Faleceu em 9/2, em São Paulo, aos 93 anos, o professor Fábio França, que liderou a formação de inúmeras gerações de profissionais de relações públicas e que deu significativa contribuição teórica à atividade, em especial com sua obra Classificação Lógica de Públicos, em que criou parâmetros que transformaram o modo de enxergar a gênese na profissão. É dele a formulação de públicos adotada pela área e que de certo modo vigora ainda hoje: “Essenciais” (os pilares da existência), “Não-Essenciais” (os parceiros de objetivos) e “Redes de Interferência” (os formadores de opinião e a mídia).
Cerca de quatro anos atrás, aos 89 anos, França foi um dos entrevistados da websérieA Comunicação Empresarial no Brasil – a história contada por quem ajudou a escrever a história, da Mega Brasil Comunicação, e sua participação ajudou a resgatar a memória viva de uma profissão. Em texto publicado no Portal da Mega Brasil, Marco Rossi lembra: “Seu depoimento nessa série não foi apenas técnico; foi um manifesto ético. Ele personificava o equilíbrio entre o ‘velho’ das terras milenares do conhecimento clássico e o ‘novo’ das tecnologias de informação, entendendo que, embora as ferramentas mudem, a alma da comunicação não tem rotina”.
Foi nessa conversa, de quase uma hora, que contou com a participação de Eduardo Ribeiro (também diretor deste Portal dos Jornalistas), que ele falou sobre os nove anos de sacerdócio, revelando que sua vida profissional, pós-igreja, só foi iniciada quando tinha 35 anos de idade, logo depois que deixou Congonhas, em Minas, e arriscou-se por São Paulo. Depois de bater em muitas portas, sem sucesso, conseguiu ser vendedor das enciclopédias Barsa e, algum tempo depois, professor de Educação Moral e Cívica em um colégio estadual, atividade que exerceu por três anos. Ou seja, foi praticamente depois dos 40 que sua vida enveredou pelas relações públicas, e de forma intensa, já que foram mais de 50 anos divididos entre o trabalho como executivo, professor e militante das instituições profissionais, como ABRP, Conrerp e Abrapcorp.
Último encontro
“Quis o destino que nosso último encontro fosse casual, e acontecesse nas salas de espera do HCor, onde ambos aguardávamos para exames de rotina, no segundo semestre de 2024”, conta Edu Ribeiro. “Não pude deixar de registrar momento tão especial e singelo, dado o carinho recíproco entre nós. Não mais nos vimos. E, com sua despedida, ficam agora conosco a saudade e o grande legado por ele deixado”.
A sentença de prisão imposta a Jimmy Lai em Hong Kong em 9/2 era, em certa medida, previsível: depois da condenação dele por crimes ligados à segurança nacional e por sedição, dificilmente o magnata escaparia de mais tempo atrás das grades. O que causou indignação foi o tamanho da pena – 20 anos – aplicada a um homem de 78 anos, com saúde descrita como fragilizada após anos privado da liberdade – uma punição que muitos interpretam, na prática, como “prisão perpétua”.
Fundador do conglomerado Next, que publicava o Apple Daily (fechado em 2021 após perseguições) e cidadão britânico, Lai foi condenado ao lado de seis ex-integrantes do jornal. As acusações incluem publicação de material considerado sedicioso e conspiração com forças estrangeiras, sob a Lei de Segurança Nacional, frequentemente criticada por abrir margem a interpretações amplas.
A reação internacional foi imediata: governos e entidades cobraram sua libertação e apontaram violação à liberdade de expressão e de imprensa. Pequim respondeu dizendo que a prisão é “legítima” e pediu que países estrangeiros respeitem a soberania chinesa.
O caso expõe um contraste no momento em que a China tenta ampliar pontes diplomáticas – inclusive com o Reino Unido, cujo premiê esteve no país há poucas semanas – e melhora sua percepção internacional. No Global Soft Power Index 2026, da Brand Finance, o país avançou em métricas importantes de reputação.
Ainda assim, em Hong Kong a engrenagem doméstica segue inalterada. A Repórteres Sem Fronteiras resumiu a contradição ao afirmar que o processo de Lai “não tem sido nada mais do que uma farsa” e cobrou que democracias parem de priorizar a normalização das relações e pressionem pela libertação dele e de outros jornalistas.
Para receber as notícias de MediaTalks em sua caixa postal ou se deixou de receber nossos comunicados, envie-nos um e-mailpara incluir ou reativar seu endereço.
