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Após quase 16 anos, ex-funcionários da Gazeta Mercantil ainda não receberam o que é deles por direito

Após quase 16 anos, ex-funcionários da Gazeta Mercantil ainda não receberam o que é deles por direito

Por Victor Félix

Em meio a uma grave crise financeira, atrasos de salários, demissões em massa, indefinição por parte de dirigentes, grandes problemas estruturais e a “ameaça” da ascensão do Valor Econômico, a Gazeta Mercantil, um dos mais importantes e tradicionais jornais brasileiros focados em economia, encerrou suas atividades em junho de 2009. Com uma dívida trabalhista que, à época, ultrapassava os R$ 200 milhões, a continuidade da publicação era insustentável. E até hoje, 2026, centenas de ex-funcionários ainda não receberam um único centavo daquilo que é deles por direito.

Os principais motivos que sustentam o não pagamento são burocracia e “brechas” jurídicas que postergam a execução efetiva das dívidas, a falta de dinheiro nas contas dos responsáveis e o atraso ou o impedimento de leilões e penhora de bens para atingir os valores estabelecidos na Justiça.

Ainda assim, os ex-funcionários da Gazeta Mercantil seguem lutando por seus direitos, liderados pela Associação dos Funcionários e Ex-Funcionários da Gazeta Mercantil. A luta, porém, foi perdendo sua força com o passar dos anos, devido à descrença em um desfecho positivo, após quase duas décadas de espera, ou, passado tanto tempo, literalmente, pela morte de ex-funcionários. É o que explicou Marcelo Moreira, ex-chefe de reportagem e ex-editor da Gazeta Mercantil, presidente da Associação.

“É uma questão apenas simbólica, atualmente, porque a associação foi de certa forma abandonada, por se tratar de um caso antigo. Naturalmente, as pessoas acabam desistindo por não acreditarem mais em uma solução. Quando há alguma atualização do caso, acionamos nosso advogado, Wladimir Durães, que está conosco nessa luta desde 2004, e também me envolvo, mas hoje muito mais como um representante institucional simbólico, pois a verdade é que a associação não existe mais”.

Na Justiça, os ex-funcionários obtiveram decisões favoráveis em todas as instâncias, com a responsabilização da família Levy, ligada ao empresário Luiz Fernando Levy, e do empresário Nelson Tanure pelo pagamento das dívidas trabalhistas. Tanure assumiu a GZM em 2003, em meio a graves problemas financeiros e estruturais que foram se intensificando até o fim do jornal, em 2009.

“É importante ressaltar que o Tanure foi considerado pela Justiça, em todas as instâncias, como responsável pela dívida trabalhista. Nelson Tanure é, sim, devedor dos ex-funcionários da Gazeta Mercantil. Nós ganhamos em todas as instâncias diversos processos contra ele”, explicou Marcelo. “Desde o primeiro instante, os tribunais o reconheceram como solidário nas dívidas. Ele simplesmente não podia se eximir de pagar as dívidas trabalhistas”.

“O grande problema foi a execução de todas elas”, continuou o ex-editor da Gazeta Mercantil. “Não foi possível encontrar contas bancárias com saldo suficiente, e, ao longo destes anos todos, houve diversos recursos e embargos que postergaram a execução da dívida. Então, o caso está nesse pé, por enquanto, de indefinição, mesmo depois de quase duas décadas. Poucas pessoas vinculadas à associação receberam efetivamente – e, se receberam, foi apenas parcialmente. Eu mesmo não recebi nada até agora”. Marcelo explicou também que, segundo o último balanço feito pela associação, em 2023, cerca de 230 pessoas ainda precisavam receber o dinheiro.

Ele trabalhou por três anos na Gazeta, de 2001 a 2004. Foi chefe de reportagem, pauteiro e editor de Brasil/Política e da editoria de Brasil de Informações Eletrônicas, cuidando do site da Gazeta. Foi também editor do noticiário regional do jornal. O e-mail de Marcelo para contatos é [email protected].

