Um dos principais eventos do ano em termos de audiência para a ESPN, o Super Bowl, final do campeonato de Futebol Americano dos Estados Unidos, está mobilizando um esquema especial de cobertura pela emissora. The book is on the table, principal atração do canal sobre esportes americanos em geral, ganhou esta semana uma edição especial sobre a partida, com apresentação de Paulo Mancha, Eduardo Agra e Ari Aguiar, além das participações de Paulo Antunes e Everaldo Marques, apresentadores originais do programa que estão desde a semana passada nos Estados Unidos para acompanhar a partida entre San Francisco 49ers e Baltimore Ravens. Além deles, viajaram para New Orleans, palco do jogo, o produtor Tuca Moraes e o repórter João Victor Mekitarian, que fica responsável pela cobertura para o site ESPN.com.br, sob o comando do editor Paulo Cobos. A página, aliás, também apresenta nesta semana um esquema especial, com participações diárias de Marques e Antunes, em bate-papos com informações, curiosidades, análises e participação dos fãs do esporte via twitter e facebook. O programa Antunadas também ganha uma edição especial apenas com questões relacionadas ao Super Bowl e durante a partida, prevista para começar às 21h do próximo domingo (3/2), uma webcam será posicionada em frente a Everaldo Marques e Paulo Antunes para mostrar a reação de ambos ao longo da transmissão.
Wilton Junior ganha novamente o Rei da Espanha
Jornalistas de seis países foram premiados em 24/1 na 30ª edição do Prêmio Rei da Espanha, entre eles o repórter fotográfico brasileiro Wilton Junior. É seu segundo prêmio consecutivo: no ano passado ganhou com a foto Touché, em que, por ilusão de óptica, a presidente Dilma Rousseff aparece “espetada” por um militar durante cerimônia na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende; a foto venceu também o Esso. Este ano, seu trabalho vencedor mostra indígenas apontando lanças para transeuntes durante manifestação no Rio. Os outros premiados foram os colombianos Julio Sánchez Cristo (W Rádio/Caracol) e José Antonio Sánchez (eltiempo.com), os mexicanos Bernardo Gómez Martínez e Leopoldo Gómez González (Televisa) e a equipe de repórteres do Periódico de Cataluña, formada por Antonio Baquero Iglesias, Michele Catanzaro e Ángela Biesot Vico. Além deles, o peruano Jack Lo Lau ganhou o Prêmio Especial Ibero-americano de Jornalismo Ambiental; e o argentino Federico Demián Bianchini recebeu o Prêmio Don Quixote pelo artigo El supremo anfíbio. A festa de entrega terá a presença do Rei Juan Carlos, em Madrid, em cerimônia ainda sem data definida.
Lance estreia edição no RS em parceria com Grupo Sinos
O jornal esportivo Lance anunciou em 25/1 o lançamento da sua edição gaúcha em parceria com o Grupo Sinos. A estreia está marcada para esta 2ª.feira (4/2), com a cobertura especial do primeiro Gre-Nal de 2013, que será disputado domingo. Com mescla de conteúdo local e nacional, a produção de notícias no Rio Grande do Sul ficará a cargo da equipe de esportes do jornal NH, um dos que integram o portfólio do Grupo Sinos, sob o comando do editor Chico Luz e reportagens de André Heck e Cristofer de Mattos. Já o material nacional será encaminhado pelas demais praças que integram a reportagem do Lance. Diferentemente de suas demais praças (São Paulo e Rio de Janeiro), no RS o periódico será semanal. Terá 48 páginas coloridas e tiragem prevista de cinco mil exemplares, vendidos por R$ 2,50 em cerca de 200 bancas de Porto Alegre, Região Metropolitana e Vale do Sinos. Luiz Fernando Gomes, editor-chefe do grupo, explica que “esse novo produto faz parte do projeto Rede Nacional Lance (RNL), que idealizamos com o intuito de viabilizar comercialmente a publicação do jornal às 2as.feiras em todo o Brasil. São dois modelos iniciais: o primeiro é a circulação encartada em veículos locais, e o segundo é esse que está sendo aplicado no Rio Grande do Sul e que também já funciona em Minas Gerais, com uma edição completa, de 48 páginas. A produção pode ser ou não por meio de parcerias locais”. Sob a responsabilidade de Carlos Alberto Vieira, a RNL publica atualmente outras seis versões do Lance encartadas, em sistema de filiação, nos jornais Gazeta de Vitória (ES), Notícias do Dia (SC), Correio da Paraíba, O Liberal (PA), Folha do Estado (MT) e Folha de Londrina (PR).