Esta semana em MediaTalks
Máquinas viciantes: julgamento histórico começa com acusações duras contra Meta e YouTube. Leia mais
Em nova campanha, Reino Unido pede que pais conversem com filhos sobre conteúdo tóxico nas redes. Leia mais
Venezuela liberta último jornalista preso mas o indicia por “traição e financiamento ao terrorismo”. Leia mais
A Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) abriu o Edital de Seleção de Obras para Publicação Digital Gratuita – 2026, com o objetivo de selecionar trabalhos originais que contribuam para o desenvolvimento do campo da comunicação pública no Brasil. As obras escolhidas serão publicadas em formato digital, com acesso gratuito ao público.
A iniciativa é conduzida pelo Comitê Editorial da entidade e busca produções alinhadas à missão da associação, que envolve a promoção da comunicação pública com foco no cidadão, o fortalecimento da atuação de comunicadores em instituições públicas e o incentivo à transparência, à prestação de contas e à participação social.
Submissão de Trabalhos
As submissões poderão ser realizadas em dois períodos ao longo de 2026: até 10 de março, no primeiro semestre, e até 10 de agosto, no segundo. O envio das propostas deve ser feito exclusivamente por formulário on-line indicado pela organização.
Podem ser inscritas teses, dissertações e obras individuais ou coletivas já concluídas e revisadas. No caso de trabalhos acadêmicos, é exigida adaptação prévia ao formato de livro, com ajustes estruturais e editoriais adequados à publicação.
Participação nos Editais
Para participar, os proponentes devem apresentar resumo da obra, texto completo, currículo, declarações de ineditismo e documentação acadêmica quando aplicável, além do termo de concordância com as regras do edital e a cessão de direitos para distribuição gratuita.
A avaliação considerará critérios como alinhamento com os propósitos da ABCPública, contribuição ao campo da comunicação pública, qualidade acadêmica, clareza textual, atualidade da produção e interesse público. Obras produzidas nos últimos dois anos ou atualizadas para a chamada terão prioridade.
O processo seletivo será realizado semestralmente pelo Comitê Editorial, responsável por recomendar as publicações à diretoria nacional, que dará a decisão final. A previsão é de seleção de uma obra por semestre, podendo haver variações conforme deliberação interna.
O resultado será divulgado em até 90 dias após o encerramento das submissões, no site da associação e por e-mail aos autores.
As obras selecionadas serão editadas pela própria ABCPública, que também ficará responsável pela ficha catalográfica e pela disponibilização gratuita dos e-books em seu portal. Os direitos autorais permanecem com os autores, enquanto a entidade recebe autorização para distribuição institucional e não comercial.
Neste início de ano, a Carta de Conjuntura produzida pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) chega à sua edição nº 9. O documento traz uma análise do cenário da comunicação pública no país e projeções para o futuro. Em dez tópicos, o documento aponta que 2025 foi um dos períodos mais desafiadores desde a Lei de Acesso à Informação, com retrocessos no acesso a dados e na transparência, pressões sobre a liberdade de imprensa, uso de canais oficiais para promoção pessoal e agravamento do ambiente de desinformação — com atenção especial ao contexto eleitoral de 2026. Ao mesmo tempo, a carta destaca avanços como a Política Nacional de Linguagem Simples e defende uma virada de padrão: mais informação de utilidade pública, com transparência nos gastos e foco no cidadão.
O vice-presidente de Coordenação Regional da ABCPública, Armando Medeiros, coordenou a elaboração. Ele afirma que “a carta de conjuntura n.º 9 da ABCPública destaca avanços importantes, como a aprovação da Política Nacional de Linguagem Simples (Lei 15.263/2025 ), que tornou obrigatória a adoção de uma comunicação clara, direta e centrada no cidadão pelos órgãos públicos, fortalecendo a compreensão das informações e a participação social”.
Para o presidente da ABCPública, Jorge Duarte, em 2025, a comunicação pública seguei prejudicada por práticas históricas que seguem presentes: “interferências em canais oficiais, ataques à liberdade de imprensa e restrições de acesso a informações, baixa transparência no uso de recursos de publicidade e uso de canais institucionais para promoção pessoal em detrimento de pautas de interesse público”. Para ele, “a comunicação tem que ser efetiva e não pode tirar o foco do atendimento às necessidades do cidadão. Nossa comunicação ainda é muito voltada para promoção de dirigentes e instituições”.
Além de mapear ameaças e tensões que marcaram 2025, a Carta apresenta recomendações imediatas para que a comunicação pública seja conduzida com mais transparência, utilidade e foco no cidadão, garantindo condições reais para o exercício da cidadania.
