8.2 C
Nova Iorque
quinta-feira, abril 2, 2026

Buy now

" "
Início Site Página 12

100 anos de Rádio no Brasil – Do radinho ao algoritmo: como o esporte reorganizou todas as telas

Por Álvaro Bufarah (*)

O Brasil sempre foi um país que se reconheceu no espelho do esporte. Mas em 2025 esse espelho deixou de ser apenas a tela da televisão e passou a ser o bolso, a palma da mão, o feed infinito e a notificação vibrando no celular. Segundo dados publicados pela revista Tela Viva, com base no relatório O Esporte no Ambiente Digital da Comscore, o País assumiu a segunda posição global em consumo digital de esportes, com 59 milhões de visitantes únicos mensais, atrás apenas dos Estados Unidos. Um número que revela menos um fenômeno tecnológico e mais uma transformação cultural profunda na forma como o brasileiro constrói pertencimento, emoção e identidade midiática.

O esporte deixou de ser um evento pontual e tornou-se um ambiente permanente de conexão. Hoje ele existe em fragmentos contínuos: corte de vídeo, bastidor, análise tática, react no TikTok, transmissão ao vivo no YouTube, podcast pós-jogo e, ainda, no velho companheiro de sempre: o rádio. O dado mais simbólico é que 79% do consumo digital de esportes ocorrem exclusivamente via celular, o que indica que o torcedor já não depende mais de um lugar físico para acompanhar sua equipe. O esporte não cabe mais na sala: ele habita o corpo em movimento.

A ascensão de projetos como CazéTV e geTV no YouTube ilustra esse novo ecossistema. Entre setembro e novembro de 2025, a CazéTV acumulou 585 milhões de visualizações, enquanto o geTV registrou 489 milhões. Esses números rivalizam com grandes audiências da TV aberta, mas dentro de uma lógica em que o público não é mais apenas espectador: é comentarista, editor, produtor, memeiro.

Contudo, ao contrário do que discursos tecnicistas costumam anunciar, esse cenário não matou o rádio – ao contrário, reposicionou seu papel. Dados históricos do Ibope/Kantar Media e do Inside Radio mostram que o rádio segue sendo o meio mais estável para consumo esportivo em tempo real, especialmente em deslocamentos urbanos. No Brasil, pesquisas recentes indicam que mais de 60% dos ouvintes de rádio acompanham esportes pelo menos uma vez por semana, sendo futebol, automobilismo e esportes olímpicos os principais conteúdos.

O que mudou não foi o interesse pelo áudio, mas a forma como ele circula.

Se as plataformas digitais disputam atenção por imagem, o rádio continua sendo o meio da companhia contínua. Ele não exige tela, não exige foco exclusivo, não exige imobilidade. Por isso, mesmo em 2025, estudos da Nielsen Audio e da Kantar Ibope Media mostram que o rádio mantém altíssimos índices de consumo esportivo em carros, transporte público, trabalho e atividades domésticas.

Em termos comparativos:

Meio – Tipo de consumo esportivo dominante

YouTube/redes sociais – Highlights, reações, lives, bastidores

Streaming de vídeo – Jogos completos, eventos especiais

Podcasts – Análise, debate, storytelling esportivo

Rádio – Acompanhamento ao vivo, narração em tempo real, informação contínua

O rádio não compete mais por exclusividade – ele opera como infraestrutura sensorial do cotidiano, especialmente em contextos em que a atenção visual é impossível ou inconveniente.

A grande ruptura não está no conteúdo, mas na mediação da experiência esportiva. Durante décadas, essa mediação foi feita por narradores, comentaristas e diretores de programação. Hoje, ela é feita por algoritmos de recomendação, métricas de engajamento e plataformas que decidem o que aparece, quando e para quem.

O paradoxo é que, enquanto o digital promete personalização extrema, o rádio ainda oferece algo raro: experiência coletiva síncrona sem mediação algorítmica direta. Todo mundo ouve a mesma narração, no mesmo tempo, com a mesma emoção. Não há filtro, não há feed, não há curadoria invisível.

