Vale lembrar, porém, que muitos deles venderam seus direitos com deságio a empresas especializadas ao longo desse processo, pois não quiseram – ou não puderam – esperar pelo desfecho.

O resultado positivo deveu-se ao empenho do Departamento Jurídico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que esteve à frente das ações desde que a empresa deixou de cumprir com suas obrigações trabalhistas. O trabalho tem sido liderado por Raphael Maia, advogado coordenador do departamento jurídico, que a partir do segundo do final de 2023 conseguiu levar o gestor da massa falida a tomar providências para os pagamentos que ora se iniciam.

Segundo soubemos, o juiz determinou que o síndico faça um cálculo para efetuar a correção monetária dos créditos. Mas essa correção somente será paga após o pagamento do principal de todos os credores (inclusive não trabalhistas), se no futuro houver crédito suficiente. Como a dívida é muito alta, por mais que ainda existam bens da massa falida a serem leiloados, o pagamento dessa diferença a título de correção monetária é mais difícil.

O Portal dos Jornalistas conversou com Raphael Maia, que explicou as dificuldades e obstáculos do processo, bem como a importância do trabalho do sindicato ao longo dos últimos 30 anos acompanhando a crise da empresa desde muito antes da falência. O diretor da entidade destacou que, como se trata de um processo antigo, os textos todos eram físicos, com mais de 70 volumes, com cerca de 200 páginas cada, o que dificultou e atrasou significativamente a resolução do caso. Além disso, havia uma questão de localidade, uma vez que o processo de falência do grupo tramitou em São Bernardo do Campo, o que tornava praticamente impossível o acompanhamento efetivo do caso.

“Era um elefante que não andava. Todas essas questões dificultaram e atrasaram muito o andamento do processo”, explicou Maia. “O sindicato acompanha este caso há pelo menos 30 anos, desde antes da falência do grupo. Eu estou no sindicato há cerca de dez anos, e passei a acompanhar mais fortemente só nos últimos cincos ou seis anos, porque foi quando de fato as condições materiais foram favoráveis para o andamento do caso. A partir de 2020, com a digitalização dos textos, tudo ficou mais fácil, e o sindicato teve uma atuação importante de acompanhamento do processo, além de pressionar para que os pagamentos fossem finalmente efetuados”.

Com a pressão do Sindicato, muitos bens antigos do grupo foram penhorados e foi possível chegar à quantia de cerca de R$ 60 milhões, o que ainda não era o suficiente para o pagamento integral das dívidas. Outros bens, incluindo imóveis, acabaram sendo leiloados e, mais recentemente, foi possível atingir a quantia equivalente aos quase $ 67 milhões. Foi então que, no ano passado, a justiça finalmente autorizou o pagamento do valor de 100% dos créditos trabalhistas, porém sem correção monetária ou juros, que poderão ser pagos no futuro, a depender de alguns bens que ainda devem ser penhorados.

Maia explicou que, na prática, os jornalistas prejudicados precisaram vencer duas etapas: a primeira foi ganhar a ação trabalhista, o que levou muitos anos; posteriormente, foi necessário pegar certidões para habilitar os créditos no processo de falência: “A partir do segundo semestre do ano passado, o juiz do caso abriu um incidente específico para os pagamentos, determinando algumas providências, como prova de vida, novas procurações e regularização documental. Em resumo, uma série de documentos que foram solicitados para que pudesse, digamos, verificar que essas pessoas de fato eram aquelas mesmo que tinham o direito de receber e encaminhar para o síndico fazer os pagamentos”. No final de 2025, foi feito o pagamento do primeiro lote, mas muitos credores ainda não apareceram. Estima-se que, até o momento, apenas metade tenha recebido os pagamentos.

Outro ponto importante a destacar no processo é o fato de que, por ser um caso antigo, de mais de 30 anos, muitos trabalhadores que foram prejudicados, bem como os advogados que representavam esses clientes, já faleceram. O crédito trabalhista pode ser recebido por herdeiros, desde que o nome do trabalhador conste na lista de credores, e o sindicato colocou-se à disposição para verificar esses nomes e ajudar na regularização do polo ativo.

