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Zuenir Ventura

Zuenir Ventura

Membro da Academia Brasileira de Letras, o colunista de O Globo é um dos mais renomados e premiados jornalistas escritores do País. Seu livro 1968: O Ano que Não Terminou cativou mais de uma geração de leitores.

Zuenir Ventura é mineiro de Além Paraíba, cidade onde nasceu em 1º de junho de 1931. Na adolescência, trabalhou como contínuo no Banco Barra do Piraí, faxineiro no Bar Eldorado e balconista da Camisaria Friburgo, entre outras ocupações. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1954 para ingressar na Faculdade Nacional de Filosofia – hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj/RJ) –, onde foi aluno de Manuel Bandeira (1986–1968). Formou-se em 1958, em Letras Neolatinas.
 
Antes disso, em 1956, para se sustentar na então capital federal, tornou-se redator de A História em Notícia (RJ), obra paradidática dirigida por Amaral Netto (1921-1995), que abordava os fatos históricos em linguagem jornalística. No ano seguinte, indicado por um professor da faculdade, conseguiu uma vaga de arquivista na Tribuna da Imprensa (RJ). Ganhou uma bolsa de estudos do governo francês em 1959 e passou os anos de 1960 e 1961 estudando no Centro de Formação de Jornalistas, em Paris. Paralelamente, trabalhou como correspondente da Tribuna, fazendo coberturas históricas, como a passagem de Jango (João Belchior Marques Goulart, 1918-1976) por Paris, antes de se tornar presidente da República, e o encontro de cúpula entre o presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) e o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética Nikita Serguêievitch Khrushchov (1894-1971), realizado em Viena (Áustria).
 
De volta ao Brasil, ficou um tempo na redação da Tribuna antes de ir trabalhar como editor de Internacional no Correio da Manhã (RJ). Ao mesmo tempo, dava aulas de Comunicação Verbal na Escola Superior de Desenho Industrial (RJ), da qual é um dos criadores. Foi diretor de Redação da revista Fatos & Fotos (RJ), antes de assumir, em 1965, o cargo de chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro (RJ). Dois anos depois, tornou-se chefe da filial Rio da revista Visão (SP).
 
Foi preso em 1968, acusado de atividades subversivas pela ditadura militar, e passou três meses em uma cela com pessoas influentes como Hélio Pellegrino (1924-1988), Ziraldo, Gerardo Mello Mourão (1917-2007) e Osvaldo Peralva (1916-1992). Sua mulher e seu irmão também foram encarcerados no mesmo dia, mas ficaram detidos por menos tempo.
 
Lançou, em 1969, a série de 12 reportagens Os Anos 60: A década que mudou tudo, para a Editora Abril, que mais tarde transformaria no livro 1968: O Ano que Não Terminou (Nova Fronteira, 1988), ponto chave em sua carreira e, talvez, sua obra mais influente – inspirou vários relatos sobre a época, bem como uma minissérie de televisão, Anos Rebeldes, dirigida por Roberto Talma (1949-2015) e exibida pela TV Globo entre julho e agosto de 1992, e um filme francês, L'Homme qui a Dit Non – O Homem que Disse Não (TV FR3, 1992), dirigido por Olivier Horn, que dignifica o capitão paraquedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (1930-1994).
 
Voltou a chefiar a Redação da Visão no Rio entre 1971 e 1977. Paralelamente, em 1975 colaborou com o roteiro do documentário Que país é esse?, de Leon Hirszman (1937–1987). Dois anos depois, passou a chefiar a sucursal carioca da revista Veja (SP). Participou da equipe comandada por Valério Meinel e Amicucci Gallo que escreveu a reportagem de capa O Assassínio de Cláudia Lessin Rodrigues (1956-1977), matéria que valeu o Prêmio Principal do Esso de Jornalismo 1977. Em 1980, colocou Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nas páginas amarelas da revista, em uma das raras entrevistas concedidas pelo poeta à imprensa naquele período.
 
Assumiu o cargo de diretor da filial Rio de Janeiro da revista IstoÉ (SP) em 1981. Transferiu-se para o Jornal do Brasil (RJ) em 1985, após ser convidado a reformular a revista Domingo. Ocupou, depois, outras funções de chefia no matutino. Já reconhecido também como escritor, investigou o crime do seringueiro Chico Mendes (Francisco Alves Mendes Filho, 1944–1988) como repórter especial do JB. A série de reportagens O Acre de Chico Mendes rendeu dois prêmios para ele e sua equipe: o Prêmio Principal do Esso de Jornalismo 1989 e o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos do mesmo ano, na categoria Jornal.
 
