Abraji critica ataques de João Doria à imprensa

A Abraji distribuiu nota em 5/9 com críticas ao prefeito paulistano João Doria, que em 4/9 voltou a atacar a rádio CBN e a repórter Camila Olivo por esta ter denunciado que moradores de rua foram acordados em 19/7 por jatos de água de caminhões da Prefeitura. Confira a íntegra:

“O prefeito João Doria, do PSDB, voltou a atacar a reportagem da rádio CBN nesta segunda-feira (4.set.2017). O político tenta desqualificar o trabalho da repórter Camila Olivo, que em 19/7 noticiou que moradores de rua da Praça da Sé haviam sido acordados por jatos de água de caminhões da prefeitura.

A prefeitura sustentou que imagens de câmeras da região desmentiam a repórter. A equipe da CBN conseguiu os vídeos via Lei de Acesso à Informação, mas eles não mostram o local do incidente. Ao repercutir o assunto com Doria em 4/9, o repórter Pedro Durán foi hostilizado.

O prefeito questionou a experiência do repórter. Depois, referindo-se a Camila Olivo, afirmou que o procedimento esperado de uma jornalista durante a cobertura teria sido filmar os jatos d’água. Para Doria, a ausência de vídeos de celular seria prova de que a profissional mentia. Por fim, o político atacou a isenção de Camila Olivo, informando um suposto passado partidário que inabilitaria a jornalista para a cobertura.

Não é a primeira vez que Doria ataca a imprensa em lugar de responder aos questionamentos de reportagens. Em vídeo de 7/7, o prefeito desqualificou o trabalho de apuração do jornalista Artur Rodrigues, da Folha de S.Paulo, autor da manchete Doações empacam, e somente 8% do valor prometido por Doria é efetivado. Antes, em 9/6, atacou a reportagem da CBN que alertava para a doação à Prefeitura de medicamentos próximos de vencer. Em vídeo, Doria negou que estivesse distribuindo medicamentos vencidos – algo que a reportagem não afirma em nenhum momento.

Ao desqualificar o jornalismo em vez de responder aos questionamentos da imprensa, Doria nega à sociedade o direito intrinsecamente democrático de vigiar os atos dos administradores.

Para além disso, suas respostas são usadas por grupos com larga audiência na internet para desacreditar o trabalho da imprensa. É direito de todo cidadão contestar e criticar reportagens, assim como é dever da imprensa e dos jornalistas ouvir e publicar as críticas. Isso, entretanto, não justifica tentativas de intimidação virtual que podem se transformar em agressões verbais e físicas.”

A Prefeitura enviou em 6/9 nota em resposta ao texto da Abraji. No entanto, ao publicá-la, a diretoria da Abraji destacou “que a Secretaria de Comunicação, ao tergiversar, não aborda o principal: os ataques do prefeito a profissionais e a veículos de comunicação”.

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