Dentre as recomendações da ABCPública estão:
Adotar medidas necessárias para a implementação efetiva da Política Nacional de Linguagem simples em todas as esferas e instâncias de governo;
Priorizar a publicidade de utilidade pública que oriente o cidadão para o acesso à políticas e programas públicos;
Fortalecer a participação cidadã em plataformas digitais de governo, integrando dados abertos, consultas públicas e mecanismos deliberativos apoiados por tecnologia e acessibilidade.
Promover independência técnica das áreas de comunicação, fomentando ao acesso, via concurso público, e reduzindo interferências político-partidárias.
Capacitação e agenda 2026
A ABCPública tem investido na formação de comunicadores públicos e na aproximação qualificada entre a academia e quem atua na linha de frente. A ideia é fortalecer práticas que priorizem acesso à informação, participação social e efetivação de direitos, com foco no que o cidadão precisa saber para exercer a cidadania.
Para 2026, a associação já tem na agenda um curso sobre Política de Comunicação Pública com o professor Wilson Bueno e uma nova edição do Curso Completo de Comunicação Pública, em parceria com a Aberje, com temas atuais como inteligência artificial, gestão de crises e comunicação em redes sociais, entre outros. As inscrições e novidades serão divulgadas no site abcpública.org.br e também pelas redes sociais Instagram, Linkedin e Youtube.
Uma coletiva em 5/2, conduzida por Renata Lo Prete, reuniu os nomes com mais visibilidade no Jornalismo da Globo para expor os detalhes de cada área sobre as mudanças que a emissora programou para este ano.
Estavam lá as apresentadoras do Fantástico Maju Coutinho e Poliana Abritta; Ana Paula Araújo, âncora do Bom Dia Brasil’; Andréia Sadi, apresentadora do Estúdio i; Júlia Duailibi, âncora do GloboNews Mais; Fátima Baptista, gerente de Inovação e Projetos Especiais da Globo; e Cláudia Croitor, editora-chefe do g1. Pelo Globo Repórter, foram os apresentadores William Bonner e Sandra Annenberg, e mais Mônica Maria Barbosa, diretora do programa, para sinalizar a importância que este deve ganhar.
Em pé (esq.): Claudia Croitor, Renata Lo Prete, Ana Paula Araújo, Sandra Annenberg, Mônica Maria Barbosa, William Bonner, Fátima Baptista e Julia Duailibi; sentadas: Andréia Sadi, Poliana Abritta e Maju Coutinho (Crédito: Bob Paulino/Globo)
As eleições
Em ano eleitoral, com muitos profissionais dedicados a esse projeto, o debate com os candidatos a presidente será exibido logo após o Jornal Nacional, no horário da novela das 21 horas. Da mesma forma, as sabatinas com os candidatos à Presidência da República vão ocorrer em um programa especial logo após o JN. No primeiro turno, César Tralli e Renata Vasconcellos conduzirão as entrevistas. Se houver segundo turno, Renata Lo Prete entrevistará os candidatos.
Renata Lo Prete (Crédito: Bob Paulino/Globo)
No Jornal da Globo, Lo Prete e o cientista político Felipe Nunes, da Quaest, vão percorrer diferentes regiões do Brasil para mostrar como pensa o eleitorado que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda e que pode decidir a disputa. A partir de agosto, a apresentadora passa a analisar diariamente o cenário eleitoral em publicações nas redes sociais.
A GloboNews promoverá sabatinas com os principais candidatos à Presidência, realizadas de forma conjunta, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1. A Central das Eleições será dedicada a análises aprofundadas e debates sobre os acontecimentos mais importantes da disputa eleitoral.
O g1 fará um acompanhamento diário dos candidatos aos cargos do Executivo. A plataforma oferecerá análises, bastidores e reportagens exclusivas, além de conteúdos analíticos sobre os resultados e séries especiais com foco em informações claras e didáticas para a população.
Nas redes sociais, a cobertura será reforçada com transmissões de entrevistas e debates ao vivo em TikTok, YouTube e Instagram. A checagem de fatos será ampliada por meio do projeto Fato ou Fake, que verificará informações veiculadas por g1, GloboNews, TV Globo, afiliadas, O Globo, CBN e Valor.
As comemorações
Para celebrar os 20 anos do g1 – portal que publica quase 700 reportagens por dia e está presente nas redes sociais Instagram, X, TikTok, Facebook e Kwai – será lançado um novo aplicativo, com vídeos verticais e uma experiência mais intuitiva.
