Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O ano de 2026 começou duro – talvez o mais duro – para as Big Techs. Em vários países, cresce a disposição de seguir o modelo australiano e proibir redes sociais para menores de 15 ou 16 anos.

Em alguns deles, porém, o movimento não se resume a limitar acesso por idade. Os planos avançam para o coração do produto, mirando brechas técnicas e design que mantém crianças – e adultos – colados às telas.

O Brasil está entre os países onde a maré regulatória sobe: em 17 de março entra em vigor o ECA Digital, que amplia deveres de plataformas e reforça mecanismos de proteção para crianças e adolescentes no ambiente online.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou em 16/2 que o país vai acelerar medidas de proteção a crianças e adolescentes na esfera digital para entrarem em vigor em alguns meses.

Entre as opções colocadas na mesa está impedir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, como fez a Austrália. Mas o premiê também sinalizou que a resposta britânica pode ir além do corte etário – e garantiu aos pais que não recuará mesmo que isso represente uma briga com as gigantes digitais,

Em um texto publicado no Substack, ele descreveu as redes como “plataformas poderosas, com design viciante” e prometeu pedir ao Parlamento novos poderes para reprimir recursos como a reprodução automática e a rolagem infinita, apontados como mecanismos que prendem usuários por horas.

O pacote inclui ainda dificultar o uso de VPNs por menores, para reduzir a capacidade de burlar controles por idade ou restrições regionais – um tema que também aparece no debate sobre acesso a sites de pornografia.

A pressão sobre as plataformas em 2026 não vem só de governos. Nos Estados Unidos, um processo inédito começou na semana passada e colocou Meta e YouTube diante de um júri com foco no design, não no conteúdo.

A tese é que as empresas teriam ajustado seus produtos para maximizar “tempo gasto” e engajamento, criando uma dinâmica de dependência em usuários jovens. Se esse enquadramento ganhar tração, o risco para as Big Techs deixa de ser apenas reputacional: passa a ser jurídico e estrutural, com potencial de forçar mudanças no modo como as redes são construídas e operadas.

Leia mais sobre os planos de regulamentação do Reino Unido em MediaTalks.

 

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