Por isso, mesmo em um país onde 16% de todas as interações nas redes sociais estão ligadas a marcas e clubes esportivos, o rádio permanece como o meio de maior credibilidade informativa no esporte, segundo rankings recorrentes do Reuters Institute e do Edelman Trust Barometer.

A Comscore projeta que 2026 consolidará definitivamente o modelo multitelas, impulsionado pela Copa do Mundo nos EUA, Canadá e México. Mas, paralelamente, relatórios de Deloitte, Nielsen e Statista indicam que o crescimento do esporte virá também pela expansão do áudio: podcasts esportivos, rádios híbridas, transmissões em smart speakers, dashboards automotivos conectados e experiências sonoras imersivas.

Em termos estratégicos:

  • O vídeo domina a descoberta.
  • O texto organiza a memória.
  • O áudio sustenta o vínculo emocional.

O esporte, que durante um século foi o grande espetáculo da televisão, agora se torna o principal motor simbólico da cultura digital sonora. Ele não apenas gera audiência – ele organiza rotinas, deslocamentos, afetos e economias inteiras.

No fim, talvez o dado mais revelador não seja que o Brasil é o segundo maior mercado digital de esportes do mundo. O mais revelador é que, mesmo no auge das telas, o esporte ainda passa pelo som. E talvez continue passando, porque a emoção não precisa de imagem para existir – mas precisa de voz para ser compartilhada.


Fontes principais

  • Revista Tela Viva – Brasil assume segunda posição global em consumo digital de esportes (2025).
  • Comscore – The Sports in the Digital Environment Report (2025).

Fontes sobre rádio e esporte

  • Kantar Ibope Media – Book de Rádio Brasil (2024–2025).
  • Nielsen Audio – Sports Listening Report (EUA, 2023–2025).
  • Inside Radio – Sports Radio Trends.
  • Edison Research – Infinite Dial (edições 2023–2025).
  • Reuters Institute – Digital News Report (confiança em meios).

Fontes analíticas complementares

  • Deloitte – Global Sports Industry Outlook.
  • Statista – Sports Media Consumption.
  • MIT Technology Review – Attention Economy.
  • Edelman Trust Barometer – Media Trust Rankings.
Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (43)

Tobit (Crédito: pintura de Gerrit van der Horst, c.1645)

Por Assis Ângelo

A terra prometida constante da Bíblia hebraica ficava ali onde hoje se acham Israel e Palestina.

Considerada a principal religião daquelas bandas, o judaísmo foi criado por Abraão e disseminado por Moisés, Davi e Salomão.

O calhamaço bíblico da Antiguidade registra texto atribuído a Daniel. Segundo o texto, identificado como o Livro de Daniel, o fim do mundo deverá ocorrer sabe-se lá quando. Um trecho:

E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve… Mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo… E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e horror eterno.”

Algo sobre o fim do mundo pode ser conferido em Matheus, 24:

Porque se levantará nação contra nação e reino contra reino e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém, tudo isso é o princípio das dores.”

Há muitas histórias no Livro de Daniel, além das profecias referentes aos nossos dias finais.

Noutros livros, como o de Tobias, as histórias mais do que se multiplicam. Sem falar nos poemas e cantos, alguns majestosos.

Em Tobias é dito que Tobit era judeu de profundas raízes enfincadas no mais profundo chão. Simples, quase simplório, fazia o bem a todos das tribos que o procuravam.

Leem-se nos escritos que Tobit ficou cego da maneira mais boba possível.

Um dia, dizem, que ele estava assim, assim, à toa. Admirava a natureza quando sua atenção foi despertada por um bando de pássaros. Ao olhar para cima deslumbrado, num instante seus olhos foram atingidos por excrementos da passarinhada.

Tobit era casado com Ana, que lhe deu um filho: Tobias.

Tobit (Crédito: pintura de Gerrit van der Horst, c.1645)

O tempo passou, Tobias cresceu e o pai preocupado com o seu futuro recomendou-lhe procurar um velho parente. Esse parente, Gabael, devia grana a Tobit. Encurtando a história: Tobias pegou estrada junto com um amigo recente, que viríamos a saber ser o anjo Rafael.