“É de vital importância que as pessoas façam essa verificação”, declarou Maia. “As pessoas cujos pais ou parentes trabalharam no DCI, por volta de 1993, 1994, que foi quando começou o processo de falência, devem procurar saber se não havia uma ação judicial. Caso não tenha mais contato com o seu advogado ou com outra pessoa que tenha informações, pode nos procurar aqui no sindicato que a gente olha a lista do processo e vê se o nome da pessoa consta. Se ela estiver na lista, a pessoa ou algum dos herdeiros deve entrar em contato conosco para receber aquilo que é dela por direito. É importante estar atento a isso, pois o processo vai continuar, há ainda a possibilidade de correções monetárias no futuro, após a penhora de mais alguns bens, e o sindicato continuará acompanhando o caso, como o fez nos últimos 30 anos”.

Para o advogado, é uma grande vitória saber que os pagamentos finalmente estão sendo feitos após décadas, e o caso exemplifica muito bem a importância da atuação dos sindicatos em fazer valer os direitos dos trabalhadores: “A importância disso tudo – para além, é claro, de finalmente as pessoas receberem o que é delas por direito – é essa luta dos trabalhadores por meio do seu sindicato. Um caso desses, com todas as burocracias e demoras do processo, poderia acabar esquecido, perdido, por isso a importância da atuação de sindicato, que acompanhou e pressionou por uma resolução, mesmo depois de anos, com mudanças de pessoas, cargos, advogados, mas o propósito prevaleceu. Portanto, creio ser um grande exemplo disso, do sindicato como um ente coletivo que resguarda os direitos dos trabalhadores, independentemente do tempo”.

Morre Conrado Corsalette, aos 47 anos, em São Paulo

Morre Conrado Corsalette, aos 47 anos, em São Paulo
Conrado Corsalette (Crédito: LinkedIn)

Morreu nesta quinta-feira (8/1), em São Paulo, Conrado Corsalette, secretário de redação adjunto da sucursal paulistana do Poder360, aos 47 anos. Segundo informações do portal Metrópoles, ele foi encontrado morto em casa pela namorada, na região de Santa Cecília, área central de São Paulo. Não há informações sobre a causa da morte. Deixa duas filhas.

Natural de Santo Anastácio, no interior do estado, Conrado formou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Com mais de 25 anos de carreira, atuou como editor de Política do Estadão, editor adjunto de Cotidiano da Folha de S.Paulo e repórter no extinto Agora São Paulo. Foi também cofundador e editor-chefe do Nexo Jornal, onde trabalhou por cerca de uma década. Especializado na cobertura política, é autor do livro Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova República e a erupção da extrema direita, lançado em 2023. Segundo o Metrópoles, Conrado enteava trabalhando ultimamente em um novo projeto de livro, também sobre política nacional.

Fernando Rodrigues, diretor de redação do Pdoer360, lamentou a morte de Conrado: “Era um dos mais brilhantes jornalistas de sua geração. Admirado e querido por todos. Um profissional que tinha grande perspicácia para entender o que era uma notícia e como fazer bom jornalismo profissional. Uma pessoa de caráter, era generoso com os mais jovens e demonstrava grande paixão pela profissão. Conversávamos com frequência. Esses diálogos eram uma fonte de inspiração para mim e para todos da redação que conviviam com ele. Estou triste com essa perda irreparável”.

Prêmios internacionais são destaque entre novas iniciativas do Ranking +Premiados da Imprensa 2025

Ranking dos +Premiados da Imprensa circulará em janeiro, em edição especial unificada

Com divulgação programada para 26 de janeiro, a 15ª edição do Ranking +Premiados da Imprensa Brasileira contará com a inclusão de 14 novas premiações em sua lista de prêmios avaliados. Entre as novidades, é a inclusão de três premiações globais já consagradas, duas delas incluídas em 2025 por terem premiado jornalistas brasileiros pela primeira vez.

Promovido pela Escola de Jornalismo de Columbia, em Nova York, a mesma que entrega o Maria Moors Cabot Prize, mais antiga premiação do jornalismo de que se tem conhecimento, o prêmio John B. Oakes é dedicado a reconhecer reportagens que contribuam para a compreensão do público sobre questões ambientais. Em 2025 o troféu foi entregue a Karla Mendes, do Mongabay, que se tornou a primeira brasileira a conquistar o prêmio.

Outra profissional que teve a honra de se tornar a primeira brasileira entre os vencedores de um prêmio internacional foi Juliana Dal Piva, do ICL Notícias. Ela foi escolhida para receber no ano passado o Courage Awards, iniciativa criada em 1990 pela International Women’s Media Foundation, que tem como objetivo destacar o trabalho de jornalistas mulheres que assumem riscos para reportar ou trabalham em ambientes hostis.

