Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

A sentença de prisão imposta a Jimmy Lai em Hong Kong em 9/2 era, em certa medida, previsível: depois da condenação dele por crimes ligados à segurança nacional e por sedição, dificilmente o magnata escaparia de mais tempo atrás das grades. O que causou indignação foi o tamanho da pena – 20 anos – aplicada a um homem de 78 anos, com saúde descrita como fragilizada após anos privado da liberdade – uma punição que muitos interpretam, na prática, como “prisão perpétua”.

Fundador do conglomerado Next, que publicava o Apple Daily (fechado em 2021 após perseguições) e cidadão britânico, Lai foi condenado ao lado de seis ex-integrantes do jornal. As acusações incluem publicação de material considerado sedicioso e conspiração com forças estrangeiras, sob a Lei de Segurança Nacional, frequentemente criticada por abrir margem a interpretações amplas.

A reação internacional foi imediata: governos e entidades cobraram sua libertação e apontaram violação à liberdade de expressão e de imprensa. Pequim respondeu dizendo que a prisão é “legítima” e pediu que países estrangeiros respeitem a soberania chinesa.

O caso expõe um contraste no momento em que a China tenta ampliar pontes diplomáticas – inclusive com o Reino Unido, cujo premiê esteve no país há poucas semanas – e melhora sua percepção internacional. No Global Soft Power Index 2026, da Brand Finance, o país avançou em métricas importantes de reputação.

Ainda assim, em Hong Kong a engrenagem doméstica segue inalterada. A Repórteres Sem Fronteiras resumiu a contradição ao afirmar que o processo de Lai “não tem sido nada mais do que uma farsa” e cobrou que democracias parem de priorizar a normalização das relações e pressionem pela libertação dele e de outros jornalistas.

Leia mais sobre o caso de Jimmy Lai em MediaTalks.

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