Ângela do Rego Monteiro morreu na tarde de terça-feira (11/5), aos 78 anos, de embolia pulmonar, depois de duas semanas internada na Casa de Saúde São Vicente. O velório e a cremação do corpo ocorreram no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Portuária do Rio. Ela deixou dois filhos e três netos.

Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, começou a carreira no Jornal do Brasil, a convite de Alberto Dines, que fora seu professor. Passou logo depois a O Globo, no suplemento feminino. Aos 21 anos, participou da fundação do caderno Ela, do qual foi editora. Transferiu-se então para a Bloch Editores, no auge do prestígio das revistas, e foi editora de moda durante oito anos. Ângela lembrou essa época como das melhores de sua vida – ia à Europa duas vezes por ano e “era muito paparicada”, pois a revista Manchete tinha prestígio no exterior. Esteve depois na publicidade, na agência Giovanni FCB, mas por pouco tempo.

Voltou ao Globo para trabalhar na coluna de Ricardo Boechat, a quem foi apresentada por Anna Ramalho. Aí começou uma parceria que durou 20 anos e rendeu uma grande amizade. Sobre essa fase, Ângela coescreveu o livro Toca o barco: histórias de Ricardo Boechat contadas por quem conviveu e trabalhou com ele, da editora Máquina de Livros. Depois de deixar O Globo e começar na Band, Boechat convidou-a para seguir com ele, mas ela recusou sob o argumento de que faltava pouco para se aposentar, e a empresa oferecia o melhor do mercado. Continuou na coluna de Ancelmo Góis, que substituiu Boechat. Ancelmo premiou a lealdade dela e, em reconhecimento a sua competência, promoveu-a a editora.

Após a aposentadoria, voltou à PUC, agora como professora do Departamento de Comunicação Social. Filha de embaixador, orgulhava-se de seu pai ter feito as negociações com o governo para a doação do terreno onde seria construída a Universidade. Lá passou seus últimos dez anos de vida profissional.

Ângela foi sempre uma boa fonte do J&Cia e, como professora, usava a publicação em suas aulas. Certa vez, sugeriu uma pauta a Cristina Carvalho, editoria do J&Cia no Rio, que titubeou e respondeu: “Acho que é muita areia para o meu caminhão”. Ao que Ângela reagiu, com a generosidade que lhe era peculiar: “No seu caminhãozinho cabe mais areia do que você pensa”.

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