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Jornalista da comunicação do Psol denuncia perseguição e ameaças

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

Texto publicado originalmente por Letycia Bond, repórter da Agência Brasil, em 31 de março.

O jornalista Fernando Busian, integrante da equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), denuncia que tem sido alvo de ameaças desde a última quarta-feira (25). 

O caso foi registrado na segunda-feira (30) na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, e o comunicador acredita que a motivação é violência política. “Discurso bem de extrema-direita”, classifica em entrevista à Agência Brasil.

Busian conta que os ataques começaram depois do envio de um comunicado à imprensa sobre a troca de comando da Federação PSOL-Rede. O texto foi enviado a uma lista com 1,7 mil destinatários de diferentes partes do país.

No mesmo dia, mensagens sobre cemitérios e serviços funerários começaram a chegar, e um perfil falso em seu nome foi criado na plataforma GetNinjas, usada para a contratação de prestadores de serviços. A partir desse cadastro, ele relata que recebeu orçamentos de mais serviços funerários e de empresas de segurança.

“Bloqueei o primeiro [orçamento falso], o segundo. O terceiro já veio com um portfólio de serviços de segurança. Aí, disse, opa. Com cemitério e serviço de segurança, eu fiz o link”, conta.

Endereço e familiares

A situação se agravou ainda na quinta-feira (26), quando mensagens anônimas no WhatsApp fizeram referência à região onde o jornalista mora e ao nome de sua mãe.

“Ela sabe que o filho dela é um lixo?”, dizia uma das mensagens, segundo o comunicador, que acredita que as ameaças tenham conotação política por conta de sua atuação profissional junto ao Psol.

“Só para começo de conversa: não sou filiado, nada. Inclusive, o pessoal me contratou por isso, porque já trabalhei para outros políticos, outras tendências políticas e tenho trânsito na imprensa. Então, tenho um bom nome, credibilidade. Não sou uma pessoa militante”, afirma.

Violência contra jornalistas

Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificam o caso como grave, por envolver ameaças de morte que se estendem a familiares do jornalista, além de vigilância e vazamento de dados pessoais.

“Trata-se de um episódio gravíssimo, que não pode ser naturalizado. O SJSP e a Fenaj prestam toda a solidariedade e apoio ao jornalista e cobrarão das autoridades a devida investigação, em especial no âmbito dos crimes virtuais e do uso indevido de dados pessoais, para que os responsáveis sejam identificados e punidos.”

Em seu último relatório sobre violência contra jornalistas, a Fenaj contabilizou 144 ataques contra esses profissionais em 2024, número que representa diminuição em relação aos anos anteriores.

Durante a pandemia de covid-19 e o governo de Jair Bolsonaro, os ataques chegaram ao patamar recorde de 430 casos, em 2021, número que caiu para 181 em 2023.

GetNinjas

Em nota, o GetNinjas afirma que identificou o uso indevido de dados, prestou assistência à vítima e a orientou a registrar boletim de ocorrência. A companhia diz ainda estar disponível para colaborar com o que for necessário.

“A plataforma reforça que conta com rigorosos mecanismos de validação e monitoramento. Diante de qualquer atividade atípica, age prontamente para interromper suspeitas e fortalecer controles. O GetNinjas reitera que o uso indevido de dados por terceiros é contrário às políticas da plataforma e reafirma o compromisso com a segurança e a privacidade.”

*Reportagem ampliada às 17h para acréscimo de posicionamento da plataforma GetNinjas.

(Com informações da Agência Brasil)

Prêmio Cremilda Medina de Pesquisa e Formação em Jornalismo valoriza trabalhos de conclusão de curso

Seguem abertas até 5 de abril as inscrições para o 1º Prêmio Cremilda Medina de Pesquisa e Formação em Jornalismo, organizado pela Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), que valoriza, incentiva e premia Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) da área de comunicação. O objetivo da iniciativa é dar o devido destaque ao campo acadêmico, sobretudo da graduação em jornalismo.