GloboNews e Rádio ONU em Português fazem parceira
A GloboNews e a Rádio ONU estrearam esta semana parceria pela qual as informações produzidas na Redação em Português da Rádio das Nações Unidas, localizada na sede da entidade, em Nova York, serão levadas aos assinantes pelo correspondente Edgard Jr. no Jornal da GloboNews – Edição das 18 horas. A Rádio ONU produz noticiários e programas sobre o funcionamento da Organização das Nações Unidas e conta com correspondentes nas principais capitais do mundo. O serviço em português, comandado por Mônica Villela Grayley, abrange milhões de ouvintes e usuários nos oito países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste). A emissora transmite em outros 12 idiomas. Pelo acordo, GloboNews e Rádio ONU também trocam seus links de acesso à internet – respectivamente, www.g1.com.br/globonews e http://radio.un.org/por.
Revista Fapesp reforça postos de edição
A Revista Fapesp contratou em dezembro três profissionais para reforçar as tarefas de edição: Júlio César Barros ([email protected]), como subeditor, na função de editor online; Rodrigo de Oliveira Andrade ([email protected] e 11-3087-4236), como editor-assistente também do online; e Bruno de Pierro ([email protected] e 11-3087-4238), como editor-assistente de Política Científica e Tecnológica da revista impressa. Júlio teve passagens por Terra, Folha Online e Diário de S.Paulo; morou na Irlanda, onde participou da criação da Babylon Radio, emissora rádio online e comunidade digital para a integração de imigrantes vivendo naquele país; na volta ao Brasil integrou a equipe responsável pela produção de conteúdo para os meios digitais de duas atrações da Rede Record: A Fazenda, 1ª temporada, e Ídolos, 3ª temporada; e ficou os últimos três anos no Jornal da Tarde, onde exercia a função de editor do Radar (Internacional) quando o diário foi fechado, em 31 outubro de 2012. Uma curiosidade é que ele é homônimo de um dos mais antigos profissionais da equipe de Veja. Rodrigo, que escrevia sobre Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Saúde Coletiva no Núcleo de Comunicação Técnico-Científica do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e colaborava com o Correio da Cidadania, editado pela Sociedade para o Progresso da Comunicação Democrática, também escreveu para veículos como Revista Ciência & Cultura, Revista Eletrônica de Jornalismo Científico (ComCiência) e Observatório da Imprensa, além da Agência de Notícias para a Divulgação da Ciência & Tecnologia do Projecto Novatores do Instituto ECYT da Universidad de Salamanca (Espanha); ele segue frilando na Science & Development Network (SciDev.Net) e cursando pós-graduação em Divulgação Científica e Saúde na Unicamp. Bruno iniciou a carreira no Jornal do SBT, em 2008, onde trabalhou na coordenação de telejornal e como editor; entre 2008 e 2009 morou nos Estados Unidos e teve experiência em assessoria de imprensa; de volta ao Brasil, em 2010, começou como repórter na Agência Dinheiro Vivo, onde escreveu, até 2012, para o Blog do Luís Nassif e o portal sobre políticas públicas Brasilianas.org, além de ter sido produtor-executivo do programa Brasilianas.org, da TV Brasil; formado também em Políticas Públicas na Escola de Governo em São Paulo e especializado em Direito Cibernético pela Escola Paulista de Direito, é mestrando em Jornalismo Científico no Labjor da Unicamp. O editor-chefe da Revista Fapesp é Neldson Marcolin ([email protected] e 11-3087-4223).