No decorrer do percurso até a casa de Gabael, ao cruzar um rio, Tobias por pouco não foi engolido por um peixe. O anjo o salvou e do peixe extraiu o coração, o fel e o fígado.

Na volta à casa paterna, Tobias chegou todo feliz trazendo a tiracolo a mulher da sua vida, sua prima distante, Sara.

Pra findar tudo pra lá de melhor e por recomendação de Rafael, Tobias passou o fel do peixe nos olhos cegos do pai e… milagre, milagre!

E foi assim que a história de Tobias com o seu pai terminou.

A história, as histórias, tudo isso faz parte do tempo. De qualquer tempo.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Reinaldo Azevedo será analista político do Metrópoles a partir de março

Congresso Mega Brasil de Comunicação elege Reinaldo Azevedo como Personalidade da Comunicação 2025
Reinaldo Azevedo (Crédito: Divulgação)

Reinaldo Azevedo assinou com o portal Metrópoles. Ele fará análises sobre política nacional e internacional em um novo programa, transmitido de segunda a sexta-feira no canal do Metrópoles no YouTube. A estreia está marcada para 2 de março.

O programa de Reinaldo focará nos principais acontecimentos políticos no Brasil e no mundo, com foco em análises dos temas mais complexos. O apresentador segue no comando do programa O É da Coisa, na BandNews FM, e também com seus comentários sobre as principais notícias na rádio e na BandNews TV.

Ao longo de sua trajetória no jornalismo, Reinaldo foi diretor de Redação da revista Primeira Leitura, entre 2002 e 2006; redator-chefe das revistas República e Bravo, entre 1996 e 2002; e colunista da revista Veja, entre 2006 e 2017. Na Folha de S.Paulo foi editor-adjunto de Política, coordenador de Política da Sucursal de Brasília e colunista em três diferentes períodos, entre 1996 e 2023. Desde 2017, apresenta o programa O É da Coisa, na BandNews FM.

Em janeiro de 2026, anunciou sua saída do portal UOL, onde trabalhou por mais de sete anos, desde 2019. No site, além de atuar como colunista, comandou por dois anos o programa Olha Aqui, transmitido em todas as plataformas digitais do UOL.

Reinaldo, vale lembrar, recebeu o prêmio de Prêmio de Personalidade da Comunicação 2025, durante o 28º Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, da Mega Brasil.

O adeus ao professor Fábio França, que formou gerações de profissionais de RP

Faleceu em 9/2, em São Paulo, aos 93 anos, o professor Fábio França, que liderou a formação de inúmeras gerações de profissionais de relações públicas e que deu significativa contribuição teórica à atividade, em especial com sua obra Classificação Lógica de Públicos, em que criou parâmetros que transformaram o modo de enxergar a gênese na profissão. É dele a formulação de públicos adotada pela área e que de certo modo vigora ainda hoje: “Essenciais” (os pilares da existência), “Não-Essenciais” (os parceiros de objetivos) e “Redes de Interferência” (os formadores de opinião e a mídia).

Cerca de quatro anos atrás, aos 89 anos, França foi um dos entrevistados da websérie A Comunicação Empresarial no Brasil – a história contada por quem ajudou a escrever a história, da Mega Brasil Comunicação, e sua participação ajudou a resgatar a memória viva de uma profissão. Em texto publicado no Portal da Mega Brasil, Marco Rossi lembra: “Seu depoimento nessa série não foi apenas técnico; foi um manifesto ético. Ele personificava o equilíbrio entre o ‘velho’ das terras milenares do conhecimento clássico e o ‘novo’ das tecnologias de informação, entendendo que, embora as ferramentas mudem, a alma da comunicação não tem rotina”.

