Por Luciana Gurgel

A imagem que começou a circular após a invasão da Venezuela por forças militares americanas é impressionante e humilhante: um homem dentro de um avião com o rosto coberto por um saco, escoltado por um militar orgulhoso de sua captura, fazendo uma selfie.
O texto do post dizia: “Se é real, é a foto de todos os tempos”.
A foto é real, mas o retratado não era Nicolás Maduro, e sim Saddam Hussein, registrado em 2003 após ser capturado pelos EUA.
A confusão não foi acidental – foi sintoma de um fenômeno que se repete com intensidade crescente: a distorção da realidade por meio de imagens falsas ou fora de contexto, a maioria criada ou manipulada com ferramentas de inteligência artificial.
Desde que Maduro foi retirado da Venezuela em uma operação dos EUA, em 3/1, imagens manipuladas ou “recicladas” espalharam-se com força, especialmente no X de Elon Musk, segundo um levantamento do NewsGuard.
Os pesquisadores revelaram que em apenas dois dias cinco fotos falsas e dois vídeos descontextualizados somaram mais de 14 milhões de visualizações.
Uma delas mostrava Maduro de pijama branco dentro de um avião, outra imagem que alimenta a narrativa da humilhação do presidente venezuelano por Donald Trump.
Segundo o NewsGuard, os conteúdos falsos foram criados ou amplificados por apoiadores de Trump, interessados em enaltecer a eficácia e o impacto da ação militar americana.
Um dos conteúdos destacados pelo NewsGuard é um vídeo mostrando helicópteros militares americanos sobre uma edificação, com soldados descendo por meio de cordas até o teto do que parecia ser o local em Caracas onde Maduro e mulher estavam. Mas o registro era na verdade de um show militar realizado em 2024 nos EUA e amplamente coberto pela imprensa americana.
“As pessoas que assistiram a esse vídeo podem ter se divertido, mas não foram informadas com precisão”, afirma o relatório.
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