Em São Roque, O Democrata chega aos 100 anos

Rodrigo (esq.) e Maíque junto à linotipo do museu

Diferentemente da maioria de seus congêneres do interior do País, O Democrata, pequeno semanário que circula em São Roque, cidade de 85 mil habitantes a 60 km de São Paulo, parece não ter do que se queixar: completou 100 anos em 1º de maio passado e com boa liquidez.

Rodrigo Boccato, 35 anos, que há um mês assumiu a gestão do jornal a pedido dos tios-avós Élcio, Rubens e Sérgio, garante que tanto a longevidade quanto a situação financeira confortável devem-se ao fato de, desde a sua fundação, manter a linha de atender à comunidade com isenção e independência.

Ele representa a quinta geração da família à frente do jornal, fundado em 1917 por seu trisavô materno Antônio Vilaça, com os irmãos Manuel e Argeu. Heitor (seu bisavô) e Francisco Boccato o adquiriram dois anos depois. Os filhos destes – Osmar (o avô, já falecido) e os três tios-avós que o chamaram – assumiram em seguida. O pai, Osmar Henrique, o Maíque, que é diretor do jornal, recentemente adquiriu dos tios o controle acionário da empresa.

Formado em Publicidade, Rodrigo morou por sete anos em São Paulo até começar no jornal, em fevereiro. Ficou quatro meses tomando pé dos negócios, antes de assumir em definitivo. Com ele chegou a irmã, Priscila, gerente comercial. Seu tio Élcio continua assinando como responsável, mas na prática ele é o editor-chefe.

Segundo Rodrigo, O Democrata tem hoje uma circulação de cinco mil exemplares e 100 mil acessos/mês no site. E começou recentemente a fazer testes com um canal no YouTube. Está inclusive contratando pessoal de edição e design. Tem 11 empregados registrados, quatro deles jornalistas, além de colaboradores.

“Acho que nosso principal desafio é seguir mantendo a isenção e o espírito de comunidade”, afirma. “No momento em que eu parar de falar das coisas tipicamente locais, vou perder audiência. Se eu não falar do menino que foi para a seleção infantil de beisebol, do campeonato de veteranos, dos nadadores do clube, onde essas notícias vão sair? Aqui ainda predomina o espírito comunitário, as pessoas cuidam das coisas locais. O jornal faz parte disso, tem papel importante nessa divulgação. O que acontece aqui no dia a dia não vai passar no Fantástico. É claro que não noticiamos mais brigas de vizinhos, cachorros atropelados, mas se você quer saber o que acontece na sua cidade precisa ler o jornal local. Só aparece fora daqui quando explode algum escândalo. E como não temos uma emissora de tevê, estamos criando a nossa. Com a internet ficando cada vez mais acessível, o conteúdo vai acabar migrando para a tevê. Com isso esperamos manter o nosso jornalismo, nem que seja em outra plataforma. E vamos segurar o impresso enquanto der. Enquanto houver dez comprando, estaremos vendendo”.

Embora rode em Itu, O Democrata tem uma pequena gráfica para impressos em geral, que em breve vai se mudar para novas instalações. E adotou a manutenção da praça defronte à sua sede, para onde está transferindo maquinário antigo e compondo um pequeno museu do centenário.

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