Mais recente, lançado em 2021, o CCNow Journalism Awards só entrou em nosso radar nesta edição, quando premiou três trabalhos brasileiros. As reportagens, com foco na cobertura do clima, foram produzidas pela Revista AzMina, pelo site Porvir e pelo consórcio formado por Agência Pública, Amazônia Vox e Matinal Jornalismo. Apesar da estreia, não foi a primeira vez que brasileiros conquistaram a premiação. Em edições anteriores foram premiados profissionais da própria Agência Pública, além de O Joio e O Trigo, France Presse e Editora Globo.

Dentre as demais iniciativas que estreiam nesta edição, destaque para dois prêmios locais promovidos nos estados do Acre e do Mato Grosso. Com as inclusões dos prêmios MPAC, do Ministério Público do Acre, e Aprosoja-MT, da Associação dos Produtores de Soja e Milho do MT, os dois estados passam a figurar entre as unidades da federação com prêmios locais analisados pelo Ranking. Apenas Amapá, Maranhão, Paraíba, Roraima, Sergipe e Tocantins não figuram nessa lista.

Além destes, entram agora na pesquisa os prêmios nacionais IQA de Qualidade Automotiva, /MOL de Jornalismo para a Solidariedade, Mercantil, Trânsito Seguro e Synapsis FBH, e os estaduais Águas de Manaus de Jornalismo Ambiental (Amazonas), ACI/OCESC (Santa Catarina) e Faciap e Apre Florestas (Paraná).

Após 21 anos, Odinei Ribeiro deixa a Globo

Após 21 anos, Odinei Ribeiro deixa a Globo
Odinei Ribeiro (Crédito: Instagram)

O narrador esportivo Odinei Ribeiro deixou o Grupo Globo nesta semana, após 21 anos de casa. Segundo informações do F5 (Folha de S.Paulo), a decisão partiu do próprio narrador, em busca de “novos desafios e sonhos”. Seu último trabalho na emissora ocorreu em 27 de dezembro do ano passado, na transmissão do jogo entre Vasco e Flamengo pela Novo Basquete Brasil (NBB).

Odinei chegou à Globo em 2004, atuando na TV Tribuna, afiliada da emissora carioca em Santos. Posteriormente, em 2007, foi testado em transmissões do SporTV, sendo contratado de forma fixa um ano depois. Atuou principalmente na narração do basquete nacional, em jogos da NBB. Comandou também partidas de times paulistas de futebol e fazia participações nos intervalos de programas, trazendo atualizações sobre os gols da rodada. Antes, trabalhou por quase seis anos na Rádio Record, ao lado de Fiori Gigliotti. Passou ainda por diversas rádios e emissoras do litoral paulista.

Jovem Pan adia transmissões na TV aberta

Jovem Pan sofre ataque hacker e faz limpa de vídeos no YouTube

O Grupo Jovem Pan decidiu adiar a estreia de seu canal na televisão aberta na cidade de São Paulo, em Campinas e na cidade de Santa Inês, no Maranhão, prevista para esta quarta-feira, 7.

Em 1/1, o grupo de mídia anunciou que expandiria a distribuição de seu sinal para a TV aberta em São Paulo por meio de uma parceria com a Rede Mais Família. Mas, na noite de 6/1, o grupo reviu a estratégia e decidiu adiar o lançamento. Em nota, a empresa atribuiu o adiamento à necessidade de ajustes técnicos, sem informar nova data para isso. Segundo o comunicado, novos detalhes da estreia serão informados “em breve”.

Vale lembrar que a Jovem Pan está tocando seu projeto de expansão para a TV Aberta desde outubro do ano passado, com a estreia da programação nas emissoras da TV Cidade Verde, no Mato Grosso, cujo sinal alcança Cuiabá e dezenas de cidades na região. (Com informações do Meio & Mensagem).

A linguagem simples virou política pública no Brasil em 2025. E agora?

Por Lilia Gomes de Menezes *

A Política Nacional de Linguagem Simples (PNLS) (Lei nº 15.263/2025), sancionada pelo governo federal, em 14 de novembro de 2025, sinaliza ao cidadão a intenção do atual governo brasileiro de fomentar mudanças nos processos de informação e comunicação de direitos e serviços, em todas as esferas e órgãos da administração pública brasileira. A ideia central, na perspectiva do cidadão, é: eu encontro e compreendo com facilidade as informações que preciso, então consigo usar.

