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Eliane Brum

Eliane Brum

Historiadora do cotidiano, diz que só sabe existir na palavra. Uma repórter que retrata histórias de pessoas e problemas comuns em nosso País e que são deixados de lado diariamente. É uma das jornalistas mais premiadas e admiradas do Brasil, segundo os rankings criados por J&Cia.

Eliane Brum nasceu em Ijuí (RS), em março de 1966. É jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PucRS), de Porto Alegre (RS), em 1988. 
 
Passou a infância no distrito de Barreiro, lendo tudo o que podia. Achava jornal muito chato, pois não tinha gente. Em Porto Alegre, prestou vestibular para Biologia e Informática, e iniciou a faculdade de História, que não concluiu. Sem convicção de que seria uma boa profissional, ia desistindo também da de Jornalismo. O professor Marques Leonan, no entanto, acabou por convencê-la de que esse era um caminho que merecia ser percorrido.
 
Um texto escrito na faculdade garantiu-lhe um estágio na Zero Hora (RS), em 1988. Lá ficou por 11 anos. No início, aprendeu muito com Marcelo Rech e Carlos Wagner. Sofria terrivelmente com as mudanças que faziam em seus textos, mas percebeu a importância da diagramação e das fotografias. Foi repórter de Geral e Polícia.
 
Sua primeira grande reportagem foi publicada em 1989. A pauta era sobre a inauguração de uma loja McDonald’s na Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Optou por não fazer matéria meramente informativa: ficou do lado de fora da lanchonete, ao lado de um grupo de velhinhos que então passavam os dias jogando xadrez por ali. Entregou um texto sobre o estranhamento entre a chegada da modernidade e as pessoas de um tempo que irremediavelmente já passara. A matéria foi bem recebida na Redação e a repórter sentiu que começava a conquistar o seu espaço.
 
No final dos anos 1990, passou a assinar a coluna A vida que ninguém vê, nas edições de sábado do jornal, contando histórias da vida real. Deixou o jornal em janeiro de 2000.
 
Foi para São Paulo (SP) ser repórter especial da Época. Escreveu, na revista, reportagens realmente especiais. Conta que uma delas a marcou muito: acompanhou uma mulher nos seus últimos 115 dias de vida. O confronto com a morte a obrigou a um profundo confronto com a existência e a preparou para seguir novos caminhos. A tecnologia também: passou a publicar uma coluna na web, a partir de 2009.
 
Em março de 2010, saiu de Época, sem realmente a deixá-la: escreve ainda uma coluna semanal para o site da revista, com direito a escolha do assunto. Eventualmente, faz matérias para a publicação. Em janeiro de 2011, por exemplo, entregou aos editores uma reportagem que levou nove anos para fazer.
 
Escreveu, também, semanalmente, para o site Vida breve, que realmente não foi muito longa: de novembro de 2009 a setembro de 2011 e de julho a outubro de 2012. E colaborou com a revista Norte (RS), da Arquipélago Editorial, entre 2007 e 2010.
 
Desde outubro de 2013 assina uma coluna de opinião quinzenal publicada no portal brasileiro do El País (Espanha), além do blog Desacontecimentos.
 
Foi escolhida entre os Top 10 dos +Admirados Jornalistas Brasileiros, em 2014 e 2015, segundo apuração do J&Cia, em parceira com a Maxpress. É também um dos +Premiados Jornalistas do País, ficando em primeiro lugar no ranking de 2016, ao lado de Natalia Viana, segundo dados coligidos pelo J&Cia, em parceria pelo Instituto Corda, que pesquisou prêmios de Jornalismo do Brasil e do Exterior (veja texto especial em Galeria). Foram dezenas de premiações conquistadas ao longo de uma bem-sucedida carreira. Por isso, é também uma das duas +Premiadas Jornalistas da História 2016, ao lado de Miriam Leitão.
 
Além disso, venceu outras pelos trabalhos literários – inclusive um Jabuti – e cinematográficos. É autora dos livros-reportagem Coluna Prestes: O avesso da lenda (Artes e Ofícios, 1994), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago, 2006), O Olho da Rua: Uma repórter em busca da literatura da vida real (Editora Globo, 2008) e A Menina Quebrada: E outras colunas de Eliane Brum (Arquipélago, 2013). Publicou, ainda, Gotas da Minha Infância – quando tinha 11 anos –, o romance Uma Duas (LeYa, 2011), seu primeiro trabalho de ficção, e Meus Desacontecimentos: A história de minha vida com as palavras (LeYa, 2014), de memórias da infância. Participou dos livros Um Sábado no Paraíso do Swing: E outras reportagens sobre sexo (Panda Books, 2006), organizado por Miguel IcassattiEntre as Quatro Linhas: Contos sobre futebol (Dsop, 2014), organizado por Luiz Rufatto, Dignidade!: Nove escritores vivenciam situações-limítrofes e relatam o comovente trabalho da organização Médicos Sem Fronteiras (LeYa, 2011), Mestres da Reportagem (Unicos, 2012), organizado por Patrícia Paixão, e Elena: O livro do filme de Petra Costa (Arquipélago, 2014).
 
Dirigiu e roteirizou, com Débora Diniz, o documentário Uma História Severina, em 2005. Lançou outro, em 2010: Gretchen Filme Estrada: A última turnê e a primeira campanha política da rainha do rebolado, realizado com Paschoal Samora.
 
É casada com o jornalista e roteirista João Luiz Guimarães.
 
 
Atualizado em janeiro de 2017
 
Fontes:
Arquivo J&Cia

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