Nelson Tanure foi diretamente responsável pelo fim da Gazeta Mercantil e da versão impressa do Jornal do Brasil

Nelson Tanure sempre atuou na aquisição de empresas em processo ou próximas da falência. Ficou conhecido no mercado financeiro por investir em marcas com dificuldades nas áreas de petróleo, infraestrutura, telecomunicações e mídia. Entre estas últimas estão a própria Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, que ele assumiu no começo dos anos 2000. E foi sob a gestão dele que, em cerca de uma década, as publicações encerraram suas atividades – no caso do JB, a versão impressa.

Foi em 2001, especificamente, que Tanure assumiu o Jornal do Brasil, em substituição a Manuel Francisco do Nascimento Brito, então proprietário da publicação, que havia se afastado do dia a dia de trabalho. Tanure liderou grandes processos de reformulação do jornal, incluindo trocas na direção, contratações e cortes na equipe de redação, o que acabou gerando um aumento significativo na folha salarial da empresa, e as dificuldades de arcar com os salários dos funcionários se intensificaram.

Nelson Tanure (Crédito: LinkedIn)

Ele controlou os dois jornais por meio da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM). Em movimento de expansão do conglomerado, investiu (ou tentou investir) nas compras das editoras Peixes (responsável à época por marcas como Gula, ViverBem e Próxima Viagem) e Três (proprietária, entre outras, da IstoÉ). A negociação com a editora Três não deu certo devido à forte crise financeira pela qual a empresa passava. E a própria CBM, sob o comando de Tanure, enfrentava um período turbulento devido ao fracasso de alguns projetos.

Enquanto isso, a Gazeta Mercantil enfrentava não só uma grave crise financeira como também a “ameaça” do surgimento de uma nova publicação de peso, o Valor Econômico. Foi nesse contexto que Tanure assumiu a GZM, em 2003, com atrasos de salários, greves de funcionários e demissões em massa. Os problemas financeiros e estruturais foram se intensificando até o desfecho, em 2009, aumentados significativamente pela crise global de 2008, que atingiu em cheio o jornalismo do mundo todo, e o brasileiro não poderia ser diferente.

Em 1º de junho de 2009, curiosamente a data em que se celebra o Dia da Imprensa, Tanure decidiu rescindir o contrato de licenciamento do uso da marca Gazeta Mercantil e devolvê-la a Luiz Fernando Levy. Com uma dívida trabalhista na casa dos R$ 200 milhões e sem condições de quitá-la, o jornal deixou de circular, após quase 90 anos de história. Por ironia do destino, menos de um mês após o fim da Gazeta Mercantil, Tanure participou de um encontro com empresários para falar sobre recuperação de empresas de mídia em época de crise.

Cerca de um ano depois, em junho de 2010, foi a vez do Jornal do Brasil encerrar a sua versão impressa. Tanure comunicou ao mercado que deixaria a área de mídia e encerraria o contrato de arrendamento da marca com a família Nascimento Brito, dona do jornal, algo similar ao que havia feito com a Gazeta no ano anterior. Neste caso, porém, a publicação permaneceu ativa em sua versão online e a última edição impressa circulou em 31 de agosto daquele ano. Como protesto ao novo rumo do jornal, o icônico repórter fotográfico Evandro Teixeira pediu demissão quatro dias antes do fim do jornal, onde havia trabalhado por 47 anos.

Tanure, vale lembrar, tem sido apontado como um suposto “sócio oculto” do Banco Master. Ele foi alvo de recente operação da Polícia Federal que investiga um esquema de fraudes contábeis e financeiras envolvendo o banco.

Atraso nos pagamentos e inclusão da TIM na dívida trabalhista

Conselho Nacional de Justiça e Jusbrasil lançam painel com dados de processos sobre liberdade de imprensa
Crédito: Tingey Injury Law Firm/Unsplash

J&Cia também conversou com o advogado Wladimir Durães, que atua em processos trabalhistas envolvendo a Gazeta Mercantil desde 2002. Ele já cuidou de mais de 500 ações sobre o caso e, atualmente, está à frente de 225. Segundo o advogado, apenas a dívida trabalhista hoje já está na casa dos R$ 300 milhões. Ao incluir impostos e outras correções, a quantia deve chegar aos R$ 700 milhões.