Foi nessa conversa, de quase uma hora, que contou com a participação de Eduardo Ribeiro (também diretor deste Portal dos Jornalistas), que ele falou sobre os nove anos de sacerdócio, revelando que sua vida profissional, pós-igreja, só foi iniciada quando tinha 35 anos de idade, logo depois que deixou Congonhas, em Minas, e arriscou-se por São Paulo. Depois de bater em muitas portas, sem sucesso, conseguiu ser vendedor das enciclopédias Barsa e, algum tempo depois, professor de Educação Moral e Cívica em um colégio estadual, atividade que exerceu por três anos. Ou seja, foi praticamente depois dos 40 que sua vida enveredou pelas relações públicas, e de forma intensa, já que foram mais de 50 anos divididos entre o trabalho como executivo, professor e militante das instituições profissionais, como ABRP, Conrerp e Abrapcorp.

Último encontro

“Quis o destino que nosso último encontro fosse casual, e acontecesse nas salas de espera do HCor, onde ambos aguardávamos para exames de rotina, no segundo semestre de 2024”, conta Edu Ribeiro. “Não pude deixar de registrar momento tão especial e singelo, dado o carinho recíproco entre nós. Não mais nos vimos. E, com sua despedida, ficam agora conosco a saudade e o grande legado por ele deixado”.

Edu Ribeiro e Fábio França no HCor

Mundo se revolta contra sentença de 20 anos a Jimmy Lai em Hong Kong

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A sentença de prisão imposta a Jimmy Lai em Hong Kong em 9/2 era, em certa medida, previsível: depois da condenação dele por crimes ligados à segurança nacional e por sedição, dificilmente o magnata escaparia de mais tempo atrás das grades. O que causou indignação foi o tamanho da pena – 20 anos – aplicada a um homem de 78 anos, com saúde descrita como fragilizada após anos privado da liberdade – uma punição que muitos interpretam, na prática, como “prisão perpétua”.

Fundador do conglomerado Next, que publicava o Apple Daily (fechado em 2021 após perseguições) e cidadão britânico, Lai foi condenado ao lado de seis ex-integrantes do jornal. As acusações incluem publicação de material considerado sedicioso e conspiração com forças estrangeiras, sob a Lei de Segurança Nacional, frequentemente criticada por abrir margem a interpretações amplas.

A reação internacional foi imediata: governos e entidades cobraram sua libertação e apontaram violação à liberdade de expressão e de imprensa. Pequim respondeu dizendo que a prisão é “legítima” e pediu que países estrangeiros respeitem a soberania chinesa.

O caso expõe um contraste no momento em que a China tenta ampliar pontes diplomáticas – inclusive com o Reino Unido, cujo premiê esteve no país há poucas semanas – e melhora sua percepção internacional. No Global Soft Power Index 2026, da Brand Finance, o país avançou em métricas importantes de reputação.

Ainda assim, em Hong Kong a engrenagem doméstica segue inalterada. A Repórteres Sem Fronteiras resumiu a contradição ao afirmar que o processo de Lai “não tem sido nada mais do que uma farsa” e cobrou que democracias parem de priorizar a normalização das relações e pressionem pela libertação dele e de outros jornalistas.

Leia mais sobre o caso de Jimmy Lai em MediaTalks.

Para receber as notícias de MediaTalks em sua caixa postal ou se deixou de receber nossos comunicados, envie-nos um e-mail para incluir ou reativar seu endereço.

Esta semana em MediaTalks

Máquinas viciantes: julgamento histórico começa com acusações duras contra Meta e YouTube. Leia mais

Em nova campanha, Reino Unido pede que pais conversem com filhos sobre conteúdo tóxico nas redes. Leia mais

Venezuela liberta último jornalista preso mas o indicia por “traição e financiamento ao terrorismo”. Leia mais

ABCPública lança edital para publicação digital gratuita de obras em comunicação pública

Crédito: Henrique Ferreira/Unsplash

A Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) abriu o Edital de Seleção de Obras para Publicação Digital Gratuita – 2026, com o objetivo de selecionar trabalhos originais que contribuam para o desenvolvimento do campo da comunicação pública no Brasil. As obras escolhidas serão publicadas em formato digital, com acesso gratuito ao público.

A iniciativa é conduzida pelo Comitê Editorial da entidade e busca produções alinhadas à missão da associação, que envolve a promoção da comunicação pública com foco no cidadão, o fortalecimento da atuação de comunicadores em instituições públicas e o incentivo à transparência, à prestação de contas e à participação social.

