Milton Coelho da Graça morreu na madrugada deste sábado (29/5), aos 90 anos, no Rio de Janeiro, de Covid-19. Deixou viúva e três filhos.

Carioca, nasceu no bairro da Gamboa. Era formado em Direito pela Nacional (hoje UFRJ) e em Economia pela UERJ; essa cultura ampla permitiu a ele circular por diversas editorias. Mais tarde, já nos anos 1990, fez mestrado no IMD – International Institute for Management Development, em Lausanne, na Suíça.

Foi chefe de Redação da sucursal da Última Hora no Recife. Durante uma passagem pelo Jornal do Comércio, publicou reportagem denunciando que o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), supostamente financiado pelo serviço de inteligência americano e por empresários brasileiros, pagava jornalistas e outros comunicadores para que ajudassem a desestabilizar o mandato de Miguel Arraes, governador de Pernambuco à época. Veio o golpe militar de 1964, ele ficou preso por nove meses e, sob tortura, perdeu todos os dentes.

Quem conta é Juca Kfouri: “Ao ser libertado em Pernambuco e voltar para o Rio, ao entrar na redação do Diário Carioca num terno em que cabiam dois Miltons, viu o pessoal entre o assustado e o triste e não teve dúvida: bateu palmas e gritou: ‘Vamos começar tudo de novo!’ ”

Editou ainda os jornais clandestinos Notícias Censuradas e Resistência, em São Paulo, o que o levou de volta à prisão, por seis meses, em 1975.

Foi editor-chefe de O Globo, entre outras funções no jornal, e diretor de Redação da revista Realidade. Trabalhou também em IstoÉQuatro Rodas, Jornal dos Sports, Placar e Intervalo. Durante dois anos, em 1983/84, foi correspondente da Gazeta Mercantil em Nova York. Mais recentemente, colaborou com o portal Comunique-se.

Diz Ancelmo Gois que Graça era torcedor do Vasco, no futebol, e da escola de samba Império Serrano.

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