O Instituto Reuters para Estudos de Jornalismo, parte integrante do Departamento de Políticas e Relações Internacionais da Universidade de Oxford, está com uma série de programas globais para profissionais de jornalismo com no mínimo cinco anos de experiência. Na lista de programas, The Thomson Reuters Foundation Fellowship está aberto para jornalistas baseados em qualquer país. O deadline para envio da inscrição é 31/1/2016, à meia-noite. Veja mais informações.
Lino Rodrigues e Fernando Donasci revitalizam o bar Folhão
Lino Rodrigues, repórter de Economia que deixou a sucursal de O Globo em setembro, após nove anos de casa, virou empreendedor: com o amigo e compadre Fernando Donasci (que foi fotógrafo do Diário de S.Paulo, da Folha e trabalhou com ele em O Globo), começaram a tocar o Folhão, bar na rua Barão de Limeira, 374 (tel. 11-3223-0586), quase em frente ao prédio da Folha de S.Paulo, que frequentaram na década de 1990. A ideia de ter um bar é antiga, mas só agora tivemos a oportunidade, por causa das circunstâncias (o dono anterior, como nós, não era do ramo e nos convenceu com uma boa proposta a investir e virar empreendedores). A nossa proposta para o Folhão – Fotografia & Comida é fazê-lo voltar a ser um ponto de encontro de jornalistas, artistas e intelectuais. Também pretendemos inaugurar em breve uma galeria de fotos na parte de cima do prédio, que começamos a reformar e estamos atrás de um patrocínio (isso é muito importante para nós). Além de exposições de fotos, com fotógrafos frequentadores do bar, também pretendemos realizar cursos de fotografia para idosos e crianças e shows de música, aproveitando o espaço amplo”. Na parte gastronômica, prossegue Lino, “temos um cardápio servido no almoço e à noite baseado em cortes de carnes nobres assadas à moda gaúcha na churrasqueira do bar, pizza em forno a lenha e hambúrgueres gourmet, que ganharam o nome de fotógrafos amigos como o ‘gaudério’, uma homenagem ao Antônio Gaudério, um baita profissional que trabalhou anos na Folha, entre outros. Decoramos o bar com fotos lambe-lambe coladas nas paredes e placas com recortes de textos e capas de jornais, remetendo ao jornalismo de imagem e de texto, o que também está representado no nosso símbolo, que estiliza as duas bobinas, de papel e de filme como no passado… Enfim, desenvolvemos uma imagem gráfica pro bar, com a ajuda de designers que trabalharam no Departamento de Arte da Folha”.
CDN amplia área de relações institucionais e governamentais
Andrew Greenlees passa a integrar equipe de relações institucionais e Fabio Santos assume a vice-presidência de contas públicas A CDN anunciou nesta 6ª.feira (11/12) que ampliará sua área de relações institucionais e governamentais. A partir de janeiro, o sócio e vice-presidente Andrew Greenlees deixa a área de assessoria de imprensa para atuar junto ao sócio e vice-presidente Luiz Antonio Flecha de Lima na coordenação da área de relações institucionais. Com a mudança, Fabio Santos, atual diretor de atendimento, assume o posto de vice-presidente da área de assessoria de imprensa e consultoria de comunicação de contas públicas. A mudança faz parte do plano de incrementar ainda mais o desenvolvimento da área na agência, atendendo à crescente demanda do mercado. Desde a chegada de Flecha de Lima e Carlos Muanis, em 2008, a CDN manteve um crescimento constante nesse segmento – no total, já prestou o serviço para 30 marcas nesse período. Agora, para atender a clientes que cada vez mais solicitam serviços de relacionamento com esses públicos, a empresa viu a necessidade de ampliar a área. “A profissionalização do relacionamento entre empresas, governos e entidades sociais, de forma ética e transparente, é uma exigência crescente no Brasil de hoje”, explica o presidente da agência João Rodarte. “Sentimos que nossos clientes e o mercado requerem cada vez mais este serviço. O aumento da equipe demonstra a confiança da agência no desenvolvimento da atividade de relações institucionais e governamentais no mercado de comunicação corporativa. Queremos oferecer aos clientes da CDN a melhor orientação e o apoio mais efetivo na construção de seus relacionamentos com autoridades e representantes da sociedade”. Greenlees e Flecha de Lima liderarão juntos uma equipe distribuída pelos escritórios da CDN em São Paulo, Brasília e Washington.