Submissão de Trabalhos

As submissões poderão ser realizadas em dois períodos ao longo de 2026: até 10 de março, no primeiro semestre, e até 10 de agosto, no segundo. O envio das propostas deve ser feito exclusivamente por formulário on-line indicado pela organização.

Podem ser inscritas teses, dissertações e obras individuais ou coletivas já concluídas e revisadas. No caso de trabalhos acadêmicos, é exigida adaptação prévia ao formato de livro, com ajustes estruturais e editoriais adequados à publicação.

Participação nos Editais

Para participar, os proponentes devem apresentar resumo da obra, texto completo, currículo, declarações de ineditismo e documentação acadêmica quando aplicável, além do termo de concordância com as regras do edital e a cessão de direitos para distribuição gratuita.

A avaliação considerará critérios como alinhamento com os propósitos da ABCPública, contribuição ao campo da comunicação pública, qualidade acadêmica, clareza textual, atualidade da produção e interesse público. Obras produzidas nos últimos dois anos ou atualizadas para a chamada terão prioridade.

O processo seletivo será realizado semestralmente pelo Comitê Editorial, responsável por recomendar as publicações à diretoria nacional, que dará a decisão final. A previsão é de seleção de uma obra por semestre, podendo haver variações conforme deliberação interna.

Acesso ao edital aqui.

Resultados

O resultado será divulgado em até 90 dias após o encerramento das submissões, no site da associação e por e-mail aos autores.

As obras selecionadas serão editadas pela própria ABCPública, que também ficará responsável pela ficha catalográfica e pela disponibilização gratuita dos e-books em seu portal. Os direitos autorais permanecem com os autores, enquanto a entidade recebe autorização para distribuição institucional e não comercial.

Comunicação pública precisa ser menos promocional e mais efetiva, clara e transparente, diz ABCPública

Webinário debate Inteligência Artificial e Comunicação Pública em lançamento de e-book

Neste início de ano, a Carta de Conjuntura produzida pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) chega à sua edição nº 9. O documento traz uma análise do cenário da comunicação pública no país e projeções para o futuro. Em dez tópicos, o documento aponta que 2025 foi um dos períodos mais desafiadores desde a Lei de Acesso à Informação, com retrocessos no acesso a dados e na transparência, pressões sobre a liberdade de imprensa, uso de canais oficiais para promoção pessoal e agravamento do ambiente de desinformação — com atenção especial ao contexto eleitoral de 2026. Ao mesmo tempo, a carta destaca avanços como a Política Nacional de Linguagem Simples e defende uma virada de padrão: mais informação de utilidade pública, com transparência nos gastos e foco no cidadão.

O vice-presidente de Coordenação Regional da ABCPública, Armando Medeiros, coordenou a elaboração. Ele afirma que “a carta de conjuntura n.º 9 da ABCPública destaca avanços importantes, como a aprovação da Política Nacional de Linguagem Simples (Lei 15.263/2025 ), que tornou obrigatória a adoção de uma comunicação clara, direta e centrada no cidadão pelos órgãos públicos, fortalecendo a compreensão das informações e a participação social”.

Para o presidente da ABCPública, Jorge Duarte, em 2025, a comunicação pública seguei prejudicada por práticas históricas que seguem presentes: “interferências em canais oficiais, ataques à liberdade de imprensa e restrições de acesso a informações, baixa transparência no uso de recursos de publicidade e uso de canais institucionais para promoção pessoal em detrimento de pautas de interesse público”.  Para ele, “a comunicação tem que ser efetiva e não pode tirar o foco do atendimento às necessidades do cidadão. Nossa comunicação ainda é muito voltada para promoção de dirigentes e instituições”.

Além de mapear ameaças e tensões que marcaram 2025, a Carta apresenta recomendações imediatas para que a comunicação pública seja conduzida com mais transparência, utilidade e foco no cidadão, garantindo condições reais para o exercício da cidadania.

