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segunda-feira, abril 6, 2026

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Luis Cosme Pinto faz uma pausa no Jornalismo para viver sonho literário

Prestes a completar 40 anos de carreira, com passagens pelas tevês Globo, Manchete, SBT, Record e Cultura, Luis Cosme Pinto decidiu dar um tempo no Jornalismo para dedicar-se à um antigo sonho, a Literatura. Ele acaba de lançar seu terceiro livro de crônicas, Acabou, mas continua.

A obra aprofunda-se em temas como relacionamentos amorosos, amizade e reflexões sobre a vida, com um olhar sensível. O título, segundo o cronista, que nasceu no Rio de Janeiro mas construiu boa parte de sua carreira em São Paulo, surgiu de uma observação urbana da capital paulista. “Há ruas que parecem terminar, mas continuam mais à frente, depois de uma parede, por exemplo. Às vezes em um único traçado, duas ruas levam outros nomes. Quis brincar com essa ideia, porque há coisas na vida que acabam, mas não terminam”, reflete.

O livro está em livrarias ou para comercialização direto com o autor, pelo valor de R$ 68,40 (frete incluso). Interessados podem encomendar a obra pelos 11-99604-0337 ou [email protected].

Marcelo Moreira, de volta às redações, assume o projeto Veja+, do Grupo Abril

Marcelo Moreira (Crédito: LinkedIn)

Marcelo Moreira está de volta às redações, e de mudança para São Paulo, após um hiato de dois anos e meio em que se associou a Carina Almeida, na Textual, para liderar o projeto DiversaCom. Seu regresso deu-se por convite do Grupo Abril, para ser diretor do próprio grupo e também do Veja+, projeto que introduziu a marca Veja no universo do vídeo, inicialmente como plataforma de streaming e que depois migrou para o sistema de TV Fast, estando disponível hoje nos canais da Samsung TV Plus (2075), do LG Channels (126) e do TCL Channel (10031).

Só de Rede Globo, foram 23 anos e meio, ocupando funções como chefia de produção e de reportagem, editor-chefe e editor-chefe de projetos especiais, sempre no Rio de Janeiro, até o convite para ser diretor regional da organização em Minas Gerais, onde esteve por pouco mais de quatro anos. Antes, foram sete anos e nove meses de reportagem no JB e quase outros três anos em O Dia.

Na Carta ao Leitor em que o apresenta publicamente, a revista diz: “Moreira tem a missão de consolidar o Veja+, preparando o canal para um novo salto em 2026. Vale acompanhar de perto esse trabalho, pois muitas novidades entrarão no ar nos próximos meses”.

José Trajano, Lúcio de Castro e Juca Kfouri lançam programa esportivo na EBC

José Trajano, Lúcio de Castro e Juca Kfouri comandam desde 26/1 o novo programa Trio de Ataque na TV Brasil e na rádio Nacional. O trio tem uma história juntos no jornalismo de esportes.

Semanal, exibido às 18h na TV e no YouTube, e às 20h no rádio, tem na pauta o debate esportivo, como o título e os apresentadores definem. O programa combina a tradição do bom debate futebolístico com um formato pautado pela conversa aberta, pelo humor inteligente e pela análise crítica. A intenção é que o público compreenda o impacto social, político e cultural do esporte.

Pretende também ressaltar a valorização da memória esportiva brasileira, com referências a crônicas esportivas, narrações históricas e quadros que resgatam momentos marcantes do futebol.

“No Trio de Ataque, o futebol funciona como instrumento para reflexões mais profundas sobre questões sociais, culturais e do cotidiano, impulsionando debates que estimulam o pensamento crítico do público”, afirmou o presidente da EBC André Basbaum à Agência Nacional.

Com a estreia do programa, a TV Brasil ajusta sua grade de programação às segundas-feiras: apenas nesses dias, Brasil Visto de Cima (18h) e Stadium (18h30) deixam de ser exibidos.

Webinário gratuito discutirá os desafios do jornalismo em 2026

Crédito: The Climate Reality Project/Unsplash

O Observatório da Imprensa e o Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) realizam nesta terça-feira (27/1), às 19h, o webinário Os desafios do jornalismo em 2026, que debaterá os obstáculos que o trabalho da imprensa enfrentará neste ano, em meio a eleições em um país polarizado, uma Copa do Mundo, mudanças climáticas e crises internacionais.