Durães explicou que, ao longo dessas quase duas décadas, foram feitas tentativas de leilões e penhora de bens com o objetivo de alcançar o montante devido. O problema é que, nos últimos anos, uma série de “brechas” jurídicas acabaram prolongando ainda mais o caso: recursos, mudanças de entendimento da Justiça, regras que permitem prolongar disputas, manobras de transferência de bens, uso de empresas em recuperação judicial e disputas sobre a validade das penhoras. Com isso, muitas etapas de processos tiveram que recomeçar, gerando grandes atrasos que se arrastam até hoje.

“São recursos que, obviamente, estão dentro da lei, mas que em alguns casos são usados para ganhar tempo. É uma situação muito confusa, e a própria Justiça brasileira acaba de certa forma ‘permitindo’ esse prolongamento dos processos”, declarou o advogado. “Parece quando estamos jogando um jogo de tabuleiro, e quando achamos que estamos avançando, caímos naquela casa que diz ‘volte duas casas’. E o problema é que muitos dos clientes já estão em idade avançada, alguns já faleceram, e estão aguardando até hoje por uma resolução”.

Wladimir explicou que uma solução positiva para o encaminhamento do processo foi a inclusão da operadora TIM como mais uma responsável pela dívida trabalhista. No começo de 2008, a companhia Docas Investimentos, que pertencia a Tanure, adquiriu a operadora Intelig. Um ano mais tarde, em 2009, ela foi comprada pela TIM, em um processo que funcionou mais como uma fusão entre as duas empresas. E, como parte do negócio, Tanure recebeu uma participação acionária na TIM, passando a ter assento em conselhos da empresa e influenciando em decisões administrativas.

Nesse contexto, a TIM foi incluída no processo em duas frentes: a primeira, no sentido de grupo econômico. Na época, o Grupo Docas já era responsável pelas dívidas trabalhistas da Gazeta Mercantil e, como Tanure passou a ter influência dentro da estrutura da TIM, a Justiça entendeu que havia ligação suficiente para considerá-la como integrante do mesmo grupo econômico e, portanto, poderia dividir a responsabilidade pelas dívidas.

Já a segunda frente foi a sucessão empresarial, “com base na OJ 411 da Subseção Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I), do Tribunal Superior do Trabalho que por exceção, devido a insolvência, inidoneidade, má-fé e/ou fraude do Grupo Docas, à época da fusão, obriga a TIM a responder pelo passivo de outras empresas do Grupo Docas, além da própria Intelig”, explicou Durães. Na prática, a Justiça entendeu que a TIM não herdou somente o passivo da Intelig ao incorporá-la, passando a responder por suas obrigações, mas também das demais empresas devedoras de passivos trabalhistas do Grupo Docas. E como o Grupo foi considerado inidôneo, ou seja, economicamente incapaz de pagar as dívidas trabalhistas, aplicou-se essa exceção que autoriza responsabilizar a empresa sucessora nesses casos.

Porém, esse entendimento da Justiça acabou entrando em ação como um fator que atrasou ainda mais os pagamentos. Isso porque, em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu processos no País inteiro ao iniciar a discussão para decidir se empresas que não participaram desde o início da ação (como é o caso da TIM) poderiam ser incluídas na fase final. Em outubro de 2025, essa discussão (Tema 1232 do STF) foi finalmente pacificada e foi concluído que, somente após um procedimento específico, o IDPJ, uma empresa do mesmo Grupo Econômico poderá ser incluída na fase final, uma vez não tendo integrado a ação desde o início e demonstrado-se o abuso da personalidade jurídica (fraudar credores, abuso de direito, confusão patrimonial). Isso fez muitos casos voltarem praticamente à estaca zero da execução, mesmo após mais de 20 anos de tramitação.