Dentre as recomendações da ABCPública estão:

  1. Adotar medidas necessárias para a implementação efetiva da Política Nacional de Linguagem simples em todas as esferas e instâncias de governo;
  2. Priorizar a publicidade de utilidade pública que oriente o cidadão para o acesso à políticas e programas públicos;
  3. Fortalecer a participação cidadã em plataformas digitais de governo, integrando dados abertos, consultas públicas e mecanismos deliberativos apoiados por tecnologia e acessibilidade.
  4. Promover independência técnica das áreas de comunicação, fomentando ao acesso, via concurso público, e reduzindo interferências político-partidárias.

Capacitação e agenda 2026

A ABCPública tem investido na formação de comunicadores públicos e na aproximação qualificada entre a academia e quem atua na linha de frente. A ideia é fortalecer práticas que priorizem acesso à informação, participação social e efetivação de direitos, com foco no que o cidadão precisa saber para exercer a cidadania.

Para 2026, a associação já tem na agenda um curso sobre Política de Comunicação Pública com o professor Wilson Bueno e uma nova edição do Curso Completo de Comunicação Pública, em parceria com a Aberje, com temas atuais como inteligência artificial, gestão de crises e comunicação em redes sociais, entre outros. As inscrições e novidades serão divulgadas no site abcpública.org.br  e também pelas redes sociais Instagram, Linkedin e Youtube.

Globo anuncia novidades no Jornalismo em 2026

Uma coletiva em 5/2, conduzida por Renata Lo Prete, reuniu os nomes com mais visibilidade no Jornalismo da Globo para expor os detalhes de cada área sobre as mudanças que a emissora programou para este ano.

Estavam lá as apresentadoras do Fantástico Maju Coutinho e Poliana Abritta; Ana Paula Araújo, âncora do Bom Dia Brasil’; Andréia Sadi, apresentadora do Estúdio i; Júlia Duailibi, âncora do GloboNews Mais; Fátima Baptista, gerente de Inovação e Projetos Especiais da Globo; e Cláudia Croitor, editora-chefe do g1. Pelo Globo Repórter, foram os apresentadores William Bonner e Sandra Annenberg, e mais Mônica Maria Barbosa, diretora do programa, para sinalizar a importância que este deve ganhar.

Em pé (esq.): Claudia Croitor, Renata Lo Prete, Ana Paula Araújo, Sandra Annenberg, Mônica Maria Barbosa, William Bonner, Fátima Baptista e Julia Duailibi; sentadas: Andréia Sadi, Poliana Abritta e Maju Coutinho (Crédito: Bob Paulino/Globo)

As eleições

Em ano eleitoral, com muitos profissionais dedicados a esse projeto, o debate com os candidatos a presidente será exibido logo após o Jornal Nacional, no horário da novela das 21 horas. Da mesma forma, as sabatinas com os candidatos à Presidência da República vão ocorrer em um programa especial logo após o JN. No primeiro turno, César Tralli e Renata Vasconcellos conduzirão as entrevistas. Se houver segundo turno, Renata Lo Prete entrevistará os candidatos.

Renata Lo Prete (Crédito: Bob Paulino/Globo)

No Jornal da Globo, Lo Prete e o cientista político Felipe Nunes, da Quaest, vão percorrer diferentes regiões do Brasil para mostrar como pensa o eleitorado que não se identifica nem com a direita nem com a esquerda e que pode decidir a disputa. A partir de agosto, a apresentadora passa a analisar diariamente o cenário eleitoral em publicações nas redes sociais.

A GloboNews promoverá sabatinas com os principais candidatos à Presidência, realizadas de forma conjunta, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1. A Central das Eleições será dedicada a análises aprofundadas e debates sobre os acontecimentos mais importantes da disputa eleitoral.

O g1 fará um acompanhamento diário dos candidatos aos cargos do Executivo. A plataforma oferecerá análises, bastidores e reportagens exclusivas, além de conteúdos analíticos sobre os resultados e séries especiais com foco em informações claras e didáticas para a população.