Andréia Sadi (Crédito: Bob Paulino/Globo)
Como parte das comemorações dos 30 anos da GloboNews, o canal inaugura em agosto uma nova redação no Rio de Janeiro, mais ampla e moderna, com dois estúdios. Um deles, com um telão de 47 m2, será dedicado aos telejornais; o outro receberá os programas de entrevistas, debates e conteúdos aprofundados. No novo espaço devem trabalhar mais de cem jornalistas.
Em abril, a série Prato Feito vai acompanhar a jornada dos alimentos que chegam ao prato dos brasileiros. Em maio, Fernando Gabeira inicia uma jornada pelas feiras livres do País com a série Pelas feiras do Brasil.
Os programas jornalísticos
O Fantástico vai destacar, com Álvaro Pereira Junior, as transformações impulsionadas principalmente pela inteligência artificial no mundo. Em um novo quadro, o influencer Felca refletirá e conversará com especialistas sobre a saúde mental de jovens e adolescentes. Em maio, estreia o Delivery com Maju, no qual a apresentadora pede comida por aplicativo e convida o entregador para compartilhar a refeição e sua história de vida.
Novo quadro fixo com Poliana Abritta, Essa tal de…, derivado de uma série curta apresentada no ano passado, terá episódios sobre de saúde e comportamento. Uma série especial com Felipe Santana, em longa temporada na China, vai contar como o país disputa o pioneirismo no futuro do planeta.
Bom dia Brasil e Globo Repórter ganharão novos cenários. No Bom Dia, a redação será integrada ao estúdio por meio de composição virtual em tempo real, mostrando a rotina da equipe. No Globo Repórter, apresentado por Annenberg e Bonner a partir do dia 20 deste mês, terá no cenário mais recursos virtuais e um clima mais intimista.
E para a ampla cobertura da Copa do Mundo, Renata Vasconcellos vai ancorar o Jornal Nacional em estúdio montado para a ocasião em um dos países-sede.
O Grupo Burson anunciou na tarde dessa terça-feira (11/2) a incorporação da Ideal Axicom ao seu controle, dentro de nova reestruturação levada a cabo pelo segmento de PR do Grupo WPP.
Paula Nadal
No Brasil, essa mudança alinha as operações da Ideal Axicom com a liderança de mercado do Grupo Burson, o que também coincide com a decisão de Ricardo Cesar, presidente da Axicom América Latina e cofundador da Ideal Axicom no Brasil, e de Paula Nadal, diretora de estratégia da agência, de deixarem a empresa no final de fevereiro.
Tatiana Americano
Com um faturamento próximo a R$ 100 milhões no Brasil, a Ideal Axicom conta com um time de 350 colaboradores e 80 clientes, entre eles Embraer, Uber, airbnb e Ford. Na venda para o WPP, em 2015, a Ideal acabou encampando a marca Hill & Knowlton, passando a assinar Ideal H+K Strategies. E recebeu aval para sua internacionalização, tendo sido a primeira agência brasileira de PR de porte a ter escritórios próprios no exterior, no caso México e EUA. Na reestruturação realizada em 2024, quando a Ideal fundiu-se com a Axicom, o nome Ideal-Axicom prevaleceu no Brasil, mas a marca Ideal não acompanhou a Axicom no exterior.
Fernando Casagrandi
Com as mudanças, como diz comunicado distribuído pelo Grupo Burson, “a Ideal Axicom continuará a operar de forma independente na oferta de serviços aos clientes locais, regionais e globais, com os líderes de longa data da agência Tatiana Americano, COO, e Fernando Casagrandi, CCO, agora reportando-se a Rosa Vanzella, CEO do Grupo Burson Brasil. A nova estrutura de liderança entrará em vigor a partir de 1º de março de 2026”.
Rosa Vanzella
Esse movimento, conforme informa a Burson, “abrange também a Axicom México, que atuará de forma semelhante, reportando-se a Mauricio Gutiérrez, CEO do Grupo Burson México”. Lembrando que o “Grupo Burson foi formado após uma fusão global em 2024 e, na América Latina, inclui a marca principal Burson, além das principais agências especializadas JeffreyGroup e Máquina”.
Fundada por Ricardo César e Eduardo Vieira em 2007, a Ideal tornou-se uma referência de inovação e criatividade no setor de Relações Públicas brasileiro. Seu espírito pioneiro gerou um sucesso notável nas últimas duas décadas, tanto como agência independente quanto como parte da WPP após sua aquisição em 2015.
Brian Burlingame
“O Burson Group respeita e celebra o legado construído por Ricardo e Paula, e somos sinceramente gratos por suas inúmeras contribuições ao negócio”, afirmou Brian Burlingame, CEO do Grupo Burson América Latina.