Existe a chance, porém, do Tema 1232 permitir que os casos de inclusão da TIM por sucessão não retornem ao início da execução, “visto que se admitiu, excepcionalmente, o redirecionamento da execução trabalhista ao terceiro (TIM) que não participou do processo de conhecimento nas hipóteses de sucessão empresarial”, declarou o advogado.

Ainda assim, a situação é confusa e vem se arrastando desta forma, quase duas décadas após o fim da Gazeta Mercantil: atrasos e “movimentações” judiciais que postergam leilões e penhora de bens que seriam utilizados para chegar à quantia devida, bem como entendimentos de instâncias superiores que fazem os processos voltarem ainda mais etapas.

Nota de esclarecimento

O nome Gazeta Mercantil mencionado nesta reportagem refere-se ao extinto jornal especializado em economia que encerrou suas atividades em 2009, e nada tem a ver com o site Gazeta Mercantil, projeto digital estruturado em 2023 pelo grupo SMEdit, com atuação exclusiva por meio do domínio www.gazetamercantil.com.

Apesar de ser o mesmo nome, o projeto não possui qualquer vínculo societário, jurídico, patrimonial ou sucessório com a empresa que encerrou suas atividades em 2009, nem mantém relação com obrigações, passivos, sócios ou disputas judiciais mencionadas na reportagem. Toda a responsabilidade editorial e institucional da operação atual está restrita à estrutura estabelecida pelo grupo SMEdit desde 2023.


Clarice Couto é a nova editora assistente da Globo Rural

Clarice Couto assumiu o cargo de editora assistente da nova Globo Rural, hub do Grupo Globo responsável pela produção de conteúdos sobre agronegócio, disponibilizados para a revista Globo Rural, os jornais Valor Econômico e O Globo, a rádio CBN e o canal GloboNews.

“A Globo Rural foi minha primeira ‘casa’ profissional quando cheguei a São Paulo, 18 anos atrás. Era outra Globo Rural, revista e site apenas, outro projeto editorial, mas com uma marca já muito forte”, escreveu Clarice no LinkedIn sobre a novidade. “Na época, também fiz colegas e amigos do Valor, que ficava no mesmo prédio da Editora Globo – alguns, parte da equipe que passo a integrar. O Valor virou parte do meu cotidiano, pelo convívio com jornalistas e pela leitura diária do jornal, especialmente do caderno de Agronegócios. Então, poder entrar nesse hub que é um ‘combo’ de história e marcas pelas quais tenho respeito, é uma alegria. Animada para contar muito mais histórias sobre a ebulição que é o setor agropecuário!”.

Especializada na cobertura do Agronegócio, Clarice trabalhou anteriormente como repórter focada em commodities na agência Bloomberg, repórter do Broadcast Agro/Agência Estado, e editora da Globo Rural e da Época Negócios, da Editora Globo. Colaborou também com a revista Exame.

Morre Américo Vermelho, da fotografia sensível

Morreu em 8/2 o repórter fotográfico Américo Dias Vermelho, aos 72 anos, em sua casa no Rio, de morte súbita, enquanto dormia. O corpo foi encaminhado ao Crematório da Penitência, no Caju, para cerimônia no dia seguinte (9/2).

Paranaense de Apucarana, formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica do Paraná. Enquanto ainda estudava, começou como repórter cinematográfico da TV Paraná. No final dos anos 1970, passou ao fotojornalismo, nos jornais Estado do Paraná e Correio de Notícias.

Transferiu-se para o Rio e trabalhou para a sucursal de O Estado de S. Paulo, em O Globo, Jornal do Brasil e as revistas Senhor, Veja e IstoÉ. Lecionou Fotojornalismo na PUC-Rio na década de 1980.

Esteve no primeiro grupo de fotógrafos a receber o Prêmio Ferrez, de trabalho e pesquisa, então denominado Bolsa de Fotografia Marc Ferrez, da Fundação Nacional de Arte, com o projeto Presença norte-americana no Brasil: um registro visual.