Rodrigo Ferreira é o novo editor do WebMotors
Rodrigo Ferreira, que vinha editando o caderno de Automóveis do Diário de S. Paulo desde outubro de 2011, é o novo editor do portal WebMotors. “Será um grande desafio reforçar uma das melhores equipes da web brasileira”, comemora Rodrigo, que agora atende em 11-35538637 e [email protected]. Na reportagem, Rodrigo contará com Daniel Magri, Adriana Bernardino e Rodrigo Samy (e-mails compostos por [email protected]). Em seu lugar no Diário de S. Paulo começa Alessandro Reis ([email protected] e 11-3235-7810), que havia seis anos era repórter do caderno Máquina, do jornal Agora SP.
Vaivém das redações!
Confira o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará: São Paulo Moisés Rabinovici, diretor de Redação do Diário do Comércio, está de volta ao jornal depois de alguns meses afastado para tratamento de saúde. Álvaro Bufarah ([email protected]) deixou em novembro a Rádio Globo, onde havia quase dois anos era chefe de Reportagem, e está tocando outros projetos de comunicação e educação. Continua dando aulas na FAAP, Uninove e Belas Artes e voltou a fazer pós-graduação, agora uma especialização em Administração de Empresas. Na Folha de S.Paulo, Rodrigo Russo, que estava como correspondente em Londres, ficará por 40 dias na pauta de Mercado quando voltar das férias, no final de fevereiro. No lugar dele, na capital inglesa, entrou Bernardo de Mello Franco. Ainda por lá, Debora Mismetti assumiu a editoria de Ciência e Saúde, da qual era adjunta. Reinaldo Lopes, ex-editor, vai se dedicar à reportagem. Tatiana Engelbrecht ([email protected] e 11-96515-8998), que no semestre passado editou a revista Paladar, do Estadão, está de volta ao mercado. Ela havia deixado em agosto a Direção Editorial do Núcleo de Revistas Customizadas da Spring Editora, onde desde março de 2004 foi responsável pelo desenvolvimento e comando de revistas como TAM Magazine e TAM Kids, Rossi (Rossi Construtora), Cavallino (Ferrari e Maserati), edição especial da Revista Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas), Docol Magazine (Docol Metais Sanitários), Voe (Trip Linhas Aéreas) e Day By Day (Banco Daycoval), entre outras. Foi ainda diretora de Redação da revista AméricaEconomia, fundada no Chile há 25 anos e adquirida pela Spring no Brasil em 2009. Antes, trabalhou na agência de notícias Lusa, em São Paulo e na matriz da empresa, em Lisboa, e foi editora-assistente do portal Som Livre e da publicação latino-americana Ponto-Com. Após concluir mestrado em Sociologia em Lisboa, Vitor Sorano ([email protected] e 11-94949-0208) deixou a Internacional de O Globo, no Rio, e está de volta a São Paulo. Ele teve passagens por Jornal da Tarde e Agora São Paulo, nas editorias de Cidades e Economia, e, de Portugal, fez reportagens para Los Angeles Times, Valor, piauí, G1 e iG. Depois de seis anos como editora executiva das revistas Living Alone e The President, que integram o portfólio da Custom Editora, Marina Lima despediu-se da casa para tocar alguns projetos pessoais, entre eles o Jornal Joca (www.magiadeler.com.br), dirigido ao público infantil. Ela segue, porém, assinando sua coluna sobre estilo na revista The President, também da editora, e está disponível para frilas pelo [email protected]. Ainda na Custom, a revista Living Alone, cuja última edição impressa Marina fechou, a partir de agora será veiculada apenas em versão para tablets; e The President, que é distribuída para os presidentes das três mil maiores empresas do Brasil, circulou em janeiro com o guia Life Style 2013 encartado. A edição esteve sob os cuidados de Ronaldo Bressane. Tatiana Ferraz despediu-se esta semana da rádio