Os novos caminhos de Ricardo Cesar, 18 anos depois
Em post que publicou nessa terça-feira (10/2) no Linkedin, anunciando sua despedida da Ideal Axicom, Ricardo Cesar anunciou seus novos planos: “Em março inicio um novo desafio como sócio na São Pedro Capital, gestora de investimentos de Alexandre “Alex” Dias, ex-CEO do Google no Brasil e um amigo de longa data”.
Ricardo Cesar
Apaixonado pela área de PR, amigos apostam que ele não conseguirá ficar muito tempo longe do mercado, embora saiba-se que nessa saída há uma cláusula de non-compite. No seu post, no entanto, ele não dá pistas nessa direção. Ao contrário: “Sempre tive admiração e interesse pela área de investimentos e por tecnologia. A São Pedro, com escritórios em São Paulo e na Califórnia e um time de craques, junta as duas coisas de maneira brilhante. Estou entusiasmado com esse novo capítulo”.
Ricardo é formado em Jornalismo pela ECA/USP e ingressou no mercado contratado pela S2 Comunicação, para atuar na equipe de comunicação da Microsoft. Depois foi editor e correspondente em Londres do IDG e, na volta ao Brasil, passou respectivamente por Valor Econômico e Exame, de onde saiu, ao lado de Edu Vieira, para montar a Ideal e atender a seu primeiro cliente, o Google.
André Senador, CEO da Perennial Consultoria e estrategista em comunicação, imagem e reputação, lança neste mês o livro ESG e comunicação para o desenvolvimento sustentável: o caso da transformação das marcas de automóveis (Appris Editora), que mostra a importância de práticas sustentáveis e do bom relacionamento com empresas na construção da reputação de marcas automotivas.
A obra parte da premissa de que, cada vez mais, a reputação corporativa está deixando de ser sustentada exclusivamente por indicadores financeiros ou operacionais. Atualmente, também são essenciais fatores como a capacidade das organizações de integrar os critérios ESG às suas estratégias e práticas, e o papel da comunicação como mediadora entre empresas, no sentido de garantir coerência, transparência e legitimidade, além de mostrar ao mercado essas práticas sustentáveis. O livro propõe a criação de um roteiro que oriente organizações na integração efetiva da sustentabilidade às suas estratégias.
Em meio a uma grave crise financeira, atrasos de salários, demissões em massa, indefinição por parte de dirigentes, grandes problemas estruturais e a “ameaça” da ascensão do Valor Econômico, a Gazeta Mercantil, um dos mais importantes e tradicionais jornais brasileiros focados em economia, encerrou suas atividades em junho de 2009. Com uma dívida trabalhista que, à época, ultrapassava os R$ 200 milhões, a continuidade da publicação era insustentável. E até hoje, 2026, centenas de ex-funcionários ainda não receberam um único centavo daquilo que é deles por direito.
Os principais motivos que sustentam o não pagamento são burocracia e “brechas” jurídicas que postergam a execução efetiva das dívidas, a falta de dinheiro nas contas dos responsáveis e o atraso ou o impedimento de leilões e penhora de bens para atingir os valores estabelecidos na Justiça.
Ainda assim, os ex-funcionários da Gazeta Mercantil seguem lutando por seus direitos, liderados pela Associação dos Funcionários e Ex-Funcionários da Gazeta Mercantil. A luta, porém, foi perdendo sua força com o passar dos anos, devido à descrença em um desfecho positivo, após quase duas décadas de espera, ou, passado tanto tempo, literalmente, pela morte de ex-funcionários. É o que explicou Marcelo Moreira, ex-chefe de reportagem e ex-editor da Gazeta Mercantil, presidente da Associação.
“É uma questão apenas simbólica, atualmente, porque a associação foi de certa forma abandonada, por se tratar de um caso antigo. Naturalmente, as pessoas acabam desistindo por não acreditarem mais em uma solução. Quando há alguma atualização do caso, acionamos nosso advogado, Wladimir Durães, que está conosco nessa luta desde 2004, e também me envolvo, mas hoje muito mais como um representante institucional simbólico, pois a verdade é que a associação não existe mais”.
Na Justiça, os ex-funcionários obtiveram decisões favoráveis em todas as instâncias, com a responsabilização da família Levy, ligada ao empresário Luiz Fernando Levy, e do empresário Nelson Tanure pelo pagamento das dívidas trabalhistas. Tanure assumiu a GZM em 2003, em meio a graves problemas financeiros e estruturais que foram se intensificando até o fim do jornal, em 2009.
