Por Luciana Gurgel

Enquanto as atenções de quem se preocupa com a desinformação no mundo voltam- se para os EUA, com Donald Trump tentando usar todos os instrumentos à mão para silenciar fontes de notícias confiáveis, não se pode esquecer que outros países também continuam fazendo a sua parte nesse enredo sem final feliz para a sociedade.
A Repórteres Sem Fronteiras acaba de divulgar um relatório consolidando os resultados do primeiro ano do projeto The Propaganda Monitor, que disseca a geopolítica da máquina de influência do Kremlin.
A repressão da liberdade de expressão e de imprensa em território russo sob Vladimir Putin começou bem antes da invasão da Ucrânia, em 2022. Não foi à toa que em 2021 o jornalista russo Dmitry Muratov, fundador e editor do Novaya Gazeta, foi reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz, junto com a filipina Maria Ressa.
Nem isso serviu como escudo. Depois de uma saga de perseguições, o jornal e o site deixaram de existir, como tantos veículos independentes russos. Mas o que é assustador no documento da RSF é a sofisticada operação construída pela Rússia para influenciar outros países com sua retórica, incluindo nações da América Latina.

Pelas narrativas propagadas por essa máquina, os ucranianos são “nazistas”, a guerra na Ucrânia é uma “operação especial” e os meios de comunicação independentes são “agentes estrangeiros” financiados por um “Ocidente decadente”.
Para disseminá-las, o arsenal é diversificado. Na África, a Rússia está explorando a fragilidade do ecossistema de mídia local para influenciar a opinião pública por meio de “empreiteiros de informação”. Na Europa, apesar das sanções da UE, as redes RT e Sputnik espalham a retórica de Putin contra o bloco, segundo a RSF.
Na América Latina, o discurso é centrado no anti-imperialismo, e isso bem antes de atos de Trump contra países da região.
A RT possui escritórios em quatro países e uma presença digital ativa em oito. O relatório identifica a Nicarágua como um hub da propaganda russa, com o governo Ortega, facilitando a inserção de conteúdos da RT e da Sputnik nos meios estatais.
Acordos com as duas redes fornecem aos jornalistas locais “treinamento, intercâmbios internacionais, equipamento profissional e conteúdos influenciados pelo Kremlin”, diz a RSF.
Leia mais sobre o relatório em MediaTalks.
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