O webinário, gratuito, será transmitido ao vivo no canal do Projor no YouTube e reunirá convidados especialistas para discutir coberturas diversificadas de temas relevantes, novos modelos de negócio, sustentabilidade financeira e jornalismo independente. Participarão do webinário Artur Romeu, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a América Latina; Denise Mota, coordenadora de projetos da Rede JP e colunista da Folha de S.Paulo; e Flávio Moreira, diretor de redação do InfoMoney. A mediação será de Denize Bacoccina, editora do Observatório da Imprensa.

Webinário gratuito discutirá desafios do jornalismo em 2026

“O ano de 2026 promete uma agenda noticiosa muito movimentada, com eleições nacionais e estaduais, Copa do Mundo, os efeitos das mudanças climáticas, a geopolítica internacional, a polarização política e até o aumento da importância do Oscar, que vem transformando jornalistas em críticos de cinema. Num cenário considerado difícil até para as grandes empresas de comunicação, como o jornalismo independente consegue se financiar para realizar seu trabalho?”, questiona o texto de chamada para o webinário.

Assista na íntegra no canal do Projor no YouTube.

Phelipe Siani deixa a CNN Brasil após sete anos para abrir negócio de tecnologia

Phelipe Siani deixa a CNN Brasil após sete anos para abrir negócio de tecnologia
Phelipe Siani (Crédito: Instagram)

O repórter e apresentador Phelipe Siani anunciou que não vai renovar seu contrato com a CNN Brasil e deixará a emissora após sete anos de casa. Ele vai investir em um negócio próprio, focado em tecnologia. Siani será sócio de ImportsBR Corporate, voltada para automação e tecnologia no setor corporativo.

Em seu Instagram, Siani comentou sobre a novidade: “Esse é o maior investimento que eu já fiz na minha carreira e que, certamente, vai mexer bastante com o mercado B2B (de empresas que vendem pra outras empresas). Agora eu sigo para novos passos dessa minha carreira de comunicador empreendedor. Eu tenho muita sorte!”. O apresentador declarou que focará em suas atividades como empreendedor, mas não destaca um retorno à televisão em projetos especiais.

Siani estava na CNN Brasil desde 2019 e fez parte da equipe fundadora do canal no País. Entre 2020 e 2021, apresentou o Live CNN, ao lado de Mari Palma. Ultimamente, tocava projetos e especiais voltados à editoria de tecnologia. Antes da CNN, foi repórter da Globo e do SBT.

Katiuzia Rios assumirá a apresentação do Brasil do Povo, da RedeTV

Katiuzia Rios assumirá a apresentação do Brasil do Povo, da RedeTV!

A apresentadora Katiuzia Rios é a nova âncora do programa Brasil do Povo, da RedeTV. Ela ocupará o cargo de José Luiz Datena, que deixará a emissora no final de janeiro, para focar em seu trabalho na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A estreia de Katiuza será em 2 de fevereiro.

Formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Katiuzia tem mais de 25 anos de jornalismo, com passagens por diversos veículos de seu estado natal. Foi editora-chefe e apresentadora dos telejornais Alô Fortaleza e Diário da Manhã, da TV Diário, e repórter e apresentadora do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro. Chegou à RedeTV em 2025, no comando do Nordeste do Povo, telejornal regional gerado em Fortaleza (CE). Agora no Brasil do Povo, atuará diretamente dos estúdios da RedeTV em São Paulo.

Em release enviado à imprensa, Katiuzia comentou sobre o novo desafio profissional: “É a missão de levar informação de qualidade em tempo real, análise dos fatos mediante seus inúmeros vieses, prestação de serviço, além de doses de leveza, irreverência e alegria para milhões de brasileiros. Vamos dar boas gargalhadas juntos, diante do desafio de estabelecer um diálogo franco com o telespectador e o internauta. Para uma nordestina arretada que nem eu, esse ato de coragem se torna pressuposto para a realização de um sonho!”.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (40)

Por Assis Ângelo

Não é de todo surpreendente a afirmação de que a montanha de páginas que forma Os Irmãos Karamázov é pérola de brilho tão intenso capaz de até cegar olhos desavisados.

Esse romance foi primeiramente publicado na forma de folhetim e depois em livro, em 1880. Seu autor, Fiódor Dostoiévski, morreu logo após completar 60 anos, no dia 9 de fevereiro de 1881.