Após as chacinas da Candelária e do Vigário Geral, em 1983, colaborou para a criação da Viva Rio, uma organização não governamental dedicada a projetos sociais e campanhas antiviolência. Começou, em 1994, a assinar uma coluna semanal no Segundo Caderno do jornal O Globo, passando depois a escrever duas crônicas por semana na editoria de Opinião. Seus textos chegaram a ser reproduzidos no G1, portal de notícias das Organizações Globo. Após nove meses frequentando a favela de Vigário Geral, editou um livro contando sua experiência: Cidade Partida (Companhia das Letras, 1994), um retrato das causas da violência no Rio, obra que ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem 1995.  Tornou-se colunista da revista Época, função que executaria até 1998.
 
Um câncer em fase inicial diagnosticado na bexiga serviu de inspiração para o livro Inveja: Mal secreto (Objetiva, 1998), onde contou a sua luta e vitória contra a doença, entre outras coisas. No mesmo ano lançou O Rio de J. Carlos (Editora Lacerda), sobre o chargista, ilustrador e designer gráfico brasileiro José Carlos de Brito e Cunha (1884-1950). A ele seguiram-se Crônicas de um fim de século (Objetiva, 1999) e 70/80 Cultura em Trânsito: Da repressão à abertura (Aeroplano, 2000), este com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. Foi argumentista e roteirista do documentário Um dia qualquer (VideoFilmes, 2000), dirigido por Izabel Jaguaribe, sobre um dia de trabalho na vida de cinco cariocas: uma dançarina de shows para turistas, um motorista de ônibus, um office-boy, um vendedor de abacaxi na praia de Copacabana e uma empregada doméstica grávida.
 
Foi condecorado e homenageado, em 2002, pelo projeto Jornalista Amigo da Criança, iniciativa da ANDI Comunicação e Direitos que reconhece o trabalho de profissionais na cobertura de assuntos sociais relacionados aos direitos da criança e do adolescente. Voltou ao Acre para escrever a última parte de Chico Mendes: Crime e castigo (Companhia das Letras, 2003), finalizado depois de 13 anos da morte do seringueiro. Escreveu o argumento e participou do roteiro do documentário Paulinho da Viola: meu tempo é hoje (VideoFilmes, 2003), um perfil afetivo do cantor, instrumentista e compositor carioca, dirigido também por Izabel Jaguaribe.
 
Publicou, na sequência os livros As Melhores Crônicas de Zuenir (Global Editora, 2004), organizado por José Carlos de Azeredo; Minhas histórias dos Outros (Planeta do Brasil, 2005), e 1968: O que fizemos de nós (Planeta do Brasil, 2008), uma revisita ao seu best-seller. Foi reconhecido, em 2008, como um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos” pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2010 foi eleito o Jornalista do Ano pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. Vieram, então, os livros: Conversa Sobre o Tempo (Agir, 2010), com Luis Fernando Verissimo; Crônicas para Ler na Escola: Zuenir Ventura (Objetiva, 2012), organizado por Marisa Lajolo; Sagrada Família (Alfaguara Brasil, 2012), seu primeiro livro de ficção, e Gerald Thomas: Arranhando a Superfície (Cobogó, 2012), com Antonio Gonçalves Filho e desenhos do famoso diretor teatral.
 
Comentou a década de 1960 para a seção Rio do acervo histórico do jornal O Globo, disponibilizado em agosto de 2013, que colocou à disposição dos leitores todo o conteúdo publicado desde sua fundação, em 1925.
 
Foi eleito em 2014 e reeleito em 2015 no Top 50 dos +Admirados Jornalistas Brasileiros, ranking elaborado pelo J&Cia em parceria com a Maxpress. Sucedeu a Ariano Suassuna (1927–2014) na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em março de 2015.
 
É casado com a Mary Ventura e pai de Mauro Ventura e Elisa Ventura, todos jornalistas.
 
 
Atualizado em dezembro/2015 – Portal dos Jornalistas
 
Fontes:
Jornalistas&Cia – Edição 1.020
Jornalistas&Cia – Edição 1.028

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