Aloy Jupiara morreu aos 56 anos no Rio, na noite de segunda-feira (12/4), mais uma vítima de Covid-19. Desde 29/3, estava internado no CTI do Hospital São Francisco, na Tijuca. Chegou a ser intubado, mas não resistiu a uma infecção pulmonar. Os irmãos informaram que o corpo seria cremado, como era desejo dele, precedido apenas por alguns minutos para despedidas da família. Solteiro, sem filhos, era tão querido no meio que na manhã desta terça-feira (13/4) as homenagens já estavam nos trending topics do Twitter.

Tecnologia e informação foram as suas paixões. Formado na ECO-UFRJ, começou na reportagem e passou 30 anos em O Globo. De 1987 a 2000, foi repórter, coordenador e subeditor da Rio e da Nacional/Política do Globo. Pioneiro do jornalismo digital, participou na criação do site da GloboNews. Entre 2001 e 2004, foi editor do site do Globo. Lá criou a seção Eu-Repórter, para receber conteúdo noticioso gerado pelos leitores, e as informações eventualmente chegavam até ao impresso. Até 2018 foi gestor de projetos digitais na Infoglobo.

Em 2006, foi para o Extra, que ainda não tinha um site e precisava de um bom jornalista que dominasse tecnologia e conhecesse arquitetura digital. Ele trabalhava no Globo Online e Agostinho Vieira, que comandava a área de negócios da editora, ajustado com Bruno Thys, então à frente do Extra, abriram espaço para que mostrasse o melhor de sua carreira. Em pouco tempo, o site do Extra seria um dos mais acessados do País e com mais interatividade dos leitores. Thys conta: “Trabalhava dia e noite, mais noite do que dia, em melhorias contínuas no ambiente digital […] Essa sua opção por trabalhar à noite produziu um episódio prosaico: um dia, já de madrugada, desligaram o elevador com ele dentro. Gritou por ajuda e nada. Relaxou e dormiu até religarem o elevador, na manhã seguinte”.

Logo que deixou O Globo, Aloy passou a trabalhar como jornalista independente e foi chamado pelo jornal O Dia para coordenar a equipe de cobertura das eleições de 2018. Continuou por lá, como editor do projeto Sua Cidade (odia.ig.com.br/cidades), área de cobertura detalhada de 32 cidades do interior do estado, alocada no site do jornal, no iG. A independência durou pouco: desde outubro de 2020, passou a ser formalmente editor-chefe de O Dia. E a ligação com o digital permaneceu, acumulando a edição da cobertura das cidades.

Jurado do Estandarte de Ouro de O Globo, prêmio concedido pelo jornal aos melhores do Carnaval carioca, coordenou depois a equipe de jurados – sem privilegiar sua escola de samba do coração, Império Serrano. Conhecedor de Carnaval e jogo do bicho, colaborou com o portal SRzd com crônica após a morte de Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz Leopoldinense. Esse envolvimento com o Carnaval fez com que participasse do grupo responsável por transformar o Samba do Rio em patrimônio imaterial do Brasil reconhecido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em 2007. Era membro do Conselho Deliberativo do Museu do Samba e foi colaborador dos projetos culturais da instituição.

Em parceria com Chico Otávio, escreveu os livros Deus tenha misericórdia dessa nação: A biografia não autorizada de Eduardo Cunha e Os porões da contravenção, sobre as ligações entre o jogo do bicho e a ditadura militar. Este último inspirou a série documentária Doutor Castor, sobre o bicheiro Castro de Andrade, com a participação de Aloy, em exibição na Globoplay.

Vai fazer falta em O Dia, no digital e no Carnaval.

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