Faleceu em 9/2, em São Paulo, aos 93 anos, o professor Fábio França, que liderou a formação de inúmeras gerações de profissionais de relações públicas e que deu significativa contribuição teórica à atividade, em especial com sua obra Classificação Lógica de Públicos, em que criou parâmetros que transformaram o modo de enxergar a gênese na profissão. É dele a formulação de públicos adotada pela área e que de certo modo vigora ainda hoje: “Essenciais” (os pilares da existência), “Não-Essenciais” (os parceiros de objetivos) e “Redes de Interferência” (os formadores de opinião e a mídia).
Cerca de quatro anos atrás, aos 89 anos, França foi um dos entrevistados da websérie A Comunicação Empresarial no Brasil – a história contada por quem ajudou a escrever a história, da Mega Brasil Comunicação, e sua participação ajudou a resgatar a memória viva de uma profissão. Em texto publicado no Portal da Mega Brasil, Marco Rossi lembra: “Seu depoimento nessa série não foi apenas técnico; foi um manifesto ético. Ele personificava o equilíbrio entre o ‘velho’ das terras milenares do conhecimento clássico e o ‘novo’ das tecnologias de informação, entendendo que, embora as ferramentas mudem, a alma da comunicação não tem rotina”.
Foi nessa conversa, de quase uma hora, que contou com a participação de Eduardo Ribeiro (também diretor deste Portal dos Jornalistas), que ele falou sobre os nove anos de sacerdócio, revelando que sua vida profissional, pós-igreja, só foi iniciada quando tinha 35 anos de idade, logo depois que deixou Congonhas, em Minas, e arriscou-se por São Paulo. Depois de bater em muitas portas, sem sucesso, conseguiu ser vendedor das enciclopédias Barsa e, algum tempo depois, professor de Educação Moral e Cívica em um colégio estadual, atividade que exerceu por três anos. Ou seja, foi praticamente depois dos 40 que sua vida enveredou pelas relações públicas, e de forma intensa, já que foram mais de 50 anos divididos entre o trabalho como executivo, professor e militante das instituições profissionais, como ABRP, Conrerp e Abrapcorp.
Último encontro
“Quis o destino que nosso último encontro fosse casual, e acontecesse nas salas de espera do HCor, onde ambos aguardávamos para exames de rotina, no segundo semestre de 2024”, conta Edu Ribeiro. “Não pude deixar de registrar momento tão especial e singelo, dado o carinho recíproco entre nós. Não mais nos vimos. E, com sua despedida, ficam agora conosco a saudade e o grande legado por ele deixado”.

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