O prêmio tem duas categorias: Monografia e Memorial de Produto. Podem se inscrever estudantes ou egressos que tenham defendido seu TCC em 2025 com a nota mínima de 8,5. Não há limites para a quantidade de trabalhos inscritos por instituição. Para fazer a inscrição, além do trabalho, é preciso anexar no formulário de inscrição a ata de defesa em banca. Os vencedores serão anunciados durante o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), entre os dias 22 e 24 de abril, na Universidade de Brasília.

O nome do prêmio faz homenagem a Cremilda de Araújo Medina, pesquisadora e professora titular sênior da Universidade de São Paulo, autora de livros e coletâneas nas áreas de comunicação, jornalismo e literatura. É uma das grandes responsáveis pela implementação dos TCCs de Jornalismo na USP.

“A ideia do projeto pioneiro foi de José Marques de Melo (1943-2018), então chefe do Departamento de Jornalismo da ECA/USP em 1986-87. E eu, que então voltava à USP após dez anos de afastamento por conta da ditadura militar, fui nomeada pelo saudoso colega, junto com Ciro Marcondes (1948-2020) e Jerusa Pires Ferreira (1938-2019) para organizar o regulamento dos TCCs. Meus parceiros propunham um trabalho de cunho teórico (monografia), mas eu acrescentei a possibilidade de uma reportagem-ensaio com um anexo de interrogantes teóricas, o que deu corpo à divisória do atual regulamento que vocês anunciam”, relembrou Cremilda.

Chico Lang deixa a TV Gazeta após 30 anos

O comentarista Chico Lang está de saída da TV Gazeta após mais de 30 anos de trabalho. Ele estava na Fundação Cásper Líbero, dona da TV Gazeta, desde 1990, e atuou em diversas funções, como repórter, além de comentarista. Em nota, a emissora agradeceu o profissional pelos anos de trabalho.

A trajetória de Lang se confunde com a própria história da TV Gazeta. Ele iniciou sua passagem no canal como repórter do jornal A Gazeta Esportiva. Pouco depois, passou a atuar na equipe de esportes da emissora, como comentarista dos programas Gazeta Esportiva e Mesa Redonda, cargo que ocupou até sua saída.

No Mesa Redonda, inclusive, fez dupla marcante com o apresentador Roberto Avallone, potencializando a audiência do programa de debate nos anos 1990. Corintiano apaixonado, Lang ficou conhecido por comentários e críticas ao próprio time e conquistou o carinho de torcedores alvinegros. Nos últimos anos, o comentarista sofreu com alguns problemas de saúde e chegou a se afastar do dia a dia na Gazeta em algumas ocasiões.

100 anos de Rádio no Brasil: Rádio é o líder de confiança na mídia

(Crédito: Vecteezy)

Por Álvaro Bufarah (*)

Em um momento em que a confiança se torna um ativo cada vez mais escasso no ecossistema digital, um dado chama atenção – e, ao mesmo tempo, desafia previsões recorrentes sobre o “fim” dos meios tradicionais: o rádio segue como o veículo mais confiável entre os norte-americanos.

O resultado, apontado pelo estudo Media Trust Study 2026, conduzido pelo Katz Radio Group, revela que 85% dos entrevistados classificam o rádio como uma fonte “muito confiável” ou “confiável”. O índice coloca o meio à frente de jornais (77%) e televisão (73%), consolidando uma liderança que não se explica apenas por tradição – mas por resiliência.

(Crédito: Katzradiogroup)

A pesquisa, realizada com 600 adultos nos Estados Unidos, também evidencia um movimento importante: enquanto a confiança no ambiente digital vem se deteriorando – com três em cada quatro pessoas afirmando confiar menos no que leem online –, o rádio mantém estabilidade em todas as faixas etárias. Em um cenário marcado por algoritmos, desinformação e conteúdos sintéticos, essa consistência torna-se um diferencial estratégico.