O Povo publica especial sobre Iracema, personagem de José de Alencar
A índia de longos cabelos negros como a noite sem luar ganha homenagem de O Povo por seus 150(!) anos. Iracema, de José de Alencar, é objeto de uma “experiência multimídia”, com direito a debate, caderno, webdoc e hotsite. Em nota, a editora-executiva do núcleo de Cultura e Entretenimento Cinthia Medeiros explica os três eixos principais do caderno: caminhos, olhares e escritos. Segundo ela, era necessário, ao mesmo tempo, “refazer os caminhos de Iracema, lançar olhares para as marcas físicas e comportamentais herdadas desse mito e explicar a importância da forma como esse romance foi escrito para dar a real dimensão da contemporaneidade dessa história”.
Sylvio Guedes assume TV Senado sob queixas de ?desmonte? na emissora
Sylvio Guedes assumiu a Diretoria da TV Senado no lugar de Junia Melo, que deixou o cargo recentemente. Saiu também a adjunta Isabela Dutra, ainda não substituída. Ambas permanecem nos quadros do órgão. A decisão sobre a troca de comando no veículo teria partido da diretora de Comunicação Virgínia Galvez, por desentendimentos com a então diretora da TV. Fontes da TV Senado comentaram com o Portal dos Jornalistas que a medida é considerada uma intervenção por parte da direção de Comunicação da Casa e que a emissora vem passando por um “verdadeiro desmonte” desde 2007. Segundo essas fontes, um dos principais motivos para a crise instalada teria iniciado após a primeira renúncia do presidente Renan Calheiros, quando este entendeu que a TV teria feito campanha contra ele. À época, disse um servidor da Casa, os profissionais de Comunicação do órgão não receberam orientação alguma que pudesse pautar seus trabalhos, e se orientaram “veiculando o que era notícia, como aprenderam e fariam em qualquer outro veículo”. Eles contaram que quando Renan reassumiu a Presidência houve intervenções também em outras áreas do Senado, em especial na Comunicação. Desde aquela época, e principalmente nos últimos cinco anos, a TV vem perdendo profissionais, que pediram para sair ou se licenciaram por ordem médica. Além disso, a emissora reduziu suas retransmissões pelo País e a apresentação de documentários, assim como interrompeu a veiculação de programas premiados. O que se comenta em Brasília é que o desmonte da TV Senado acontece para favorecer a terceirização da emissora, com compra de conteúdos e favorecimento de produtoras ligadas a senadores. Concursado desde 1998, Sílvio estava licenciado do Senado, onde desempenhava as funções de editor e redator do Jornal do Senado e da Revista Em Discussão. Ele tem passagens por JB, Jornal de Brasília, Câmara Legislativa do DF, Correio Braziliense, EBC e Agência Reuters. Trabalhou ainda durante muito tempo com o ex-senador Luiz Estevão.
Edson Rossi e Denise Gianoglio passam a atuar como consultores associados
Edson Rossi e Denise Gianoglio associaram-se recentemente para atuar na área de consultoria e produção de conteúdo para marcas. Ambos são ex-Abril e nesta nova jornada, como consultores independentes, já estão atendendo à Evolve, empresa de tevê corporativa que sucedeu a antiga Elemídia Empresas. Edson, a propósito, deixou a Elemídia em setembro, no rastro de mudanças que os novos controladores decidiram fazer no conteúdo, tendo como razão maior a redução de equipe. Denise deixou há alguns meses a Abril, num dos cortes anunciados pela empresa.
