Betty Milan

Betty Milan é paulista, nasceu em 1944. Antes de se tornar escritora e colunista, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo. Em 1974, foi para a França, fez terapia com Jacques Lacan, especializou-se em psicanálise com o mestre [fundador da Escola Freudiana de Paris] e tornou-se tradutora e assistente dele na Universidade de Paris VIII. 

Já formada, em 1968, especializou-se em psiquiatria, estagiando, no Brasil, em diversos hospitais ? inclusive no Juqueri, uma das mais antigas colônias psiquiátricas do país, situada em Franco da Rocha (SP) ? e, na Escócia, numa comunidade terapêutica dirigida pelo psiquiatra Maxwell Jones. Simultaneamente, estudou psicodrama e psicanálise. 

Em dezembro de 1969 foi para Nova York onde estudou Psicodrama no Institute em Beacon, e trabalhou diretamente com Zerka no Public Theater of New York. De volta ao Brasil, escreveu O jogo do esconderijo. Neste livro, questiona o psicodrama pelo que pode haver nele de voluntarista, já manifestando o espírito crítico que a caracteriza. 

Foi estudar na França em 1974. Pouco antes de terminar os estudos de psicanálise em Paris e voltar para o Brasil, em 1981, lançou o primeiro romance, O sexophuro, com o qual deu início a sua trajetória literária. O livro foi saudado pela crítica paulista. 

Em 1988, lançou Os bastidores do Carnaval, livro precursor que levou a sério o discurso dos carnavalescos. Graças a esse trabalho, ela conheceu Joãozinho Trinta, que lhe falou da importância da cultura brasileira ?do brincar?. 

Ainda dentro do conceito do ?brincar? escreveu o ensaio, publicado em 1983 na Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense, com o título O que é o amor. Apesar da polêmica e da crítica sobre o ensaio, um dos capítulos se tornou best seller e foi adaptado para o teatro onde estreou na peça, Paixão, também gravada e lançada em CD com o selo do Museu Paulista da Universidade de São Paulo. 

Os estudos finalizados com Lacan resultaram, em 1991, no romance, O Papagaio e o Doutor, que foi traduzido para o francês (1997) e para o espanhol (1998) e teve impacto em vários países ? Brasil, Portugal, França, Bélgica, Líbano, Argentina. Possivelmente pela independência que ele preconizava em relação ao mestre e aos ancestrais. Em 1998 a Editora Record publicou em português uma segunda versão do livro. 

Nesse período, escreveu outros textos. Primeiramente, em 1989, o ensaio, O país da bola, publicado na primeira página do Caderno B do Jornal do Brasil. Traduzido e editado na França durante a Copa do Mundo de 1998, o livro foi bem recebido pela imprensa francesa e entrou na seleção dos indicados pela revista Le Nouvel Observateur. 

De 1991 a 1994, escreveu A paixão de Lia, um romance em que erotismo e lirismo se confundem. A crítica o saúdou pelo imaginário e pela delicadeza. 

A partir de 1993, valendo-se do fato de morar em Paris e ser colaboradora de grandes jornais brasileiros, passou a fazer entrevistas especiais com artistas e intelectuais estrangeiros para o suplemento Mais, da Folha de S.Paulo, jornal no qual já colaborava desde 1980. Teve então a oportunidade de entrevistar escritores, artistas e pensadores como Nathalie Sarraute, Octavio Paz, Michel Serres, Jacques Derrida, Françoise Sagan entre outros. As entrevistas foram reunidas no livro A força da palavra, em 1996, pela Record. 

A Record lançou ainda em 1996 o livro Paris não acaba nunca, com uma série de 29 crônicas sobre Paris, que Betty escreveu em Francês, e que foram primeiramente publicadas no Jornal da Tarde, de São Paulo. Em 2004, o livro foi traduzido do francês para o chinês e editado em Pequim. 

Na sequência a Folha de S.Paulo encomendou dez entrevistas sobre o século XX, tendo como temas a cidade, a guerra, a terra, o desterro, a vida, as mulheres, o sexo, a língua, a arte e a comunicação. As entrevistas realizadas com dez grandes intelectuais europeus também foram reunidas no livro O século, que publicado pela Record ganhou o grande prêmio de crônica da Associação Paulista dos Críticos de Arte em 1999. 

Em 1998, Betty Milan foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris, em cujo contexto eram lançadas as versões francesas de Os bastidores do Carnaval (Rio, dans les coulisses du carnaval) e O país da bola (Le pays du ballon rond) pela Éditions de l’Aube. 

Em 1994, torna-se membro do Parlamento Internacional dos Escritores para o qual trabalhou ativamente até conseguir que Passo Fundo (RS) integrasse a rede de cidades-refúgios do Parlamento.

De 1996 a 2000, escreveu O clarão, uma obra que pode ser qualificada de “romance de sabedoria”, cujos temas eram a amizade e a morte. O clarão foi lançado em 2001 pela Editora de Cultura, como parte de um movimento de educação para a paz, que reuniu vários intelectuais e artistas no Projeto Amizade no Terceiro Milênio (PATM). O livro se tornou finalista do Prêmio Passo Fundo de Literatura, foi adotado pela Secretaria de Educação das prefeituras de São Paulo (SP) e Goiânia (GO) e é seguido da publicação de A cartilha do amigo, criada especialmente para o público escolar.

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