Memórias da Redação – É pena pra todo lado

O diretor deste Portal dos Jornalistas Eduardo Ribeiro traz uma divertida história contada pelo governador paulista Geraldo Alckmin sobre a imprensa crítica em sua cidade natal, Pindamonhangaba, no interior do Estado.   É pena pra todo lado Esta pérola foi contada pelo governador paulista Geraldo Alckmin, no último dia 3/5, na abertura do Seminário Internacional de Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais e que contou com o apoio de Jornalistas&Cia.       Tema denso e tenso, ao final da exposição, para descontrair o plenário, o governador contou um causo ocorrido lá pelos anos 1940 ou 1950 na sua terra natal, Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Os vereadores da cidade, condoídos com a triste situação dos animais que puxavam as carroças, fizeram e aprovaram uma lei que concedia aposentadoria a todos após 30 anos de bons serviços prestados à comunidade. E para abrigar os animais que deixariam a faina diária, trataram logo de encontrar um belo terreno, com fartura de pasto e alimentação, para que passassem o resto de suas vidas tranquilos, como prêmio pela dedicação ao trabalho e ao povo pindamonhangabense. Um dos jornais da cidade tinha um colunista muito famoso por ?pegar no pé? dos políticos e autoridades locais e por fazer comentários sarcásticos das coisas bizarras e erradas que aconteciam na cidade ou região. O nome da coluna já dizia tudo: É pena pra todo lado. E aprovar uma lei de aposentadoria para muares era o que se poderia chamar de ?o ó do borogodó?. Prato cheio para a coluna. Dito e feito. Tão logo esse colunista soube da lei aprovada pela Câmara dos Vereadores e sancionada pelo prefeito, publicou no espaço: ?Os nobres edis de Pindamonhangaba aprovaram uma lei concedendo aposentadoria para os muares, pelos bons serviços prestados ao município. Mas quero aqui fazer uma denúncia. Essa lei é absolutamente INCONSTITUCIONAL. É até possível que os nobres edis não saibam, mas no Brasil é proibida a prática de legislar em causa própria?.