Bom, o livro é excepcional. Tem muitos personagens. Além de Fiódor Pávlovitch Karamázov, pai de Dmitri, Ivan e Aliócha, o leitor depara-se com uma história longa e envolvente, além de original.

Como Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas (1802-1870), que eram quatro, Os Irmãos Karamázov caiu na boca do povo como sendo uma história envolvendo três irmãos. Na verdade, também eram quatro os irmãos Karamásov no livro assinado pelo ilustríssimo escritor russo.

Ali pelo quinto capítulo do livro cinco que integra o volumoso romance de Dostoiévski, encontra-se um texto impecável sobre a Igreja Católica. O texto é creditado ao personagem Ivã, o segundo dos quatro filhos de Fiódor.

O quarto filho de Fiódor é Pável Smierdiakóv, considerado bastardo.

Entre todos os filhos de Fiódor, Ivã é o mais brilhante. Escrevia para a imprensa da época artigos impactantes e, por isso mesmo, polêmicos. Um desses seus escritos foi intitulado de O Grande Inquisidor. O autor traça contundente panorama sobre a cristandade e coisa e tal.

Ivã Karamázov define seu texto como um poema. Na verdade, o escrito foi desenvolvido poeticamente na forma de prosa. Impecável. Ele começa dizendo que era merecedor de um prefácio ou algo parecido. Começa assim:

“…A ação passa-se no século XVI; bem sabes que era costume, nesta época, fazer intervir nos poemas os poderes celestes. Não falo de Dante. Em França, os ‘clercs de la basoche’ e os monges davam representações em que punham em cena Nossa Senhora, os anjos, os santos, Cristo e Deus. Eram espetáculos ingênuos. Na Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo, o povo é convidado, no tempo de Luís XI, em Paris, e em honra do nascimento do Delfim, para uma representação edificante e gratuita: O Bom Juízo da Sagrada e Graciosa Virgem Maria.”

Ainda no preâmbulo, Ivã lembra uma passagem na Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri. Nessa passagem, Inferno, Nossa Senhora roga a Deus pelos pecadores:

“Existe, por exemplo, um pequeno poema, traduzido sem dúvida do grego: A Virgem no Inferno com quadros duma audácia dantesca: a Virgem visita o Inferno, guiada pelo arcanjo S. Miguel, e vê os condenados e os seus tormentos; entre outros, há uma categoria muito interessante de pecadores: os do lago de fogo; mergulham no lago e nunca mais aparecem: são aqueles ‘de que até Deus se esquece’.”

E segue e segue Ivã mergulhando nas dolorosas e sangrentas chagas da Igreja. À sua frente o mano Aliócha ouve-o atentamente. As interrupções são poucas, porém incisivas e merecedoras de acréscimos.

No correr de tudo que diz, Ivã destaca as perseguições contra os cristãos-novos, homossexuais, bígamos, hereges, feiticeiros, levadas avante pelo Santo Ofício.

No ponto em que o Santo Ofício é referido no texto de Ivã, depressa lembrei-me de um conto de Anton Tchekhov (1860-1904). No tal conto, A Feiticeira, é contada a relação entre um casal, um clérigo de baixo escalão e uma jovem de beleza encantadora. O homem acusa a mulher, Raíssa, de feitiçaria e a ameaça de contar o que sabe ao pároco da região. O sujeito é sem futuro, feio e linguarudo. A mulher o trai. Uma noite ao voltar para casa, o sujeito tenta possuir a mulher à força. Mas ela se defende com uma porrada, deixando-o cego.

Ali pelo meio do texto de Ivã é dito que uma pequena multidão segue um jovem. Esse jovem é reconhecido como Jesus, que a pedido não se faz de rogado e ressuscita uma menina e põe luz nos olhos de um cego.

Aos seguidores Jesus agora, na sua volta à Terra, repete o que dissera séculos antes. Fala da importância da paz, justiça, esperança, amor, liberdade, igualdade etc.

Essa história toda se passa em Sevilha, Espanha, num momento qualquer do século 16.

À época, a Inquisição corria solta em toda a Europa e até fora dela, como Índia e Brasil.

A movimentação do chamado Filho de Deus é toda acompanhada por um cardeal. Aliás, daí o título O Grande Inquisidor.

