Dois clássicos deixam a grade de programação das tevês abertas

Programa do Jô vai até esta sexta-feira (16/12). Sem censura, com Leda Nagle, encerra as apresentações no início de janeiro Por Cristina Vaz de Carvalho, editora no Rio Dois ícones das tevês abertas – o Programa do Jô, na Globo, e o Sem censura, na TV Brasil – serão extintos no ano que vem. Como uma deferência especial, Jô Soares teve um ano de aviso prévio da Globo, e não apenas o mês convencional, o que só prolongou a repercussão de sua despedida. Leda Nagle não foi alvo da mesma consideração. Avisada em 7/12 de que seu contrato, que termina em janeiro, não seria renovado nas mesmas bases, protagonizou uma polêmica que dominou o noticiário sobre mídia. Sem muita censura no bate-boca O programa Sem censura, da TV Brasil, será descontinuado em 5 de janeiro. O motivo alegado por Laerte Rimoli, presidente da EBC, controladora da TV Brasil, foi a revisão de todos os contratos, sem exceção, de uma empresa em situação financeira insustentável, com o que Leda Nagle não concordou. Daí para um bate-boca cheio de farpas, de parte a parte, nas redes sociais, foi só um passo. Sem censura estreou há 31 anos, na então TVE. Foi apresentado por Tetê Muniz; Gilse Campos; Lúcia Leme por dez anos; Cláudia Cruz (atualmente casada com o político Eduardo Cunha); Elizabeth Camarão; Liliana Rodrigues e Márcia Peltier. Em 1996, Leda assumiu a direção e apresentação, num formato que durou até hoje, e já são 21 anos. Nas palavras de Patrícia Kogut, em sua coluna no jornal O Globo, “entre seus convidados haveria certamente alguém muito interessante, algo a aprender, uma simpática conversa para se acompanhar. […] Ninguém lançou um livro, um filme ou um CD sem passar por ali”. Boa entrevistadora, com produção afiada para conseguir até seis atrações diárias, Leda recebeu vários grandes nomes da cultura – escritores, músicos e cineastas – e alguns importantes cientistas e técnicos, fosse sobre medicina, meio ambiente, estilo de vida. O Sem censura resistiu a algumas ameaças, como na ocasião em que a TVE mudou sua razão social para TV Brasil, em 2007. Cogitou-se a extinção do programa, sob o argumento, divulgado entre os funcionários, de não haver espaço para uma equipe de produção com cerca de 20 pessoas e, portanto, fora do orçamento. Nos bastidores, os que seriam demitidos com a medida comentaram que o motivo seria o fato de a atração não condizer com a linha editorial adotada pela nova empresa-mãe, a EBC. A repercussão foi tão grande que a direção recuou e o manteve na grade. Há já algum tempo, o programa era realizado em regime de coprodução entre a TV Brasil e a Leda Nagle Produções. Sem dúvida, o ônus recaía sobre a emissora. Leda contesta os valores mencionados por Rimoli e alega que, do pagamento que recebe, sua produtora mantém quatro pessoas contratadas. No site da TV Brasil, aparece uma equipe de 27 pessoas, ainda que não exclusivas do programa, além do uso dos estúdios. Mas a principal reclamação de Leda procede: “O incorreto foi terem ficado dois meses me cozinhando, dizendo que estava tudo certo. Eles tinham todo o direito de me demitir, de não renovar o contrato, mas tinham que ter sido honestos e não foram. Falar isso na hora de assinar, achei muito deselegante”. Vale lembrar que dois meses é o tempo em que Rimoli assumiu o comando a empresa, também depois de muitas idas e vindas. Programa do Jô se despede entre lágrimas e beijos O Programa do Jô terá sua última apresentação nesta sexta-feira (16/12). Fato anunciado desde o início do ano, Jô Soares teve um ano inteiro para que sua audiência o lamentasse. Apesar da enorme versatilidade – é apresentador, humorista, escritor, roteirista, entre outras atividades como a música e a pintura – Jô é jornalista bissexto, mas, mesmo assim, é um dos mais bem sucedidos e longevos entrevistadores da tevê brasileira. Ele estreou com o late show Jô Soares onze e meia no SBT em 1988, e ali passou 11 anos. De lá, em 2000, foi para a Globo – onde estivera antes, por 17 anos, como humorista – e já se vão 16 anos do Programa do Jô. Somados, são 28 anos com um programa no mesmo formato. O apresentador, aos 78 anos, não esconde que nem pensa em se aposentar. A emissora, por sua vez, tem projeto de um talk show com Pedro Bial para estrear em abril, no mesmo horário. No decorrer deste ano, houve tentativas de manter Jô na Globo e, da parte dele, de se manter na Globo, como relata Daniel Castro no UOL, todas sem sucesso. Nenhum projeto apresentado pelas duas partes obteve a aprovação de ambas. Um deles foi a oferta de uma coluna no Jornal da Globo, recusada por Jô considerar um retrocesso – ele fora comentarista do mesmo telejornal, na década de 1980, durante quatro anos. Sendo assim, o Gordo se despede com um beijo neste final do ano – e muitas lágrimas diante de seus inúmeros amigos – e parte para novos desafios. Haja fôlego!