Participou de coletivas como a mostra Miroir Rebelle, organizada pelo Departamento de Fotografia, Vídeo & Novas Tecnologias do Museu de Arte Moderna do Rio para o Mois de la Photo à Paris, em 1981. Apresentou a individual Américo Vermelho: um olhar em retrospectiva no Oi Futuro, em 1998.

Na véspera de sua morte, Américo postou no Facebook a foto abaixo, resgatada por Pedro Vasquez para o site Brasil Memória das Artes, da Funarte.

Agência Mural lança ferramenta que monitora gastos públicos em São Paulo

Agência Mural lança ferramenta que monitora gastos públicos em São Paulo
Orçamentômetro (Crédito: Magno Borges/Agência Mural)

A Agência Mural lançou o Orçamentômetro, ferramenta que permite que os usuários acompanhem, em tempo real, se o orçamento prometido para sua região está sendo executado pela Prefeitura de São Paulo. O projeto, realizado com o apoio do Pulitzer Center, permite a consulta por CEP, facilitando o acesso à informação pública de uma forma mais direta.

A plataforma monitora diariamente a execução orçamentária das 32 subprefeituras, secretarias municipais, outros órgãos públicos e emendas dos 55 vereadores da capital paulista, com base nas informações do Portal de Orçamento da Prefeitura de São Paulo. Com os dados obtidos pelo projeto, a Mural vai produzir reportagens e análises para mostrar os impactos das escolhas de uso de orçamento, principalmente nas periferias.

A ferramenta funciona com quatro indicadores principais: o valor previsto para 2025 no orçamento anual, o orçamento atualizado após os ajustes realizados ao longo do ano, o montante efetivamente gasto (valor realizado ou liquidado) e o percentual de execução que indica quanto do valor prometido foi de fato cumprido. Para facilitar o entendimento por parte dos usuários, a plataforma disponibiliza um mapa interativo que permite visualizar as diferenças entre as subprefeituras.

“A informação sobre orçamento público sempre existiu, mas costuma estar escondida em portais complexos, com linguagem técnica e pouco acessível”, explicou Paulo Talarico, coordenador do projeto. “Muitas vezes sabemos quanto foi prometido para uma subprefeitura, mas não quanto desse valor realmente foi executado. O Orçamentômetro nasce para responder a essa lacuna”.

Flávio Moreira anuncia saída do InfoMoney

Flavio Moreira (Crédito: InfoMoney)

Flávio Moreira, especializado em conteúdo, inovação e estratégias digitais, anunciou sua saída do InfoMoney após quase um ano e meio de casa. Desde agosto do ano passado, ele atuava como diretor de conteúdo do veículo. Antes, foi coordenador de inovação, trabalhando na intersecção entre tecnologia, jornalismo e estratégia de negócios.

“Saio com segundo recorde histórico seguido de audiência, algo tão raro em um cenário de declínio de tráfego para publishers, um feito que consolidou a maior fatia de market share do segmento”, escreveu Moreira, no LinkedIn. “Mas o sucesso de métricas assim não pode ofuscar o longo prazo e senti que posso contribuir e me desenvolver mais desempenhando outros papéis. E também genuinamente acho que a cadeira que eu ocupei merece alguém com outro perfil”.

Antes do InfoMoney, Moreira atuou como editor-chefe de novos projetos no UOL. Trabalhou ainda na equipe de mídias sociais do portal. Foi também Head de Conteúdo no Torcedores.com e Gestor de Comunidades FIFA na Electronic Arts.

100 anos de Rádio no Brasil: Entre a ressurreição digital e o silêncio das éticas esquecidas

(Crédito: attorneyatlawmagazine)

Por Álvaro Bufarah

Há algo profundamente simbólico – e perturbador – na ideia de entrar em um marketplace e escolher a voz de Judy Garland como quem escolhe um filtro de TikTok. Ou solicitar a de Alan Turing para narrar uma campanha de tecnologia. Ou encomendar a voz de Mark Twain para vender seguros, aplicativos ou cursos de escrita criativa.