Mas talvez o dado mais revelador esteja na ascensão dos podcasts. Segundo o estudo, cerca de 70% dos adultos consideram esse formato confiável – um índice que o coloca no mesmo patamar das revistas e a apenas três pontos percentuais da televisão. Não se trata mais de uma mídia emergente: os podcasts passam a ocupar um espaço consolidado no repertório informativo contemporâneo.

Essa aproximação entre rádio e podcast revela mais do que uma disputa entre formatos – aponta para uma convergência baseada em um elemento comum: a voz. Diferentemente das plataformas sociais, onde o conteúdo circula de forma fragmentada e descontextualizada, o áudio mantém uma relação mais direta, contínua e, sobretudo, humana com o público.

Não por acaso, as redes sociais aparecem na última posição do ranking de confiança, com apenas 49%. A distância de mais de 30 pontos percentuais em relação ao rádio não é apenas estatística – é sintomática. Ela evidencia uma ruptura crescente entre produção profissional de conteúdo e ambientes mediados por algoritmos, em que a curadoria é substituída por engajamento.

Esse cenário torna-se ainda mais relevante quando analisado sob a ótica geracional. O rádio apresenta índices de confiança praticamente homogêneos: 85% entre adultos de 35 a 54 anos e 83% tanto entre jovens de 18 a 34 quanto entre pessoas com mais de 55 anos. Trata-se de uma estabilidade rara em um ambiente midiático cada vez mais fragmentado.

Os podcasts, por outro lado, revelam um comportamento mais volátil. Embora atinjam 77% de confiança entre jovens e públicos mais velhos, o índice cai para 67% entre adultos de meia-idade. Essa oscilação sugere uma “lacuna de percepção” relevante – indicando que, embora os podcasts tenham expandido sua credibilidade para além de seu público original, ainda enfrentam resistência em segmentos mais ligados às marcas tradicionais de mídia.

Esse contraste ajuda a compreender o papel complementar que rádio e podcast passam a desempenhar no atual mix de mídia. O rádio mantém sua força como meio de alcance massivo, presença local e credibilidade consolidada. Já os podcasts avançam como espaço de aprofundamento, segmentação e consumo sob demanda.

Ambos, no entanto, compartilham um ativo cada vez mais raro: a construção de vínculo. A familiaridade com vozes, apresentadores e narrativas cria uma relação de confiança que dificilmente é replicada em ambientes digitais automatizados. Em um feed algorítmico, o conteúdo aparece; no áudio, ele acompanha.

(Crédito: Vecteezy)

Esse aspecto ganha ainda mais relevância diante do avanço de tecnologias como inteligência artificial generativa e deepfakes, que ampliam a capacidade de produção de conteúdo – mas também intensificam a desconfiança do público. Quanto mais abundante e automatizada se torna a informação, maior tende a ser o valor atribuído àquilo que é percebido como humano, contextualizado e verificável.

Do ponto de vista do mercado, as implicações são diretas. A confiança passa a operar como um ativo econômico. Em ambientes midiáticos considerados confiáveis, mensagens publicitárias não apenas alcançam o público – elas são mais facilmente assimiladas, acreditadas e convertidas em ação. É o chamado “efeito halo”, no qual a credibilidade do meio se transfere para a marca anunciante.

Nesse contexto, o rádio não sobrevive apenas por inércia histórica. Ele se reposiciona como uma das poucas infraestruturas de confiança estável em um sistema comunicacional marcado pela volatilidade.

E talvez seja justamente essa a principal inversão do cenário contemporâneo: enquanto novas tecnologias prometem eficiência, escala e personalização, são os meios mais antigos – baseados em presença, recorrência e relação – que seguem sustentando o que há de mais difícil de construir na comunicação: a confiança.

Fontes de pesquisa

 

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (49)

Por Assis Ângelo

Guerra por guerra ou isso mesmo no plural, há registro na história dando conta de que algumas centenas de soldados franceses foram obrigados a voltar para casa com olhos cegos. A luta de que participaram teve lugar no Egito do século 13, ali pelo ano de 1254. Foram cegados pelos sarracenos. A partir daí, o rei Luís IX (2014-1270) criou o que se pode considerar a primeira entidade construída especialmente para o acolhimento de soldados cegados em batalhas e civis em geral.