Bradesco Esportes FM, do Grupo Bandeirantes, onde integrava a equipe de apresentadores. Ela continua como professora de Telejornalismo e Radiojornalismo na Faculdade Cásper Líbero e na coordenação do programa Edição Extra, na TV Gazeta. Maurício Simionato ([email protected] e 19-3725-6357 / 9744-9770) deixou o Destak Campinas, onde desde 2011 era editor-adjunto, e assumiu no início do mês a Coordenação de Comunicação do Aeroporto Internacional de Viracopos. Deixou também de frilar para UOL Notícias e Veja Campinas Comer & Beber. Em 20 anos de carreira, Maurício teve passagens por Estadão, Diário do Povo (Campinas), TodoDia (Americana), edição de Campinas e correspondente em Belém da Folha de S.Paulo, e sucursal paulista de O Globo. Também atuou em assessoria de imprensa e em campanhas políticas. É autor do livro de poesias Impermanência (3S Projetos, 2012). Rio de Janeiro Antônio Marinho começou esta semana na editoria de Saúde, Vida e Meio Ambiente de O Dia, a convite de Fernanda Portugal. Ele estava na TV Brasil desde o ano passado, fazendo produção e reportagem para os jornais de rede. Marinho tornou-se um dos mais conceituados jornalistas da área de Saúde no Rio, depois de 24 anos em O Globo. E continua como colaborador das revistas Simplesmente, da Ediouro, e Rede Câncer, do Inca. Letícia Sander assumiu a pauta da sucursal da Folha de S.Paulo em 10 de janeiro. Vinda da FSB, no Rio, havia sido repórter da Folha em Brasília, e retorna agora ao jo
Unesco abre inscrições para prêmio sobre liberdade de imprensa
A Unesco abriu inscrições para seu Prêmio Mundial da Liberdade de Imprensa – Guillermo Cano, honraria que homenageia o jornalista colombiano assassinado em 1986, em Bogotá. A premiação, criada em 1997, visa a reconhecer jornalista, organização ou instituição que tenha contribuído significativamente para a defesa ou promoção da liberdade de imprensa, em qualquer lugar do mundo. Para concorrer, os candidatos deverão preencher um formulário em inglês ou francês disponível no site da premiação e encaminhá-lo por correio ou e-mail para a entidade pelo [email protected]. As inscrições ficarão abertas até 15/2 de fevereiro e a cerimônia de entrega será realizada no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio. O vencedor receberá a quantia de 25 mil dólares.
Memórias da Redação ? Dois casos e um acaso
Igor Ribeiro, editor que se despediu de J&Cia na semana passada, deixa como lembrança duas histórias num único texto. Dois casos e um acaso Durante todo o ano em que fui editor deste Jornalistas&Cia, prometi ao meu chefe imediato, Wilson Baroncelli, o Baron, um texto para este Memórias da Redação. E durante todo o ano adiei a crônica. Nunca por desprezo ou pela velha desculpa da falta de tempo. Mas por dois motivos que, de certa forma, me enrubescem. Em primeiro lugar, eu lia aqui coisas tão boas, que elevam o padrão desta coluna – enviadas por mestres como Cláudio Amaral, Milton Saldanha, Plínio Vicente da Silva, Sandro Villar e contribuições casuais como as de José Maria Mayrink e Paulo Nogueira, entre tantas outras –, que não me achava merecedor de publicar qualquer coisa que minha incauta e fraca memória tenha para compartilhar. Segundo, justamente pela fragilidade da minha memória. Tenho lembranças de alguns causos ótimos, claro… Mas a chance de me atrapalhar e trocar nomes – ou sequer lembrá-los – é uma constante. Logo, sou um Funes às avessas e, se escrevesse aqui, minhas palavras estariam mais para Desmemórias da Redação do que qualquer outra coisa. Como as crônicas deste espaço tendem a contar passagens divertidas, pensei em resgatar um caso triste, porém meditativo, que marcou meu início de