A ElevenLabs, talvez a empresa mais influente no avanço das vozes sintéticas, acaba de lançar o Iconic Marketplace, uma plataforma global que transforma vozes históricas em ativos licenciáveis, prontos para uso em publicidade, documentários, filmes, podcasts, audiolivros e experiências imersivas. Um gesto que marca o início de uma era inédita: o mercado da imortalidade vocal.

Não é exagero dizer que estamos entrando em um tempo em que até o que já morreu pode voltar a trabalhar.

A ElevenLabs afirma que o marketplace é ético, transparente e controlado pelos detentores de direitos de imagem e voz – herdeiros, fundações, editoras, agentes. Tudo amparado por contratos formais. Mas por trás da burocracia está uma mudança cultural muito mais profunda: a tecnologia agora permite reconstruir performances inteiras, com entonações, pausas, ritmos e até falhas características.

A morte deixa de ser um limite: você não apenas lembra de uma voz – você a atualiza. É como se Hollywood tivesse encontrado a pedra filosofal da dublagem.

E a indústria correu para esse novo ouro: em 2024-2025, o uso de vozes sintéticas em publicidade cresceu mais de 350%, segundo a Kantar Creative Trends. Plataformas como Respeecher, Metaphysic, DeepZen e a própria ElevenLabs tornaram-se ferramentas constantes para trailers, pré-visualizações, dublagens temporárias e até diálogos completos.

Ouvir John Wayne novamente – firme, monocórdico, herói de um passado que nunca existiu – produz um estranhamento peculiar. Não é nostalgia: é simulação. É nostalgia assistida por IA. A plataforma oferece demonstrações que soam tão reais quanto as gravações originais, ainda que produzidas inteiramente por algoritmos.

Segundo a CBS/AFP (2025), em pesquisa com 9.000 pessoas:

  • 97% não conseguem distinguir uma voz gerada por IA de uma humana;
  • a maioria expressa desconforto diante dessa indistinguibilidade;
  • 80% exigem rotulagem clara.

Mas a indústria avança mais rápido que nossos incômodos.

Se antes já vivíamos um excesso de remakes, reboots e continuações, agora vivemos a era dos revivals vocais – não para contar histórias, mas para vender. O que era aura artística transmuta-se em “recurso criativo licenciado”.

Esse movimento inaugura um novo tipo de memória coletiva: aquela que se compra. Aquela que se usa sob demanda. Aquela que deixa de ser comum – patrimônio afetivo – e se torna ativo comercial.

O impacto disso é gigantesco:

  • Desloca o valor da performance humana para a replicação técnica.
  • Cria dependência tecnológica para recriar contextos culturais passados.
  • Estimula usos controversos, como aplicar a voz de figuras históricas em narrativas que jamais defenderiam.
  • Reabre debates sobre propriedade de voz, persona e legado que nem o direito autoral, nem o direito de imagem, nem a ética contemporânea conseguem acompanhar.

Não é coincidência que, em paralelo, estados norte-americanos correm para aprovar leis como o No Fakes Act, que regula o uso de vozes e imagens sintéticas de celebridades. A disputa não é apenas tecnológica: é identitária.

(Crédito: attorneyatlawmagazine)

Afinal, quem define o que Mark Twain deveria dizer? Ou Judy Garland aprovaria? Ou Alan Turing defenderia?

A IA não revive biografias – revive projeções.

O Iconic Marketplace também sinaliza algo inevitável: a profissionalização da indústria da voz sintética. Para produtoras, plataformas e marcas, a tentação é irresistível:

  • acesso rápido;
  • custos reduzidos;
  • facilidade de adaptação;
  • impacto emocional garantido;
  • licenciamento centralizado.

A lógica econômica da indústria cultural muda radicalmente – e silenciosamente.