“É importante ressaltar que o Tanure foi considerado pela Justiça, em todas as instâncias, como responsável pela dívida trabalhista. Nelson Tanure é, sim, devedor dos ex-funcionários da Gazeta Mercantil. Nós ganhamos em todas as instâncias diversos processos contra ele”, explicou Marcelo. “Desde o primeiro instante, os tribunais o reconheceram como solidário nas dívidas. Ele simplesmente não podia se eximir de pagar as dívidas trabalhistas”.
“O grande problema foi a execução de todas elas”, continuou o ex-editor da Gazeta Mercantil. “Não foi possível encontrar contas bancárias com saldo suficiente, e, ao longo destes anos todos, houve diversos recursos e embargos que postergaram a execução da dívida. Então, o caso está nesse pé, por enquanto, de indefinição, mesmo depois de quase duas décadas. Poucas pessoas vinculadas à associação receberam efetivamente – e, se receberam, foi apenas parcialmente. Eu mesmo não recebi nada até agora”. Marcelo explicou também que, segundo o último balanço feito pela associação, em 2023, cerca de 230 pessoas ainda precisavam receber o dinheiro.
Ele trabalhou por três anos na Gazeta, de 2001 a 2004. Foi chefe de reportagem, pauteiro e editor de Brasil/Política e da editoria de Brasil de Informações Eletrônicas, cuidando do site da Gazeta. Foi também editor do noticiário regional do jornal. O e-mail de Marcelo para contatos é [email protected].
Nelson Tanure foi diretamente responsável pelo fim da Gazeta Mercantil e da versão impressa do Jornal do Brasil
Nelson Tanure sempre atuou na aquisição de empresas em processo ou próximas da falência. Ficou conhecido no mercado financeiro por investir em marcas com dificuldades nas áreas de petróleo, infraestrutura, telecomunicações e mídia. Entre estas últimas estão a própria Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, que ele assumiu no começo dos anos 2000. E foi sob a gestão dele que, em cerca de uma década, as publicações encerraram suas atividades – no caso do JB, a versão impressa.
Foi em 2001, especificamente, que Tanure assumiu o Jornal do Brasil, em substituição a Manuel Francisco do Nascimento Brito, então proprietário da publicação, que havia se afastado do dia a dia de trabalho. Tanure liderou grandes processos de reformulação do jornal, incluindo trocas na direção, contratações e cortes na equipe de redação, o que acabou gerando um aumento significativo na folha salarial da empresa, e as dificuldades de arcar com os salários dos funcionários se intensificaram.
Nelson Tanure (Crédito: LinkedIn)
Ele controlou os dois jornais por meio da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM). Em movimento de expansão do conglomerado, investiu (ou tentou investir) nas compras das editoras Peixes (responsável à época por marcas como Gula, ViverBem e Próxima Viagem) e Três (proprietária, entre outras, da IstoÉ). A negociação com a editora Três não deu certo devido à forte crise financeira pela qual a empresa passava. E a própria CBM, sob o comando de Tanure, enfrentava um período turbulento devido ao fracasso de alguns projetos.
Enquanto isso, a Gazeta Mercantil enfrentava não só uma grave crise financeira como também a “ameaça” do surgimento de uma nova publicação de peso, o Valor Econômico. Foi nesse contexto que Tanure assumiu a GZM, em 2003, com atrasos de salários, greves de funcionários e demissões em massa. Os problemas financeiros e estruturais foram se intensificando até o desfecho, em 2009, aumentados significativamente pela crise global de 2008, que atingiu em cheio o jornalismo do mundo todo, e o brasileiro não poderia ser diferente.
Em 1º de junho de 2009, curiosamente a data em que se celebra o Dia da Imprensa, Tanure decidiu rescindir o contrato de licenciamento do uso da marca Gazeta Mercantil e devolvê-la a Luiz Fernando Levy. Com uma dívida trabalhista na casa dos R$ 200 milhões e sem condições de quitá-la, o jornal deixou de circular, após quase 90 anos de história. Por ironia do destino, menos de um mês após o fim da Gazeta Mercantil, Tanure participou de um encontro com empresários para falar sobre recuperação de empresas de mídia em época de crise.
Cerca de um ano depois, em junho de 2010, foi a vez do Jornal do Brasil encerrar a sua versão impressa. Tanure comunicou ao mercado que deixaria a área de mídia e encerraria o contrato de arrendamento da marca com a família Nascimento Brito, dona do jornal, algo similar ao que havia feito com a Gazeta no ano anterior. Neste caso, porém, a publicação permaneceu ativa em sua versão online e a última edição impressa circulou em 31 de agosto daquele ano. Como protesto ao novo rumo do jornal, o icônico repórter fotográfico Evandro Teixeira pediu demissão quatro dias antes do fim do jornal, onde havia trabalhado por 47 anos.