Luís IX é visto pela história como um rei honesto e justo. Três décadas depois da sua morte, foi canonizado e virou santo no pontificado de Bonifácio VIII. Curiosidade: esse rei acabaria por dar nome à cidade brasileira de São Luís do Maranhão.

Muitas outras coisas doidas foram registradas nas páginas da história.

Obviedades à parte, não é demais lembrar que foi no século 13 que grandes descalabros passaram a ser cometidos por poderosos malucos da Igreja Católica. Não foram poucas as vítimas que sucumbiram envoltas nas redes da Inquisição.

Alguns dos representantes do maldito Santo Ofício andaram com olhos grandes e mal intencionados pelo solo brasileiro, visitando algumas das principais regiões do nosso país, como Nordeste e Sudeste.

Essa história marcou época e registro no romance brasileiro.

Alguns dos nossos grandes escritores criaram personagens que os inquisidores agradeceriam ao Diabo caso tivessem tido a oportunidade de pegá-los.

Antes de Jorge Amado carregar nas páginas dos seus livros personagens portadoras de dons como feitiço, outro baiano antecipou-se. Seu nome: Francisco Xavier Ferreira Marques (1861-1942).

Esse Francisco, nascido na Ilha de Itaparica, assinava suas obras simplesmente como Xavier Marques. É dele, por exemplo, o romance O Feiticeiro (1922).

Em 1871 o escritor cearense José de Alencar levou à praça O Tronco do Ipê. O primeiro capítulo desse livro começa sob o título O Feiticeiro.

O feiticeiro de Alencar é, como se pode dizer, do bem. Chama-se Pai Benedito, africano octogenário há muito vivendo num casebre localizado nas imediações de uma espécie de lagoa brava e encantada.

O enredo traçado por José de Alencar lembra um pouco da trama desenvolvida no segundo romance da carreira bem sucedida de Jorge Amado: Cacau (1933). Nesse livro, o personagem Sergipano vê-se obrigado a trocar a terra onde nasceu por outra onde julgava viver melhor. Isso porque o pai, ao morrer, teve todos os bens usurpados pelo irmão, deixando-o à mingua junto com a mãe e uma irmã. Foi para a Bahia, mas lá deu tudo errado. Poderia ter sido o contrário, caso aceitasse a proposta espúria da filha do patrão. Prepotente e sem escrúpulo, essa mulher, ao topar com um cego na rua, atirou-lhe uma moeda como alguém que cospe na cara de alguém. O gesto transtornou Sergipano.

O preto velho de O Tronco do Ipê guarda consigo muitos segredos. Um deles vem à tona quando o personagem Mário salva de afogamento a menina Alice, filha do dono da fazenda onde esse personagem passou a morar após a morte do pai, José Figueira.

O Tronco do Ipê é cheio de muito amor, ódio e feitiço.

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A rigor, bem a rigor, o cacau entra como riqueza na obra de Amado a partir de 1933.

Em 1931, ele havia estreado na literatura com o romance O País do Carnaval. Nesse livro mostra com clareza com que olhos passaria a ver a vida operária do nosso povo. Até o velho barbudo Marx é citado por um dos personagens. Prostíbulos e mulheres ditas da vida se acham no decorrer das páginas.

Um dos personagens mais marcantes do livro é o jornalista Pedro Ticiano, esquerdista de atuação extremada, em cujos textos publicados no jornal que dirigia não poupava figurões da elite do seu tempo. O fim do enredo tem um quê de nostalgia: Ticiano acaba morrendo cego na casa de um filho.

