Dois exemplos são Laelya Longo, que virou personal organizer, e Adriana Teixeira, que acaba de se formar sommelier Se muitos jornalistas, por vocação ou necessidade, têm partido de corpo e alma para a literatura, vários outros têm buscado caminhos alternativos fora do mundo das letras, seja para realizar um sonho, como Adriana Teixeira, que acaba de se formar sommelier profissional; seja para buscar de fato uma nova fonte de sobrevivência, caso de Laelya Longo, que deixou em definitivo o jornalismo para ser personal organizer. Ambos os exemplos, e dezenas de outros, só se tornaram realidade pela crise existencial e econômica do jornalismo tradicional, que tem encolhido empregos e trabalho para legiões de jornalistas, empurrando vários deles para fora da profissão, ou mesmo concedendo-lhes um tempo que, em outras circunstâncias, não haveria para uma dedicação fora das redações. Jornalistas buscam outras ocupações Começam a ser cada vez mais comuns os casos de jornalistas que decidem se aventurar em outras atividades, seja por necessidade ou mesmo por opção e vocação, como aconteceu com Laelya Longo e Adriana Teixeira. O caso de Laelya, por exemplo, é mais radical. Desiludida com a profissão, ela decidiu deixar o Jornalismo para prestar serviços de personal organizer, aquele profissional que põe em ordem a casa e a rotina das pessoas. Diz ela que, “aos 44 anos, fica praticamente impossível concorrer em um mercado inchado de jovens profissionais, poucas redações, condições de trabalho cada vez mais precárias e uma sensação muito forte de que a luz no fim do túnel praticamente inexiste”. Ex-editora da Agência Leia e com passagem por outras redações, ela valeu-se de sua vocação e do conhecimento adquirido nesses anos todos no Jornalismo para iniciar uma atividade inteiramente nova e, o melhor, que depende somente dela para dar resultado. “Assim, a depressão não me consome mais os dias de sol”, diz, bem humorada. Laly, como é conhecida, organiza itens desde sempre, como explica em seu site. Ali, apresenta-se da seguinte forma: “Virginiana, formou-se em jornalismo e passou alguns anos organizando informações e palavras corretas para entregar os melhores e mais confiáveis textos da imprensa brasileira. Quando a internet passou a dominar o mundo, estudou Arquitetura da Informação e Usabilidade para adequar-se à nova linguagem. Agora, vai levar até sua casa ou empresa os melhores conceitos da organização para facilitar seu cotidiano e elevar sua qualidade de vida”. Exemplos? “Comprinhas, presentes, espaços pequenos, liquidação, falta de tempo, mais comprinhas e, de repente, você não acha nada no seu guarda-roupa!; O condomínio vence hoje e você não faz ideia de onde colocou o boleto: em qual gaveta? Do quarto? Do escritório? Em qual pilha de papéis? Cadê aquela foto do restaurante maravilhoso que você fez nas férias do ano passado? São mais de 2 mil fotos, em dezenas de pastas?! Como fazer?” Além do site, Laelya tem uma página no facebook como LalyLongo Personal Organizer. Os outros contatos são [email protected] e twitter @lalylongo. Já Adriana Teixeira toca sua vida jornalística como freelancer, mas desde que deixou seu último emprego formal, há pouco mais de um ano, decidiu investir numa carreira paralela, de sommelier, estreando no mundo das taças. Ex-editora executiva do Diário de S. Paulo e do Brasil Econômico, acaba de obter o diploma de sommelier profissional da Associação Brasileira de Sommeliers, entidade filiada à Association de la Sommellerie Internationale, da França. Vale-se, desse modo, do talento que herdou do avô paterno, José Teixeira, que por muitos anos atuou como provador de vinhos no Vale do Douro, em Portugal. Foram dez meses de dedicação ao novo aprendizado, viabilizado pelo tempo que passou a dispor sem a pressão dos horários e do ritmo de um emprego formal. Agora, já formada numa nova e prazerosa atividade, pretende harmonizar vinhos e jornalismo.
Experiências fora do jornalismo começam a ganhar espaço entre os profissionais
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