Motorpress Brasil dará lugar à Motor Mídia: conheça detalhes da nova operação

Será apresentada oficialmente ao mercado na próxima segunda-feira (27/3) a Motor Mídia, grupo criado a partir da sociedade de Isabel Reis, que encerra no final de março a operação da Motorpress Brasil, e da Matel, empresa com 45 anos de mercado, dirigida por Eduardo Ribeiro. Apesar da parceria entre ambos já ter sido adiantada alguns dias atrás, detalhes da operação ainda eram mantidas em sigilo. Além de seguir no comando de duas publicações que ainda eram editadas pela Motorpress – as revistas Racing e Motociclismo, bem como suas versões digitais e mídias sociais –, a nova marca atuará em outras áreas editoriais, como desenvolvimento de ações customizadas de varejo para empresas; catálogos multimídia para salões e eventos do setor; ações de Branded Content; e programas de vídeos sobre motos, automóveis e automobilismo, com debates, mesas-redondas e entrevistas. Em entrevista concedida na sede da nova empresa, que também abriga a operação e o estúdio da Matel, no bairro do Sumaré, Isabel e Eduardo falaram sobre seus planos para as publicações e eventos que seguem sob o guarda-chuva da nova operação, bem como o destino de seus profissionais e a estratégia de ambos para o futuro da operação. Confira a seguir: Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva – Como funcionava a parceria que vocês mantinham com a Motorpress Internacional? Isabel Reis – Antes da Motorpress eu tinha minha própria editora, em parceria com o Sergio Quintanilha, e foi lá que surgiu boa parte dos títulos que mais tarde editamos pela Motorpress. Dentre eles, já estavam as revistas Carro e Racing, a semanal Carro Hoje, que recentemente chegamos a relançar, mas que ficou pouco tempo no mercado, além de outros títulos relacionados a informática e alguns eventos, como o Melhor Carro. Em 1997, com o interesse da Motorpress em expandir sua atuação em diversos países, entramos no radar da Motorpress Lisboa, que mais tarde passou a se chamar Motorpress Ibérica, e que era responsável pela comercialização da marca nos países de línguas portuguesa e espanhola. Assim, criamos a operação brasileira, da qual eu era sócia e me mantive até o encerramento de suas atividades, que oficialmente acontecerá no final deste mês. J&Cia Auto – Como era o modelo comercial? Vocês pagavam royalties pelos títulos publicados? Isabel – Pelos títulos não, até porque já eram nossos e os que vieram depois também foram criações nossas, mas pagávamos uma espécie de taxa para utilização do conteúdo produzido internacionalmente pelo grupo. J&Cia Auto – Por que após 20 anos foi tomada a decisão de encerrar as operações no Brasil? Isabel – Esse é um movimento que a Motorpress Internacional vem fazendo em muitas de suas operações locais, motivado principalmente pela crise que o mercado editorial vem passando. Além do Brasil, eles também estão de saída da França, de Portugal, da China e de alguns países do Leste Europeu.   Relembrando o caso: Antes do anúncio do fim de suas operações, a Motorpress Brasil já havia vendido, no final de 2016, a Transporte Mundial para a Editora GG, que também publica a revista O Carreteiro. Com a decisão de encerrar por completo suas atividades no Brasil, outro importante título da casa, a revista Carro, e seus eventos e produtos, foi então vendida à Infini Editora, de O Mecânico. Já as revistas Racing e Motociclismo seguiram sob os cuidados de Isabel, que agora levou os títulos para sua nova empresa, a Motor Mídia. História: Em 20 anos de atividade, a Motorpress chegou a manter uma equipe com quase 90 funcionários e nove títulos, tendo atingido o ápice de suas operações em meados da década passada.   