Enquanto isso, atores de voz alertam para a redução de oportunidades e para práticas de substituição disfarçada. Em 2024, o SAG-AFTRA incluiu cláusulas específicas sobre “proteção de performances vocais” em seus acordos justamente para evitar que estúdios armazenassem vozes e as reutilizassem por décadas.

Mas o mercado global, menos regulado e movido por startups agressivas, vai muito além do escopo sindical.

A pergunta que permanece pairando é: o que acontece com a criatividade quando o passado se torna mais rentável do que o presente?

O Iconic Marketplace é fascinante, tecnicamente brilhante e narrativamente poderoso. Mas também abre portas difíceis de fechar:

  • Quem decide se Alan Turing pode narrar um game distópico?
  • Quem veta o uso da voz de Judy Garland em comerciais polêmicos?
  • Até que ponto reconstruções vocais perpetuam representações históricas distorcidas?
  • Como garantir que essas vozes não alimentem deepfakes ou usos políticos indevidos?

A ElevenLabs promete controle rígido.

Mas a história da tecnologia ensina que controle é promessa, não destino.

Ao transformar vozes em objetos licenciáveis, criamos um futuro em que a memória cultural deixa de ser espaço de homenagem e passa a ser indústria de consumo. Não preservamos o passado – empacotamos. Não reverenciamos – monetizamos. Não interpretamos – editamos.

E, aos poucos, nos acostumamos com a ideia de que nenhuma voz desaparece – desde que gere receita.

Talvez a grande questão não seja “podemos usar a voz dos mortos?”, mas “por que queremos tanto fazê-lo?”.

Porque, no vazio deixado pela sobrecarga de estímulos, buscamos ícones familiares.

Porque a era digital transformou a ausência em oportunidade.

Porque o mercado descobriu que a imortalidade, enfim, é um bom negócio.

 

Fontes de pesquisa

Fonte primária

  • ElevenLabs (2025). Iconic Marketplace – Official Announcement.

Fontes complementares e correlatas

  • CBS News / AFP (2025). Pesquisa global sobre percepção de vozes e músicas geradas por IA.
  • Kantar Insights (2024–2025). Relatórios sobre uso de IA em publicidade e produção audiovisual.
  • The Verge / Wired / TechCrunch (2024–2025). Cobertura sobre IA generativa em áudio e deepfakes vocais.
  • SAG-AFTRA (2024). Acordo coletivo e cláusulas sobre IA e proteção de vozes.
  • Music Business Worldwide (2024–2025). Reportagens sobre ética e licenciamento de vozes sintéticas.
  • MIT Technology Review (2024–2025). Artigos sobre identidade digital e IA.
  • Harvard Law Review (2025). Debates sobre direitos de personalidade e voz no contexto da IA.
  • Respeecher, Metaphysic, DeepZen – Documentações e políticas de uso publicadas (2024–2025).
Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (42)

(Crédito: vermelho.org.br)

Por Assis Ângelo

Em 1968, quando França, Vietnã e EUA pegavam fogo e mudavam até o modo de pensar e agir de muita gente ao redor do mundo, países emblemáticos e poderosos como os aqui já citados tinham representantes sentados à mesa de discussões para assinar o que passou a ser chamado Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

(Crédito: vermelho.org.br)

Depois de muita polêmica, o TNP foi assinado. Porém, só passou a vigorar no dia 5 de março de 1970.

Desde os turbulentos anos da década de 70, muita água barrenta e podre passou por debaixo da ponte. Das pontes de canto a canto do mundo. Mortos, cegos, aleijados e desgraças tantas foi o saldo.

Os EUA perderam o embate com o Vietnã. E tal e tal.

Hoje a China já tem condições de bater de frente com os EUA, que não param de nos ameaçar de tudo quanto é jeito.

Pois é, já passou da hora de rezarmos por nossas próprias almas.

O embate entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, leia-se Palestina, resultou em milhares de civis cegados por armas das forças israelenses.