carreira. Não consegui lembrar de alguns detalhes, por isso não publiquei. Versava sobre um motorista do Grupo Folha, o PC – acredito que ainda trabalhe por lá. O apelido vinha de “PC Farias”, pela visível semelhança com o ex-tesoureiro do Fernando Collor, ainda que de escroque o “nosso” PC não tivesse nada. PC é um cara gente boníssima, boa alma mesmo – como costuma ser boa parte dos jornalistas e parceiros que atuam na madrugada. Sim: em 2000 ele era plantonista do horário das corujas ao lado do Batman e do falecido Jô (apelidos eram requisitos fundamentais para o exercício de direção avançada na alta madrugada). Trabalhávamos no Agora São Paulo, onde exercia minhas primeiras foquices. Fazia a ronda policial de 2ª a 6ª.feira e as reportagens de madrugada a cada dois fins de semana, ao lado do colega de Cásper Líbero Marco de Castro. Creio que o titular do cargo era Luciano Cavenaghi (olha a memória me traindo novamente…) e o fotógrafo, Eduardo Lazzarini, entre outros que circulavam naqueles tempos de filmes 35 milímetros. A editora do caderno de Cidades e Polícia era Rita Camacho, e o jornal mantinha na direção, desde os tempos de Folha da Tarde, a dupla Nilson Camargo e Antonio Rocha Filho, o Toninho, que continuam por lá. Tudo isso para falar do PC. Era um motorista bastante arrojado no volante de sua Blazer preta. Apesar de o carro ser dele e não da locadora, não perdia o rastro da polícia durante uma frenética perseguição e não tinha medo de enfiá-lo nas vielinhas imundas dos recônditos paulistanos. Boa praça e ponta firme para qualquer missão, PC tinha sempre uma piada na ponta da língua. Não era gorducho como o PC original, mas era um cara forte e esperto. Uma unanimidade entre o reportariado do Agora e da concorrência, e mesmo entre os policiais. Um ano depois fui chamado para inaugurar o serviço de Assessoria de Imprensa da Ouvidoria da Polícia de São Paulo. Fui indicado pelo Lino Bocchini, outro camarada do Agora, que hoje é redator-chefe da Trip e Top 10 na lista negra dos Frias, graças à paródia Falha de S.Paulo. Após quase dois anos de trabalho, passava eu, certa tarde, pelo Expediente da Ouvidoria – departamento pelo qual as denúncias chegam à entidade – quando avistei PC. Ele estava magro, apático, desolado, praticamente irreconhecível. Fui falar com ele e, naquele momento, PC tentou esboçar um sorriso. O caso que contou em seguida relatava a morte de seu filho pelas mãos de policiais militares… Segundo ele, o menino era bom e tudo havia sido um grande mal entendido – como ainda acontece muitas vezes, em tantas situações parecidas. Apesar da fatalidade, PC teve um sopro de esperança ao me ver e acreditar que, talvez, eu pudesse agilizar a apuração do caso. Mal sabia ele que a própria Ouvidoria sofria (sofre?) retaliações tremendas da Secretaria de Segurança Pública. Era como se tivéssemos de nos sentir gratos por somente existir. Graças ao trabalho persistente de tanta gente talentosa e abnegada, como a assessora jurídica Isabel Figueiredo e o ouvidor Fermino Fecchio, conseguíamos driblar as dificuldades e ficar na cola dos casos que cheiravam a abuso policial. Incomodávamos o Governo. Lembro que monitorei pessoalmente o caso do filho do PC até haver a troca de gestão na Ouvidoria. O escolhido da lista tríplice era um notório lambe-botas do Estado. Boa parte da equipe, eu incluso, rodou ou saiu antes de rodar. Não soube mais do caso. Tentei resgatar essa história para reproduzir aqui, acompanhada de uma reflexão sobre as voltas que o mundo dá. Encontros, desencontros e reencontros. Muitas vezes, apesar das circunstâncias, trazem uma gota de esperança que mantém o prumo da vida em rota de algo m
