Fernando de Barros

(1915, Lisboa, Portugal / 11 de setembro de 2002, em São Paulo)

Fernando de Barros, jornalista, nascido em Portugal, chegou ao Brasil pelo Rio de Janeiro, em 1940. Uma das figuras centrais da definição da moda brasileira, nunca parou de trabalhar. Começou no teatro e no cinema, como sua primeira atividade logo que chegou ao Brasil. Veio ao Brasil a trabalho, foi a uma festa de Carnaval, apaixonou-se pelo país e acabou ficando.

Barros fez história no cinema. Começou como claquetista, depois passou a assistente de diretor de fotografia, assistente de produção e direção, até que se tornou um dos cineastas mais atuantes da Vera Cruz, na década de 50.

Na época, ele veio para integrar a equipe do filme Pureza, baseado na obra de José Lins do Rêgo. Depois de um mês sofreu um acidente: Barros foi atropelado e fraturou várias vértebras, nariz e cabeça. Em entrevista concedida ao Estado, em 1997, ele contou que renasceu no Brasil, por isso decidiu ficar. “Sempre fui guiado por acontecimentos”, argumentou.

Novos acontecimentos, como ele diria, também o fizeram mudar de opinião e residência. Quando chegou a São Paulo, em 1942, acompanhado de Jorge Amado, disse que não moraria ‘naquela aldeia’. Em 1950, durante a temporada da comédia Um Deus Dormiu Lá Em Casa, com Paulo Autran e Tônia Carrero, foi convidado a ser produtor-geral da Vera Cruz e acabou mudando-se para São Paulo. Apaixonou-se pela capital paulistana e fez um certo ‘mea culpa’ ao dizer que adorava morar em Higienópolis e passear pela Praça Vilaboim, bairros da cidade.

Produziu 4 peças e cerca de 20 filmes, alguns dirigidos por ele, como Apassionata, Caminhos do Sul, Quando a Noite Acaba, Riacho de Sangue, Lua de Mel e Amendoim, As Cariocas, Uma Certa Lucrécia e A Arte de Amar Bem.

Como jornalista, começou nos anos 60, na revista Quatro Rodas. Durante mais de 35 anos, Barros trabalhou na editora Abril, onde participou da criação de diversas publicações. Durante 26 foi editor de moda da Playboy. Nos últimos anos, era consultor da revista e coordenava ensaios de moda, além de também responder dúvidas no site. Escreveu sobre beleza para O Cruzeiro, uma das revistas mais importantes da América Latina, nos anos 40.

Fernando era considerado o introdutor da moda masculina no Brasil, seu principal foco, no entanto a marca que melhor o definiu foi o seu amor pelas mulheres. Traz no seu histórico oito casamentos, trajetória matrimonial que começou com o casamento com a atriz Maria Della Costa, abrindo sua lista de mulheres maravilhosas, depois Tônia Carrero, e entre outras divas a jornalista Costanza Pascolato que registrou em depoimento: “Ele me ensinou a apreciação de um gênero: o feminino”.

‘Era uma pessoa que sempre foi simples, atencioso com todos e feliz da vida’, de acordo com o estilista de moda masculina Ricardo Almeida.

Suam imagem ia além da aparência, contemporânea no uso da camisa jeans casualmente sob o paletó, um clássico. Um gentleman que se apresentava como dono de extrema gentileza.

Escritor, foi o autor dos livros ‘Elegância – Como o Homem Deve Se Vestir (Negócio Editora,1997) e ‘O Homem Casual’ (1998, Editora Mandarim), obra em ele defende a tese de que o estilo social não resistirá ao século 21, dando lugar ao estilo casual, mais confortável e não menos elegante.

Foi homenageado pela Associação Brasileira da Industria Têxtil (ABIT), em 2000, no Teatro Municipal de São Paulo. Noite em que o jornalista foi aplaudido de pé por aqueles que fazem hoje a moda brasileira.

Em setembro de 2015 volta a receber nova homenagem do mundo da moda brasileira pelo Grupo Mineiro de Moda nas comemorações do aniversário de 25 anos de atividade.

Na comemoração abre a exposição “Grupo Mineiro de Moda – Na Vanguarda dos Anos 80”, no dia 1º de setembro, no Centro de Referência da Moda, em BH.

Na exposição estarão fotos, textos, cerca de 15 vídeos de desfiles e momentos da história do grupo, acessórios e 36 looks que nunca foram expostos depois de lançados. Sessenta pessoas que faziam parte ou eram ligadas ao grupo deram depoimentos inéditos que também farão parte da exposição. A curadoria do evento é de Renato Loureiro, que foi um dos integrantes do GMM.

Barros, que passou por oito casamentos, morreu solteiro, aos 87, na primavera de 2002. Tinha, no entanto, outros tantos casamentos. Era casado com a moda, a beleza, a brasilidade da mulher, a elegância conectada à atitude de distinta da gentileza, e o carinho pelo Brasil. Seu filho, é o também jornalista Fernando Valeika de Barros.

 

 

Atualizado em agosto/2015 – Portal dos Jornalistas

Fontes:

Grupo Mineiro de Moda

 

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