Exatos 30 anos depois de lançado O País do Carnaval, Jorge Amado ganha cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Abraji repudia ameaças e ataques misóginos à Andréia Sadi

A Abraji divulgou uma nota repudiando de forma veemente as ameaças de intimidação e de violência física e sexual à Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews, e a seus familiares. Os ataques tiveram início após o programa Estúdio i, apresentado por Sadi, exibir um infográfico em 23/3 mostrando supostas relações políticas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Os ataques teriam se intensificado dias mais tarde, quando a apresentadora leu ao vivo uma nota de retratação da emissora. “A Abraji tem como missão proteger a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo, que segue preceitos claros, inclusive o da publicação de retratação. Críticas e discordâncias fazem parte de todo ambiente democrático, mas ataques pessoais e tentativas de intimidar ou silenciar jornalistas e seus familiares são intoleráveis em uma sociedade que preza pela democracia, além de cruzarem a barreira da legalidade”, destacou a nota.

Vale lembrar que Andréia Sadi é casada com o também jornalista André Rizek, apresentador do canal SporTV.

Pesquisadores identificam sala onde suicídio de Vladimir Herzog foi encenado

Uma equipe de historiadores, arqueólogos e arquitetos encontrou a sala onde foi encenado o falso suicídio de Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975. A pesquisa, feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conseguiu encontrar o local exato da encenação, um mistério que durava mais de 50 anos.

A descoberta ocorreu graças à analise de estruturas do prédio do Destacamento de Operações de Informações, Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), incluindo paredes, piso e teto. Após essa análise, os pesquisadores fizeram o cruzamento dessas informações com registros históricos e imagens da época. Eles destacaram que o som oco de uma parede ajudou a revelar um espaço escondido e levou à identificação do ambiente. A pesquisa também encontrou marcas feitas por um prisioneiro para contar os dias no cárcere, escondidos sob camadas de tinta e azulejo.

Os pesquisadores analisaram principalmente a foto histórica do suicídio forjado de Herzog, na qual ele aparece pendurado com uma corda. A ideia é conseguir identificar onde a foto teria sido tirada. O grupo analisou o piso de madeira, a janela com blocos de vidro e grade, marcas na parede e dobradiças de porta que não foram substituídas. Os pesquisadores destacaram ainda que, devido a reformas no prédio, as estruturas originais foram alteradas, o que dificultou a identificação do local.

Soldado brasileiro do exército ucraniano ameaça correspondente do SBT na Europa

Soldado brasileiro do exército ucraniano ameaça correspondente do SBT na Europa

O repórter Sérgio Utsch, correspondente do SBT na Europa, recebeu ameaças de um soldado brasileiro que atua pelo exército ucraniano. Os ataques ocorreram após uma reportagem sobre um grupo de brasileiros que foram até a Ucrânia para lutar na guerra contra a Rússia e que estaria praticando tortura contra soldados.

A reportagem, feita em parceria com um jornalista americano do Kyiv Independent, publicação digital da Ucrânia, aborda a atuação do grupo Advanced, vinculado ao Exército ucraniano, que teriam implantado um grande sistema de tortura contra soldados e até assassinatos. O grupo tem em sua formação recrutas brasileiros. Uma das vítimas seria um brasileiro de 28 anos que morreu em dezembro do ano passado. O corpo dele foi encontrado com marcas de agressão. Autoridades ucranianas abriram uma investigação para apurar a atuação do grupo.

Alguns dias após a publicação da reportagem, um soldado brasileiro que atua no Advanced publicou nas redes sociais que está sendo vítima de uma “operação russa coordenada por emissoras brasileiras que são pró-Rússia”. Com teor agressivo, ele fez postagens divulgando os nomes e redes sociais dos dois jornalistas, acusando-os de serem “militantes comunistas de esquerda” e de terem sido pagos pelo governo da Rússia para produzir a reportagem. O combate afirmou que vai seguir “trabalhando dia e noite, fazendo o que puder para destruir a Federação Russa e todos os comunistas da Terra”.

Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram as ameaças. Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), “o teor agressivo das mensagens configura grave tentativa de ameaçar, intimidar e colocar em risco a segurança de jornalistas em razão de seu trabalho e não pode ser tolerado em nenhuma democracia”.

