Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

Nessa terça-feira (11/11), falando pela primeira vez na TV sobre a edição de seu discurso no dia da invasão do Capitólio exibida em um programa da BBC antes das eleições de 2024, Donald Trump foi direto: “Tenho obrigação de processar”.

No dia seguinte, o premiê britânico Keir Starmer foi pressionado no Parlamento pelo líder dos Liberal-Democratas a exigir que Trump desista da ação de US$ 1 bilhão, garantindo que ele não receba “nem um centavo” dos cofres públicos.

Starmer evitou o confronto. Destacou a importância da BBC em um mundo tomado pela desinformação, embora tenha reconhecido que a rede precisa “arrumar a casa”. E aproveitou para acusar o antigo governo Conservador de orquestrar uma campanha para desacreditar a emissora pública.

Os dois episódios expõem um cenário cada vez mais evidente desde o vazamento de um relatório interno publicado pelo Daily Telegraph, apontando falhas na imparcialidade da BBC, inclusive na edição de falas de Trump.

O debate vai além de teorias sobre imparcialidade ou erros pontuais. Ganha força a ideia de um “golpe” para atingir a BBC por onde mais dói: o bolso.

Financiada com recursos públicos e uma taxa obrigatória paga por domicílios, a emissora tem seu contrato renovável em 2027. A ofensiva para minar sua credibilidade começou no governo de Boris Johnson.

Um dos nomes centrais da nova crise é um conselheiro indicado por ele, acusado de ter articulado o vazamento que deu a Trump munição para atacar mais uma instituição da imprensa, chamando seus jornalistas de “corruptos”.

Há dúvidas sobre a viabilidade de um processo por difamação, já que o programa nem foi exibido nos EUA. Também chama atenção o fato de Trump só ter se ofendido um ano depois – e de não ter processado outros veículos que noticiaram suas falas incendiárias na época da invasão.

Mas isso é secundário. O que importa é que a crise cruzou o Atlântico, envolvendo o líder da maior potência global – e inimigo declarado da liberdade de imprensa – em uma disputa com desdobramentos mais transformadores – não necessariamente para melhor –  do que outras crises já enfrentadas pela rede.

Leia o artigo completo em MediaTalks.

Sede da BBC (Crédito: Wikimedia Commons)

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