Tanure, vale lembrar, tem sido apontado como um suposto “sócio oculto” do Banco Master. Ele foi alvo de recente operação da Polícia Federal que investiga um esquema de fraudes contábeis e financeiras envolvendo o banco.
Atraso nos pagamentos e inclusão da TIM na dívida trabalhista
Crédito: Tingey Injury Law Firm/Unsplash
J&Cia também conversou com o advogado Wladimir Durães, que atua em processos trabalhistas envolvendo a Gazeta Mercantil desde 2002. Ele já cuidou de mais de 500 ações sobre o caso e, atualmente, está à frente de 225. Segundo o advogado, apenas a dívida trabalhista hoje já está na casa dos R$ 300 milhões. Ao incluir impostos e outras correções, a quantia deve chegar aos R$ 700 milhões.
Durães explicou que, ao longo dessas quase duas décadas, foram feitas tentativas de leilões e penhora de bens com o objetivo de alcançar o montante devido. O problema é que, nos últimos anos, uma série de “brechas” jurídicas acabaram prolongando ainda mais o caso: recursos, mudanças de entendimento da Justiça, regras que permitem prolongar disputas, manobras de transferência de bens, uso de empresas em recuperação judicial e disputas sobre a validade das penhoras. Com isso, muitas etapas de processos tiveram que recomeçar, gerando grandes atrasos que se arrastam até hoje.
“São recursos que, obviamente, estão dentro da lei, mas que em alguns casos são usados para ganhar tempo. É uma situação muito confusa, e a própria Justiça brasileira acaba de certa forma ‘permitindo’ esse prolongamento dos processos”, declarou o advogado. “Parece quando estamos jogando um jogo de tabuleiro, e quando achamos que estamos avançando, caímos naquela casa que diz ‘volte duas casas’. E o problema é que muitos dos clientes já estão em idade avançada, alguns já faleceram, e estão aguardando até hoje por uma resolução”.
Wladimir explicou que uma solução positiva para o encaminhamento do processo foi a inclusão da operadora TIM como mais uma responsável pela dívida trabalhista. No começo de 2008, a companhia Docas Investimentos, que pertencia a Tanure, adquiriu a operadora Intelig. Um ano mais tarde, em 2009, ela foi comprada pela TIM, em um processo que funcionou mais como uma fusão entre as duas empresas. E, como parte do negócio, Tanure recebeu uma participação acionária na TIM, passando a ter assento em conselhos da empresa e influenciando em decisões administrativas.
Nesse contexto, a TIM foi incluída no processo em duas frentes: a primeira, no sentido de grupo econômico. Na época, o Grupo Docas já era responsável pelas dívidas trabalhistas da Gazeta Mercantil e, como Tanure passou a ter influência dentro da estrutura da TIM, a Justiça entendeu que havia ligação suficiente para considerá-la como integrante do mesmo grupo econômico e, portanto, poderia dividir a responsabilidade pelas dívidas.
Já a segunda frente foi a sucessão empresarial, “com base na OJ 411 da Subseção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I), do Tribunal Superior do Trabalho que por exceção, devido a insolvência, inidoneidade, má-fé e/ou fraude do Grupo Docas, à época da fusão, obriga a TIM a responder pelo passivo de outras empresas do Grupo Docas, além da própria Intelig”, explicou Durães. Na prática, a Justiça entendeu que a TIM não herdou somente o passivo da Intelig ao incorporá-la, passando a responder por suas obrigações, mas também das demais empresas devedoras de passivos trabalhistas do Grupo Docas. E como o Grupo foi considerado inidôneo, ou seja, economicamente incapaz de pagar as dívidas trabalhistas, aplicou-se essa exceção que autoriza responsabilizar a empresa sucessora nesses casos.
Porém, esse entendimento da Justiça acabou entrando em ação como um fator que atrasou ainda mais os pagamentos. Isso porque, em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu processos no País inteiro ao iniciar a discussão para decidir se empresas que não participaram desde o início da ação (como é o caso da TIM) poderiam ser incluídas na fase final. Em outubro de 2025, essa discussão (Tema 1232 do STF) foi finalmente pacificada e foi concluído que, somente após um procedimento específico, o IDPJ, uma empresa do mesmo Grupo Econômico poderá ser incluída na fase final, uma vez não tendo integrado a ação desde o início e demonstrado-se o abuso da personalidade jurídica (fraudar credores, abuso de direito, confusão patrimonial). Isso fez muitos casos voltarem praticamente à estaca zero da execução, mesmo após mais de 20 anos de tramitação.