Conheça os +Admirados das cinco regiões
Feita em dois turnos de votação, sob a coordenação da Maxpress, votação abrangeu um colégio eleitoral com 48 mil nomes. Nesta edição são apresentados os Top 10 das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul Durante pouco mais de dois meses, as equipes de Jornalistas&Cia e Maxpress debruçaram-se sobre os dois turnos de votação do Prêmio Os +Admirados Jornalistas Brasileiros, que movimentou jornalistas e profissionais de comunicação de todo o País, num total de 48 mil pessoas. Neste ano, a consulta, que teve sua primeira edição em 2014, quis também saber quais eram Os +Admirados nas regiões em que atuam. Poucas foram as novidades nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, cujos expoentes, na eleição nacional, também brilharam regionalmente. Ricardo Boechat, por exemplo, líder de admiração no Brasil, manteve a hegemonia no Sudeste. Alexandre Garcia, 11º colocado na eleição nacional, ficou na liderança no Centro-Oeste. Nessas duas regiões, os Top 10 foram também muito bem votados nacionalmente e estiveram entre os 100+ na lista publicada na semana passada. Nas demais regiões, todos os Top 10 não estiveram naquela lista, exceção ao premiadíssimo escritor Luís Fernando Veríssimo, campeão no Sul e 39º colocado na eleição nacional. No Nordeste o campeão foi o cearense (e pernambucano de coração) Francisco José, da Rede Globo; e no Norte a liderança coube a Daniela Assayag, da TV A Crítica, do Amazonas, afiliada da Record, numa votação dominada por paraenses. Para Eduardo Ribeiro, diretor de J&Cia, a eleição regional dá ao prêmio uma abrangência de fato nacional, pois possibilita que também sejam devidamente reconhecidos os profissionais de talento que atuam fora do eixo São Paulo-Rio-Brasília: “Os jornalistas dos grandes centros atuam em veículos de elevada audiência e penetração em todo o País e é natural que se sobressaiam numa eleição dessa natureza, particularmente quem trabalha em televisão. Ao regionalizar o pleito, fazemos justiça a grandes talentos do jornalismo local que fazem por merecer uma vitrine nacional como essa. Queremos, no futuro, eleger também Os +Admirados de cada estado, pois aí teremos um ciclo completo”. Outro aspecto que os organizadores consideram relevante é o fato de a eleição ter um significativo número de eleitores de fora dos grandes centros. Conforme explica Sérgio Franco, CEO da Maxpress, empresa que coordenou e supervisionou todo o processo eleitoral, “a regionalização do prêmio resultou num número surpreendente de votos vindos de todo o País, pois ao ver finalistas de sua região e do seu relacionamento cotidiano, essas pessoas se animaram a votar e até a fazer campanha por seus nomes preferidos”. Confira a relação completa dos +Admirados Jornalistas Brasileiros de Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul.
Demissões e dança das cadeiras foram a tônica de novo movimento do Globo
O Globo prossegue com as demissões, depois do grande corte no início de setembro. E parece que esse processo ainda não terminou. Espera-se para janeiro a fusão de algumas áreas, o que viria a resultar em mais dispensas. Os avisos ocorreram na 2ª feira (7/12), em número não divulgado. Até a tarde de 3ª feira, circulava internamente o cálculo de 25 pessoas da redação, incluindo as sucursais – embora também circulasse por outras fontes que esse número seria de 40 na redação e 120 em toda a empresa. Esta quantidade pode oscilar, já que, há algum tempo, o CDI, centro de documentação, foi incorporado à redação, e assim, as baixas ali são contadas nesta. Desta feita, pelo que apurou o Portal dos Jornalistas, a sucursal de São Paulo foi poupada, embora dela tenha saído o chefe de Redação Luís Antonio Novaes, o Mineiro, que ali estava, vindo do Rio de Janeiro, desde a saída de Orivaldo Perin, em março de 2014. Com isso, assume o segundo da sucursal, Aguinaldo Novo. Foram várias demissões (ao menos duas delas voluntárias), mas não só. A movimentação na redação de O Globo teve também troca de lugares, fusões de editorias, remanejamentos de funções, ligeiras mudanças editoriais e até dança de cadeiras. Entre os profissionais mais conhecidos que deixaram a casa, estão o subeditor de Esportes Iuri Totti e Paulo Roberto Araújo, por muitos anos chefe de Reportagem da Rio, e que havia sido recentemente transferido para o Jornal de Bairros. A editoria Sociedade, antes publicada em duas páginas, passa agora para uma, e alguns temas ali tratados foram distribuídos por outras editorias. Houve remanejamentos, como os das repórteres Paula Ferreira e Marina