J&Cia Auto – E por que a venda de dois títulos? Isabel – Digamos que foi um misto de oportunidade e necessidade de focar as atuações da nova empresa em alguns públicos estratégicos. No caso da Transporte Mundial, o Edson Coelho [N. da R.: diretor da Editora GG] havia me sondado algum tempo atrás sobre a possibilidade de comprar o título, e na época eu não quis. Agora, com o fim da parceria com a Motorpress e o novo negócio com a Matel, achamos interessante, até para focar nossa atuação em segmentos que ambos dominamos. Já no caso da Carro, havia o interesse por parte do Fabio, e a proposta foi interessante pra gente. Eduardo Ribeiro – Para nós, este é o cenário ideal, pois além de falarmos com um público em que estamos inseridos há 45 anos, abrimos uma nova possibilidade de mercado, uma vez que a participação de motocicletas em nossos feirões e eventos ainda é muito baixa, quando comparada com os automóveis. J&Cia Auto – Tendo criado a Carro antes mesmo da chegada da Motorpress, como foi ter que se desfazer do título nessa nova etapa? Isabel – Eu chorei bastante no dia em que publiquei a notícia no Facebook e depois procurei levantar a cabeça e seguir em frente. Foi a Carro que permitiu que todos os demais títulos surgissem a seguir, e que nos trouxe inúmeras conquistas desde então.  J&Cia Auto – Como ficam as equipes, tanto nas redações de Racing e Motociclismo quanto no operacional da empresa? Isabel – Tentei fazer tudo o que estava ao meu alcance para manter o máximo possível do meu quadro, mesmo sabendo o quão difícil e muitas vezes inviável é tomar essa decisão em casos como esse. Ainda assim, alguns funcionários que participavam da operação das revistas foram mantidos e no caso das redações da Racing e da Motociclismo todos os jornalistas receberam propostas para continuar. Felizmente quase todos já acertaram sua permanência, apesar de falarmos de uma nova empresa, criada do zero. Em relação à Carro, a política adotada na redação está sendo a mesma. A ideia dos novos proprietários é manter os profissionais que tocavam a revista, para que ela siga os mesmos moldes de sucesso até hoje. J&Cia Auto – Já é possível adiantar quem fica? Isabel – Prefiro manter essa informação ainda em sigilo, pelo menos nos próximos dias. O que acontece é que todos esses profissionais tiveram que ser desligados da Motorpress e só poderão ser recontratados – e minha ideia é fazer isso em regime CLT – a partir de 3 de abril, quando a nova empresa passa a existir de fato. Até lá, sem contrato assinado, prefiro não adiantar uma situação que ainda não é certa para mim. J&Cia Auto – Haverá mudança de formato, periodicidade ou tiragem das revistas? Isabel – O modelo de negócio para as revistas permanece o mesmo. A Motociclismo é líder nos conteúdos especializados sobre motocicletas e o amplo mundo dos motociclistas. A Racing e o Capacete de Ouro são reconhecidos como os principais instrumentos de comunicação na área de automobilismo. Agora, com o desenvolvimento de várias ações físicas e digitais também para automóveis novos e usados, a Motor Mídia será a única empresa de comunicação que atingirá leitores as publicações impressas, internautas no mundo digital e pessoas fisicamente presentes nos eventos. J&Cia Auto – Como ficam os sites das duas revistas? Isabel – Nada muda. Mesmo com o fim de uma empresa e a abertura da outra, nossas mídias digitais não sairão do ar por nenhum minuto sequer e seguirão com atualizações diárias. Além disso, seguimos com nossa parceria com o portal MSN. Temos uma reunião nos próximos dias para confirmar os detalhes, mas o mais certo é que nada mude nesse sentido. J&Cia Auto – Alguma estratégia já traçada para o futuro? Eduardo – Agora pretendemos ampliar a sinergia entre as duas empresas. Com a experiência da Matel, principalmente em eventos e produção audiovisual, seremos capazes de ampliar ainda mais a participação das marcas Racing e Motociclismo no mercado e nas mídias digitais. Já estamos criando um projeto para o Capacete de Ouro ser realizado também de maneira dinâmica, ao longo do ano, no Sambódromo, complementado por programas de vídeo e reportagens, mantendo, é claro, a premiação final com uma grande festa de gala. J&Cia Auto – Por que apostar no mercado de revistas, quando o cenário não tem se mostrado tão favorável nos últimos anos? Eduardo – Não estou apostando no mercado de revistas, até porque não estamos falando aqui apenas de revista. Acredito no potencial que as marcas e produtos que estamos trazendo podem agregar ao nosso escopo de negócios. Será uma oportunidade para ambas as empresas, agora parceiras, se apoiarem na conquista de novos mercados. Minha perspectiva é das melhores.