Nas redes sociais, a cobertura será reforçada com transmissões de entrevistas e debates ao vivo em TikTok, YouTube e Instagram. A checagem de fatos será ampliada por meio do projeto Fato ou Fake, que verificará informações veiculadas por g1, GloboNews, TV Globo, afiliadas, O Globo, CBN e Valor.

As comemorações

Para celebrar os 20 anos do g1 – portal que publica quase 700 reportagens por dia e está presente nas redes sociais Instagram, X, TikTok, Facebook e Kwai – será lançado um novo aplicativo, com vídeos verticais e uma experiência mais intuitiva.

Andréia Sadi (Crédito: Bob Paulino/Globo)

Como parte das comemorações dos 30 anos da GloboNews, o canal inaugura em agosto uma nova redação no Rio de Janeiro, mais ampla e moderna, com dois estúdios. Um deles, com um telão de 47 m2, será dedicado aos telejornais; o outro receberá os programas de entrevistas, debates e conteúdos aprofundados. No novo espaço devem trabalhar mais de cem jornalistas.

Em abril, a série Prato Feito vai acompanhar a jornada dos alimentos que chegam ao prato dos brasileiros. Em maio, Fernando Gabeira inicia uma jornada pelas feiras livres do País com a série Pelas feiras do Brasil.

Os programas jornalísticos

O Fantástico vai destacar, com Álvaro Pereira Junior, as transformações impulsionadas principalmente pela inteligência artificial no mundo. Em um novo quadro, o influencer Felca refletirá e conversará com especialistas sobre a saúde mental de jovens e adolescentes. Em maio, estreia o Delivery com Maju, no qual a apresentadora pede comida por aplicativo e convida o entregador para compartilhar a refeição e sua história de vida.

Novo quadro fixo com Poliana Abritta, Essa tal de…, derivado de uma série curta apresentada no ano passado, terá episódios sobre de saúde e comportamento. Uma série especial com Felipe Santana, em longa temporada na China, vai contar como o país disputa o pioneirismo no futuro do planeta.

Bom dia Brasil e Globo Repórter ganharão novos cenários. No Bom Dia, a redação será integrada ao estúdio por meio de composição virtual em tempo real, mostrando a rotina da equipe. No Globo Repórter, apresentado por Annenberg e Bonner a partir do dia 20 deste mês, terá no cenário mais recursos virtuais e um clima mais intimista.

E para a ampla cobertura da Copa do Mundo, Renata Vasconcellos vai ancorar o Jornal Nacional em estúdio montado para a ocasião em um dos países-sede.

Ricardo Cesar deixa a Ideal Axicom. Agência passa a integrar a estrutura regional do Grupo Burson na América Latina

Ricardo Cesar deixa a Ideal Axicom. Agência passa a integrar a estrutura regional do Grupo Burson na América Latina

O Grupo Burson anunciou na tarde dessa terça-feira (11/2) a incorporação da Ideal Axicom ao seu controle, dentro de nova reestruturação levada a cabo pelo segmento de PR do Grupo WPP.

Paula Nadal

No Brasil, essa mudança alinha as operações da Ideal Axicom com a liderança de mercado do Grupo Burson, o que também coincide com a decisão de Ricardo Cesar, presidente da Axicom América Latina e cofundador da Ideal Axicom no Brasil, e de Paula Nadal, diretora de estratégia da agência, de deixarem a empresa no final de fevereiro.

Tatiana Americano

Com um faturamento próximo a R$ 100 milhões no Brasil, a Ideal Axicom conta com um time de 350 colaboradores e 80 clientes, entre eles Embraer, Uber, airbnb e Ford. Na venda para o WPP, em 2015, a Ideal acabou encampando a marca Hill & Knowlton, passando a assinar Ideal H+K Strategies. E recebeu aval para sua internacionalização, tendo sido a primeira agência brasileira de PR de porte a ter escritórios próprios no exterior, no caso México e EUA. Na reestruturação realizada em 2024, quando a Ideal fundiu-se com a Axicom, o nome Ideal-Axicom prevaleceu no Brasil, mas a marca Ideal não acompanhou a Axicom no exterior.