Ao Kyiv Independent, a Legião Internacional da Defesa de Inteligência da Ucrânia, braço de inteligência do Exército do país, declarou que está investigando o caso e que “não tolera casos de pressão a representantes da mídia, obstrução de atividades jornalísticas ou ameaças, que não se justificam nem pelo status militar ou pelas condições em tempo e guerra”.

Observatório da Imprensa comemora 30 anos com debate sobre os caminhos do jornalismo

O Observatório da Imprensa, site especializado na análise e crítica da mídia e dos meios de comunicação, comemora em abril 30 anos de trabalho. Para celebrar o marco, será realizado na terça-feira (31/3), às 19h, um webinar com o tema 30 anos de reflexões sobre o jornalismo. O evento será transmitido ao vivo no canal do Projor no YouTube.

Participarão do debate, entre outros, o professor e ex-reitor da Unicamp e criador do Labjor, Carlos Vogt; o ex-presidente e atual diretor de Operações do Projor, Francisco Belda; o ex-editor do OI e colaborador frequente, Carlos Castilho; o editor entre 2017 e 2021, Pedro Varoni; a ex-diretora editorial do Projor e pesquisadora do Labjor, Simone Pallone; e o jornalista e colaborador semanal com artigos diretamente da Suiça, Rui Martins.

O Observatório foi criado em 1996 como um projeto do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, de Alberto Dines, José Marques de Melo e Carlos Vogt. A ideia era criar um espaço para discutir a atuação e a profissão de jornalista. O Observatório começou como um site e chegou a ser programa de televisão, transmitido pela TV Educativa e outras emissoras públicas, como a TV Cultura, tornando-se referência na crítica de mídia brasileira. Atualmente como site, o projeto tem edições semanais online, com artigos sobre a atuação da imprensa e outras edições mensais sobre o exercício do jornalismo.

Novo relatório do Reuters analisa como jovens consomem notícias na era das redes sociais e da IA

(Crédito: Raphael Kessler/Hans Lucas)

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O Instituto Reuters publicou nessa terça-feira (24/3) um relatório sobre o fantasma que assombra a indústria de mídia, porque diz respeito ao seu futuro institucional e comercial: como os jovens estão consumindo notícias e o que pensam sobre o jornalismo.

Apesar do rigor acadêmico, o Reuters não traz uma receita de bolo para as empresas jornalísticas se manterem relevantes e lucrativas, nem grandes revelações – até porque o documento é uma compilação de pesquisas realizadas nos últimos dez anos. O próprio instituto admite ainda que “jovem” é um rótulo que não representa os vários tipos de jovens em diferentes partes do mundo.

(Crédito: Raphael Kessler/Hans Lucas)

No entanto, em meio a obviedades como a constatação de que pessoas entre 18 e 24 anos usam mais as redes sociais do que sites para se informar em comparação com 2015 – quando as plataformas ainda engatinhavam e muitas, como o TikTok, sequer existiam –, há insights importantes que merecem atenção.

Um deles é a vontade de se informar. De acordo com o Reuters, cerca de dois terços (64%) das pessoas nessa faixa etária consomem notícias diariamente, em comparação com 87% das pessoas com 55 anos ou mais. Isso ocorre em parte porque o consumo de notícias liderado pelas redes sociais é menos intencional e mais casual, dizem os pesquisadores.

O avanço dos chatbots como fonte de informação é igualmente relevante – e seu impacto para a indústria também. Jovens até 24 anos estão mais confortáveis com a IA, usando chatbots para notícias com mais frequência e de maneiras mais elaboradas do que pessoas mais velhas.

Cerca de 15% usam IA para acessar notícias semanalmente, em comparação com apenas 3% das pessoas com 55 anos ou mais. Também demonstram atitudes mais positivas em relação ao jornalismo entregue por IAs e são mais propensos a dizer que usam IA para ajudar a navegar e simplificar notícias complexas.

Leia a matéria completa e veja o relatório em MediaTalks.

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