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sexta-feira, fevereiro 6, 2026

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Da redação de PEGN para o tabuleiro de broas de fubá

Em um momento de tristeza, o baiano Rafael Farias Teixeira – radicado em São Paulo há oito anos, desde que ingressou na Escola de Comunicações e Artes da USP – teve um alento em inocentes broas de fubá. Alguns testes de receitas depois, resolveu levar os quitutes para os colegas da Pequenas Empresas & Grandes Negócios e fez o maior sucesso! Seis meses mais tarde, em janeiro passado, quando deixou a redação da revista, juntou coragem e oportunidade para lançar o Tá Broa, versão profissional e colaborativa de suas fornadas de broinhas. Também escritor – tem dois romances publicados, Entre irmãos e Sopro, além de manter o site rafaelfariasteixeira.com, em que publica a série literária Vinícius no mundo das toalhas brancas –, vem usando esse tempo fora das redações (para onde diz não querer voltar por ora) para se dedicar à literatura. Confira a seguir o depoimento dele ao Portal dos Jornalistas: Noite triste, presente feliz A ideia de fazer broas surgiu no meio ano passado, em fase teste. Estava num momento difícil da vida, mudando de apartamento… Nessa coisa de tentar achar um apartamento em São Paulo com preço bacana, não estava tão feliz assim com meu trabalho, minha carreira. Sentia falta de investir mais em projetos pessoais. Escrever mais, por exemplo, tentar empreender… E pensei ‘Ah, o que vai me fazer feliz hoje à noite? É comer broa!’. Eu gosto muito de broa! Antes de descobrir uma receita de que gostasse, comia muito. Chegava nas padarias e a primeira coisa que procurava era broa. Costumo dizer que não confio em padaria que não venda broa. Eu já até havia tentado fazer broa antes, mas não tinha conseguido uma receita de que gostasse. Cheguei à conclusão: ‘O que vai me deixar feliz hoje é achar uma receita de broa que eu consiga fazer e goste de comer’. Passei, então, a procurar na internet, fiz uma combinação das receitas que achei e resolvi tentar. E aí saiu muito boa! Nos finais de semana depois desse dia, passei a fazer com mais regularidade, deixei de comprar tanto para fazer em casa. E o pessoal começou a provar e gostar. De brincadeira a realidade Antes de descobrir essa receita, eu brincava com o pessoal da redação – porque sempre trabalhei com empreendedorismo – que um dia ia abrir uma loja que só vendesse broa. E todo mundo dava risada, era só de brincadeira na época. Quando descobri a receita e o pessoal começou a comer e gostar, pensei ‘Hum… talvez aqui tenha alguma coisa’. Na hora, de um jeito superdespretensioso, do tipo ‘Quem sabe não dá pra vender e eu consigo uma grana extra?’. Gosto de fazer broa, não seria um sacrifício. Ao contrário, é uma receita fácil, gosto de fazer, me relaxa. Crowdsourcing da broinha Pra ser uma coisa bacana, não poderia ser só a broa tradicional. Comecei a tentar fazer algumas misturas bacanas e os meus amigos que haviam provado a broa tradicional passaram a sugerir sabores. O primeiro, por exemplo, foi sugestão de um que adora goiabada. Outro foi de uma amiga que ama chocolate. E fomos testando. Passei a levar as broas de novos sabores para o trabalho e ver qual era a reação. Acredito que nenhum negócio nasce sem a participação de seu futuro cliente. Baseado nisso, testava sabores, levava algumas e deixava lá na bancada da redação com um papelzinho dizendo que era o “Projeto da broa: experimente e contribua com o que você quiser. O importante é que deixe sua opinião”. E com essas sugestões fui testando vários sabores. Alguns deram terrivelmente mal, sem receptividade nenhuma, como o de doce de leite (que tentamos fazer com balas de doce de leite, pra ver se derretia mais devagar, mas não adiantava. A massa da broa queimava, mas o negócio não derretia! E com o doce normal não dava liga) e o de maçã (em que ainda vamos insistir, de um jeito diferente). E outras receitas foram se aperfeiçoando, como a de limão, que era uma delícia, mas não era a primeira escolha de ninguém. Então resolvi colocar raspas de limão e chocolate branco, e ela passou a ser uma das favoritas! A broa é de todos Ano passado era mesmo a coisa de levar pra redação, indicar para os amigos. Este ano, quando saí da redação, foi que passei a me dedicar mais ao negócio. Reformulamos o cardápio, fizemos fotos, passamos a atuar mais em mídias sociais, por onde tem sido feita a divulgação. Ainda não criamos um site porque é uma empresa de uma só pessoa (uma pessoa e amigos!). Meu amigo que é designer fez toda a identidade visual do Tá broa, tenho outros com quem divido apartamento que me ajudam de vez em quando. Como eu estou no começo, tem coisas que não vou conseguir fazer sozinho e o pessoal sempre ajuda. A receptividade à marca, à ideia, tem sido muito boa. A influência da PEGN A área que eu cobria na PEGN influenciou bastante, por exemplo, nessa coisa de pedir ajuda das pessoas, de trabalhar com social media. Uma coisa sobre a qual a gente escreve, escreve, escreve, mas na hora de pôr em prática é diferente é precificar, pensar em público-alvo, marca… Quando se está vendendo o seu peixe (ou broa!), como é o meu caso pela primeira vez, é preciso estar aberto para receber críticas e levar numa boa. Para quem estiver em São Paulo e quiser experimentar, o cardápio das broinhas está na página de facebook, bem como os contatos para pedidos. Elas custam entre R$ 10 e R$ 22. A redação do Portal dos Jornalistas provou e aprovou!

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