Fernando Casagrandi

Com as mudanças, como diz comunicado distribuído pelo Grupo Burson, “a Ideal Axicom continuará a operar de forma independente na oferta de serviços aos clientes locais, regionais e globais, com os líderes de longa data da agência Tatiana Americano, COO, e Fernando Casagrandi, CCO, agora reportando-se a Rosa Vanzella, CEO do Grupo Burson Brasil.  A nova estrutura de liderança entrará em vigor a partir de 1º de março de 2026”.

Rosa Vanzella

Esse movimento, conforme informa a Burson, “abrange também a Axicom México, que atuará de forma semelhante, reportando-se a Mauricio Gutiérrez, CEO do Grupo Burson México”. Lembrando que o “Grupo Burson foi formado após uma fusão global em 2024 e, na América Latina, inclui a marca principal Burson, além das principais agências especializadas JeffreyGroup e Máquina”.

Fundada por Ricardo César e Eduardo Vieira em 2007, a Ideal tornou-se uma referência de inovação e criatividade no setor de Relações Públicas brasileiro. Seu espírito pioneiro gerou um sucesso notável nas últimas duas décadas, tanto como agência independente quanto como parte da WPP após sua aquisição em 2015.

Brian Burlingame

“O Burson Group respeita e celebra o legado construído por Ricardo e Paula, e somos sinceramente gratos por suas inúmeras contribuições ao negócio”, afirmou Brian Burlingame, CEO do Grupo Burson América Latina.

Os novos caminhos de Ricardo Cesar, 18 anos depois

Em post que publicou nessa terça-feira (10/2) no Linkedin, anunciando sua despedida da Ideal Axicom, Ricardo Cesar anunciou seus novos planos:  “Em março inicio um novo desafio como sócio na São Pedro Capital, gestora de investimentos de Alexandre “Alex” Dias, ex-CEO do Google no Brasil e um amigo de longa data”.

Ricardo Cesar deixa a Ideal Axicom. Agência passa a integrar a estrutura regional do Grupo Burson na América Latina
Ricardo Cesar

Apaixonado pela área de PR, amigos apostam que ele não conseguirá ficar muito tempo longe do mercado, embora saiba-se que nessa saída há uma cláusula de non-compite. No seu post, no entanto, ele não dá pistas nessa direção. Ao contrário: “Sempre tive admiração e interesse pela área de investimentos e por tecnologia. A São Pedro, com escritórios em São Paulo e na Califórnia e um time de craques, junta as duas coisas de maneira brilhante. Estou entusiasmado com esse novo capítulo”.

Ricardo é formado em Jornalismo pela ECA/USP e ingressou no mercado contratado pela S2 Comunicação, para atuar na equipe de comunicação da Microsoft. Depois foi editor e correspondente em Londres do IDG e, na volta ao Brasil, passou respectivamente por Valor Econômico e Exame, de onde saiu, ao lado de Edu Vieira, para montar a Ideal e atender a seu primeiro cliente, o Google.

Livro mostra importância de Comunicação e ESG para reputação de marcas automotivas

Crédito: Zulfugar Karimov/Unsplash

André Senador, CEO da Perennial Consultoria e estrategista em comunicação, imagem e reputação, lança neste mês o livro ESG e comunicação para o desenvolvimento sustentável: o caso da transformação das marcas de automóveis (Appris Editora), que mostra a importância de práticas sustentáveis e do bom relacionamento com empresas na construção da reputação de marcas automotivas.

A obra parte da premissa de que, cada vez mais, a reputação corporativa está deixando de ser sustentada exclusivamente por indicadores financeiros ou operacionais. Atualmente, também são essenciais fatores como a capacidade das organizações de integrar os critérios ESG às suas estratégias e práticas, e o papel da comunicação como mediadora entre empresas, no sentido de garantir coerência, transparência e legitimidade, além de mostrar ao mercado essas práticas sustentáveis. O livro propõe a criação de um roteiro que oriente organizações na integração efetiva da sustentabilidade às suas estratégias.

Adquira a obra em pré-venda aqui.

Últimas notícias

pt_BRPortuguese