O cardeal, pondo pra valer a sua autoridade de representante graúdo da Igreja, manda soldados prenderem aquele que morreu na cruz por nós. Isso feito, o preso é posto num calabouço e depois visitado pelo inquisidor.

Jesus ouve tudo o que diz o velho religioso, sem mover um músculo ou sequer pestanejar. É pra lascar!

Na última interferência que Aliócha faz ao irmão deixa claro querer saber qual final dará ao texto. Ivã responde:

“O Inquisidor cala-se, espera um momento a resposta do Preso. O Seu silêncio o oprime. O Cativo escutou-o sempre fixando nele o olhar penetrante e calmo, visivelmente decidido a não lhe responder. O velho gostaria de que Ele lhe dissesse alguma coisa, mesmo que fossem palavras amargas e terríveis. De repente, o Preso aproxima-se em silêncio do nonagenário e beija-lhe os lábios exangues. Mais nenhuma resposta. O velho tem um sobressalto, mexe os lábios; vai até à porta, abre-a e diz: ‘Vai e nunca mais voltes… nunca mais.’ E deixa-o ir, nas trevas da cidade. O Preso vai.”

O Santo Ofício foi criado pelo Papa Gregório IX, em 1231. Quer dizer, em plena Idade Média.

Contatos pelo [email protected].

100 anos de Rádio no Brasil: A música e quando paramos de nos reconhecer nela

The Velvet Sunbdown, “banda” criada por IA

Por Álvaro Bufarah (*)

Há pouco tempo ainda discutíamos se a inteligência artificial seria capaz de compor como um humano. Hoje a pergunta se inverteu: será que nós, humanos, ainda conseguimos reconhecer o que é nosso?

Uma pesquisa realizada pela Ipsos para a plataforma francesa Deezer jogou luz sobre esse impasse contemporâneo: 97% das pessoas não conseguem mais diferenciar música inteiramente gerada por IA de músicas criadas por artistas reais. O dado parece ficção científica – mas já nasce velho, de tão rápido que o fenômeno avança. Em oito países, incluindo o Brasil, a incapacidade de perceber a diferença não apenas surpreendeu: desconfortou mais da metade dos entrevistados.

É como se nossos ouvidos, treinados por décadas de sobrecarga sonora, tivessem finalmente sucumbido a uma sutileza sintética que imita com perfeição o que antes considerávamos único, humano, irrepetível.

Os resultados revelam desconforto, mas não evitam um paradoxo: ao mesmo tempo em que 51% temem uma “explosão de músicas de baixa qualidade” e quase dois terços acreditam que a IA diminuirá a criatividade, o consumo de faixas feitas por IA cresce a uma velocidade vertiginosa.

Segundo a Deezer, em janeiro de 2025, uma em cada dez músicas tocadas diariamente era gerada por IA. Dez meses depois, esse número chegou a 40% do catálogo diário – cerca de 40 mil músicas por dia.

E aqui mora uma ironia de mercado: as pessoas não querem ser enganadas, mas continuam clicando.

A viralização do “grupo” The Velvet Sundown no Spotify ilustra esse movimento. Sem rosto, sem história, sem bastidores, o projeto atraiu milhões de plays antes de admitir que não passava de código. A música mais popular, com mais de 3 milhões de execuções, fez mais sucesso do que boa parte dos artistas independentes que lutam para pagar suas contas.

The Velvet Sunbdown, “banda” criada por IA

É uma revolução silenciosa – e profundamente industrial.

O ecossistema de streaming, que há dez anos parecia dominado por artistas independentes e suas estratégias caseiras de distribuição, hoje se tornou o laboratório definitivo da música sintética.

Plataformas como Suno, Udio, Stable Audio e a Jukebox da OpenAI transformaram a criação musical em um processo tão rápido quanto redigir uma mensagem. Em minutos, qualquer pessoa produz um single com arranjos impecáveis, harmonias coesas e uma voz nunca antes existente.

E não se trata apenas de hobby:

  • A Suno já afirmou possuir modelos capazes de compor músicas completas de forma inteiramente autônoma.
  • A Udio, financiada por ex-executivos do Spotify, tornou-se referência entre produtores digitais.
  • A Google DeepMind anunciou modelos multimodais que geram música a partir de imagens, sentimentos ou breves descrições.