Existe a chance, porém, do Tema 1232 permitir que os casos de inclusão da TIM por sucessão não retornem ao início da execução, “visto que se admitiu, excepcionalmente, o redirecionamento da execução trabalhista ao terceiro (TIM) que não participou do processo de conhecimento nas hipóteses de sucessão empresarial”, declarou o advogado.
Ainda assim, a situação é confusa e vem se arrastando desta forma, quase duas décadas após o fim da Gazeta Mercantil: atrasos e “movimentações” judiciais que postergam leilões e penhora de bens que seriam utilizados para chegar à quantia devida, bem como entendimentos de instâncias superiores que fazem os processos voltarem ainda mais etapas.
Nota de esclarecimento
O nome Gazeta Mercantil mencionado nesta reportagem refere-se ao extinto jornal especializado em economia que encerrou suas atividades em 2009, e nada tem a ver com o site Gazeta Mercantil, projeto digital estruturado em 2023 pelo grupo SMEdit, com atuação exclusiva por meio do domínio www.gazetamercantil.com.
Apesar de ser o mesmo nome, o projeto não possui qualquer vínculo societário, jurídico, patrimonial ou sucessório com a empresa que encerrou suas atividades em 2009, nem mantém relação com obrigações, passivos, sócios ou disputas judiciais mencionadas na reportagem. Toda a responsabilidade editorial e institucional da operação atual está restrita à estrutura estabelecida pelo grupo SMEdit desde 2023.
Clarice Couto assumiu o cargo de editora assistente da nova Globo Rural, hub do Grupo Globo responsável pela produção de conteúdos sobre agronegócio, disponibilizados para a revista Globo Rural, os jornais Valor Econômico e O Globo, a rádio CBN e o canal GloboNews.
“A Globo Rural foi minha primeira ‘casa’ profissional quando cheguei a São Paulo, 18 anos atrás. Era outra Globo Rural, revista e site apenas, outro projeto editorial, mas com uma marca já muito forte”, escreveu Clarice no LinkedIn sobre a novidade. “Na época, também fiz colegas e amigos do Valor, que ficava no mesmo prédio da Editora Globo – alguns, parte da equipe que passo a integrar. O Valor virou parte do meu cotidiano, pelo convívio com jornalistas e pela leitura diária do jornal, especialmente do caderno de Agronegócios. Então, poder entrar nesse hub que é um ‘combo’ de história e marcas pelas quais tenho respeito, é uma alegria. Animada para contar muito mais histórias sobre a ebulição que é o setor agropecuário!”.
Especializada na cobertura do Agronegócio, Clarice trabalhou anteriormente como repórter focada em commodities na agência Bloomberg, repórter do Broadcast Agro/Agência Estado, e editora da Globo Rural e da Época Negócios, da Editora Globo. Colaborou também com a revista Exame.
Morreu em 8/2 o repórter fotográfico Américo Dias Vermelho, aos 72 anos, em sua casa no Rio, de morte súbita, enquanto dormia. O corpo foi encaminhado ao Crematório da Penitência, no Caju, para cerimônia no dia seguinte (9/2).
Paranaense de Apucarana, formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica do Paraná. Enquanto ainda estudava, começou como repórter cinematográfico da TV Paraná. No final dos anos 1970, passou ao fotojornalismo, nos jornais Estado do Paraná e Correio de Notícias.
Transferiu-se para o Rio e trabalhou para a sucursal de O Estado de S. Paulo, em O Globo, Jornal do Brasil e as revistas Senhor, Veja e IstoÉ. Lecionou Fotojornalismo na PUC-Rio na década de 1980.
Esteve no primeiro grupo de fotógrafos a receber o Prêmio Ferrez, de trabalho e pesquisa, então denominado Bolsa de Fotografia Marc Ferrez, da Fundação Nacional de Arte, com o projeto Presença norte-americana no Brasil: um registro visual.
Participou de coletivas como a mostra Miroir Rebelle, organizada pelo Departamento de Fotografia, Vídeo & Novas Tecnologias do Museu de Arte Moderna do Rio para o Mois de la Photo à Paris, em 1981. Apresentou a individual Américo Vermelho: um olhar em retrospectiva no Oi Futuro, em 1998.
Na véspera de sua morte, Américo postou no Facebook a foto abaixo, resgatada por Pedro Vasquez para o site Brasil Memória das Artes, da Funarte.