Para 2026, o desafio da sociedade brasileira é agir para que as conquistas da PNLS sejam compreendidas pelo cidadão e por organismos da sociedade civil organizada, para que cobrem a efetiva implementação e se apropriem do direito. Enquanto letra de lei, a PNLS ainda é só uma política de governo, que poderá ter ou não continuidade em administrações futuras. Então, esse é o momento decisivo de mobilização de esforços para que ela avance para o seu status ideal, o de política implementada e consolidada, aquela que é tão conhecida e tão usada pelo cidadão que nenhum governo consegue facilmente descontinuar.

Uma pesquisa feita pelo CNJ, em 2023, revelou que 50% dos participantes deixaram de entrar com processo na Justiça por ser complicado. Sobre a afirmativa “a linguagem jurídica usada nos processos é de fácil entendimento pelo cidadão comum”, 41,4% responderam que “não concordam totalmente” e 23,5% disseram que “não concordam de jeito nenhum”.

Uma interação qualificada entre governo e sociedade requer o uso de linguagem acessível à maior parte da população, “que seja fundamentada na empatia e na simplicidade (Fischer, 2018) e que “reflita os interesses e necessidades do leitor e do consumidor em vez dos interesses legais, burocráticos ou tecnológicos do escritor ou da organização que o escritor representa”. (Steinberg 1991a, apud Willerton, 2015, p. 1).

Na transição para uma comunicação clara e compreensível, o papel dos veículos de mídia comercial é fundamental. Pauta decisiva para a evolução da democracia, merece ser amplamente explorada em todas as suas perspectivas, seja traduzindo a linguagem simples como direito, não favor; mostrando impactos concretos na vida do cidadão; dando visibilidade a boas práticas; combatendo mitos técnicos, ensinando o cidadão a cobrar clareza. Também serão de grande utilidade pautas que orientem, eduquem e instrumentalizem o cidadão com informações que possam instigá-lo a comparar a interfaces e possibilidade de relacionamento em órgãos que já adotam as regras e em outros que não praticam.

Colocar em pauta, com fontes qualificadas e aporte acadêmico, o debate que sugere equivalência entre linguagem simples e banalização da língua é urgente e pode contribuir para que o cidadão não acabe ficando paralisado em uma posição de dúvida e desinteresse pelo tema. Ao deslegitimar a simplificação, desloca-se o foco do direito à compreensão para a defesa da forma. Em termos democráticos, a opacidade da linguagem fragiliza a participação cidadã, compromete o engajamento e o exercício de direitos.

Interessantes dados para a produção de conteúdo jornalístico, podem ser acessados em uma considerável bibliografia, já disponível nas plataformas de artigos científicos,  que apresenta análises de resultados concretos da implementação de iniciativas de LS em tribunais de justiça e secretarias de saúde (Valim, 2025; na elaboração e editais públicos (Giacomin e Silveira, 2025) ou apontando os indícios de não uso da LS, a partir de análise técnica de documentos públicos (Pontes Gaio, 2025)

Um compilado de boas práticas, em formato e-book, pode ser conferido no livro digital Simplificar para incluir: casos inspiradores de linguagem simples na comunicação pública, lançado pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), em 2024. O detalha e-book reúne dados e relatos de três experiências pioneiras em diferentes esferas de governo.

Para recomendar a prática das técnicas de linguagem simples um razoável acervo de manuais, cartilhas e guias já foi editado em diferentes formatos e conteúdos  governo de SP; governo do Ceará; TJRS; governo do Paraná; Câmara dos DeputadosUnicamp;   IBICTTJ do MaranhãoTCE de Pernambuco; governo do Distrito Federal; governo de rondônia; Incaper/ES.

Ao lado de Portugal, Canadá, França, EUA, Espanha, México, o governo federal do Brasil deu a sua largada oficial para convocar órgãos de esferas estaduais e municipais a revisarem seus modelos de comunicação com o cidadão e ratificou a importância de boas práticas que já vêm sendo implementadas em pelo menos 12 estados, a partir de 2017, dentre eles São Paulo, Ceará, Paraná, Curitiba. Sair da posição de largada exige que a sociedade compreenda o direito, valorize e reivindique sua efetivação.

*  Jornalista, mestre em estudos de linguagem, vice-presidente de Comunicação na Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública)


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