Cohen, transferidas da Sociedade para a Rio. Desta saíram Thais Mendes, Alessandro Lo-Bianco e Mateus Carrera. Mas a editoria recebeu o reforço de Márcio Menace, vindo de País, além das repórteres já mencionadas. De País saíram Cássio Bruno e André Machado, este especializado em tecnologia. Deixaram a Fotografia Gustavo Stefan, Carlos Ivan e Fábio Seixo, este último conhecido pelos portraits. E Claudio Nogueira, do online. Em dois casos, a saída foi voluntária. Clarice Spitz é casada com um francês, que volta para Bordeaux, e ela o acompanha. E Liane Thedim recebeu convite de uma agência de comunicação corporativa. Do Extra saiu Nilson Brandão, da diagramação. Desde o último corte, esse jornal fechou dois postos de editores, na Economia e nos Esportes. O aquário assumiu funções operacionais nas editorias, e houve também fusão de editorias. O suplemento de variedades Sessão Extra foi agora incorporado ao caderno principal, reduzido em 30% e, com isso, houve remanejamento de pessoas para outras editorias que tiveram vagas congeladas e precisavam repor profissionais. Os cortes também chegaram a Brasília, de onde saíram a coordenadora de Economia Regina Alvarez e o setorista do Palácio do Planalto Chico de Gois. Com quase 20 anos de O Globo, em quatro passagens, Regina atuou por cerca de sete anos em Política antes de assumir a Coordenação de Economia do jornal, onde esteve nos últimos quatro anos. Ela também teve passagens por Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora, além de ter trabalhado na Apex Brasil, e coordenado a Comunicação do Ministério do Planejamento. Chico passou, entre outros, por Folha de S.Paulo e Estadão. Como setorista do Palácio do Planalto, pelo Globo, cobriu diversas campanhas eleitorais, CPIs e acompanhou o cotidiano da Presidência da República por cinco anos. Publicou diversos livros sobre a política e os políticos brasileiros, entre eles Segredos da máfia, Os ben$ que os políticos fazem e O lado B dos candidatos, com Simone Iglesias, que traça o perfil de políticos, destacando o lado menos conhecido deles. Em 2014, lançou a biografia Eduardo Campos – Um perfil (1965-2014), poucos dias após a morte do político. É vencedor de prêmios como Embratel, CNT e Folha de Reportagem.
Nora Gonzalez deixa a FTI Consulting
Nora Gonzalez deixou o cargo de senior director strategic communications da FTI Consulting.
Nora foi editora em jornais como O Estado de S.Paulo e Gazeta Mercantil, e depois se transferiu para a área de comunicação corporativa, tendo sido diretora de agências como Publicom e FSB e em empresas como Grupo Santander, Alstom e, mais recentemente, Fico (Fair Isaac), onde foi responsável pela área de Comunicação na América Latina.
Com experiência em gestão de crises, comunicação corporativa, relações públicas e governamentais, ela continua como colunista do blog AUTOentusiastas e da Top Carros.
Uma canção perpetuada: Vitor Nuzzi lança biografia de Geraldo Vandré
“Caminhando e cantando e seguindo a canção”… #quemnunca ouviu esse verso? Geraldo Vandré, autor de Pra não dizer que não falei das flores, que à revelia dele tornou-se hino contra a repressão militar no fim dos anos 1960, é o personagem principal da obra do jornalista Vitor Nuzzi: a biografia não autorizada Geraldo Vandré – Uma canção interrompida. Insistente, Nuzzi não esmoreceu com a falta de “trato” de seu protagonista, que em todas as tentativas de aproximação ignorou-o solenemente. O autor também não se deixou abater com a falta de editora: imprimiu por conta própria cem exemplares do livro. Essas e outras histórias sobre o longo processo de produção do livro Vitor conta em entrevista ao Portal dos Jornalistas: Portal dos Jornalistas – Como surgiu seu interesse pela história do Geraldo Vandré? Vitor Nuzzi – Eu ouvia música brasileira desde pequeno, literalmente, já que meus irmãos, mais velhos do que eu, estavam sempre com discos na vitrola. Chico, Milton, Gil, Caetano, Luiz Gonzaga, Adoniran… E Vandré. Era início dos anos 1970. Um dia, ouvi uma canção chamada De serra, de terra e de mar, que me chamou a atenção pela beleza dos versos. Fiquei sabendo que se tratava de um cantor e compositor que havia deixado o Brasil, retornara em condições nebulosas e nunca mais fez shows, nunca mais se apresentou. Além das canções, que me pareciam diferentes de tudo o que já havia ouvido, chamou-me a atenção exatamente o silêncio do cantor. Portal dos Jornalistas – Como foi a reação dele quando soube do livro? Nuzzi – Quando ele soube do projeto do livro, há aproximadamente oito anos, disse que não estava interessado, nem tinha tempo, “nas