A estética da IA não apenas imita: ela aprende padrões, gera infinitas combinações e cria um mercado paralelo de músicas prontas para trilhas, vídeos, jingles e até artistas sintéticos – tudo sem contrato, sem desgaste emocional, sem imprevistos.

Se por um lado o público confessa desconforto – 80% querem rótulos claros informando quando uma faixa é gerada por IA –, por outro, a aceitação plena do produto sintético pressiona a indústria a se reorganizar.

Em resposta ao caso Velvet Sundown, o Spotify anunciou esforços para um código voluntário de transparência, alinhado aos debates que correm na União Europeia e nos EUA sobre rotulagem obrigatória de conteúdo gerado por IA.

(Crédito: adrianvillegasd.com)

Mas é tarde para conter a maré. O que está em disputa não é apenas a autoria: é a ideia de autenticidade.

Se o público não nota a diferença… existe diferença?

É uma pergunta que incomoda criadores, produtores e plataformas, mas que precisa ser enfrentada com honestidade.

A música sempre foi tecnologia. Dos instrumentos ancestrais à síntese eletrônica, da fita magnética ao autotune, toda inovação foi recebida com algum grau de desconfiança. Mas a IA inaugura uma etapa qualitativamente distinta: não é mais uma ferramenta, mas um agente criativo.

A promessa de abundância – trilhas infinitas, músicas sob demanda, artistas que nunca dormem – convive com um temor real:

  • Sobrevivência econômica dos artistas.
  • Erosão da cultura autoral.
  • Homogeneização estética.
  • Uso indevido de vozes e estilos de artistas reais.

Em 2024, por exemplo, a polêmica envolvendo Drake e o deepfake de voz criado pelo modelo Ghostwriter reacendeu debates globais sobre direito de imagem sonora. No Brasil, casos de clones vocais de artistas sertanejos começaram a surgir em plataformas de anúncios, criando disputas jurídicas inéditas.

A música, antes refúgio da expressão humana, agora precisa conviver com sua própria sombra algorítmica.

Talvez o maior risco não seja a IA criar música demais, mas criarmos um mundo no qual não sabemos mais quem estamos aplaudindo.

No entanto, o cenário também guarda uma oportunidade: quanto mais a IA se torna competente, mais valorizamos o que ela não consegue imitar – imperfeições, hesitações, respirações, a assinatura invisível do humano.

Se a IA pode compor como nós, talvez seja hora de nós compormos como nunca.


Fontes de pesquisa

Fonte primária fornecida pelo usuário

  • AFP / CBS News. “As pessoas não conseguem mais diferenciar música gerada por IA de algo real, mostra pesquisa.” (12 nov. 2025).

Fontes adicionais

  • Deezer. Relatórios oficiais sobre conteúdo gerado por IA e políticas de rotulagem. 2024–2025.
  • Ipsos Global. AI & Music Consumer Report. 2024.
  • Spotify Newsroom. Position on AI-generated music and transparency commitments. 2024–2025.
  • The Verge. “AI music is exploding – and reshaping the streaming ecosystem” 2024.
  • Wired Magazine. “Your playlist is now synthetic” 2024.
  • MIT Technology Review. “Why AI-generated songs are flooding streaming platforms” 2023.
  • Financial Times. “Music labels push for regulation of AI voice-cloning models” 2024.
  • BBC News. “Ghostwriter AI, the Drake deepfake and the future of music ownership” 2023.
  • IFPI – International Federation of the Phonographic Industry. Music Consumer Study 2024.
  • Google DeepMind. AudioLM and Lyria model announcements. 2023–2025.
  • Suno Inc. Product releases and roadmap updates. 2024–2025.
Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Curso de Comunicação Pública ABCPública/Aberje começa com seminário nacional

Curso Completo de Comunicação Pública 2026, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) e pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), será aberto, no dia 16 de maio, com um seminário que vai reunir secretários estaduais de Comunicação de diferentes regiões do Brasil, para debater desafios, limites e experiências da comunicação pública nos Executivos estaduais.

O seminário “Comunicação pública na prática: desafios dos Executivos Estaduais, anos eleitorais e casos de sucesso”, terá mediação  feita pelo presidente da ABCPública, Jorge Duarte; pelo diretor da Aberje, Paulo Nassar; e pela gerente executiva da Aberje, Emiliana Pomarico, dando ênfase ao diálogo entre a prática cotidiana da gestão pública e a reflexão estratégica sobre comunicação.