Também mirados nos olhos, muitos civis iranianos tombaram mortos ou ficaram cegos de um ou dos dois olhos para sempre, por protestarem contra o regime violento de que são vítimas.

Parece absurdo, mas o que é a guerra senão um absurdo completo?

Durante muito tempo, Israel tem ensinado a atirar nos olhos dos inimigos. Esse lamentável ensinamento tem sido passado adiante por grana definida em contrato.

O Chile chegou a contratar tais préstimos dos trogloditas fardados de Israel. O Brasil também, mas essa é outra história.

No dia 5 de fevereiro de 2026, o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (NewStart) foi encerrado.

O arsenal nuclear dos EUA conta com ao menos 5.177 ogivas e a Rússia, de 5.459 a 5.580, segundo estimativas publicadas pela imprensa internacional.

Informação merecedora de algum crédito dá conta de que há nove países sabe-se lá com quantas ogivas nucleares guardadas: além da Rússia e dos EUA, China, França, Reino Unido, Paquistão, Índia, Israel e Coreia do Norte.

Contatos pelo [email protected]

Globo lançará reality com Caco Barcellos para encontrar novo talento de jornalismo

Globo lançará reality com Caco Barcellos para encontrar novo talento de jornalismo

A Globo lançará ainda no primeiro semestre de 2026 um reality show, comandado por Caco Barcellos, para encontrar um novo talento para o jornalismo da emissora. O quadro será exibido dentro do Fantástico, nas noites de domingo. As informações são de Gabriel Vaquer, do F5 (Folha de S.Paulo).

As seleções serão feitas em todo o Brasil, com as fases finais acontecendo dentro do Fantástico. Além de Caco, outros nomes do jornalismo da Globo participarão do reality, acompanhando o desenvolvimento dos participantes em temas como apuração, reportagem e narrativa.

Vale lembrar que, além do reality, Caco Barcellos segue no comando do Profissão Repórter que, a partir deste ano, volta a ser um quadro do Fantástico, exibido dentro do programa, também nas noites de domingo. O Profissão Repórter seguirá com a mesma linha editorial, mas terá uma temporada mais curta em 2026, devido às eleições, à Copa do Mundo e à temporada de realities shows da Globo.

André Azeredo deixa o SBT e retorna à Record

André Azeredo (Crédito: Divulgação/SBT)

O apresentador e repórter André Azeredo deixará o SBT no final desta semana. Ele havia sido contratado pela emissora em julho do ano passado e retornará à Record TV. As informações são de Flávio Ricco.

Segundo Ricco, André, que estava atuando na apresentação do Alô Você, em substituição a Luiz Bacci nas manhãs da programação do SBT, recebeu uma “proposta irrecusável” da Record. Em conversa com a direção do canal do Grupo Silvio Santos, André acertou sua saída da emissora a próxima sexta-feira (13/2).

Com mais de 20 anos de experiência no jornalismo, André passou anteriormente em veículos como Globo, Band e RedeTV. Natural do Rio de Janeiro, formou-se pela PUC-RS e iniciou a carreira em 2006, no Grupo RBS. Em 2015, mudou-se para São Paulo e se tornou repórter na capital paulista. Na Record, atuou como âncora do SP no Ar e repórter investigativo do Domingo Espetacular. Comandou também algumas edições do Balanço Geral SP.

Soraya Lauand assina com o Times Brasil/CNBC

Soraya Lauand (Crédito: Divulgação/Times Brasil CNBC)

O Times brasil/CNBC anunciou a contratação de Soraya Lauand, que estreia na emissora nesta segunda-feira (9/2). No canal, ela atuará como repórter e apresentadora e vai integrar novos projetos editoriais que ainda estão em desenvolvimento.

Soraya tem mais de 14 anos de experiência em televisão. Ela trabalhou anteriormente como apresentadora, repórter e produtora de conteúdo em TV Globo, Record TV, CNN Brasil e Jovem Pan News. Atuou na apresentação de telejornais diários, mediação de entrevistas e como analista de temas como política, economia e relações internacionais.

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