coisas que você anda fazendo”, referindo-se às minhas pesquisas. Em nenhum momento mostrou-se disposto a participar. Com o livro pronto, em meados deste ano mandei um exemplar, por meio de um portador, amigo dele, a Teresópolis, onde ele tem passado a maior parte do tempo. Não nos falamos. Soube que ele se queixou, mas não tenho detalhes. Portal dos Jornalistas – Quanto tempo você dedicou a esse trabalho? Nuzzi – O projeto nasceu há dez anos, quando Geraldo completou 70 anos. Pensei que um artista como ele poderia ser esquecido com o passar do tempo. Principalmente, que sua obra não fosse lembrada. Como disse algumas vezes, acredito que a obra de Vandré, de alguma maneira, ficou ofuscada pelas histórias e lendas em torno de seu nome. As pessoas precisam ouvir mais as canções de Vandré, saber qual foi a sua relevância para a cultura e arte no Brasil. Disso nasceu o livro. Mas meu interesse começou há muito tempo. Exatamente em 1985, quando, ainda estudante, conheci o Geraldo pessoalmente. Desde então, passei a pesquisar e a guardar tudo o que se relacionasse a ele, sem pensar em escrever, apenas por interesse pessoal. Portal dos Jornalistas – Qual foi a maior dificuldade ao apurar essa biografia? E o que mais te surpreendeu? Nuzzi – A primeira dificuldade foi não poder contar com a ajuda do biografado. Certamente, isso ajudaria a conhecer melhor o personagem que ele criou nos anos 1960 e que, apesar de silenciado, ainda inspira respeito e admiração. Outro problema foi localizar informações: há muita coisa sobre Vandré de 1964 (quando ele lançou o seu primeiro LP) até 1968, ano de lançamento de Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) e de sua participação marcante no Festival Internacional da Canção (FIC) da TV Globo. As informações escasseiam de 1969 a 1973, quando ele esteve fora do País. Tentei compensar esses empecilhos ouvindo o maior número de pessoas e pesquisando muito, para tentar situar Vandré em seu tempo. Foi como fazer uma reportagem, com mais personagens e sem tanta aflição de um fechamento. Conheci um artista lúcido, carismático, defensor enfático de suas convicções – o que rendeu algumas polêmicas – e dono de uma obra relativamente curta, mas de qualidade e profunda preocupação social e de amor por seu país e sua cultura. Autor de poucos discos, mas descobridor de músicos talentosos, que o acompanharam, como Heraldo do Monte, Theo de Barros, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, Hilton Acioli, Bhering, Marconi, Geraldo Azevedo, Nelson Ângelo, Franklin da Flauta, Naná Vasconcelos. Gente que está aí até hoje. E compositor de importantes canções, como a já citada Caminhando, Disparada, Porta estandarte, Fica mal com Deus, Canção nordestina, Pequeno concerto que ficou canção, além de autor de uma bela trilha sonora para o filme Hora e vez de Augusto Matraga. Um artista a meu ver erroneamente identificado como “cantor de protesto” e que parece, hoje em dia, ser mais falado do que ouvido. Portal dos Jornalistas – Inicialmente você produziu por conta própria, só depois conseguiu apoio de uma editora. Como foi esse processo? Nuzzi – Entre o final do ano passado e o início deste ano, procurei uma editora (Scortecci) que fizesse a diagramação e a impressão. O meu orçamento só dava para 100 exemplares… E foi essa a tiragem. O livro saiu em abril, e passei a distribuí-lo a amigos, pessoas da música, jornalistas. Guardei dois para mim. Mas antes, claro, procurei várias editoras e tive todo o tipo de resposta. Desde aquela que concordava em publicar desde que a estrutura mudasse (e o texto fosse reescrito por um ghost writer) até as que explicitamente demonstraram preocupação com o fato de se tratar de uma biografia não autorizada. É importante lembrar que, quando isso começou, estávamos no auge da polêmica com o livro de Paulo Cesar de Araújo sobre Roberto Carlos, que acabou sendo recolhido – aliás, consegui comprar um exemplar antes que isso acontecesse (e acho o livro ótimo). O lançamento dos 100 exemplares já me contentaria. Mas teve muito mais repercussão do que poderia imaginar. Além disso, tivemos o julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da ação direta de inconstitucionalidade relacionada à publicação de biografias. O STF decidiu por unanimidade que não há necessidade de autorização prévia. Isso animou as editoras, e algumas fizeram contato comigo, até que acabei fechando com a Kuarup. SERVIÇO Geraldo Vandré – Uma canção interrompida será lançado em São Paulo na próxima 6ª.feira (11/12), na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena), às 19h30.