A proposta é compartilhar experiências concretas da gestão da comunicação nos Executivos estaduais, especialmente em um contexto marcado por restrições institucionais, expectativas da sociedade e desafios próprios dos anos eleitorais.

Segundo o secretário de Comunicação de Alagoas, Wendel Palhares, um dos articuladores do evento, a diversidade regional é um ponto forte do seminário:  “as secretarias estaduais enfrentam desafios muito semelhantes, em contextos culturais, sociais e econômicos distintos. O diálogo entre essas experiências ajuda a compreender como dores iguais podem ser enfrentadas de maneiras diferentes, contribuindo para o aprimoramento da comunicação pública no Brasil”. “Os participantes podem esperar contato direto com a prática”, afirma Wendel Palhares.

Os convidados para compartilhar suas experiências são cinco secretários estaduais de Comunicação, de diferentes regiões do país: do Rio de Janeiro, Igor Marques; do Pará, Vera Oliveira; de Alagoas, Wendel Palhares; do Paraná, Cléber Mata; e de Mato Grosso do Sul, Frederico Souza.

Ao mesmo tempo em que celebra e reconhece a existência de iniciativas bem-sucedidas nos estados, o seminário parte de uma abordagem realista sobre o estágio atual da comunicação pública no Brasil.

Para o presidente da ABCPública, Jorge Duarte, o momento exige mais qualificação continuada: “a comunicação pública no Brasil já acumula experiências relevantes e projetos que merecem ser conhecidos, mas ainda estamos em busca do cenário ideal. O caminho é longo e passa por planejamento, profissionalização, formação técnica e compromisso institucional. Não se trata de prometer soluções mágicas, e sim de construir, passo a passo, uma comunicação mais estratégica, transparente e voltada ao interesse público. E o objetivo do Curso Completo é exatamente capacitar comunicadores para essa jornada”, afirma Jorge Duarte.

Saiba mais sobre o Curso Completo 2026 – O seminário integra a programação de lançamento do Curso Completo de Comunicação Pública 2026, iniciativa da ABCPública e da Aberje voltada à capacitação de profissionais que atuam ou desejam atuar na área, combinando fundamentos teóricos, análise crítica e experiências práticas de quem vive os desafios da comunicação governamental.

De março a outubro, os alunos terão aula sobre nove temas fundamentais da comunicação pública, como gestão de crise, estratégia, publicidade, gestão de redes sociais, política e planejamento de comunicação etc.

A iniciativa aposta na formação como eixo central para o fortalecimento da comunicação pública no país, especialmente em um contexto de crescente demanda por informação de qualidade, prestação de contas e diálogo com a sociedade.

As inscrições para o curso estão abertas. Saiba mais acessando o site abcpublica.org.br.

Justiça do Amazonas censura reportagem da Folha de S.Paulo sobre diretor do Incra

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O juiz Paulo Fernando de Britto Feitoza, do Tribunal de Justiça do Amazonas, determinou a retirada de uma reportagem da Folha de S.Paulo que abordava o processo de análise do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) sobre um projeto de crédito de estoque de carbono que tem como investidores parentes de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Na decisão, o magistrado ordenou a retirada do ar da reportagem da Folha, de uma reprodução do mesmo texto pelo Jornal de Brasília, e também de um post sobre o assunto publicado pela Folha no X (ex-Twitter). Feitoza, que atendeu a um pedido de João Pedro Gonçalves da Costa, diretor do Incra, declarou que o autor da ação conseguiu comprovar “que as publicações impugnadas extrapolam o dever de informar e imputam ao autor conduta funcional irregular, capaz de macular sua honra objetiva e imagem profissional, notadamente no exercício de cargo público de elevada responsabilidade”.

Em nota publicada sobre o ocorrido, a Folha explicou que o magistrado fixou o prazo de 24 horas para a remoção das publicações. O jornal afirmou que vai recorrer da decisão.

Organizações defensoras da liberdade de imprensa repudiaram a decisão. Para a Associação Nacional de Jornais (ANJ), “decisões desse tipo afrontam o Estado de Direito e o direito da sociedade à informação. A censura é vedada pela Constituição Federal brasileira”. A entidade se solidarizou com os jornais atingidos e pediu que o caso seja revisado pelas instâncias superiores.

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