São Paulo, Ah! São Paulo…
São Paulo, Ah! São Paulo… Por Assis Ângelo São Paulo é Paulo De São Paulo eu vim de lá Quem não gosta de São Paulo De que é que vai gostá? (Do pernambucano Manezinho Araújo, rei da embolada) Faz mais de 20 anos que desenvolvo pesquisas sobre a música em que aparece a cidade de São Paulo, que me acolheu desde o princípio da segunda metade dos anos de 1970. Essa pesquisa, que já rendeu mais de três mil títulos, está no ponto para um ponto final. Por meio da música é possível contar a história de uma cidade, de um estado, de um país. Compositores e intérpretes daqui e de fora têm cantado a capital de tudo quanto é jeito, gêneros e ritmos, desde sambas e batuques a dobrados, marchas e pagodes; valsas, choros e forrós; baiões, xotes e lambadas; toadas, modinhas e lundus; maxixes, tangos, emboladas, corridos, polcas e rancheiras. Loas à cidade em que nasceram a Jovem Guarda, o Tropicalismo e os festivais de música – e QG do baião, segundo o seu criador, Luiz Gonzaga – se acham espalhadas nos martelos e redondilhas dos artistas improvisadores do Nordeste, como Sebastião Marinho, Andorinha, Oliveira de Panelas; e do Sul, como Gildo de Freitas e Teixeirinha; nas chulas, lundus e fandangos e nas batidas inconfundíveis do pop-rock e do heavy metal. Blues, reggaes e ragtimes são mais estilos notados nos temas a Sampa. Anhanguera, do compositor alagoano Hekel Tavares, para orquestra, coro e solistas, sob o belo argumento de Marta Dutra e texto de Murilo Araújo, é um dos mais belos poemas sinfônicos já feitos para a cidade fundada por jesuítas como Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, em 1554. Digo como Nóbrega e Anchieta porque junto com eles estava mais uma dezena de jesuítas. Com versos do carioca Fagundes Varela, o paulistano Francisco Mignone também deixou marca numa música de concerto para a cidade. O manauara Cláudio Santoro fez o mesmo. Idem, o maestro Erlon Chaves e o seu parceiro Mario Fanucchi, sem falar do paulistano Mário Albanese, criador do Jequibau com o gaúcho Ciro Pereira. Mário compôs, entre outras obras, Canção para o rio Tietê (com Geraldo Vidigal; 1990) e São Paulo coração da minha terra (com Sílvio Tancredi; 1981). DJs e MCs que se multiplicam nas zonas Sul e Norte da megalópole paulistana não se esquecem nunca da temática. Enfim, nas obras em referência – repito: mais de três mil –, há citações a ruas, avenidas, parques e pontes; estádios de futebol, bairros, praças e ônibus; camelôs, favelas e filas de banco; delegacias, HC, bares e chuvas – e enchentes – fora do tempo; fábricas, construções e buzinas; o metrô, a garoa, hoje sem graça; igrejas, largos e vilas; escolas de samba, Martinelli e Copam; Masp, USP, museus e monumentos; heróis, paisagens e rios; trabalho, trabalho, trabalho e hinos e odes para agremiações esportivas como Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Tudo ou quase tudo da cidade, sua gente e cotidiano, tem sido abordado desde o Século 18 nas obras de grandes artistas. São Paulo tem sido cantada em todos os gêneros musicais, por meio de títulos de compositores e intérpretes que vão desde um DJ Hum a Thaíde, passando por Mano Brow, Rappin Hood, Emicida, Sabotage, Criolo e Negra Li; Cornélio Pires, Roberto Marino, Adoniran Barbosa, Mário Zan, Geraldo Filme, Germano Mathias, Paulinho Nogueira, João Portaro, José Domingos, Juca Chaves, Juvenal Fernandes, Lauro Miller e Osvaldinho da Cuíca e tantos e tantos mais, como Ary Barroso, Sílvio Caldas, Nélson Gonçalves, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Hermeto, Gil, Caetano e Vinicius, que uma vez caiu na besteira de dizer que São Paulo é o túmulo do samba.






