Memórias da Redação – História de rádio

A história desta semana é de Márcio ABC (marcioabc@marcioabc.com.br e 14-9651-4126), ex-diretor de Redação da rede de jornais Bom Dia, no interior de São Paulo. Antes, passou por Diário de Bauru (em duas ocasiões), O Imparcial (de Presidente Prudente), Lins Rádio Clube, Veja Interior, TV Manchete, TV TEM e portal iModelo. Também atuou como assessor de comunicação, publicitário e professor de Jornalismo. Autor dos romances Parabala (2002), Desrumo (2011) e Pater (em 11/8, na Bienal do Livro de São Paulo), hoje é professor universitário, comentarista da TV TEM (afiliada Globo) no oeste paulista e mantém o blog www.marcioabc.com.br.   História de rádio Vi hoje na rua um sujeito curioso que me lembrou um velho conhecido com quem trabalhei num dos meus primeiros empregos. Eu era chefe de Jornalismo da Lins Rádio Clube, em 1990. Havia na emissora um apresentador de programa sertanejo chamado Jota Marques. Há alguns anos escrevi sobre ele no meu blog. Vou reproduzir aqui a pequena história. Era um sujeito baixinho, bigodudo, de cabelos pretos lisos que ele mantinha razoavelmente compridos e penteados como um ator de novela mexicana. Simpático e boa praça. Todo fim de tarde ele ia ao ar para atender aos pedidos de ouvintes. Num certo período, criei um ouvinte fictício. Chamava-se Elenildo Madeira e todo santo dia ligava (da própria redação da rádio) para o Jota com histórias malucas que aconteciam com ele. Uma pescaria onde um jacaré mordera-lhe a bunda e coisas do tipo. Também costumava falar de receitas mirabolantes que ele inventava, tipo uma fritada de ovos que levava cachaça. O curioso é que o apresentador foi se afeiçoando ao Elenildo Madeira, ouvinte que ele julgava realmente existir. Havia dias em que, de propósito, eu não fazia a ligação só para ver a reação do Jota. E, nessas ocasiões, ele sempre comentava em tom de lamento a ausência do amigo Elenildo. O papo entre os dois passou a fazer parte do programa. A ficção foi se espalhando entre o pessoal da rádio. Virou atração. Todo mundo parava para ouvir a conversa que ia ao ar. Só o Jota não sabia. E nunca soube. O Jota já morreu. O Elenildo Madeira também.